segunda-feira, 24 de março de 2008

Coleção Aplauso lança o roteiro de Liberdade de Imprensa

Coleção Aplauso lança o roteiro de Liberdade de Imprensa, primeiro filme de João Batista de Andrade, no Rio (28/03) e em São Paulo (01/04)


Liberdade de imprensa, documentário dirigido por João Batista de Andrade em 1967, rompeu cânones do gênero e reafirmou a resistência à ditadura militar. A Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, publica Liberdade de Imprensa - O cinema de intervenção, que traz o roteiro do filme – um documento importante sobre a construção de uma nova dramaturgia no gênero – e vários textos críticos. O lançamento – que terá a exibição do filme em cópia restaurada – acontece na sexta-feira, 28 de março, às 20 horas, no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, e na terça-feira, 1º de abril, às 19 horas, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.
Liberdade de Imprensa
O cinema de intervenção
Renata Fortes e João Batista de Andrade
Coleção Aplauso
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
152 páginas
R$ 15,00
Rodado em 1967, Liberdade de imprensa marcou a estréia de João Batista de Andrade como diretor e se tornou obra de referência do documentário brasileiro, apesar de ter sido muito pouco exibido, pois foi censurado pelo regime militar. Isso torna ainda mais oportuna a publicação de Liberdade de imprensa – O cinema de intervenção – volume assinado por Renata Fortes e João Batista de Andrade, que traz o roteiro do filme e ensaios críticos – pela Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. O lançamento terá a exibição do filme em cópia restaurada. Acontece na sexta-feira, 28 de março, à s 20 horas, no Instituto Moreira Salles (Rua Marquês de São Vicente, 476, na Gávea, Rio de Janeiro, tel.: 21/3284-7400) e na terça-feira, 1º de abril, às 19 horas, na Cinemateca Brasileira (Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino, São Paulo, tel.: 11/3512-6111).
João Batista de Andrade escolheu o documentário para seu primeiro filme pois o país entrava em um período de restrições à liberdade de expressão. O documentário discute a Lei de Imprensa, promulgada em fevereiro de 1967, que excluía das garantias de livre circulação de idéias tudo o que fosse considerado como propaganda de processos de subversão da ordem política e social. Arbitrária e autoritária, a Lei de Imprensa estabeleceu oficialmente a censura.
“Liberdade de imprensa foi provavelmente o primeiro filme a fazer um questionamento direto à ditadura militar. E continua atual, pois parte das críticas que formula à imprensa ainda são válidas. A recente retomada das discussões sobre a Lei de Imprensa, que continua em vigor, ratifica essa atualidade, mostra que o filme pode contribuir para o debate”, observa o cineasta.
“Obra inovadora, Liberdade de imprensa tem importância estética e histórica. O lançamento do roteiro amplia o alcance da obra e permite o aprofundamento do conhecimento sobre o cinema de intervenção de João Batista de Andrade”, afirma Hubert Alquéres, diretor-presidente da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.
Produzido pelo movimento estudantil (jornal Amanhã, da União Nacional dos Estudantes, e o Grêmio da Faculdade de Filosofia da USP), o filme deveria ter sido lançado durante o 30º congresso da entidade, que se realizaria clandestinamente em Ibiúna, em 1968. Com a dissolução da reunião pela polícia, o filme foi apreendido e até hoje só teve sessões esporádicas.
O filme alinhava declarações de políticos, como Carlos Lacerda e o deputado João Calmon; figuras públicas, como os jornalistas Genival Rabello, Tavares de Miranda e Marcus Pereira, com depoimentos de um jornaleiro que também é motorista de O Estado de S. Paulo e de transeuntes que passam perto de bancas de jornal e vão sendo entrevistados pelo diretor.
A maior originalidade do filme está na ruptura com dois parâmetros clássicos do documentário: Batista recusa o discurso científico – sociológico, antropológico ou etnográfico – que pretende explicar o mundo, e interfere ostensivamente na realidade filmada – recusando a pretensa “objetividade” do gênero. As interferências do cineasta criam situações e reações nas quais aparecem os conflitos e as contradições da realidade sem a necessidade de falar sobre eles a partir de um ponto de vista externo à ação. Em vez de observar o real, o cineasta provoca novos fatos e amplia a abordagem do documentário.
Esse registro específico, que o crítico Jean-Claude Bernardet denominou mais tarde de “dramaturgia da intervenção”, foi aprofundado em documentários posteriores do cineasta e também influenciou as reportagens que Batista fez na TV Cultura, entre 1972 e 1974, no programa Hora da Notícia, e mais tarde no Globo Repórter, da TV Globo.
Os textos que complementam o volume oferecem idéias para uma reflexão aprofundada sobre a obra. Marília Franco assina um ensaio que discute as especificidades do trabalho de João Batista de Andrade como documentarista; Maria Dora Mourão analisa o filme a partir da ruptura estética proposta pelo cineasta; Carlos Alberto Mattos aponta para a guerra fria, tema tratado em filigrana pelo documentário; Renata Fortes reconstitui o contexto histórico da época da filmagem. Completam o conjunto a transcrição de um debate sobre a obra, um depoimento do diretor e duas críticas do filme, escritas por Jean-Claude Bernardet e Francis Vogner dos Reis.
Ivani Cardoso/Maria Fernanda Rodrigues/Alexandre Agabiti
Lu Fernandes Escritório de Comunicação
(11) 3814-4600

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