Walter Medeiros
A proibição do uso da auto-hemoterapia resultou do trabalho de uma única pessoa – o médico Munir Massud, que fez uma pesquisa superficial e tirou conclusões sobre o que não pesquisou. Quando o Conselho Federal de Medicina acatou o parecer, foi publicado um release anunciando: “Médicos que praticarem auto-hemoterapia poderão ter registro cassado”. A base para essa cassação seria o parecer, que o release sintetiza da seguinte forma: “Auto-hemoterapia não tem eficácia comprovada e pode trazer danos à saúde, diz CFM”. Sabe por quê o CFM diz isso? Porque, segundo o release, “O material consultado foram os abstracts disponíveis na base de dados Medline, que tem 11 milhões de citações e resumos da literatura médica.”.
Este documento mostra quão superficial e insuficiente foi a pesquisa realizada por uma única pessoa, que não se deu ao trabalho de ler nenhum dos materiais da base de dados de forma completa. Ou seja, 180 milhões de brasileiros estão à mercê de um trabalho incompleto. Com tanta superficialidade o CFM não questionou nada e incorporou a opinião de que “A conclusão geral da análise é a de que ‘não existem estudos relativos à auto-hemoterapia desde a sua proposição como recurso terapêutico na primeira metade do século XX até os dias atuais’ e que ‘não há evidência científica disponível que permita a sua utilização em seres humanos’, conclui o texto.
Numa decisão apressada, foi proibido o uso de um recurso utilizado há quase um século, ao invés de chamar à ordem os que praticam e estabelecer prazos para pesquisas, a fim de autorizar ou desautorizar definitivamente a prática, porém com dados concretos. Ao contrário do que não encontrou o médico ao pesquisar publicações em inglês, polonês, russo, alemão, chinês, espanhol, francês e italiano, se os pesquisadores forem à base de dados por ele indicada e outras, encontrarão elementos suficientes para não negar simplesmente. Para realizar um trabalho transparente perante os médicos e a sociedade brasileira, o CFM deveria anexar ao parecer todos os abstracts pesquisados, pois neles certamente seria encontrado um bom começo para a pesquisa.
Leia também: “Auto-hemoterapia, uma questão de pesquisa”
Walter Medeiros é jornalista
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