sexta-feira, 14 de março de 2008

Melô do Congresso

Meu título de eleitor já tem 33 anos. E nesse tempo todo em que treinei minhas habilidades como eleitor, parece que o atributo que mais desenvolvi foi a desconfiança. Não sei como é com você, mas em ano eleitoral eu sinto uma espécie de angústia. Quero conhecer os candidatos, mas não sei direito onde procurar as informações. E quando as encontro, não sei se acredito. Todos parecem ter um passado a esconder ou um futuro a desconfiar. E quando encontro algum que julgo merecer meu voto, logo vem alguém dizendo que não é bem assim, que o primo da tia do vizinho da cunhada dele ouviu dizer que a pessoa tem rabo preso... Que dureza!

A única certeza que tenho é que urna não é lixeira. Voto não é brincadeira. O voto é a única arma para liquidar com os bandidos. E sabe o que mais? O bandido está lá, ocupando aquela cadeira porque nós a deixamos vaga. Não gostamos de política. Eles gostam... Milhões de pessoas vendem seus votos, negociam sua vergonha. Outros milhões optam por desistir, por lavar as mãos, como Pilatos. Mas muitos milhões não aceitam ser reféns da negociata, da bandidagem, da enganação. Em qual milhão você se insere?

Pois bem... Apesar de minha angústia e incertezas, decidi fazer alguma coisa para evidenciar a importância das escolhas nas eleições. Em 2004 criei uma ferramenta para tratar desse assunto de forma irreverente e séria ao mesmo tempo: as melôs. Parodiando músicas conhecidas e sob forma de pequenos filmes protagonizados por bonecos de uma egüinha e três vaquinhas, que cantam e dançam de forma engraçada, as melôs foram feitas para serem distribuídas como um vírus pela internet.

Os bonecos são manipulados por profissionais bonequeiros da companhia Trucks. São fascinantes. Você pode até não gostar, mas sua filha gosta...

Se você quiser ver como tudo é feito, visite http://virtualtarget.plugin.com.br/index.php/DmaClick?897,80,38915,1094,a0fc9647cfc5a72794f04aee46c20e2b,aHR0cDovL3d3dy5sdWNpYW5vcGlyZXMuY29tLmJy e acesse a área de vídeos.
Muito bem. Tudo isso para apresentar o novo lançamento, a Melô do Congresso. Baseada na música Felicidade, de Lupiscínio Rodrigues, com letra de Junior Poli, Labi Mendonça e eu mesmo e arranjos e interpretação de Sérgio Sá, a Melô do Congresso vai direto ao ponto:

Honestidade foi-se embora / E a vergonha no Congresso já não mora / Esperança no Brasil, só piora / Porque sei que a falsidade lá vigora
O deputado já começa aproveitando / Mete a mão, vai desviandoE não pára de roubar / E o dinheiro do hospital / Vai pra boiada, / Pra amante e o novo carro / Que o Juninho vai comprar
Moralidade foi-se embora / E a maldade no Congresso é lá que mora /E é por isso que o nosso só se explora / Porque sei que a pilantragem lá vigora
O deputado fala errado / Ri à toa, se fingindo de inocente / E começa a enrolar / E o coitado que votou nessa pessoa / Lembra o voto, que vergonha / Quatro anos pra aturar
Seriedade, foi-se embora / O picareta virou dono, e nos devora / E o povo inteiro já percebe, a ilusão / De que a política em Brasília / É enganação
Daqui a pouco é eleição e lá vêm eles, / Com sorriso, abraço e beijo / Pro meu voto conquistar / E eu mando à merda, não sou burro nem palerma /Ninguém mais me passa a perna / Eu vou botar pra quebrar
Renovação vamos embora / Que a limpeza do Congresso, não demoraNão sou trouxa, tô cansado / Vou à forra / Porque sei que a falsidade não vigora

O vídeo já está disponível em meu site ou no YouTube, em http://br.youtube.com/watch?v=hfGo5GecgeY.

Ajude a distribuir essa mensagem. Mande o link para seus amigos e inimigos, para o padre, o delegado, o vereador, o deputado, o gerente do banco e a dona do bordel.

Esta brincadeira é muito séria.

Luciano Pires é jornalista, escritor, conferencista e cartunista. Faça parte do Movimento pela Despocotização do Brasil, acesse http://www.lucianopires.com.br/.


Douglas Cavallari

Taller Comunicação

(14) 3227-4911 / (14) 8127-0076

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