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segunda-feira, 5 de maio de 2008

Bolívia - Autonomia em Santa Cruz

(BR Press) - No último domingo (04/05), Santa Cruz, na Bolívia, deu um “ sim” ao referendo pela autonomia, apesar de o presidente Morales e seus seguidores terem feito de tudo para boicotá-lo, por considerá-lo ilegal e separatista. O recado a Chávez e Morales foi claro: Santa Cruz quer se converter num bastião do antichavismo, numa região em que tanto seu país quanto todas as repúblicas que o rodeiam têm administrações que vão do centro à esquerda.
A Bolívia, após ter sido o país mais centralizador da região (os governos de cada um de seus nove departamentos não eram eleitos, mas designados pelo presidente), segue hoje numa direção oposta. A única nação sul-americana que perdeu a maioria de seu território original para seus cinco vizinhos (e que por isso lembra o caso da Polônia), hoje sofre fortes tendências centrífugas, que poderiam convertê-la na Iugoslávia andina.
Desta forma, a Bolívia, certamente, aprofundará o abismo entre seu Oriente, mais próximo a um modelo econômico tipo liberalismo ocidental, e um Oeste situado no altiplano, que se inspira em algumas receitas do falecido bloco oriental “socialista”.
Separatismo?
O nacionalismo cambeta afirma não querer dividir a Bolívia, mas sim criar uma autonomia tão grande que permita evitar que o governo esquerdista regulamente, queira distribuir as terras ou tenha maior controle sobre o gás.
Morales, Correa e Chávez acusam os EUA de fomentar “separatismos” nos principais contrapesos de suas capitais. No entanto, estes mandatários “socialistas” podem estar ajudando a seus oponentes, se não fizerem concessões a certas demandas referentes à descentralização de poder que hoje ecoam forte nos anseios das populações de Santa Cruz, Guayaquil e Zulia.
Nos últimos dois anos, o chavismo conseguiu que chegassem ao poder amigos seus na Bolívia, Nicarágua, Equador e Paraguai. No entanto, seu avanço também gerou resistências e eventuais derrotas.
Enquanto que na Venezuela Chávez perdeu, seis meses atrás, um referendo, e hoje sua popularidade já não é tão alta, no Reino Unido, o que se viu neste último fim de semana foi uma derrota do maior aliado de Chávez na Europa: o prefeito londrino, Ken Livingstone. Ken, "O Vermelho", foi banido do cargo pelos conservadores, os quais deverão cancelar o convênio petroleiro existente entre Londres e Caracas, que subsidia parte dos transportes na capital britânica.
(*) O analista internacional e ex-professor da London School of Economics Isaac Bigio é especializado em América Latina e assina uma coluna diária no jornal peruano Correo. Tradução: Angélica Resende/BR Press. Isaac Bigio

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Brasil propõe repasse de energia elétrica para a Argentina


Buenos Aires (Argentina) - Presidentes Lula, Cristina Kirchner, da Argentina e Evo Morales, da Bolívia, durante encontro na residência oficial de Olivos - Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr


Mylena Fiori
Enviada especial


Buenos Aires (Argentina) - Depois de duas horas de reunião entre os presidentes do Brasil, da Argentina e da Bolívia, além de ministros e técnicos dos três países, a solução encontrada para o risco de desabastecimento argentino foi a troca de energia.
“Tanto quanto possível, vamos contribuir para minorar essa dificuldade, sem repasse de gás, mas com repasse de energia se tivermos energia para fornecer. Nós oferecemos um certo limite de energia a eles e receberemos em pagamento também energia no momento em que eles puderem”, explicou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
Ele disse, ainda, que o Brasil não cederá gás boliviano para a Argentina. “O Brasil não vai abrir mão o gás”, afirmou.
Segundo Lobão, a Argentina pediu ao Brasil um milhão de metros cúbicos de gás/dia mais energia elétrica – mesma ajuda concedida em 2007. Este ano, o auxílio se limitará a cerca de 200 megawatts/hora de energia elétrica, informou o ministro. A solução foi negociada pelos dois países – a Bolívia, de acordo com Lobão, apenas participou no sentido de ajudar a Argentina.
Minutos antes de embarcar para o Brasil, já na Base Aérea de Buenos Aires, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva frisou a importância da ajuda recíproca. “Não se trata de sobrar gás ou não, se trata de uma política de solidariedade que os países do Mercosul têm de ter para ajudar uns aos outros”, disse Lula, destacando que Brasil, Argentina e Bolívia têm previsão de crescimento entre 4% e 8% para 2008 e precisarão de mais energia.
“Acho que essa política de solidariedade é extremamente importante para a gente garantir aos investidores que querem investir em nossos países a permanente possibilidade de produzir energia”, completou o presidente. Lula disse, ainda, que é importante que o Brasil produza energia em quantidade suficiente para ajudar os demais países da região.
Na reunião de hoje (23), além de negociar uma solução para a crise energética argentina, Brasil, Argentina e Bolívia criaram um grupo de trabalho permanente com ministros de energia dos três países para discutir questões estruturais e de curto prazo referentes ao fornecimento energético para os três países. De acordo com o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, que também participou do encontro trilateral, a primeira reunião do grupo de trabalho deve ocorrer nos próximos dez dias.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Política econômica do petróleo

Wladmir Coelho publica em seu blog a análise de um tema atual com artigos, legislação, informações históricas sobre o petróleo.
Visite:
http://politicaeconomicadopetroleo.blogspot.com/
wladmir-coelho@ig.com.br

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Bolívia: aproxima-se uma guerra civil?

Wladmir Coelho ( Mestre em Direito, Historiador, Dir. Cientifico da Fundação Brasileira de Direito Econômico)

Os prefeitos (governadores no Brasil) de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Cochabamba anunciaram para o próximo dia 15 a implantação da autonomia de "fato" destes departamentos em relação ao governo de La Paz. O ato seria uma resposta destes governantes (que integram uma frente denominada "Media Luna") a forma de elaboração da nova Constituição considerada pelo grupo autoritária e ilegal.

Observa-se que a "Media Luna" não considerou ilegal apenas o texto final da Constituição, mas todo o processo constituinte e para este fim adotou como estratégia – ao longo do processo - o apoio aos grupos radicais de direita que tentavam impedir o andamento dos trabalhos através de cercos e invasões ao teatro "Gran Mariscal" (sede da Assembléia Constituinte na cidade de Sucre) e agressões (que incluíram seqüestros) aos parlamentares ligados ao governo de Evo Morales. Este clima de violência somente mereceu atenção internacional no dia anterior a aprovação do novo texto constitucional quando grupos radicais de direita ocuparam e destruíram prédios públicos em Sucre resultando na morte de um manifestante.

A sede da Assembléia acabou transferida em caráter de urgência para a escola militar Tenente Edmundo Andrade (ainda em Sucre) onde a nova Constituição foi aprovada – em seu conteúdo geral - pelo voto da maioria dos constituintes (dos 255 constituintes compareceram a escola militar Tenente Edmundo Andrade 136 formando assim a maioria exigida no regimento interno) incluindo os artigos que tratam do modelo de autonomia para os departamentos.

Verifica-se na Bolívia uma tentativa de extinguir a política adotada pelo presidente Morales que nacionalizou os minerais daquele país e direcionou o poder econômico do petróleo e do gás para a realização de reformas sociais naquele país. A tentativa emancipacionista patrocinada pela" Media Luna" visa, exclusivamente, a desestabilização do governo gerando um conflito interno de proporções inimagináveis e tudo isso em nome do retorno ao modelo neoliberal que permitirá aos oligopólios do petróleo e do gás retomarem o antigo modelo que lhes entregava 90% dos resultados da produção.