Mostrando postagens com marcador Antonio Carlos Lopes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Antonio Carlos Lopes. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Prática de atividade física exige orientação especializada e disciplina

Dr. Antônio Carlos Lopes*

Praticar esporte ou qualquer atividade física diariamente, ou pelo menos na maioria dos dias da semana, por pelo menos 30 minutos, é o mínimo que as pessoas podem fazer para beneficiar sua saúde em diversos sentidos. Além de melhorar a aparência e o humor, o hábito é comprovadamente eficaz na prevenção e até mesmo no tratamento de inúmeras doenças.
Está comprovado que alguns males do coração, certos tipos de câncer e até o estresse podem ter solução com um estilo de vida saudável, sem tabagismo, que inclua alimentação balanceada e prática de exercícios. As atividades físicas são importantes também para os idosos, porém, sempre sob orientação médica. E não são proibidas para pacientes doentes, entretanto, deverão ser adequadas à doença e às condições clínicas de cada um.
Muitas vezes considerado normal, o estresse desencadeia ou agrava males como a hipertensão e as doenças do coração. Também contra ele, o exercício é o melhor remédio. Para os moradores das metrópoles, sempre tão agitados e apressados, vale outro alerta: a ansiedade, o excesso de trabalho, o barulho e o medo da violência levam facilmente à depressão e ao estresse.
Contudo, lembre-se sempre de que até mesmo o tão benéfico exercício pode ser prejudicial se feito sem orientação médica. Esportistas ou não, todos devemos fazer periodicamente avaliação clínica para verificar se há condições para os exercícios mais indicados, sua freqüência e duração ideais. Após esta avaliação, é importante um monitoramento permanente por profissional da área de educação física.
De posse dos exames e da prescrição médica, ele poderá desenvolver individualmente o programa mais adequado e orientar o praticante a ficar atento às suas condições durante os exercícios. O acompanhamento também é essencial para que as orientações médicas sejam cumpridas e para avaliar se o organismo da pessoa está respondendo ao esporte conforme a expectativa.
Essas medidas são fundamentais para que não aconteçam fatalidades como as que assistimos esporadicamente nos noticiários esportivos. Atletas bem treinados e bem preparados têm sido vítimas de morte súbita, em campo ou nas quadras, por falta de informação ou de avaliação médica adequada. Nos mais jovens, a má formação congênita cardíaca é um dos principais problemas e deve ser diagnosticada precocemente. A anomalia pode levar, em situação de grande esforço cardíaco, à morte súbita.
A recomendação é especialmente importante para quem nunca praticou atividades físicas ou voltou a se exercitar depois de muito tempo parado. Além de intensificar problemas ligados à saúde cardíaca, a falta de avaliação médica pode levar a problemas músculo-articulares, como estiramentos e entorses. É preciso esclarecer que a prática de atividade física traz muito mais benefícios que riscos, desde que realizada de maneira segura, com acompanhamento médico e avaliação cardíaca completa.
Portanto, a regra vale para todos, do atleta de fim de semana àquele que tem o hábito de jogar uma partida de futebol com os amigos de vez em quando, e também para a gestante e o idoso. É relevante ressaltar que a idade não é um impeditivo para começar uma atividade nova, muito ao contrário. À medida que o tempo passa, maiores são os benefícios de atividades como a caminhada ou a hidroginástica.

*Professor Titular da Disciplina de Clínica Médica da Unifesp/EPM, Presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Mais respeito com a saúde dos brasileiros

Dr. Antônio Carlos Lopes

Entra dia, sai dia, mais se fortalece a impressão de que o Brasil está à beira do caos na área de saúde. Uma epidemia de dengue assola o Rio de Janeiro, pacientes com câncer morrem na fila à espera de radioterapia, falta política de saúde consistente para o combate à AIDS, à febre amarela, e agora também à leishmaniose e à tuberculose, entre outras doenças. Enfim, o descaso com os cidadãos é público e notório.

Enquanto isso, em vez de se debruçar num plano de emergência para reverter esse quadro calamitoso, o órgão federal responsável por garantir um atendimento universal, digno e de qualidade para todos os brasileiros está longe da realidade. O máximo que faz é insistir em ações que rendem mídia, criam polêmica e geram exposição, como a distribuição de preservativo, pílula do dia seguinte, e a liberação do aborto.

Para completar este cenário, a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde, ligada ao Ministério da Saúde, tem insistido na proposta de formar médicos para o Sistema Único de Saúde, o SUS. Acena com a possibilidade de utilizar residentes como mão-de-obra barata, num flagrante desrespeito aos objetivos da residência médica.

Infelizmente, vem se notando a influência da citada Secretaria sobre o Ministério da Educação, apesar do bom senso, coerência e luta pela melhoria da qualidade do ensino demonstrados pelo ministro. Tal influência é testemunhada pela notícia recente de que os alunos contemplados com o financiamento estudantil poderão quitar suas dívidas com trabalho, depois de formados. Esta proposta só seria cabível após a conclusão da residência médica, pois o médico recém-formado não possui condições para exercer a profissão, principalmente em locais onde não há infra-estrutura e recursos humanos, indispensáveis para a boa prática médica.

Também planejam a temerária revalidação dos diplomas de médicos brasileiros graduados em Cuba e de cubanos. Para trabalhar no país, qualquer profissional formado fora (e isso vale para os, bolivianos, americanos, europeus, enfim, para todos) tem de comprovar que está capacitado a responder às necessidades e particularidades do nosso sistema de saúde, e ter competência profissional.

Claro que é uma insanidade daqueles que só enxergam a medicina e a saúde pela janela de seus luxuosos gabinetes. Uma política séria não pode jamais diferenciar o médico do SUS daqueles que trabalham em hospitais particulares de referência. Devemos ter profissionais bem formados para atender a todos, pobres e ricos. Os pacientes da rede pública, é óbvio, também merecem um atendimento médico de excelência.

*Professor Titular da Disciplina de Clínica Médica da Unifesp/EPM, Presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, e Ex-Secretário Executivo da Comissão Nacional de Residência Médica/MEC

quinta-feira, 27 de março de 2008

Saúde integral da mulher: essencial

Dr. Antonio Carlos Lopes*

O funcionamento do organismo feminino e sua saúde vêm mudando muito nas últimas décadas. Não é possível determinar um único motivo para este fenômeno, mas podemos tomar por base a manifestação ocorrida em 7 de setembro de 1968, em frente ao Concurso de Miss América, nos Estados Unidos, com a famosa queima de sutiãs em prol da libertação feminina. O movimento, que já ganhava espaço na mídia, foi impulsionado e conquistou adeptas em todo o mundo. Até hoje, elas lutam por igualdade de direitos e obrigações.

Coincidentemente, no Brasil, naquele mesmo dia comemorávamos o Dia da Independência. E assim a mulher é hoje: independente em suas atitudes, pensamentos e ideais. Mas com toda essa mudança, também adquiriu os revezes daqueles que vivem sob pressão, à mercê de fatores ambientais e sociais, imputando riscos e malefícios à sua saúde.

Recentemente uma pesquisa apontou que, na capital paulista, a poluição do ar equivale a fumar dois cigarros ao dia. No grupo dos inimigos da saúde, destaque também para a falta de tempo, a alimentação desregrada, o sedentarismo, o estresse, o abuso do álcool, entre muitos outros hábitos nocivos incorporados rapidamente do pelo gênero feminino, descuidos até há pouco exclusivamente masculinos.

O novo perfil da mulher tem trazido doenças que até pouco tempo atrás eram quase que exclusivas do sexo masculino, como por exemplo a doença arterial coronária.

Na ânsia de alcançar a igualdade entre os sexos, a mulher se transformou, à vista da Medicina, em um indivíduo ainda mais particular. É necessário enxergá-la de maneira diferenciada, levando em conta suas particularidades, fragilidades e suas necessidades. Em conseqüência de sua anatomia, há doenças exclusivas do sexo feminino, como o câncer de colo de útero ou a endometriose, e cuidados e intercorrências durante a gravidez, parto e pós-parto.

Há também os problemas que, embora incidam nos homens, são mais predominantes na mulher, como o câncer de mama, osteoporose, depressão, esclerose múltipla, artrite reumatóide e muitas outros.

Sob essa realidade, é essencial a proposta de atenção à saúde integral da mulher, que, com base nesta ampla gama de necessidades, busca tratamento e redução da incidência de todos estes males. A mulher é um ser especial e precisa ser olhada como tal. Precisa voltar às suas origens, ou ao que existe de saudável e salutar nela, e recuperar tempo para cuidar de si e reduzir o ritmo.

É fundamental que ela encontre espaço em sua agenda para consultar o médico regularmente, estar atenta a qualquer alteração em seu corpo, sinais de que alguma coisa não vai bem, e praticar exercícios físicos regularmente, assim manter sob controle as taxas de colesterol e a hipertensão arterial. Precisa, enfim, se tornar prioridade de vez em quando, e se posicionar à frente da casa, do trabalho, e também do marido e dos filhos, para voltar a cuidar de si, como fazia antigamente.

*Presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

terça-feira, 4 de março de 2008

Transfusão de sangue, um ato de amor à vida

Dr. Antonio Carlos Lopes*

A cada dois segundos um paciente precisa de transfusão de sangue no Brasil, de acordo com a Fundação Pró-sangue. Normalmente isso ocorre em casos de cirurgias, traumatismos, anemias, ou partos, em que a perda de sangue é significativa e o organismo não é capaz de uma recomposição suficientemente rápida.

Pacientes de câncer e portadores de algumas doenças genéticas que afetam o sistema sanguíneo também podem precisar de sangue ou de seus derivados. É, por exemplo, o caso dos hemofílicos, que necessitam de transfusão para minimizar a o comprometimento do sistema de coagulação.
O procedimento começa com a doação de sangue, que deve ser feita de maneira absolutamente voluntária. A Constituição Federal veda qualquer tipo de comercialização envolvendo o sangue, que deve sempre ser doado com fim altruístico. Também garantido por lei é o sigilo acerca das declarações prestadas pelo doador na entrevista que precede a coleta.

O questionário é o primeiro passo para garantir que a doação seja de pessoas saudáveis e não ofereça riscos nem ao receptor nem ao doador. Após esta triagem inicial, o sangue passa por uma série de testes para comprovar sua qualidade. De acordo com recomendação do Ministério da Saúde, o sangue doado deve ser submetido a testes que confirmem a ausência de doenças diversas, como malária, sífilis, doença de Chagas, hepatites B e C e até mesmo a AIDS. No caso de o doador ser portador de algum destes males, eles podem ser transmitidos em uma transfusão. Passado esse processo, o sangue é estocado à espera de receptor compatível. Pode também ser armazenado para uso próprio, situação em que o indivíduo doa para si mesmo meses antes de ser submetido a uma cirurgia.

Existem determinados tipos de sangue incompatíveis com outros, impedindo a transfusão. No universo das combinações, o portador do sangue AB positivo é considerado receptor universal, já que pode receber qualquer tipo sanguíneo. O de tipo O negativo é classificado como doador universal, pois seu sangue pode ser recebido por todos os indivíduos. É o tipo ideal para casos de acidentes ou emergências, quando não há tempo de realizar o estudo do sangue do receptor. Aliás, por este motivo, os bancos de sangue geralmente focam suas campanhas de doação nos portadores do sangue tipo O negativo.

Como ainda não existe nenhum substituto para o sangue humano, seja qual for o seu tipo, fazer da doação uma rotina é um ato de cidadania. É seguro doar sangue a cada seis meses. Qualquer pessoa com boa saúde, entre 18 e 65 anos de idade e com mais de 50 kg de peso, é um doador potencial. Além de salvar inúmeras vidas, a doação não traz qualquer revés ao doador, demora cerca de uma hora e pode ser útil para até três pessoas.

Todos devem conhecer os locais de coleta mais próximos. Além do benefício evidente da doação, pois pode salvar vidas, quem doa tem gratuitamente vários exames realizados. Frequentemente pacientes portadores de hepatite B ou C e sífilis, que não tinham diagnóstico estabelecido, são identificados durante a doação de sangue e passam a ter a oportunidade de receber o tratamento adequado.

*Presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica