domingo, 22 de junho de 2008

Comprovando a eficácia da auto-hemoterapia

Walter Medeiros

O Brasil inteiro assistiu a TV Globo, no Jornal Nacional, mostrar que “Cientistas americanos desenvolveram um tratamento que abriu novas perspectivas no combate ao câncer”, completando que “O método utiliza células do sangue do próprio paciente”.

Segundo a notícia, “A nova técnica foi usada em um paciente com quadro grave da doença” e que “O câncer tinha se espalhado da pele para pulmões e virilha”. A técnica foi usada há dois anos e o câncer nunca mais voltou. O mais surpreendente, segundo a informação, é que “o paciente não recebeu qualquer tratamento complementar, como quimioterapia ou radioterapia”.

A descoberta científica mostrada quinta-feira, 19, pela imprensa – inclusive no Jornal Nacional da TV Globo, é uma comprovação - com certa sofisticação - de que a auto-hemoterapia funciona e pode ser a solução para muitos problemas de saúde.

Trata-se de mais um fato que vem mostrar como o Conselho Federal de Medicina e a ANIVSA estão na contra-mão da história, pois declaram proibida a auto-hemoterapia no Brasil, mesmo sem base legal para tanto, enquanto a ciência continua paulatinamente comprovando a sua eficácia.

A notícia foi divulgada pelas agências e também nos jornais, mostrando que a equipe do Centro para Pesquisas do Câncer Fred Hutchinson, em Seattle, explicou ter usado células do sistema imunológico do paciente, um homem de 52 anos, para atacar a doença, que havia se espalhado da pele para pulmões e virilha.

A experiência, relatada na publicação científica New England Journal of Medicine, partiu de estudos que indicam que as células do sistema imunológico podem ser eficazes no combate ao câncer. Os cientistas colheram uma amostra de células brancas do sangue do paciente e separaram as células CD4+T, que foram preparadas especialmente para atacar uma substância química localizada na superfície do tumor.

Em seguida, os especialistas clonaram as células produzindo cinco bilhões delas e as injetaram no organismo do homem. Dois meses depois, ultrassonografias revelaram que os tumores haviam desaparecido e - dois anos mais tarde - que não haviam retornado. As células clonadas permaneceram no organismo do paciente durante meses após o tratamento.

O Globo, por sua vez, publicou matéria registrando que um homem de 52 anos com um avançado melanoma - a forma mais letal de câncer de pele - foi tratado com sucesso com seu próprio sangue. O feito foi recebido por especialistas como um "significativo avanço" do uso da imunoterapia, método baseado no reforço do sistema imunológico do corpo com o objetivo de combater a doença.

Antes do tratamento com as células de defesa, ele tinha se submetido a uma cirurgia e tomado remédios sem apresentar nenhuma resposta positiva.

Cassian Yee, responsável pelo tratamento no Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson, em Seattle, contou que uma em cada quatro pessoas com melanoma em último estágio apresenta o mesmo tipo de sistema imunológico e antígenos tumorais que o paciente tratado. Para esse grupo, a terapia poderia ser bem sucedida. Mas Yee ressaltou que o teste foi feito em apenas um paciente e que mais estudos são necessários.- Ficamos surpresos com o efeito antitumoral dessas células T e com a duração da resposta - afirmou o cientista. - Para este paciente o tratamento foi um sucesso, mas precisamos confirmar a eficácia da terapia num estudo mais amplo – acrescentou.

O estudo foi publicado na revista “New England Journal of Medicine” e descreve a terapia como “uma nova estratégia” que aponta “uma possível nova direção” para o tratamento. Diretor do Lombardi Comprehensive Cancer Centre, em Washington, e autor do comentário sobre o estudo publicado na mesma revista, Louis Weiner afirmou que, embora ainda seja cedo para se estar seguro sobre o significado de um único caso, tudo indica que o estudo dará um substancial impulso para a imunoterapia no tratamento do câncer.- Parece-me que se o fim da jornada ainda não está nas mãos, está à vista. O fim do jogo começou - resumiu o especialista.

Peter Johnson, do Cancer Research do Reino Unido, afirmou que “Embora a técnica seja complexa e difícil de ser usada por todos, o princípio de que as próprias células imunológicas do paciente possam ser direcionadas a trabalhar desta forma é muito encorajador.”
Walter Medeiros é jornalista

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