domingo, 27 de janeiro de 2008

FSM fortaleceu movimentos populares e mudou ambiente político da América Latina

O século 21 tinha recém começado quando foi realizada a primeira edição do Fórum Social Mundial (FSM), em Porto Alegre (RS), entre os dias 25 e 30 de janeiro de 2001, com a presença de cerca de 20 mil pessoas. A idéia era apresentar um contraponto ao Fórum Econômico Mundial, realizado anualmente na cidade de Davos, Suíça, num contexto de fortalecimento dos movimentos sociais.

“O fórum não surgiu do nada, nós somos pós Seattle, pós várias mobilizações que estavam acontecendo, a primeira manifestação da Marcha Mundial das Mulheres, já se organizava no nosso continente a Aliança Social Continental, com o debate crítico à Alca [Área de Live-comércio das Américas], então é nesse contexto que o fórum surge”, explica Nalú Faria, integrante da Sempreviva Organização Feminista e da organização da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil.

O fórum nasceu como forma de buscar alternativas e de resistência ao modelo econômico vigente durante a década de 1990, um espaço de articulação dos movimentos sociais. Uma iniciativa de brasileiros e franceses que, na opinião do diretor executivo da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), Jorge Eduardo Durão, foi beneficiada por uma característica própria dos movimentos sociais brasileiros.

“Tem uma característica do processo brasileiro, que em outros países não havia, e que foi uma condição muito importante para o sucesso do fórum. É que, no Brasil, as organizações da sociedade civil de tipos diferentes conseguem dialogar e fazer coisas em conjunto”, diz.

No entanto, Jorge Durão lembra que o fórum “era uma iniciativa bastante restrita do ponto de vista geográfico, tinha uma grande participação de brasileiros, também de organizações da sociedade civil francesa, uma certa quantidade de latino-americanos”.
Desde 2001, outros seis encontros internacionais foram feitos. Em 2002 e 2003, ainda na capital gaúcha. A edição de 2004 foi realizada em Mumbai, na Índia. A seguinte foi em 2005, novamente Porto Alegre. Em 2006, houve a primeira tentativa de descentralização das atividades. Foram três as cidades-sede: Bamako, em Mali, Caracas, na Venezuela, e Karachi, no Paquistão. Em 2007, o evento volta a ter uma só sede: Nairóbi, capital do Quênia.

Desde a primeira edição, Nalú Faria cita pelo menos duas conquistas concretas que ela atribui à articulação realizada no Fórum Social Mundial. Uma é o fortalecimento das redes de economia solidária, que hoje são política pública. “Foi no Fórum Social Mundial de 2002 que a gente lançou a campanha continental contra a Alca e nós consideramos como uma grande vitória nossa nesses anos ter barrado a Alca”, afirma.
No entanto, para algumas das pessoas que participam ou já participaram do FSM, as conquistas são grandes também para a mobilização social em todo o mundo. “Esse fórum democratizou o discurso sobre o mundo, de certa maneira ajudou um processo de conscientização sobre o nosso papel, o papel de cada um nos destinos do mundo”, acredita o professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Argemiro Procópio. “É bom notar que o mundo não é feito só de presidente da República, de banqueiros, empresários, ministros, o mundo é feito também pelos milhares de homens como nós”, completa.

“Pelo simples fato de as mais expressivas organizações sindicais do mundo se encontrarem, debaterem e apontarem caminhos comuns, já é uma tremenda vitória”, avalia João Antônio Felício, secretário de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), entidade que participa da organização do fórum.
Para ele, a evento é importante particularmente por ser um espaço em que os diversos movimentos sociais podem se encontrar e debater problemas comuns, num processo unificação. “O que há de mais expressivo de movimentos sociais no mundo todo participa do Fórum Social Mundial, quer sejam ONGs, centrais sindicais ou outras organizações sociais, centenas de organizações sociais que mandam seus representantes e algumas com uma expressividade enorme”, conclui.

América Latina
A eleição de governos de esquerda na América Latina ao longo dos oito anos de atividades do Fórum Social Mundial (FSM) representa a vitória dos movimentos sociais e o fim do ciclo do neoliberalismo. A opinião é de Fátima Mello, diretora da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), uma das entidades organizadoras do fórum.

“O Fórum Social Mundial, pelo poder que teve de dizer ao mundo que o neoliberalismo estava esgotado e tinha levado o mundo a um estado de insegurança e de insatisfação, abriu o debate sobre a necessidade de um novo ciclo de políticas mais democráticas, que atendam as maiorias”, afirma Fátima.

Mello admite que a influência do FSM não foi direta na eleição de presidentes como o uruguaio Tabaré Vázquez, e o equatoriano Rafael Correa, mas acredita que as discussões ajudaram a reconstruir um ambiente para um novo debate político na região. Entre os governantes de esquerda eleitos durante os anos de realização do fórum estão os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; da Bolívia, Evo Morales, e da Argentina, Néstor Kirchner – sucedido pela mulher, Cristina Kirchner.

Para o secretário de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Antônio Felício, mesmo com eventuais divergências entre os países do continente, a América Latina vive uma nova etapa. “Podem existir diferenças entre Correa e Vázquez ou entre Lula e Chávez, mas o fato é que estamos vivenciando um momento atípico de governantes que tiveram toda a vida política colada aos movimentos sociais”, afirma.

Felício, no entanto, ressaltou que a vitória de presidentes de esquerda nem sempre representa a garantia de conquistas sociais. “Isso [os governantes de esquerda] não significa que a gente concorde com todas as políticas praticadas”, ressalta. Para Fátima Mello, a execução das idéias debatidas no FSM depende muito do contexto político de cada país: “Acredito que muitas idéias estão sendo aplicadas de diferentes maneiras”.

Entre os ideais do fórum, ela destaca que o setor público deve voltar a ter papel central na administração pública, que nem tudo pode ser privatizado. O FSM também defende a preservação do meio ambiente e o respeito às diferenças culturais para a consolidação da democracia.

América Latina
A eleição de governos de esquerda na América Latina ao longo dos oito anos de atividades do Fórum Social Mundial (FSM) representa a vitória dos movimentos sociais e o fim do ciclo do neoliberalismo. A opinião é de Fátima Mello, diretora da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), uma das entidades organizadoras do fórum.

“O Fórum Social Mundial, pelo poder que teve de dizer ao mundo que o neoliberalismo estava esgotado e tinha levado o mundo a um estado de insegurança e de insatisfação, abriu o debate sobre a necessidade de um novo ciclo de políticas mais democráticas, que atendam as maiorias”, afirma Fátima.

Mello admite que a influência do FSM não foi direta na eleição de presidentes como o uruguaio Tabaré Vázquez, e o equatoriano Rafael Correa, mas acredita que as discussões ajudaram a reconstruir um ambiente para um novo debate político na região. Entre os governantes de esquerda eleitos durante os anos de realização do fórum estão os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; da Bolívia, Evo Morales, e da Argentina, Néstor Kirchner – sucedido pela mulher, Cristina Kirchner.

Para o secretário de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e secretário nacional Sindical do Partido dos Trabalhadores, João Antônio Felício, mesmo com eventuais divergências entre os países do continente, a América Latina vive uma nova etapa. “Podem existir diferenças entre Correa e Vázquez ou entre Lula e Chávez, mas o fato é que estamos vivenciando um momento atípico de governantes que tiveram toda a vida política colada aos movimentos sociais”, afirma.

Felício, no entanto, ressaltou que a vitória de presidentes de esquerda nem sempre representa a garantia de conquistas sociais. “Isso (os governantes de esquerda) não significa que a gente concorde com todas as políticas praticadas”, ressalta. Para Fátima Mello, a execução das idéias debatidas no FSM depende muito do contexto político de cada país: “Acredito que muitas idéias estão sendo aplicadas de diferentes maneiras”.

Entre os ideais do fórum, ela destaca que o setor público deve voltar a ter papel central na administração pública, que nem tudo pode ser privatizado. O FSM também defende a preservação do meio ambiente e o respeito às diferenças culturais para a consolidação da democracia.

Leia também:
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Agência Brasil

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