(BR Press) - No último domingo (04/05), Santa Cruz, na Bolívia, deu um “ sim” ao referendo pela autonomia, apesar de o presidente Morales e seus seguidores terem feito de tudo para boicotá-lo, por considerá-lo ilegal e separatista. O recado a Chávez e Morales foi claro: Santa Cruz quer se converter num bastião do antichavismo, numa região em que tanto seu país quanto todas as repúblicas que o rodeiam têm administrações que vão do centro à esquerda.
A Bolívia, após ter sido o país mais centralizador da região (os governos de cada um de seus nove departamentos não eram eleitos, mas designados pelo presidente), segue hoje numa direção oposta. A única nação sul-americana que perdeu a maioria de seu território original para seus cinco vizinhos (e que por isso lembra o caso da Polônia), hoje sofre fortes tendências centrífugas, que poderiam convertê-la na Iugoslávia andina.
Desta forma, a Bolívia, certamente, aprofundará o abismo entre seu Oriente, mais próximo a um modelo econômico tipo liberalismo ocidental, e um Oeste situado no altiplano, que se inspira em algumas receitas do falecido bloco oriental “socialista”.
Separatismo?
O nacionalismo cambeta afirma não querer dividir a Bolívia, mas sim criar uma autonomia tão grande que permita evitar que o governo esquerdista regulamente, queira distribuir as terras ou tenha maior controle sobre o gás.
Morales, Correa e Chávez acusam os EUA de fomentar “separatismos” nos principais contrapesos de suas capitais. No entanto, estes mandatários “socialistas” podem estar ajudando a seus oponentes, se não fizerem concessões a certas demandas referentes à descentralização de poder que hoje ecoam forte nos anseios das populações de Santa Cruz, Guayaquil e Zulia.
Nos últimos dois anos, o chavismo conseguiu que chegassem ao poder amigos seus na Bolívia, Nicarágua, Equador e Paraguai. No entanto, seu avanço também gerou resistências e eventuais derrotas.
Nos últimos dois anos, o chavismo conseguiu que chegassem ao poder amigos seus na Bolívia, Nicarágua, Equador e Paraguai. No entanto, seu avanço também gerou resistências e eventuais derrotas.
Enquanto que na Venezuela Chávez perdeu, seis meses atrás, um referendo, e hoje sua popularidade já não é tão alta, no Reino Unido, o que se viu neste último fim de semana foi uma derrota do maior aliado de Chávez na Europa: o prefeito londrino, Ken Livingstone. Ken, "O Vermelho", foi banido do cargo pelos conservadores, os quais deverão cancelar o convênio petroleiro existente entre Londres e Caracas, que subsidia parte dos transportes na capital britânica.
(*) O analista internacional e ex-professor da London School of Economics Isaac Bigio é especializado em América Latina e assina uma coluna diária no jornal peruano Correo. Tradução: Angélica Resende/BR Press. Isaac Bigio
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