quinta-feira, 13 de março de 2008

CNI e CUT abrem diálogo para construir agenda convergente

Brasília – Os presidentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique, tiveram na tarde de hoje em Brasília um encontro histórico: foi o primeiro compromisso oficial da central depois de o Congresso Nacional ter aprovado, ontem, as emendas do Senado ao Projeto de Lei (1990/07) que reconhece as centrais como entidades de representação.
Os líderes da indústria e dos trabalhadores conversaram sobre uma agenda conjunta, de temas que tramitam no Congresso e interessam aos dois lados. Entre esses temas estão reforma tributária, política industrial, qualificação do trabalhador, terceirização e convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). “Vamos construir conjuntamente possíveis ações e soluções para esses temas, sentir de cada uma das representações quais são as principais questões que os envolvem, para ver até que ponto podemos ter uma agenda positiva, uma convergência de opiniões”, disse o presidente da CUT.
“Essa visita é a nossa primeira agenda oficial como central sindical aprovada pelo Congresso, é um gesto simbólico”, prosseguiu Arthur Henrique, lembrando que ainda aguarda a sanção presidencial. Na opinião de Monteiro Neto, houve um entendimento dos dois lados de que há necessidade de diálogo. O presidente da CNI lembrou que as negociações, sobre quaisquer temas, independem de intervenções oficiais.
“Diálogo social não se faz só com a intermediação de governo, ele nasce da compreensão do papel dos atores na sociedade. Mas a compreensão tem de se dar reciprocamente e independentemente de agendas governamentais”, salientou o líder empresarial.
O presidente da CNI recordou que as centrais sindicais já eram reconhecidas pelo Sistema Indústria (CNI/SESI/SENAI/IEL) e pelos representantes do comércio (CNC/SESC/SENAC) como os representantes dos trabalhadores. “Graças a um processo maduro de compreensão e de negociação, já temos hoje a presença das centrais nos conselhos nacionais e regionais dos “S” da indústria e do comércio”, disse. Os dois representantes concordaram ainda que existe hoje um diálogo produtivo entre patrões e assalariados.
“A conjuntura econômica do país ajuda muito o diálogo entre trabalhadores e empregadores. Evidentemente que quando você tem recessão, desemprego, como aconteceu na década de 90, é mais difícil sentar numa mesa para negociar”, disse Arthur Henrique.
“Quanto mais crescimento, menores as tensões. Nesse ambiente é possível conversar. E a emergência das questões que estão colocadas na agenda brasileira nos desafiam a dar soluções, não é um exercício abstrato”, finalizou Monteiro Neto.
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