terça-feira, 23 de setembro de 2008

Projetos no Cerrado vão receber US$ 1 mi



Crédito: Policia Militar de SP/Divulgação
Crédito: Policia Militar de SP/Divulgação

Brasília, 23/09/2008

Programa selecionará cerca de 40 iniciativas que conciliem exploração e conservação em um dos biomas brasileiros mais ameaçados

OSMAR SOARES DE CAMPOS
da PrimaPagina

Um programa que oferece recursos para projetos que conciliem exploração e conservação do Cerrado abriu edital para conceder US$ 1 milhão a partir do ano que vem. A expectativa é atender cerca de 40 iniciativas que envolvam pequenas comunidades, gerem renda e respeitem o meio ambiente nesse bioma que é um dos mais ameaçados do Brasil — estudos citados pelo Ministério do Meio Ambiente indicam que, se o ritmo de devastação não for revertido, o Cerrado pode desaparecer em pouco mais de 20 anos.

A verba virá do PPP-ECOS (Programa de Pequenos Projetos Ecossociais), que tem patrocínio do GEF (Global Environment Facility) e colaboração do PNUD. As propostas devem ser enviadas até 13 de outubro. Serão beneficiados dois tipos de projetos: iniciativas pequenas e inéditas, que podem receber até US$ 35 mil, ou trabalhos consolidados em busca de expansão, que podem pleitear até US$ 50 mil. A maior parte do dinheiro (70%) é destinada ao primeiro tipo. “Esse financiamento serve como uma espécie de apoio inicial para projetos dessas comunidades, que, esperamos, mais tarde alcem vôos maiores, com outros financiadores”, afirma a antropóloga Karenina Andrade, assessora-técnica do PPP-ECOS. “Por essa filosofia, preferimos privilegiar pequenos projetos.”

Serão contempladas ações não só no Cerrado, mas também em áreas de transição entre esse bioma e a Caatinga, a Amazônia, a Mata Atlântica e o Pantanal. "A escolha do Cerrado como área prioritária do projeto deve-se à sua rica diversidade biológica e às fortes pressões que o bioma sofre em função da expansão da fronteira agropecuária e da urbanização acelerada sem critérios socioambientais", diz, em texto distribuído à imprensa, a antropóloga Andréa Lobo, coordenadora-executiva do ISPN (Instituto Sociedade, População e Natureza), que administra o PPP-ECOS.

As propostas serão selecionadas por um comitê gestor nacional, com representantes de órgãos governamentais, organismos internacionais, organizações da sociedade civil e universidades. O resultado deve sair até dezembro. Entre fevereiro e março de 2009, os responsáveis pelos projetos selecionados vão participar de uma oficina de planejamento em Brasília. Mais tarde, eles devem apresentar um plano de trabalho com resultados esperados, atividades a serem realizadas, indicadores, responsáveis pelas atividades, prazos e custos. A liberação das primeiras parcelas de recursos aos escolhidos está prevista para março do próximo ano.

O PPP-ECOS investe em ações de cunho ambiental, produtivo ou social relacionadas a pequenas comunidades. Desde que foi lançado no Brasil, em 1995, já apoiou 262 projetos em comunidades de 14 Estados e do Distrito Federal, investindo um total de US$ 6,2 milhões. Entre as iniciativas apoiadas estão unidades de beneficiamento de polpa de frutas nativas do Cerrado, viveiros, artesanatos, trabalhos de comunidades indígenas, proteção de animais silvestres, manejo de áreas degradas e plantio de mudas, além de projetos de apoio à agricultura familiar.

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