segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

'Presença do Estado ajuda a sair de crise'

Crise econômica do México em 95 mostrou que geração de emprego e transferência de renda promovem recuperação sustentável, diz estudo
Crédito: Paul Morse


da PrimaPagina

Estratégias de mercado como abertura para comércio e privatizações podem ajudar na recuperação de crises, mas não sustentam o crescimento. Isso é o que defende um artigo publicado na revista In Focus, do Centro de Internacional de Pobreza, uma instituição de pesquisa do PNUD, resultado de uma parceira com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).O estudo se debruça sobre os efeitos da crise de 1994 e 1995 no México e defende que países em desenvolvimento busquem a estabilidade econômica com investimentos estatais em programas como os de transferência de renda, de geração de empregos ou de assistência a desempregados.

O artigo “Aprendendo com o passado: A experiência de política pró-mercado que falhou no México” conclui que o incentivo às práticas liberais de mercado naquele país contribuíram para melhorias no desemprego e renda dos mais pobres, mas as mudanças não se sustentaram. Eduardo Zepeda, autor do texto, afirma que o México só encontrou uma saída sólida para o desenvolvimento depois de promover políticas em prol da geração de renda para a população mais pobre.

O especialista em comércio internacional afirma que a forma como o México buscou saídas para a crise econômica pela qual passou entre 94 e 96 trazem boas e más lições para os países em desenvolvimento. O período foi marcado pela adesão do país ao acordo de livre comércio da América do Norte, o NAFTA, e pela aceitação do governo das recomendações do Consenso de Washington, conjunto de medidas defendidas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), Banco Mundial e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) nos anos 90 como forma de promover o crescimento da economia de países da América Latina.

Dentre as principais recomendações aplicadas pelo México estavam a abertura comercial, a privatização de estatais e o controle da inflação. “As políticas do Consenso de Washington conseguiram gerar crescimento, mas não foram boas o suficiente para sustentá-lo, nem serviram para promoção de um crescimento pró-pobre”, afirma o estudo.

Depois que o México entrou no NAFTA, em 1994, diz Zepeda, experimentou o pico de uma crise causada pelo enfraquecimento da moeda nacional. Ao mesmo tempo, o emprego nas indústrias voltadas para a exportação (as chamadas maquiladoras) cresceu a uma taxa anual de 5,6%. “Porém, as taxas de crescimento começaram a cair já em 1998 e o crescimento não foi pró-pobre”, contesta Zepeda. Ele explica: entre 1996 e 2000, a renda dos 20% mais pobres caiu e os salários de trabalhadores diminuíram a 0,2% ao ano. Além disso, o economista critica a priorização do controle da inflação: “o lado ruim é um comércio exterior pouco competitivo e o lento crescimento. Isso prejudica a criação de empregos”.

O artigo defende uma postura alternativa à do Consenso de Washington, na qual se priorize um comércio competitivo e o reforço das leis trabalhistas e do salário mínimo. Zepeda ainda elogia o programa de transferência de renda implantado no México em 1997 e diz que se ele tivesse surgido antes, a crise não teria afetado tanto a renda dos mais pobres.

“A revisão da experiência mexicana fala alto para a urgência de deixar para trás a fé que a política dominante coloca nas forças de mercado e sustentar emprego baseado em estratégias de desenvolvimento. A atual crise financeira global sublinha dramaticamente essa lição vinda do México”, encerra o autor.

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