segunda-feira, 24 de março de 2008

TVs temem censura de imagens na Praça da Paz Celestial

24-03-2008 10:33:46

Pequim, 24 mar (Lusa) - As televisões internacionais receiam que a China impeça os meios de comunicação de transmitirem imagens da Praça da Paz Celestial durante os Jogos Olímpicos, disse nesta segunda-feira à Agência Lusa uma responsável de uma cadeia norte-americana que detém direitos de transmissão das Olimpíadas.
“Caso a proibição venha a acontecer, será um duro golpe nas nossas transmissões dos Jogos Olímpicos de Pequim”, afirmou a responsável em Pequim por uma das principais cadeias de televisão dos Estados Unidos.
Segundo a funcionária, a empresa ainda está tentando confirmar junto da Comissão Organizadora dos Jogos Olímpicos de Pequim (Bocog) se a China vai mesmo proibir a transmissão de matérias ao vivo e a gravação de imagens na Praça da Paz Celestial, tal como a imprensa internacional noticiou nesta segunda-feira.
A possibilidade foi divulgada por funcionários da Beijing Olympic Broadcasting, que coordena as transmissões dos Jogos Olímpicos, a quem o Bocog teria avisado que vai cancelar a gravação de imagens na Praça da Paz Celestial.
“Fomos avisados de que as posições para comentários ao vivo seriam canceladas”, afirmou um funcionário da empresa, que não se quis identificar, acrescentando que não foi dada uma justificativa.
Só a cadeia norte-americana NBC pagou US$ 2,3 bilhões pela transmissão exclusiva das Olimpíadas entre 2004 e 2008. A maratona é uma das provas olímpicas que começa na Praça da Paz Celestial.
Sun Weijia, a representante do Bocog que administra a relação com a Beijing Olympic Broadcasting, se recusou a comentar o assunto e remeteu a justificativa para o gabinete de imprensa da organização, que nesta segunda-feira disse à Agência Lusa “não existir qualquer posição oficial quanto às transmissões" a partir da praça.
Depois de Pequim ter feito promessas de que não impediria as transmissões, a suposta proibição aparece na semana seguinte aos tumultos no Tibete, que se espalharam de Lhasa para províncias vizinhas e são considerados os piores contra a administração chinesa no Tibete desde 1989.
A suposta proibição remete ao receio de que se realizem protestos na capital chinesa, sobretudo na Praça da Paz Celestial, centro simbólico e político da China.
Grupos de ativistas planejam aproveitar a atenção dos Jogos Olímpicos para organizar manifestações e promover suas causas no local onde os militares chineses esmagaram os protestos pacíficos pró-democracia em 1989.
“A Praça da Paz Celestial é a face da China, a face de Pequim, por isso é que tantas emissoras gostariam de fazer cobertura jornalística, ao vivo ou gravada, a partir da praça”, afirmou Yosuke Fujiwara, responsável do Beijing Olympic Broadcasting, uma parceria entre o Bocog e uma subsidiária do Comitê Olímpico Internacional (COI).
Caso a proibição se concretize, o governo chinês faltará a uma das promessas que fez ao COI de que os Jogos Olímpicos promoveriam maior abertura e maior liberdade de expressão na China.
Esta proibição pode também afastar muitos dos 500 mil estrangeiros esperados na capital chinesa para assistir aos jogos.
O Bocog manifestou perante o COI que não concordava com as transmissões ao vivo a partir da Praça da Paz Celestial há um ano, mas as discussões nunca foram encerradas com uma decisão concreta.
Se a interdição for confirmada, o próprio COI também seria prejudicado, uma vez que metade de suas receitas provém da venda dos direitos de transmissão das Olimpíadas aos canais de televisão.
Esta semana, Pequim recuou terminantemente na promessa que tinha feito no passado de que permitiria um acesso mais fácil às fontes de informação e que daria liberdade para jornalistas trabalharem em toda a China durante os Jogos Olímpicos. Com os tumultos tibetanos, o governo chinês reforçou a presença militar em Lhasa e proibiu a entrada de jornalistas no Tibete e nas províncias vizinhas onde ocorreram as manifestações, apertando a segurança nas cidades, nos aeroportos e chegando até a expulsar jornalistas de ônibus na região oeste do país.
A dura resposta de Pequim aos tumultos demonstrou a urgência do governo em acabar com os protestos e a decisão de silenciar todas as fontes contra a China às vésperas dos Jogos Olímpicos.

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