quinta-feira, 13 de março de 2008

Que situação, hein Debord?!

O Centro Cultural Banco do Brasil apresenta Que situação, hein Debord?! "Espectadores não encontram o que desejam; eles desejam o que encontram..." "Aquilo que existe já não tem necessidade de ser falado..." Debord
Durante os próximos meses, o Centro Cultural Banco do Brasil traz o trabalho do cineasta e filósofo francês Guy Debord (1931-1994) e suas críticas à chamada Sociedade do Espetáculo. O festival com filmes, palestras, debates e intervenções urbanas discute as reflexões e ações dos Situacionistas, grupo que uniu cultura e política, nas décadas de 50 e 60 evidenciando a "Indústria Cultural" e "Sociedade de Consumo" e que exerceu um papel chave na revolta de maio de 1968, na França.
O Festival tem início em São Paulo, seguindo para o Rio de Janeiro e Brasília. Que situação, hein Debord? oferece elementos para pensar de maneira crítica o espaço público e a indústria do entretenimento, colocando vários pontos-de-vista em diálogo.
O público pode deixar, então, de ser mero espectador e consumidor de idéias tornando-se produtor de seu próprio cotidiano. Que situação, hein, Debord? 22 de abril a 04 de maio CCBB Rio Rua Primeiro de Março, 66 Centro – Rio de Janeiro – RJ CEP 20010-000
www.bb.com.br/cultura
Que situação, hein, Debord? "A construção de um presente onde mesmo a moda, do vestuário aos cantores, se imobilizou, que quer esquecer o passado e que já não dá a impressão de acreditar num futuro, é obtida pela incessante passagem circular da informação girando continuamente sobre uma lista muito sucinta das mesmas banalidades, anunciadas apaixonadamente como importantes descobertas; enquanto só muito raramente, e por sacudidelas, passam as notícias verdadeiramente importantes sobre aquilo que efetivamente muda." "Aquilo de que o espetáculo pode deixar de falar durante três dias é como se não existisse. Pois ele fala, então, de outra coisa qualquer e é isso que, portanto, a partir daí, em suma, existe. As consequências práticas, como se vê, são imensas." "Quando o importante se faz socialmente reconhecer como aquilo que é instantâneo, e vai sê-lo no instante seguinte, e no outro e noutro ainda, e que substituirá sempre uma outra importância instantânea, pode também dizer-se que o meio utilizado garante uma espécie de eternidade desta não-importância, que fala tão alto."
"A sociedade proclamou-se oficialmente espectacular. Ser conhecido à margem das relações espectaculares equivale já a ser conhecido como inimigo da sociedade." "A conversação está quase morta e em breve também estarão muitos daqueles que sabiam falar." "Basta ter os expertos e os avaliadores, o que é bastante fácil, para fazer passar tudo, já que nos negócios desta natureza, como finalmente em todos os outros, é a venda que autentifica todo o valor. Depois, são os colecionadores ou os museus, particularmente americanos, que, abarrotados de falso, terão interesse em manter a boa reputação, do mesmo modo que o Fundo Monetário Internacional mantém a ficção do valor positivo das imensas dívidas de cem nações." "O julgamento de Feuerbach sobre o fato de que o seu tempo preferia «a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade», foi inteiramente confirmado pelo século do espetáculo" "Mas hoje é por todo o lado que o copiado tem tendência a substituir o verdadeiro. Neste ponto, é muito oportunamente que a poluição devida à circulação dos automóveis obriga a substituir por réplicas em plástico os cavalos de Marly ou as estátuas romanas da fachada de Saint-Trophine. Em suma, tudo será mais belo que antes, para ser fotografado pelos turistas." Debord
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