Brasília, 18/02/2008
Pesquisa em seis países da região indica que a juventude engajada revindica ensino público de qualidade e voltado à formação técnica - Crédito: Agência Brasil / Antonio Cruz
OSMAR SOARES DE CAMPOS
da PrimaPagina
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A principal reivindicação de jovens ligados a movimentos sociais em seis países da América Latina, inclusive do Brasil, é a criação de uma educação pública de qualidade e voltada para a formação profissional, aponta uma pesquisa organizada pelo IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e pelo Pólis (Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais).
Com o título de Juventude e Integração Sul-Americana, o levantamento ouviu, no ano passado, 19 grupos de jovens de 15 a 29 anos, na Argentina, na Bolívia, no Chile, no Paraguai e no Uruguai, além do Brasil (seis grupos). Ao todo, foram entrevistadas 960 pessoas, a grande maioria ligada em movimentos, sindicados ou associações — desde filhos de desaparecidos políticos da ditadura militar argentina a jovens do movimento hip hop na Bolívia, passando por migrantes do Nordeste brasileiro que trabalham no corte manual da cana-de-açúcar em São Paulo, além de jovens com alguma espécie de engajamento político no Chile, Paraguai e Uruguai. O objetivo foi entender quais são os anseios desses sul-americanos e de que maneira as políticas públicas poderiam beneficiar essa camada da população.
Em linhas gerais, os entrevistados disseram que a qualidade do ensino pede a aproximação entre educação e qualificação profissional; preocupam-se com remuneração, estabilidade e níveis e graus de informalidade no trabalho; reclamam transporte público gratuito para jovens estudantes, tanto no campo quanto na cidade; apontam que a cultura deve estar associada à educação de qualidade.
No Brasil, onde a proporção de jovens entre 15 e 29 anos na escola caiu de 38,3% para 36,3% entre 2003 e 2006, a pesquisa relatou dois grupos que apresentaram reivindicações ligadas à educação. Os jovens cortadores de cana alertaram para a necessidade de conciliar trabalho e estudo. O movimento pelo passe livre, de Salvador (BA), destacou as dificuldades de os jovens se locomoverem até a escola.
Ainda sobre a educação, os jovens sul-americanos, segundo a pesquisa, defendem currículos e horários escolares mais flexíveis, que possam atender à parcela da população que também trabalha.
"Esses grupos que nós pesquisamos se destacam por atividades políticas na realidade em que estão inseridos. Eles se diferenciam pelo fato de serem muito ativos", afirma o cientista político Maurício Santoro, do IBASE, um dos responsáveis pela realização do trabalho.
"Os entrevistados funcionariam como uma espécie de antena de inquietações da juventude sul-americana como um todo", acrescenta, justificando por que a pesquisa escolheu ouvir esses movimentos de jovens. "Não estamos inferindo que este resultado representa o que pensa a juventude de modo geral, mas que, em maior ou menor grau, as inquietações desses jovens representam uma amostra interessante das dificuldades que os jovens enfrentam na América do Sul como um todo", avalia Santoro.
"Algo muito interessante é que as demandas foram muito semelhante entre si, independentemente da área de atividade ou do países em que eles viviam. Isso nos surpreendeu bastante, por se tratar de pessoas inseridas em realidades socioeconômicas bastante diferentes", diz.
O resumo desse trabalho foi apresentado na manhã desta segunda-feira, durante a posse do novo Conselho Nacional de Juventude, em Brasília. O conselho é uma das estruturas da Política Nacional de Juventude, que tem apoio do PNUD.
Fonte: PNUD
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