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segunda-feira, 9 de junho de 2008

Futuro mais leve


BNDES aprova recursos que serão repassados à FAPESP e ao IPT para a construção do Laboratório de Pesquisas de Estruturas Leves, em São José dos Campos (foto: Embraer)


09/06/2008
Por Fábio de Castro


Agência FAPESP – O Parque Tecnológico de São José dos Campos, no interior paulista, ganhará o primeiro laboratório brasileiro voltado para a pesquisa de estruturas leves. Um dos principais objetivos da iniciativa é ajudar o país a dominar tecnologias essenciais à competitividade no setor aeroespacial internacionalmente, desenvolvendo novos materiais capazes de reduzir o peso das aeronaves.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou na semana passada recursos de R$ 27,6 milhões para o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e para a FAPESP, que terão respectivamente R$ 19,7 milhões e R$ 7,9 milhões para a estruturação do laboratório e para o financiamento de projetos.

O Laboratório de Pesquisas de Estruturas Leves (LabPEL) será instalado em terreno cedido pela prefeitura de São José dos Campos. O IPT será responsável pela operação, pelo plano de negócios e pela manutenção das instalações.

O laboratório começará a operar por meio de quatro projetos de pesquisa financiados pela FAPESP, pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), pelo IPT e pela Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer).

Aos recursos repassados pelo BNDES, por meio do Fundo Tecnológico (Funtec) – destinado a financiar projetos voltados para o desenvolvimento tecnológico e inovação de interesse estratégico –, somam-se R$ 4,7 milhões da FAPESP, R$ 7,3 milhões do IPT, R$ 8,8 milhões da Finep e R$ 42 milhões da Embraer (em homens/hora). No total, estão previstos R$ 90,5 milhões para a iniciativa.

De acordo com o diretor do Centro de Integridade de Estruturas e Equipamentos (Cintec) do IPT, Luiz Eduardo Lopes, o LabPEL deverá ser concluído dentro de três anos, mas seis meses após o início das obras já haverá áreas em condições de operação.

“É importante ressaltar que, embora o laboratório tenha nascido de quatro projetos com foco na indústria aeronáutica, ele será capaz de desenvolver tecnologias transversais com aplicações, por exemplo, nas indústrias automobilística e de autopeças, petróleo e gás, naval, bélica, de geração e transporte de energia elétrica, construção civil e bens de capital”, disse Lopes à Agência FAPESP.

Segundo ele, no entanto, para a indústria aeronáutica o laboratório terá importância vital. “A maior preocupação da indústria aeronáutica na atualidade é o peso das novas aeronaves. Há uma tendência mundial de aumento da utilização de compósitos nas estruturas que suportam a carga de vôo. O Brasil está ligeiramente defasado no desenvolvimento dessas tecnologias e o laboratório virá em um bom momento para fecharmos essa lacuna”, afirmou.

Em que pese a defasagem brasileira em relação à tendência mundial, de acordo com Lopes, a indústria internacional também não domina plenamente as tecnologias necessárias para aplicação de materiais compósitos no setor aerospacial.

“Os desafios ainda são muito grandes e temos a chance de nos manter alinhados com as tecnologias de ponta. O LabPEL dará ferramentas para que possamos desenvolver essas estruturas. Sem uma iniciativa desse tipo não se pode fazer muita coisa”, apontou.

O aumento na resistência dos materiais estruturais das aeronaves permite o aumento da pressão e da umidade relativa do ar dentro da cabine, melhorando consideravelmente o conforto durante a viagem. O desafio é conseguir essa maior resistência sem aumentar o peso da estrutura.

“Para unir as placas de metal que formam a estrutura são utilizados rebites. Isso exige a sobreposição das placas, o que aumenta o peso da aeronave. Para mudar esse paradigma é preciso incorporar o desenvolvimento tecnológico em um processo de fabricação diferenciado. O LabPEL terá equipamentos para testar e construir esses materiais e será capaz de fazer modelagens e simulações para que essas tecnologias possam ser integradas em processos produtivos”, destacou. Projetos estruturantes

Segundo o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, o apoio da FAPESP ao laboratório será feito por meio do programa Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), mantido pela Fundação desde 1995.

“O primeiro projeto aprovado associa à Embraer uma equipe de pesquisadores liderada pelo professor Sérgio Frascino Müller de Almeida, do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), para desenvolver o conhecimento e capacitação para o uso de tecnologias de fabricação de estruturas de materiais compósitos, aplicadas em estruturas aeronáuticas”, disse Brito Cruz.

Os investimentos previstos neste projeto são de R$ 736 mil e US$ 570 mil, feitos pela FAPESP, R$ 10,6 milhões e US$ 701 mil pela Embraer, e contrapartida de R$ 3,4 milhões e US$ 4 milhões do BNDES.

“Outro objetivo do projeto é dominar a concepção, o projeto e o desenvolvimento de estruturas para reduzir de 10% a 15% o peso e em 10% o custo do material metálico utilizado em aeronaves”, afirmou Brito Cruz.

A participação da Fundação na criação do laboratório, no entanto, ultrapassa o apoio a projetos de pesquisa, segundo o diretor científico. “A FAPESP teve um papel determinante na montagem do laboratório, tendo submetido a proposta inicial ao BNDES”, disse.

Outros dois projetos estruturantes do laboratório, encampados pela Embraer, irão investigar procedimentos de fabricação e aferição de desempenho de estruturas metálicas produzidas a partir de ligas e processos de conformação avançados.

O quarto projeto, que será desenvolvido no LabPEL com recursos da Finep, tem foco em novas tecnologias para fabricação de fuselagens com o equipamento Fiber Placement, de deposição automática de camadas de fibras para composição do material.

Segundo Lopes, do Cintec, o diferencial do LabPEL em relação a outros laboratórios gerenciados pelo IPT é que o projeto será assessorado por um comitê de pesquisadores brasileiros e estrangeiros.

“De comum acordo com a FAPESP, criamos um conselho consultivo que se encarregará de manter a compatibilidade da agenda de desenvolvimento tecnológico do laboratório com o que é feito nas principais instituições do mundo nessa área”, explicou.

Lopes afirma que, assim como os outros laboratórios do IPT, o LabPEL ficará disponível para iniciativas de pesquisadores de outras instituições e centros industriais de pesquisa e desenvolvimento.

“O laboratório será instalado em uma planta térrea de cerca de 4 mil metros quadrados. Assim que o BNDES liberar o dinheiro, o IPT encomendará os equipamentos. Parte das máquinas levará um ano e meio para ser entregue, já que se trata de equipamento importado de alta tecnologia”, disse.

Segundo Lopes, a aplicação de fibra de carbono na fabricação de uma peça para a indústria aeronáutica, por exemplo, não pode ser feita a mão, por isso o laboratório necessitará de máquinas de comando numérico que garantam a replicabilidade e a qualidade dos produtos.

“O laboratório terá duas grandes máquinas que permitirão a deposição automática, robotizada, da fibra de carbono para fabricação de peças para diversos tipos de aplicação”, disse. Lopes ressalta ainda que, além dos materiais compósitos, o laboratório trabalhará também com materiais metálicos.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Museu Botânico de Berlim e FAPESP realizam exposição sobre a biodiversidade brasileira

O Museu Botânico da Universidade Freie de Berlim, Alemanha, e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) inauguram em 4 de junho de 2008, na sede do Museu, a exposição Brazilian Nature - Mystery and Destiny,que fica aberta ao público de 5 de junho a 14 de setembro. O embaixador do Brasil na Alemanha Luiz Felipe de Seixas Corrêa estará presente à cerimônia.
O ponto de partida da exposição é o botânico Carl Philipp von Martius e sua obra Flora Brasiliensis - até hoje o mais completo levantamento da flora brasileira. Em seu conjunto, a mostra apresenta 37 painéis que percorrem três grandes ações apoiadas pela FAPESP: os projetos Flora Brasiliensis On-Line e Revisitada, Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo e o programa Biota-FAPESP, desenvolvidos por cientistas em atividade em universidades e institutos de pesquisa do estado de São Paulo.
Como seguidores de Martius, esses pesquisadores procuram estudar a riqueza natural do Brasil para avançar o conhecimento sobre a diversidade do país - a maior do planeta, com entre 15% e 20% do número total de espécies conhecidas - e propor políticas para sua conservação.
Flora Brasiliensis On-Line e Revisitada.
Este projeto criou na internet um banco de dados aberto com os registros de mais de 22 mil espécies de plantas descritas pelo botânico alemão Carl Philipp von Martius na obra Flora Brasiliensis, editada no período de 1840 a 1906, e as 3.811 ilustrações de espécies brasileiras. Ao mesmo tempo, faz a atualização da nomenclatura utilizada no trabalho original de Martius e colaboradores - ainda hoje uma referência para estudos em botânica no mundo - e a inclusão de espécies descritas depois de sua publicação, com novas informações e ilustrações recentes.

Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo.
Iniciado em 1993, este projeto faz o primeiro e mais abrangente mapeamento da vegetação com flores nativa no estado de São Paulo. O trabalho reúne 250 botânicos da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp), dos institutos Botânico, Florestal e Agronômico e do Departamento de Parques e Áreas Verdes da Prefeitura de São Paulo. Pesquisadores da Embrapa, de 15 outros estados brasileiros e também de outros países contribuem para o projeto.

Desde o início das atividades, as equipes descreveram cerca de duas mil das cerca de 7.500 espécies de plantas com flores existentes no estado de São Paulo – aproximadamente dois terços da flora da Europa. Planejado em três etapas, o projeto partiu do material existente em herbários para, em seguida, preencher lacunas no conhecimento por meio de coletas intensivas e publicar uma coleção de 15 livros ilustrados com resultados conseguidos - dos quais cinco já estão prontos.

Conservação e uso sustentável.
O Biota-FAPESP é a terceira iniciativa da FAPESP apresentada na exposição Brazilian Nature: Mistery and Destiny. Conhecido como Instituto Virtual da Biodiversidade, porque integra na internet uma rede de laboratórios onde 1.200 cientistas trabalham em 80 projetos, o Programa faz o inventário e a caracterização da fauna, da flora e dos microrganismos no estado de São Paulo e já descobriu pelo menos 500 novas espécies de plantas e animais.

Premiado pela Fundação Henry Ford de Conservação Ambiental como iniciativa do ano em 1999, o Biota propõe periodicamente políticas públicas de preservação e uso sustentável de recursos naturais. Entre seus desdobramentos estão uma base de dados conectada a um Atlas digital, uma revista científica eletrônica e uma rede de bioprospecção e bioensaios.

Sobre a FAPESP
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) é a agência de fomento à pesquisa científica e tecnológica do Estado de São Paulo. Por meio da concessão de bolsas, em diversas modalidades, e de auxílios a pesquisa, apóia a pesquisa fundamental e a pesquisa orientada para objetivos de relevância nacional, contribuindo para o avanço e a difusão do conhecimento e para a formação e o aperfeiçoamento de pesquisadores.Criada em maio de 1962, conta com recursos, assegurados pela Constituição Estadual, de 1% da receita tributária do estado de São Paulo, complementados com recursos próprios.

A FAPESP já apoiou, em 46 anos, 89 mil bolsas e 80 mil auxílios a pesquisa científica e tecnológica. Em 2007, a Fundação desembolsou R$ 549,6 milhões para o financiamento de bolsas e auxílios a pesquisa em todas as áreas do conhecimento. Desse total, R$ 178 milhões foram destinados ao pagamento de bolsas para formação de pesquisadores da iniciação científica ao pós-doutoramento, R$ 212 milhões a auxílios a pesquisa e R$ 159,6 milhões a Programas Especiais e de Pesquisa para Inovação Tecnológica.

Exposição: Brazilian Nature - Mystery and Destiny
Inauguração: 4 de junho, às 18h (Berlim), 13h (Brasília)
Em cartaz de 5 de junho a 18 de setembro no
Museu Botânico da Universidade Freie de Berlim
Königin-Luise-Straße 6-814195 Berlin

Gerência de Comunicação da FAPESP
Assessoria de Comunicação
Fernando Cunha
11.3838-4151 / 4176
imprensa@fapesp.br

segunda-feira, 10 de março de 2008

Mapa da precariedade

Brasil tem 12 milhões morando em favelas ou condições análogas em 560 municípios, segundo livro produzido pelo Centro de Estudos da Metrópole

10/03/2008
Por Fábio de Castro


Agência FAPESP – Mais de 12 milhões de brasileiros vivem em assentamentos precários nos cerca de 560 municípios brasileiros com mais de 150 mil habitantes, ou localizados em regiões metropolitanas.
O número, equivalente a 14% da população dessas cidades, é quase o dobro dos 6,3 milhões que moram em setores censitários classificados como subnormais pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados, revelados por uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM) – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP – para o Ministério das Cidades, foram publicados no livro Assentamentos precários no Brasil urbano, disponível para download gratuito.
O livro incluiu tabelas com dados detalhados por município e 371 cartografias relativas às principais áreas urbanas analisadas, com o objetivo de delimitar os assentamentos precários e descrever padrões e dinâmicas espaciais intramunicipais. A versão impressa será lançada em breve.
De acordo com o coordenador do estudo Eduardo Marques, diretor do CEM, a obra permite saber a localização e o número de moradores em favelas ou em condições análogas de habitação em cada cidade ou região.
“O livro é importante para ajudar a traçar cenários para políticas habitacionais em níveis federal e municipal. O ministério tinha grandes dificuldades nessa área porque não existiam bases de informações nacionais construídas com esse objetivo”, disse Marques à Agência FAPESP.
Para o pesquisador, se o Ministério das Cidades orientasse as políticas públicas de habitação apenas aos setores classificados como subnormais pelo IBGE, muitas áreas em condições análogas, com carências sociais e infra-estrutura precária, seriam excluídas.
“A classificação do IBGE tem caráter administrativo. As áreas subnormais são aqueles nas quais a coleta de dados é mais difícil e, portanto, os pesquisadores ganham um adicional. Mas é um critério anterior ao trabalho de campo e não remete às características dos locais”, afirmou. Políticas locais
Utilizando técnicas estatísticas, uma equipe de mais de dez pesquisadores do CEM identificou, entre os setores classificados como comuns pelo IBGE, aqueles que se assemelhavam aos do tipo subnormal, segundo variáveis socioeconômicas, demográficas e de características habitacionais.
“Partimos do princípio de que a classificação do IBGE dava uma indicação correta da localização dos assentamentos precários, mas que havia outros com as mesmas características que ficaram de fora. Foram utilizados os dados do censo de 2000”, explicou Marques.
A categoria de assentamentos precários, segundo o pesquisador, inclui as favelas – nas quais os moradores se fixam em uma terra que não lhes pertence – e o loteamento clandestino ou irregular, onde o morador possui o lote, mas quem produziu o loteamento não seguiu os procedimentos da legislação.
“É difícil discriminar essas situações de precariedade habitacional. A partir de agora, esperamos que os municípios possam fazer uma delimitação mais precisa. A idéia é que, com as cartografias locais, os municípios possam organizar suas políticas locais”, destacou.
De acordo com Eduardo Marques, a distribuição de grande parte dos recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) para a habitação já foi feita com base nos novos dados sobre a localização dos assentamentos precários.
O livro Assentamentos precários no Brasil urbano pode ser copiado gratuitamente no endereço www.centrodametropole.org.br/mc
Leia também no Boletim da Agência Fapesp de hoje:

Panorama das doenças
Pesquisa faz resgate histórico das mortes nas capitais brasileiras e aponta que, diferentemente do que ocorreu na primeira metade do século 20, em que a maior causa de óbito eram as doenças infecciosas e parasitárias, hoje as doenças crônicas não transmissíveis estão na frente

Walter Borzani morre aos 83 anos
Engenheiro químico foi presidente da FAPESP de 1973 a 1975 e professor da USP por mais de 30 anos, até se aposentar. Continuava ativo como engenheiro pesquisador na Escola de Engenharia Mauá e consultor

UFSCar abre especialização em gestão escolar
Curso faz parte do Programa Escola de Gestores da Educação Básica do Ministério da Educação. UFSCar será a instituição responsável por oferecer o programa no Estado de São Paulo
CNPq destina R$ 18,7 milhões para apoio técnico
Bolsas poderão ser utilizadas por técnicos de nível médio ou superior envolvidos em atividades de pesquisa que necessitem de supervisão, orientação e acompanhamento
Jornada de Neurociências da Unicamp
Evento reunirá profissionais de saúde para a atualização de conhecimentos em neurologia e psiquiatria. Dias 14 e 15 de março, em Campinas (SP)
1ª Semana da Sociologia do Conhecimento Científico e Tecnológico
“Tipos de conhecimento e os limites da automação e sistemas especialistas” será um dos assuntos discutidos em evento da UFMG, de 5 a 9 de maio, em Belo Horizonte

segunda-feira, 3 de março de 2008

Pesquisa barrada

Presidente da FAPESP envia ofício ao embaixador da Espanha no Brasil a respeito da deportação da física Patrícia Camargo Magalhães, da USP, presa em Madri e impedida de participar de congresso em Lisboa, no qual apresentaria trabalho

03/03/2008
Agência FAPESP – Celso Lafer, presidente da FAPESP, encaminhou ofício ao embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró Conde, a respeito da deportação da física brasileira Patrícia Camargo Magalhães, ocorrida no dia 12 deste mês, na Espanha.
A aluna do curso de mestrado em física na Universidade de São Paulo e bolsista da FAPESP ficou presa por mais de 50 horas no aeroporto de Madri, quando se dirigia a Lisboa. Na capital portuguesa, Patrícia participaria do Workshop on Scalar Mesons and Related Topics (Scadron 70) com a apresentação do pôster intitulado Study of the unitarized amplitude of two scalar ressonances.
“Além de ter sofrido grave constrangimento pessoal e significativa dor moral, [Patrícia] viu-se privada de contribuir para um evento cujo sentido, em evidente contraste com a decisão de sua inadmissão, é aproximar pessoas de diversas nacionalidades em favor do avanço do conhecimento humano”, destacou Lafer no ofício cujo texto está replicado a seguir.
Of. 33/2008-DP
Iv
São Paulo, 29 de fevereiro de 2008

Senhor Embaixador,
Como Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP, órgão responsável pelo fomento à pesquisa científica e tecnológica nesse Estado, venho, em nome da instituição que presido e da comunidade científica a ela associada, externar a indignação com a situação vivida em Madri, entre os dias 10 e 12 do corrente mês, por Patrícia Camargo Magalhães, como seguramente é de seu conhecimento e foi amplamente divulgado pela imprensa.
Não se trata de questionar as competências legais próprias de um Estado soberano em matéria do ingresso de estrangeiros em seu território, mas sim de apontar a inadequação, no caso concreto, dos critérios de decisão que levaram a uma solução contrária à justiça e ao respeito à pessoa.
Com efeito, Patrícia, aluna do curso de mestrado em Física na Universidade de São Paulo – instituição parceira de diversas universidades européias e particularmente espanholas – e cujos méritos pessoais ressaltam-se ainda pelo fato de ter feito jus a bolsa de estudos concedida pela FAPESP, em que pesem sua gestão pessoal e as medidas tomadas pelo Consulado Brasileiro em Madri, que também foram divulgadas pela imprensa brasileira, restou impedida de chegar ao seu destino em Lisboa e de participar de importante momento de intercâmbio científico e cultural (Conferência Scadron 70).
Desse modo, além de ter sofrido grave constrangimento pessoal e significativa dor moral, viu-se privada de contribuir para um evento cujo sentido, em evidente contraste com a decisão de sua inadmissão, é aproximar pessoas de diversas nacionalidades em favor do avanço do conhecimento humano.
Atenciosamente
Celso Lafer Presidente
Excelentíssimo Senhor Embaixador Ricardo Peidró Conde Embaixada da Espanha no Brasil Brasília – DF
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Estudo compara motoristas multados por excesso de velocidade com outros sem multas e conclui que a percepção de risco entre os dois grupos é a mesma, resultado de uma “regulamentação pessoal”

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Relação de projetos para a realização de programas de intercâmbio de pesquisadores entre Brasil e França, lançada no âmbito do convênio entre as instituições, é anunciada

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Peixes-bois da Amazônia serão reintroduzidos na natureza. Exemplares chegaram no Inpa ainda filhotes e foram criados em cativeiro, em programa para preservação do animal ameaçado de extinção