quarta-feira, 26 de março de 2008

Edson Luiz é homenageado 40 anos após o seu assassinato no restaurante Calabouço, no RJ

Na próxima sexta-feira (28/03), na praça Ana Amélia (entre a av. Churchill e a rua Santa Luzia), centro do Rio de Janeiro, será inaugurada uma escultura em homenagem ao estudante Edson Luiz Lima Souto, morto pela ditadura militar no dia 28 de março de 1968, e a todos os que lutaram contra a ditadura militar e pela democracia no Brasil. O evento é resultado de uma parceria entre a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Prefeitura do Rio de Janeiro, União Nacional dos Estudantes (UNE), e União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).

A cerimônia será realizada no auditório da Casa do Estudante do Brasil (em frente à praça), 9º andar, com a participação do ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR), os presidentes da UBES, Ismael de Almeida Cardoso, da UNE, Lúcia Kluck Stumpf, o representante do prefeito e presidente da FUEC – Frente Unida dos Estudantes do Calabouço na época, Elinor Brito e a representante do governador, Benedita da Silva, secretária de Ação Social e Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro. Também participa do evento a mãe do Edson Luis Lima Souto, Maria de Belém Souto Rocha. Após a inauguração da escultura está prevista uma passeata até o terreno da sede da UNE, no aterro do Flamengo, onde será aberta a exposição fotográfica “Direito à Memória e a Verdade – a Ditadura no Brasil 1964-1985”.
Para não esquecer
A morte do secundarista Edson Luiz Lima Souto ficou como grande marco histórico das mobilizações estudantis de 1968. Com 18 anos recém-completados, 1m59 de altura e armado apenas com o sonho de conquistar condições dignas na escola onde estudava, foi morto com um tiro certeiro no peito, disparado à queima-roupa por um tenente da PM, no restaurante Calabouço. A bala varou seu coração e alojou-se na espinha, provocando morte imediata. Indignados, seus colegas não permitiram que o corpo fosse levado ao IML, conduzindo-o para a Assembléia Legislativa em passeata. Lá, sob cerco de polícias civis e militares, foi realizada a autópsia e aconteceu o velório. O caixão chegou ao cemitério João Batista nos braços de milhares de estudantes.

Nascido em Belém do Pará, Edson era filho de Maria de Belém Souto Rocha. A família, mesmo sendo muito pobre, se empenhou para enviá-lo ao Rio de Janeiro, a fim de que concluísse os estudos secundários. Matriculou-se no Instituto Cooperativo de Ensino, nas proximidades da Secretaria de Economia do Estado. Conforme entrevistas concedidas à revista Fatos e Fotos por integrantes da Frente Unida dos Estudantes do Calabouço, o garoto não chegava a ser um líder estudantil. Falava pouco e ainda estava meio desconfiado, mas colaborava colando jornais murais e dando recados, contaram os colegas.
Estava programada mais uma passeata e Edson resolveu jantar mais cedo, naquele 28 de março, para ter tempo de preparar alguns cartazes. Segurava a bandeja na mão quando começou uma correria e foi atingido por um cassetete no ombro. Os policiais militares, que tinham invadido o local, começaram a atirar. Os estudantes armaram-se de paus e pedras para responder. Foi quando Edson caiu. Na mesma ocasião, tiros atingiram o comerciário Telmo Matos Henrique e o estudante Benedito Frazão Dutra. Conforme a versão de algumas testemunhas, o tenente PM Alcindo Costa teria ficado enraivecido ao ser atingido por uma pedrada na cabeça. Outros jovens presentes no local afirmaram que Edson foi atingido por se encontrar à porta quando a tropa chefiada por Alcindo entrou em formação fechada de ataque. Nesse dia o calabouço fechou para sempre.

Presidência da República
Secretaria Especial dos Direitos Humanos
Assessoria de Comunicação Social
Telefones: (61) 3429-3498 / 3429-9205 / 3429-3732
A jornalista Vera Rotta é a responsável pelo evento – 61.9909-6560
www.sedh.gov.br

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