sexta-feira, 20 de junho de 2008

Cai a mobilidade e despenca a economia

Jorge Miguel dos Santos*

Foto Divulgação

O Brasil vive o melhor momento de sua economia. Como diria o presidente Lula, é o “milagre econômico”. O salário mínimo aumentou em 2008, embora que minimamente, mas aconteceu. Ainda em 2007, no Estado de São Paulo foram criados 611.539 mil postos de trabalho, o que equivale a 38% de todos os postos criados no Brasil. E para melhorar, o superávit primário de 2007 foi o maior de nossa história.

Todo esse aquecimento da economia é visto a olhos nus na cidade de São Paulo com o aumento do número de trabalhadores e o transporte público insuficiente nos horários de pico. Há mais pessoas circulando nas ruas, para ir e vir do trabalho, às compras, à escola, ou ainda movimentação de turistas para conhecer a cidade e buscar o que ela tem de melhor a oferecer.

É aquele movimento que faz com que toda a economia gire. E para a euforia do setor automobilístico as pessoas estão com poder aquisitivo para comprar carros. É comum ver uma família com mais de um veículo na garagem e todos saem, ao mesmo tempo, para passear, ir ao supermercado, ao trabalho e à escola, mas cada um em seu respectivo veículo, é claro!

Agora, o cenário seria ainda mais encantador, se tivéssemos também uma malha viária - ruas, avenidas, rodovias - que comportasse esses seis milhões de veículos que tentam trafegar por São Paulo. Considerada uma das maiores do mundo, a Capital paulista não detém uma estrutura viária necessária para suportar tantos veículos de passeio, de cargas e transporte de passageiros.

O que causa congestionamentos abusivos, com recorde de 266 km em vésperas de feriados. Se a cidade antes era conhecida como a “terra da garoa”, passou a ser reconhecida como a cidade do trânsito monstro, do caos no tráfego. É certo: todos concordam, vivemos uma crise da mobilidade – a cidade deixou de proporcionar o direito de ir e vir de seus cidadãos, ou melhor, ele o tem desde que ande a pé.

Todos os meios enfrentam dificuldades: o transporte público não consegue suprir a demanda e oferecer um serviço de qualidade aos usuários. O Metrô não cobre todas as áreas da cidade e mesmo transportando cerca de três milhões de passageiros diariamente, não é o suficiente.

Com a superlotação dos ônibus e trens as pessoas optam pelo carro particular e acabam parados em congestionamentos. E para piorar não há uma extensão viária, nem fiscalização compatível. Muitos imaginam que os efeitos dessa crise afetam apenas a mobilidade das pessoas, mas não é bem assim. Existem outras conseqüências, o trânsito afeta também a qualidade de vida, há maiores gastos com a manutenção dos veículos, e os efeitos da crise ainda são repassados para outros setores da economia.

Quantos mil reais convertidos em litros de combustível jogados fora, ou ainda melhor, no meio ambiente?

Segundo uma pesquisa realizada pelo Citigroup no final de 2007, o trânsito gera uma perda de 5% na produtividade do trabalho todos os anos. E outro estudo, desta vez da Fundação Getulio Vargas, mostra que o prejuízo causado pelos congestionamentos paulistanos é de R$ 33,5 bilhões por ano.

E até quando as pessoas vão suportar sair de casa - fora de casos extremos, como ir ao trabalho, a escola e médicos - por receio de ficar presos em congestionamentos? Será que teremos produtos e serviços disponíveis, a curto e médio prazo, com valores acessíveis, pois se aumenta o tempo ou distância de transporte de uma carga, aumenta também os valores do serviço e, conseqüentemente, sobe o preço final.

Vemos que tudo gira em torno de algo que, por muito tempo, ficou em segundo plano na cidade, como a gestão do trânsito, dos transportes e das vias. E, evidentemente, para que São Paulo acompanhe o bom momento da economia brasileira, devem ser criadas, com urgência, soluções para minimizar a crise em curto prazo.

Se de um lado a população é lembrada, a todo instante, para deixar o seu veículo em casa, por outro lado, o poder público deve também oferecer soluções viáveis e um transporte confortável. Só assim a troca será justa.

* Jorge Miguel dos Santos, economista com especialização em custos e formação de preços, consultor em logística no transporte de pessoas e de cargas, é organizador do I Fórum de Debates sobre Trânsito e Transportes, promovido pelo Transfretur – Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento para Turismo de São Paulo em 25 de junho, no Novotel Jaraguá
Junho 2008
Jornalista responsável: Clarice Pereira (MTb 15.778)
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