segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Livro retrata os últimos dias do governo Suharto


Jornalista e advogado brasileiro relata em Jacarta, Indonésia as agitações que levaram à queda do regime no país

Durante três décadas (1965-1998) a Indonésia, maior país muçulmano do mundo, foi governado com mão-de-ferro pelo general Suharto, que morreu na madrugada deste domingo, 27 de janeiro, aos 86 anos. Considerado por seus simpatizantes como o “pai do desenvolvimento” da Indonésia, Suharto governou o país apoiado nos militares e reprimia duramente seus opositores. Seu regime caiu em 1998, em meio à grande pressão popular, causada pela grave crise que se abateu sobre a economia do país no ano anterior e pelas acusações de enriquecimento ilícito.

O jornalista e advogado brasileiro Josué Maranhão foi testemunha ocular desses acontecimentos que sacudiram a Indonésia quando morou com a família na capital, Jacarta, entre 1996 e 1998. Sua experiência de viver em um local tão diferente do Brasil, bem como suas impressões sobre o cotidiano e a história do país e os antecedentes da revolta popular, estão relatadas em detalhes no livro Jacarta, Indonésia, publicado pela Alameda Editorial.

Durante os dois anos em que morou no país, Maranhão revelou um país distante, mas que não deixa de ter várias semelhanças com o Brasil, como o trânsito caótico das grandes cidades, a simpatia do povo, as belezas naturais e os problemas de corrupção – Suharto foi considerado o governante mais corrupto dos temos modernos, tendo desviado dos cofres públicos uma fortuna entre 15 e 35 bilhões de dólares. O relato vai desde o estranhamento inicial, passando por comentários e constatações do cotidiano e da história da Indonésia até a fuga do país diante do risco que as manifestações populares anti-Suharto representavam para os estrangeiros.

Atualmente, Josué Maranhão vive em Boston (EUA) e é colaborador do site Última Instância.

Abaixo, trecho do livro (Capítulo VI - A queda da ditadura)

(...) Levado ao poder na crista de um movimento militar de entranhas direitistas, que aplicou o golpe que derrubou o primeiro presidente da República da Indonésia, Sukarno, o ditador general Suharto equilibrava-se no trono, sempre observando os movimentos nas Forças Armadas. Dessa forma, já estava no poder havia 32 anos.

Ao que se diz, o general-ditador mantinha sempre o apoio dos mais graduados oficiais das Forças Armadas, usando um tripé: 1) nunca deixava sumir por completo o fantasma de infiltração comunista no país, tema que mobilizara os militares no golpe que derrubou Sukarno, e que ele sabia ser um forte motivo para manter em torno de si os generais responsáveis pelo massacre ocorrido na época; 2) seguindo uma antiga técnica, procurava dividir, para melhor governar, sempre fomentando as ciumeiras entre militares mais graduados e mexendo com eles, nos postos de comando, como num verdadeiro jogo de xadrez; 3) e, por último, a tática mais eficiente era ter os principais líderes militares na palma da mão, corrompendo-os com benesses, como emprego para familiares ou participação em licitações, por meio de empresas fantasmas. Durante anos, o esquema funcionou. (...)




Jacarta, Indonésia
Josué Maranhão
R$ 40,00 – 312 páginas
ISBN: 85-98325-12-0



Saiba mais sobre o livro no link abaixo:

http://www.alamedaeditorial.com.br/jacarta-indonesia



Rodrigo Delfim
Imprensa - Alameda Editorial
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