terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Refúgio Biológico reproduz harpia

O casal de harpias (Harpia harpyja) do Refúgio Biológico Bela Vista vinha piando diferente nos últimos dias. E por um motivo especial: estava se preparando para receber um novo integrante da família. Mas valeu o esforço. O bebê harpia nasceu na última quinta-feira, dia 15. Com aproximadamente 100 gramas, é o primeiro filhote da espécie reproduzido com sucesso em cativeiro no Sul do País.




Reprodução da harpia é resultado de anos de trabalho de técnicos do Refúgio Biológico. Nascimento em cativeiro é fato raro no Sul do País.

O filhote está sendo tratado pelos veterinários e técnicos do Refúgio Biológico. Com tantos cuidados, o bebê-harpia, que é mantido numa estufa e é alimentado cinco vezes por dia, vem ganhando peso. Nasceu pesando 80 gramas e já está com quase cem gramas. E as mãos humanas fazem as vezes do bico da mãe por um motivo sério: somente desta forma o filhote pode sobreviver.

Quem explica é o técnico Marcos José Oliveira, especializado no manejo dos animais rapinantes, como corujas, águias e harpias. Segundo ele, em 2007 e 2008 o casal de harpias teve três crias, mas nenhuma passou da primeira semana de vida. “O casal é normal, eles copulam, chocam o ovo. Mas naqueles casos, quando os filhotes nasceram, a mãe não deu comida. Por isso eles não resistiram”, conta Marcos.


Desta vez a saída foi separar o bebê da mãe e criá-lo na estufa. "A medida é para evitar que o filhote morra", diz o veterinário do refúgio, Wanderlei de Moraes, reconhecendo que não há explicação para o fato de a mãe harpia não alimentar o filhote. Por precaução, o bebê harpia vai ficar isolado por trinta dias, em um ambiente com clima e alimentação controlados. Depois deverá voltar ao recinto onde vai viver próximo dos pais. “Nosso objetivo sempre foi a reprodução da espécie e conseguir isso é motivo de grande comemoração”, diz Wanderlei, sem esconder o sorriso de satisfação. “Por isso nem colocamos o casal de harpias para exposição no zoológico.”


Animal em extinção

A satisfação de Wanderlei, de Marcos e dos outros responsáveis pela reprodução da harpia é justificável. Ave símbolo do Brasão de Armas do Paraná, a harpia (também conhecida como gavião real ou uiraço-verdadeiro) é considerada quase extinta no Estado e rara no Brasil, segundo o Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Natural de áreas florestais como a Mata Atlântica e a floresta amazônica, os maiores remanescentes da ave se encontram na Amazônia.


O trabalho de recuperação da espécie, entretanto, é lento e exige paciência. “Estamos apenas na primeira fase da reintrodução da harpia”, pondera Wandelei. É preciso, segundo o veterinário, uma grande área para elas habitarem e uma população mínima de 100 espécimes para que a harpia possa sobreviver à própria sorte.


Mas o casal de harpias do refúgio, e o filhote recém-chegado, são os poucos exemplares do Paraná – há outros no Parque das Aves e no zoológico de Curitiba. O macho está no refúgio desde setembro de 2000, ele foi resgatado de dentro de uma caixa de papelão na BR 277, próximo ao bairro Três Lagoas, em Foz do Iguaçu. A fêmea chegou em março de 2002 - veio da cidade de Juazeiro, na Bahia, resultado de operações contra o tráfico de animais silvestres.


E a família pode crescer ainda mais e aumentar as chances de reintrodução da espécie no estado. Outro ovo está sendo chocado pela mãe harpia e deve eclodir esta semana. O bebê harpia mal nasceu e já vai ter que dividir a atenção com um irmão caçula. Ao menos essa é a grande torcida.


Características

Ave da família Accipitridae, a harpia é considerada a rapinante mais poderosa do mundo. Ela possui asas largas e redondas, pernas curtas e grossas, e dedos extremamente fortes, com enormes garras, capazes de levantar um carneiro do chão. Sua cabeça é cinza; o papo e a nuca, negros; e o peito, a barriga e a parte de dentro das asas, brancos. A harpia possui como principais características físicas: olhos pequenos, um longo topete, uma crista com duas penas maiores e uma cauda com três faixas cinzentas, que pode medir até 2/3 do comprimento da asa.


Tem entre 50 a 90 centímetros de altura, envergadura de até 2 metros e peso variando entre 4 e 4,5 quilos, quando macho, e entre 6 e 9 quilos, quando fêmea. Esta ave de rapina pode ser encontrada do México à Bolívia, na Argentina e em grande parte do Brasil, vivendo em árvores altas, dentro de vasta mata, onde constrói seus ninhos.


Ela voa alternando rápidas batidas de asa com planeio. Tem um assobio longo e estridente e, nas horas quentes do dia, costuma voar em círculos sobre florestas e campos próximos. Sua alimentação é feita de animais de porte médio, como aves, macacos e preguiças que são capturadas quando tomam sol nas copas das árvores, de manhã cedo.

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