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domingo, 25 de maio de 2008

Reciclagem de garrafas PET pode movimentar R$ 200 milhões por ano, afirma diretor

Garrafas de plástico na prateleira de uma distribuidora de bebidas. Mais de um mês após a liberação do uso do plástico reciclado de garrafas PET na embalagem de alimentos, nenhuma empresa obteve licença para trabalhar nesse mercado - Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Brasília - Mais de um mês após a liberação do uso do plástico reciclado de garrafas tipo PET (usadas em refrigerantes) para produção de embalagens de alimentos, nenhuma empresa obteve ainda a licença para trabalhar nesse mercado, que segundo o diretor do Centro de Estudos Socioambientais Pangea, Antonio Bunchast, tem potencial de crescimento para movimentar quase R$ 200 milhões ao ano.Segundo a Associação Brasileira da Indústria do PET, aproximadamente 51% de todo esse material plástico é reciclado, deixando outras 184 milhões de toneladas produzidas por ano nos aterros e lixões.

Para Antonio Bunchast, a resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que permite o uso do PET reciclado para produzir embalagens de alimentos provavelmente irá aumentar a reciclagem desse material. “A probabilidade é que aumente a coleta do PET por parte dos catadores, já que vai haver um aumento da demanda desse produto”, explicou Bunchast.

Ele considera a medida “positiva do ponto de vista ambiental e positiva do ponto de vista da geração de trabalho e renda”. Porque não só “poupa recursos naturais, mas se torna um negócio viável para cooperativas de catadores de materiais recicláveis”.

Bunchast apontou ainda a importância da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê a co-responsabilização dos produtores dos materiais na coleta dos resíduos pós-consumo. Ele usou como exemplo o caso das embalagens Tetra Pak, utilizadas em leite longa vida, e os copos descartáveis, que não são reciclados devido aos altos custos para o reaproveitamento.“Não se pode produzir Tetra Pak de uma maneira difusa, sem um planejamento de como se vai recuperar aquele resíduo na natureza depois”, ressaltou.

Uma das empresas que pretende reciclar plástico PET para embalar alimentos, a Bahia PET, já utiliza um sistema de reaproveitamento aprovado na Alemanha. O diretor industrial, Waltencir Teixeira, explicou que a técnica de reciclagem usada pela empresa começa com uma lavagem química do material, depois passa por um processo de fusão a 280º C, para então ser filtrado.De acordo com o diretor, ao final do processo, o material está “tão descontaminado quanto o material virgem”. Uma garrafa PET de plástico reciclado custa cerca de 15% menos do que uma feita com outro tipo de matéria-prima.

terça-feira, 25 de março de 2008

Pais já pode embalar alimentos com PET reciclado

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou a reciclagem de garrafas PET para uso em embalagens de alimentos no Brasil. A medida tem grande impacto ambiental, pois permitirá que as empresas autorizadas reciclem boa parte do material que até então tinha como destino depósitos e aterros sanitários ou era descartado na natureza, onde levam cerca de 100 anos para se decompor.
Em 2007, 184 mil toneladas de garrafas PET deixaram de ser recicladas no Brasil.
A resolução da Agência teve como base o surgimento de novas tecnologias capazes de limpar e descontaminar esse tipo de material, independentemente do sistema de coleta. Quatro empresas brasileiras já apresentaram pedidos à Anvisa para adotar essas novas tecnologias - duas no Rio de Janeiro, uma em São Paulo e uma na Bahia.
Resina limpa - "O material a ser reciclado passa por várias etapas e testes experimentais, sendo que no final do processo dá origem à resina de PET limpa e própria para a confecção de embalagens que entram em contato com alimentos", explica Lucas Dantas, gerente de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Anvisa.
A principal exigência para o uso do Polietilenotereftalato (PET) reciclado em contato com alimentos será o registro do produto na Anvisa. O rótulo da embalagem deverá conter o nome do produtor, o número de lote e a expressão "PET-PCR".
A liberação do uso de PET recicladas em embalagens de alimentos atende à exigência do Mercosul que editou o "Regulamento Técnico Mercosul sobre Embalagens de PET - PCR destinadas a entrar em contato com alimentos". Os países- membros do bloco econômico têm até o próximo dia 10 de maio para se adequar à norma.
Grupo de Trabalho - A posição brasileira foi definida por um grupo de trabalho Interinstitucional sobre regulamentação de embalagens de polietileno tereftalato pós-consumo reciclado (PET - PCR).
Participaram dos trabalhos representantes da Anvisa, de cinco ministérios, do Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro), do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) e do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS).
A Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet) estima que, somente em 2006, foram produzidas 378 mil toneladas de embalagens à base de PET em todo o país.
Veja exigências para reciclar PET em alimentos -
- Habilitação e registro do estabelecimento na Anvisa
- Registro do plástico de polietileno tereftalato pós-consumo reciclado (PET - PCR) na agência
- Autorizações especiais de uso da tecnologia de PET-PCR (FDA ou outra referência reconhecida)
- Análise validada de contaminantes e análise sensorial
- Comprovação pelo produtor de que dispõe de: sistemas de controle de processo/ produto e garantia da qualidade, laboratório de análise e pessoal capacitado e programa de monitoramento analítico que assegure a continuidade da qualidade do PET-PCR
- Identificar, na embalagem do produto, o produtor, o número de lote ou codificação que permita rastreabilidade
- Inclusão da expressão "PET-PCR" na embalagem
Editado pela
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
Nº 622b - Brasília, 24 de Março de 2008