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terça-feira, 13 de maio de 2008

Raposa Serra do Sol



Boa Vista (RR) - Índias aliadas de arrozeiros exibem cartazes em solidariedade ao líder dos produtores, Paulo César Quartiero, durante protesto contra a demarcação da Raposa Serra do Sol em área contínua e a atuação da Polícia Federal na região Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr

domingo, 27 de abril de 2008

Fronteiras sangrentas

José Sarney
17/04/2008
Muito se tem censurado o Supremo Tribunal Federal por estar legislando. Na nossa democracia cabe ao Judiciário ser não somente o fiscalizador dos outros Poderes, mas harmonizar os conflitos que possam romper o equilíbrio institucional.
Graças a essa atribuição, podemos prescindir do Poder Moderador que no Império foi exercido pelo Imperador e na República pelas incursões das Forças Armadas.
A tradição brasileira, ao contrário da americana, é não ter conflitos entre o Poder Judiciário e o Poder Legislativo. O mesmo não aconteceu entre o Poder Executivo e os outros dois.
O Legislativo foi fechado algumas vezes e o Judiciário podado de ministros e de atribuições, chegando Vargas a nomear o presidente do Supremo e anular uma sentença por decreto. Nos Estados Unidos foi a Corte Suprema — lá também acusada de legislar — que resolveu o problema dos direitos civis e a segregação nas escolas.
O resultado foi o fim do apartheid que ameaçava dividir o país. Nossa Constituição de 88 é detalhista em muitos temas mas vazia em outros. Cabe ao Supremo viabilizá-la na direção dos interesses maiores da Pátria e do Estado de Direito. Para isso recebeu a sagrada missão de “guardar a Constituição”.
Só ele poderá evitar a hipertrofia de alguns setores que hoje se expandem em busca de ocupar espaço e exercer poderes que não têm, violando direitos individuais e criando ameaças ao Estado de Direito. Só o Supremo pode conter isso.
Um teste, agora, objetivo e atual, é o da reserva Raposa Serra do Sol. Até onde pode um Estado ter o seu território dividido e ocupado, ou, como acontece em Roraima, não ter terra nenhuma porque todas são da União e estão repartidas?
Outro assunto sensível, que diz respeito à soberania, é a existência de reservas indígenas em faixas de fronteira. Quando eu era presidente não permiti demarcar reservas na fronteira, mas fizemos reservas isoladas e descontínuas que resguardavam a soberania nacional e conjuravam as cassandras do Pentágono, que diziam ser um conflito do futuro da humanidade as “nações indígenas” da Amazônia.
O governo que me sucedeu revogou minha decisão.
O artigo primeiro de nossa Constituição coloca entre os fundamentos do Estado democrático de direito, em primeiro lugar, a soberania. O STF tem o dever irrecusável de defendê-la. Ela é a pátria. Nossas fronteiras são de todos os brasileiros, pardos, brancos, negros e índios. Temos fronteiras de paz com dez países. Não podemos imaginar que por nosso erro elas se tornem fronteiras sangrentas.
José Sarney é escritor e membro da Academia Brasileira de Letras. É autor de diversos livros, entre os quais Marimbondos de Fogo.
Publicação original: Brasil Que Lê

quarta-feira, 9 de abril de 2008

STF suspende retirada de não-índios da Terra Indígena Raposa Serra do Sol

Antonio Arrais
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) acompanhou o voto do relator, ministro Carlos Ayres Britto, e decidiu, por unanimidade, suspender qualquer operação de retirada de ocupantes não-índios da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.
A decisão, que vale até o julgamento do mérito da ação cautelar, atendeu a pedido feito ontem (8) pelo governo de Roraima.Mais cedo, o superintendente da Polícia Federal (PF) em Roraima, José Maria Fonseca, tinha anunciado que a operação Upatakon 3 terá uma trégua pelo menos até a próxima segunda-feira (14).
A operação visa retirar não-índios da terra indígena Raposa Serra do Sol. A informação foi transmitida após uma reunião entre policiais federais e nove arrozeiros que têm plantações na área."Eles pediram um prazo até segunda-feira, quando voltaremos a sentar para definir como será a desocupação", afirmou, reiterando que o acordo com os arrozeiros será respeitado."Até segunda-feira, não tem surpresa e não há enganação. A Polícia Federal não age assim. Não pode haver quebra de confiança".