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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Por dentro do DNA

Exposição Revolução Genômica, criada pelo Museu de História Natural de Nova York, é aberta em São Paulo nesta sexta-feira (29/2). Conceitos científicos e impactos das descobertas sobre o genoma são apresentados com recursos interativos

29/02/2008
Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – A versão brasileira da exposição Revolução Genômica, criada pelo Museu de História Natural de Nova York, será aberta ao público nesta sexta-feira (29/2), em São Paulo, no Pavilhão Armando de Arruda Pereira, no Parque do Ibirapuera, onde permanece até 13 de julho.
Visitada por mais de 800 mil pessoas em diversos países, a mostra usa elementos interativos para explicar conceitos científicos e explorar o impacto das descobertas sobre o genoma na medicina, na agricultura e no cotidiano. O espaço da exposição também abrigará, nos finais de semana, um amplo ciclo de palestras relacionadas ao tema, com organização da revista Pesquisa FAPESP.
A exposição, instalada em uma área de 2 mil metros quadrados, foi trazida ao Brasil por intermédio do Instituto Sangari, que espera receber de 500 mil a 600 mil visitantes. O orçamento foi de R$ 4,5 milhões, segundo os organizadores. A exposição tem apoio de diversas empresas e instituições, entre as quais a FAPESP.
A curadoria é assinada pela professora aposentada do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva da Universidade de São Paulo (USP), Eliana Beluzzo Dessen e pela jornalista Mônica Teixeira, assessora do Núcleo de Educação da Fundação Padre Anchieta e autora do livro O projeto Genoma Humano.
Segundo Eliana, a exposição foi ampliada em relação à original. Além da seção dedicada aos conceitos científicos relacionados ao DNA, seu estudo, seqüenciamento e aplicação, a versão brasileira ganhou uma introdução que remete à noção de biodiversidade, localizando o DNA no organismo das diferentes espécies, além de uma conclusão voltada às aplicações do conhecimento à genética de alimentos – um ponto forte da genômica brasileira.
“Fizemos também uma adaptação da linguagem à capacidade de leitura do público brasileiro. Nas seções complementares procuramos expressar as idéias usando menos texto e enfatizando a compreensão sensorial”, disse Eliana à Agência FAPESP.
Segundo a professora, que é coordenadora de Educação-Difusão do Centro de Estudos do Genoma Humano, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP, a linguagem foi desenvolvida com foco em alunos do ensino médio.
“Sabemos que, por causa da abstração que envolve a genômica, os estudantes têm grande dificuldade para compreender. Por isso, a exposição procura associar a informação didática a uma apresentação intuitiva e concreta”, explicou.
A mostra começa com uma passagem por um salão que apresenta a diversidade de organismos existentes – incluindo animais vivos e taxidermizados, plantas, fotos e filmes. Em seguida, o visitante faz um passeio por dentro de uma célula com organelas tridimensionais, onde pode localizar o DNA.
Na segunda parte, que corresponde à exposição original, o visitante tem informações sobre a descoberta do DNA e aprende conceitos importantes como hereditariedade e os elementos que formam a dupla hélice do código genético.
Os conceitos são apresentados de forma interativa: o visitante pode, por exemplo, alterar os genes de uma mosca e observar, em uma projeção, as conseqüências no animal. São apresentadas também tecnologias de seqüenciamento. Genômica e biodiversidade
A última parte reúne casos brasileiros de aplicação do conhecimento genômico, destacando o desenvolvimento de produtos agrícolas e o seqüenciamento da bactéria Xylella fastidiosa, praga que atinge plantações de laranja. “Essa parte é centrada em dois conceitos fundamentais em melhoramento genético: a seleção artificial e a seleção natural”, disse Eliana.
Para o paleontólogo Niles Eldredge, da curadoria do Museu de História Natural de Nova York, os acréscimos brasileiros, voltados para a biodiversidade, representaram um avanço para a exposição. “A montagem deu uma dimensão mais ampla à mostra, colocando em perspectiva a relação entre genômica e biodiversidade”, disse.
Segundo o paleontólogo, a versão brasileira ajuda a levantar diversas questões. “A discussão aborda perguntas como: por que a biodiversidade é importante para a vida na Terra, o que estamos fazendo para destruir a biodiversidade tão rapidamente e como salvar a biodiversidade no planeta”, afirmou.
De acordo com o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, que faz parte do comitê científico da exposição, o estímulo aos questionamentos é justamente um dos principais objetivos da mostra.
“A idéia de uma exposição desse gênero não é passar ao visitante toda a informação sobre o tema abordado. O objetivo é que o visitante seja levado a mais questionamentos e que saia fazendo perguntas mais inteligentes do que antes”, disse.
Para Brito Cruz, o caráter de divulgação científica da exposição é fundamental para o público brasileiro. “Nós, cientistas, achamos que a ciência é algo belo e fascinante, mas para o público ela pode parecer complicada e difícil. Temos que criar condições para que se possa perceber que as idéias fundamentais por trás do desenvolvimento científico são compreensíveis por todos”, afirmou.
A programação de eventos organizada pela revista Pesquisa FAPESP começa no próximo sábado (1º/3), às 15h, com a palestra “Biodiversidade e a sexta extinção”, apresentada pelo paleontólogo Niles Eldredge, do Museu de História Natural de Nova York.
Em conjunto com o também paleontólogo norte-americano Stephen Jay Gould, Eldredge criou, em 1972, a teoria do equilíbrio pontuado. Desenvolveu uma visão hierárquica dos sistemas evolutivo e ecológico, e também formulou uma teoria abrangente (sloshing bucket), que especifica em detalhes como a mudança ambiental rege o processo evolutivo. Um crítico das teorias da evolução focadas no gene, seu livro Why We Do It (2004) apresenta uma alternativa para a psicologia evolutiva, que se baseia nos genes para explicar o comportamento dos seres humanos.
Mais informações: http://www.revolucaogenomica.com.br/

sábado, 26 de janeiro de 2008

Pesquisa genética representa "seguro de vida" para onça-pintada


Pesquisadores do Cenap colhem material orgânico de onça pintada-Foto: Adriano Gambarini

Um seguro contra a extinção. Esse é um dos princípios que norteiam o programa de pesquisas em laboratório realizado pelo Cenap (Centro Nacional de Pesquisa para a Conservação dos Predadores Naturais), do Instituto Chico Mendes, que tem sede em Atibaia (SP). Os projetos visam preservar informações genéticas de espécies de carnívoros ameaçados de extinção, como a onça-pintada.

A partir da coleta de material orgânico dos animais, o centro procura identificar a melhor estrutura genética em relação às diferentes populações de carnívoros encontradas no País e busca, entre outras coisas, respostas para as doenças que acometem essas espécies.

”Nossa preocupação é responder perguntas cujas respostas só podem ser encontradas no material genético destes animais. Na prática, isso representa o seguro de vida da onça-pintada contra uma possível extinção no futuro”, destaca Ronaldo Morato, chefe do Cenap.

Ele faz questão de destacar, no entanto, que o foco atual é a prevenção e não a reprodução. “Buscamos garantir que esse material genético continue sendo conhecido e explorado, sem necessariamente gerar indivíduos em laboratório. Até porque a onça-pintada possui boa variabilidade genética”, explica Morato.

Em 2003, o centro começou a formar o banco de amostras biológicas de carnívoros, reunindo partes de tecidos, sangue, papa de leucócitos e sêmen de algumas espécies. Em seguida, foi criado um projeto para a produção de embriões, sem que houvesse, porém, preocupação de transferi-los para uma receptora que os gerasse.

A dificuldade maior é aprimorar a qualidade de armazenamento das amostras biológicas, principalmente sêmen. "Não é fácil armazenar corretamente esse tipo de material, principalmente porque os felinos possuem baixa qualidade do sêmen. Foi aí que surgiram parceiras importantes, como a que temos com a Universidade Estadual do Ceará", pontua Morato.

Os resultados foram tão favoráveis que outros projetos surgiram, envolvendo o congelamento de oócitos (gameta feminino da espécie). “A partir dessa técnica podemos coletar os ovários das fêmeas encontradas mortas nas rodovias e congelar, garantindo a preservação da informação genética ali existente”, explica o chefe do centro.

Com a Universidade Estadual do Ceará (UECE), a Estadual Norte Fluminense e a Federal de Minas Gerais (UFMG), o Cenap participa no desenvolvimento de técnicas que melhoram a preservação de gametas.

Em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), busca o melhoramento das técnicas de inseminação artificial, a partir de indução hormonal em fêmeas de onça-pintada. Nas parcerias com a PUC do Rio Grande do Sul, trabalha-se a extração e preservação de DNA, além da análise genética de cada indivíduo.

Apesar de essas técnicas estarem sendo desenvolvidas de forma disseminada pelo mundo desde a década de 90, somente a partir do ano 2000 é que o Brasil acelerou seu trabalho nesse campo de pesquisa. "O Cenap foi com certeza um dos pioneiros nesse trabalho focado na conservação de espécies e preservação dessas informações genéticas", diz Morato.

Agência de Notícias do
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Boletim Eletrônico - Número 15 - Ano II - Brasília-DF, 25 a 30 de janeiro de 2008

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

DNAtos - Pensamentos e Ações por um mundo sustentável

Ficar rico da noite para o dia parece ser um sonho acalentado por 100% da humanidade.

Para uma vida mais próspera e em paz bastam pequenas atitudes.

A exemplo da herança genética que transmitimos aos nossos descendentes estamos propondo uma mudança de atitude a partir de cada um, para que as gerações futuras, saibam que é possível viver em Paz e Harmonia e que é saudável trocarmos experiências e conhecer a imensa diversidade que nos rodeia.

Nosso WEB CONGRESSO vai propor para a plenitude da vida a reformulação de valores e conceitos que vigoraram durante séculos sobre o planeta.

Um Congresso via WEB poupa recursos naturais, oferece conforto e permite intercâmbio com todos os participantes.

Só "respeitar", não adianta é preciso integrar totalmente.

Todos somos igualmente belos, expressões perfeitas da vida e não podemos tolerar mais, que a felicidade e a plena auto-expressão, só possam ser vividas em guetos ou entre quatro paredes.

Somos todos co-responsáveis pelos cuidados com o planeta, desde as mais simples atitudes como economizar água, até reconhecer o direito do outro em ser e viver como entende melhor.

Somos sabedores que a verdade não é única, que não há nenhum comportamento ou orientação proibida, exceto aquelas que cerceiam a plena expressão do outro.

Somos co-responsáveis pelo não acesso à educação, saúde, água e comida de tantos ao nosso redor.

Erramos se acharmos que só o nosso modo de ver e viver a vida é certo.

Venha somar, Você só tem a ganhar!

Receba nossas Boas-Vindas por antecipação. Faça sua pré reserva enviando por e-mail, nome completo.

A participação no evento terá valor de R$ 170,00 pelos quatro dias com sinal de vídeo e aúdio para pequenos grupos.

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"A substância do universo passa por aqui"
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Conexões genéticas


Cientistas brasileiros analisam DNA de araucárias em fragmentos florestais isolados e, usando modelo matemático, calculam taxa de migração do pólen. Trabalho poderá ter aplicação na construção de pomares de reflorestamento

16/01/2008

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Utilizando marcadores moleculares para estudar o fluxo de genes de araucárias entre dois fragmentos de floresta e interpretando os dados com ajuda de um modelo matemático, pesquisadores brasileiros conseguiram calcular os padrões de dispersão do pólen entre as árvores.

A interconexão genética entre os fragmentos sugere que o fluxo de pólen pode ter um papel decisivo na manutenção da diversidade genética entre as populações de araucárias. O trabalho poderá ter aplicações na construção de pomares de sementes para reflorestamento. A espécie estudada, Araucaria angustifolia, conhecida como pinheiro-do-paraná, está ameaçada de extinção.

O estudo, realizado por Alexandre Magno Sebbenn, do Instituto Florestal, e Juliana Bittencourt, da Universidade de Reading (Reino Unido), foi publicado na revista Heredity, editada pela Nature.

De acordo com Sebbenn, os estudos de fluxo de genes de pólen e sementes são importantes por determinar como acontece a conexão genética entre as populações de diferentes fragmentos de florestas.

“A floresta de araucárias é extremamente fragmentada e é fundamental saber como os indivíduos estão interligados com populações isoladas”, disse Sebbenn à Agência FAPESP.

Os pesquisadores estudaram um pequeno fragmento de araucárias de 5,4 hectares, no interior do Paraná, e um grupo de cerca de pouco mais de uma dezena de árvores situado a 1,7 quilômetro de distância dali, isolado do fragmento por fazendas de criação de gado e cultivo de cana-de-açúcar.

Foram coletadas amostras de DNA de todas as mais de 400 árvores, que incluíam indivíduos adultos e juvenis de até 3 metros de altura. O material foi enviado à Inglaterra para análise semelhante ao teste de paternidade realizado em humanos. “O objetivo era saber se o fragmento era geneticamente isolado do grupo de árvores”, disse o cientista.

De posse dos genes de todas as plantas, os cientistas procuraram rastrear o parentesco entre elas e aplicaram um modelo matemático para calcular as taxas de migração do pólen. “Quando coletamos sementes, sabemos que temos o gene da mãe. Resta saber de onde veio o gene paterno, que pode ter vindo pelo fluxo de pólen”, disse.

Segundo o estudo, 10% do pólen do fragmento veio de fora e 90% eram originários do próprio fragmento. Não havia fluxo gênico por sementes, portanto, os pais que não estavam no fragmento só poderiam ter enviado seus genes por fluxo de pólen.

“Dos 10% de pólen externo, constatamos que 4% vinham do conjunto de árvores analisado, tendo portanto viajado pelo menos 1,7 quilômetro. Os outros 6% não tiveram a origem encontrada, o que nos permite dizer que o pólen viajou pelo menos 4 quilômetros, onde havia outro grupo de árvores”, disse.

O pesquisador explica que as sementes estudadas foram fruto do último evento de floração, que pode ter acontecido no máximo há dois anos. “Isso exclui a hipótese de haver pais que não estão mais na paisagem”, disse.


Aplicação em conservação

Segundo Sebbenn, embora seja voltado para a pesquisa básica, o estudo pode ter aplicações na construção de pomares de sementes para reflorestamento. Nesse tipo de pomar, os genótipos que crescem mais são selecionados para recombinação genética.

“Quem faz isso não quer que o pólen migre de fora, para não comprometer a seleção genética. Nosso trabalho mostrou que para fazer um pomar de sementes geneticamente isolado é preciso mantê-lo a pelo menos quatro quilômetros de outras árvores”, disse.

O estudo também fornece indicações para a coleta de sementes com a finalidade de recuperar árvores degradadas e posteriormente plantar espécimes com bom potencial evolutivo. Sabe-se que, se forem utilizadas árvores que têm parentesco, acontece uma depressão endogâmica, com menor produção de sementes e mudas com defeitos genéticos.

“Uma das análises que fizemos define a distribuição espacial de genótipos, indicando se as árvores próximas são ou não parentes entre si. Pudemos concluir que, para evitar a depressão endogâmica, é preciso coletar sementes que estejam a mais de 75 metros uma da outra”, disse.

Segundo Sebbenn, o trabalho também concluiu que as árvores isoladas, mesmo em grupos muito reduzidos, são importantes pontes genéticas entre fragmentos. “Constatamos que, mesmo a quase dois quilômetros de distância, um pequeno grupo de árvores contribuiu para o pólen do fragmento de 5,4 hectares. Isso diminui a chance de consagüinidade entre os indivíduos do fragmento, melhorando suas chances de desenvolvimento”, disse.

O trabalho dos brasileiros foi objeto de um comentário do editor da revista Heredity, Thomas Meagher, que publicou artigo destacando as possíveis aplicações da pesquisa: “Estudos como esse mostram como resultados obtidos a partir do interesse científico básico de compreender a dinâmica evolucionária das populações podem ser aplicados no contexto de conservação”, escreveu o editor.