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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Pressupostos éticos de competitividade

Paulo Skaf *

O Brasil não pode esmorecer na luta contra a pirataria. É inegável que muitos avanços verificaram-se nesse processo. No entanto, é preciso fazer prevalecer o marco legal — a lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996, que regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial. Para melhor compreender a natureza do “inimigo” a ser combatido, é importante saber que nosso país não se caracteriza como produtor de produtos falsificados. Infelizmente, contudo, é um grande consumidor. Estima-se que cerca de 80% dos produtos pirateados que circulam no mercado brasileiro venham da China, Coréia e Paraguai. Fica clara, portanto, a ação prioritária para mitigar o problema: fiscalização e repressão, começando pela tentativa de impedir o ingresso ilegal dessas mercadorias.
Claro que tal tarefa não é fácil neste Brasil continente, com quase 11 mil quilômetros de fronteiras, com sete diferentes países. Por isso mesmo, no entender da Fiesp/Ciesp (Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), também é necessário conferir mais competitividade, em termos de preços, aos produtos, serviços e produção intelectual legais. Esta lição de casa exige a diminuição na carga tributária, com impacto direto no custo da produção, inibindo o contrabando, este nefasto algoz da economia formal, das empresas e dos trabalhadores.

O combate ao grave problema deve ser eficaz, articulado e capaz, portanto, de fazer frente a toda a organização que permeia esse tipo de crime. Não basta prender os ambulantes e camelôs não-legalizados que vendem imensa gama de itens (eletrônicos, brinquedos, óculos, relógios, dvd´s...), pois essa “mão-de-obra” é abundante e sua substituição dá-se de modo muito rápido. É preciso reduzir a relação custo-benefício da compra de um produto pirata.
Outra medida na luta contra a pirataria é a mobilização da sociedade, pois a responsabilidade não é apenas do governo. Exemplo da importância dessa postura cívica encontra-se em ações da própria Fiesp/Ciesp. Está diretamente relacionada ao seu trabalho a retirada de nosso país, em 2007, da lista prioritária de nações que violam propriedade intelectual e são complacentes com a pirataria, elaborada pelo Escritório de Representação Comercial (USTR) dos Estados Unidos. A medida coroou uma série de esforços, que contaram e contam com ativa participação da entidade. Cabe lembrar que esse empenho, anteriormente, já havia ajudado a manter nossas exportações no Sistema Geral de Preferências norte-americano.
A guerra da Fiesp contra a pirataria foi desencadeada no início de 2005, quando fizemos visitas a distintos órgãos de governo dos Estados Unidos, incluindo o Departamento de Comércio. Também realizamos, em São Paulo, o seminário “O Brasil Contra a Pirataria”, com a presença do senador Norm Coleman, presidente do Subcomitê para o Hemisfério Ocidental da Comissão de Relações Exteriores do Senado e o embaixador norte-americano em nosso país, John Danilovich.
Em 2006, a Fiesp treinou 400 agentes aduaneiros da Receita Federal, em 14 portos do Brasil, capacitando-os a reconhecer produtos falsificados. Em 2007, o projeto teve continuidade, abrangendo mais nove portos, quatro aeroportos e cinco áreas de fronteira seca. Essa parceria da entidade com a Receita Federal, o Conselho Nacional de Combate à Pirataria do Ministério da Justiça (CNPC/MJ) e Câmara Americana de Comércio já apresenta resultados substantivos, com a apreensão de 160 mil pares de tênis, avaliados em R$ 20 milhões, 46 toneladas de mercadorias contrabandeadas de origem chinesa e sete containeres com 70 toneladas de produtos falsificados, avaliados em R$ 18 milhões.
A desoneração tributária de 1,5% do PIB, resultante do fim da CPMF em 2007, bandeira defendida pela Fiesp/Ciesp, que promoveu ampla mobilização em prol dessa conquista, é outro exemplo do quanto a sociedade pode e deve fazer. Precisamos deixar cada vez mais claro que compensa preconizar o legal e o ético como valores inalienáveis de nossos setores produtivos e pressupostos de nosso modelo de inserção competitiva na economia globalizada!

*Paulo Skaf é o presidente da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp).
Carina Eguía
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Aumento de impostos foi um lamentável presente de ano novo do governo ao povo brasileiro

“Foi lamentável o ‘presente’ que o governo deu ao povo brasileiro no primeiro dia útil do novo ano, anunciando o aumento das alíquotas do IOF e da CSLL para instituições financeiras”, salientou hoje (3/01) Paulo Skaf, presidente da Fiesp/Ciesp (Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). Para ele, “a medida ontem anunciada é descabida e desnecessária, pois a União terá aumento de arrecadação de R$ 40 bilhões em 2008, em relação ao exercício anterior, já descontada a receita da CPMF, que, felizmente, a sociedade conseguiu derrubar no Senado”.

A arrecadação do Governo Federal este ano chega perto de R$ 600 bilhões, lembra Paulo Skaf. “Esses recursos são mais do que suficientes para atender a todas as demandas orçamentárias, incluindo os investimentos, programas sociais e até mesmo a Emenda 29 da Constituição, cuja regulamentação defendemos e que acrescentaria mais R$ 4 bilhões às verbas da saúde”.

O presidente da Fiesp/Ciesp explica que os números relativos à receita tributária evidenciam não haver qualquer necessidade de o governo adotar aumento de impostos para compensar a extinção da CPMF. “Além disso, os ‘cortes’ orçamentários ontem anunciados referem-se a previsões de novas despesas, que seriam criadas, e não a quaisquer programas previamente existentes. Para estes, como vimos, há recursos de sobra”.

O presidente da Fiesp/Ciesp afirma que a sociedade não suporta mais aumentos de impostos. “Os brasileiros desejam, sim, um Estado mais eficiente, menos perdulário e capaz de prestar serviços eficazes, não só em termos de investimentos na recuperação e modernização da infra-estrutura, como nas áreas prioritárias da saúde, educação e segurança. Estes são os pressupostos com os quais devemos encarar os desafios de 2008, quando devemos nos empenhar pelas reformas estruturais e a desburocratização, essenciais ao crescimento sustentado da economia. Para isto, precisamos de menos impostos e mais eficiência da máquina pública”, concluiu Paulo Skaf.



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