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segunda-feira, 23 de junho de 2008

São Pedro: o primeiro Papa

Prof. Felipe Aquino*

A solenidade de S.Pedro e S.Paulo (29 de junho) é uma das mais antigas do ano litúrgico. Ao instituir a Igreja, a partir do Colégio dos Doze Apóstolos, Jesus o quis como um grupo estável e escolheu Pedro para chefiá-lo.

A ele entregou as chaves do Reino dos Céus, sobre ele (e seus sucessores) edificou a Igreja, prometeu-lhe que as forças do inferno jamais a venceriam, e que tudo o que ele ligasse na terra seria também ligado no Céu.

Há vinte séculos a História confirma essa verdade. Há dois mil anos, Pedro e seus sucessores são a Cabeça visível da Igreja e sua Pedra de unidade, para manter a ordem e preservação da doutrina deixada por Cristo.

Já no primeiro encontro que Jesus teve com Simão, “olhou fixo nos seus olhos” e mudou o seu nome para Pedro; para os judeus, isto era o indicativo de uma missão sagrada. “Tu és Pedro, serás chamado Kephas”. Depois da Ressurreição, Jesus confirma o primado de Pedro sobre toda a Igreja, repetindo-lhe três vezes às margens do lago de Tiberíades: “Apascenta as minhas ovelhas”. Este é o munus petrino, confirmar os irmãos na fé do Cristo e da Igreja.

Nem mesmo a tríplice negação de Pedro no dia de sua prisão fez Jesus retirar-lhe o Primado na Igreja. Por isso, os homens também não ousam fazê-lo. Nenhum dos 265 Papas que a Igreja já teve assumiu o nome de Pedro. Nunca houve o Pedro II. Isto porque, na verdade, “todos eles representam o mesmo Pedro”.

Nós o chamamos de Bento XVI, mas Jesus continua a chamá-lo de Pedro: “Tu és Pedro, e sobre ti edificaria a Minha Igreja”. O nome de Pedro é mencionado 171 vezes no Novo Testamento.

João, com apenas 46 vezes, é o segundo mais citado. No catálogo dos Apóstolos, Pedro é sempre citado em primeiro lugar: “Escolheu estes doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro...” (Marcos 3,16). Pedro aparece sempre como o porta-voz do Grupo: “Então, perguntou-lhes Jesus: “E vós, quem dizeis que eu sou? Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!” (Mt 16,15-16).

Em outras ocasiões, é Pedro quem toma a frente: “Eis que deixamos tudo e te seguimos” (Mc 10,28). No momento difícil, após o discurso sobre a Eucaristia, quando Jesus checou até o fundo a fé dos discípulos, Pedro responde: “Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna”. Desde o início, os demais Apóstolos entenderam a missão especial de Pedro, conferida a ele por Jesus, e o respeitaram.

Um fato bastante representativo foi o que aconteceu no dia de Pentecostes. Pedro foi quem tomou a palavra para falar ao povo: “Pedro, de pé com os Onze, ergueu a voz e assim lhes falou: ‘Homens da Judéia, e habitantes todos de Jerusalém ...’” (At 2,14 s). Três mil se converteram...

É belo notar que o povo trazia os doentes para as ruas e punham-nos em leitos e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles para curá-los. São Pedro foi martirizado em Roma. As escavações realizadas sob a basílica do Vaticano nos últimos decênios, bem como os escritores antigos, confirmam.

Os arqueólogos descobriam um túmulo cristão sob a basílica vaticana. Foram encontradas junto a esse túmulo numerosas inscrições a carvão (graffiti), fazendo menção ao Apóstolo Pedro. Pedro morreu, no ano 67, em Roma, na perseguição de Nero, crucificado de cabeça para baixo, segundo o testemunho de Eusébio de Cesaréia (†300).

É por tudo isso que o bom povo católico invoca S. Pedro para obter as graças necessárias. Junto de Deus, ele intercede sem cessar pelos filhos da Igreja.

* Prof. Felipe Aquino é teólogo e apresentador dos programas ‘Escola da Fé’ e ‘Trocando idéias’, na TV Canção Nova (http://www.cancaonova.com/)

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Luiz Pattoli
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quinta-feira, 29 de maio de 2008

As razões do coração de Maria

Prof. Felipe Aquino*

Maio é um mês totalmente dedicado a Maria, mãe de Jesus. Não sem motivo, é o mês das noivas, em que se destaca a figura da mãe – base de toda família.

No próximo dia 31 (sábado), é celebrado o Imaculado Coração de Maria, símbolo máximo do amor materno. O Papa Bento XVI, quando ainda era Prefeito da Congregação da Fé, apresentou seis motivos para não esquecermos a Virgem Maria.

Segundo ele, são os pontos em que a função da Virgem Maria, de equilíbrio e totalidade, se mostra clara para a fé católica.

Primeiro
Reconhecer a Maria o lugar que a tradição e o dogma lhe atribuem significa permanecer profundamente radicados na cristologia original. Foi ao serviço direto da fé em Cristo, e não, portanto, em primeiro lugar por devoção à Mãe, que a Igreja proclamou os seus dogmas marianos: inicialmente, a virgindade perpétua e a maternidade divina e, a seguir, após um longo amadurecimento e reflexão, a conceição sem mácula do pecado original e a assunção ao céu. Esses dogmas servem de amparo à fé autêntica em Cristo, como verdadeiro Deus e verdadeiro homem: duas naturezas em uma só Pessoa.

Segundo
A mariologia da Igreja supõe o justo relacionamento e a necessária integração entre Bíblia e Tradição. Os quatro dogmas marianos têm claro fundamento na Escritura. Trata-se de um gérmen que cresce e frutifica na vida cálida da tradição, assim como se exprime na liturgia, no sentimento do povo fiel e na reflexão da teologia guiada pelo Magistério.

Terceiro
Precisamente em sua pessoa de jovem hebréia feita Mãe do Messias, Maria une de modo vital e inseparável o antigo e o novo povo de Deus, Israel e o Cristianismo, Sinagoga e Igreja. Ela é o traço de união sem o qual a fé, como acontece hoje, corre o risco de perder o equilíbrio, fazendo com que nós recolhamos o Novo Testamento no Antigo, ou que nos desfaçamos do Antigo. Nela, no entanto, podemos viver a síntese da Escritura inteira.

Quarto
A correta devoção mariana assegura à fé a convivência da indispensável “razão” com as igualmente indispensáveis “razões de coração”. Para a Igreja, o homem não é apenas nem somente sentimento, nem só razão. Ele é a união dessas duas dimensões. A cabeça deve refletir com lucidez, mas o coração deve poder ser aquecido: a devoção a Maria “livre de qualquer falso exagero, mas também isenta de uma estreiteza de mente que não considere a singular dignidade da Mãe de Deus”, como recomenda o Concílio, assegura à fé a sua dimensão humana completa.

Quinto
Para usar exatamente as expressões do Vaticano II, Maria é “figura”, “imagem” e “modelo” da Igreja. Assim, olhando para Ela, a Igreja defende-se daquele modelo machista de que falava antes e que a vê como instrumento de um programa de ação sociopolítica. Em Maria, sua figura e modelo, a Igreja reencontra o seu rosto de Mãe, e não pode degenerar em uma involução que a transforme em partido, numa organização, num grupo de pressão ao serviço de interesses humanos, ainda que nobilíssimos. Se em certas teologias Maria não encontra mais lugar, a razão é simples: elas reduziram a fé a uma abstração. E abstração não tem necessidade de Mãe.

Sexto
Como seu destino, que é ao mesmo tempo de Virgem e Mãe, Maria projeta continuamente luz sobre aquilo que o Criador quis para a mulher de todos os tempos, inclusive o nosso. A Sua Virgindade e a Sua Maternidade enraízam o mistério da mulher num destino altíssimo, do qual Ela não pode ser deslocada. Maria é aquela que torna fecundo o silêncio. É aquela que não teme ficar ao pé da cruz, que, como realça várias vezes o evangelista, “conserva e medita em Seu Coração” o que acontece ao seu redor. Criatura da coragem e da obediência, Maria é e sempre será um exemplo para o qual todo o cristão, homem e mulher, pode e deve olhar.

* Teólogo e apresentador dos programas Escola da Fé e Trocando idéias, na TV Canção Nova (http://www.cancaonova.com/)

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quinta-feira, 24 de abril de 2008

A Igreja e as invasões de propriedades

Prof. Felipe Aquino*
Temos visto crescer no país os movimentos de invasões de terras, prédios habitacionais, de empresas públicas e particulares, por parte dos “movimentos sociais”. Ao que parece, contam com uma tolerância descabida por parte de algumas autoridades, embora preocupem a Nação. Em vista disso, penso que vale a pena recordar a posição da Igreja diante desses fatos.
Ao menos por três vezes, o Papa João Paulo II se manifestou de maneira muito clara de que a Igreja é totalmente contra a invasão de propriedades alheias. Em março de 1996, o Papa de saudosa memória disse ao segundo grupo de Bispos do Brasil, provenientes do Regional Sul l da CNBB: “… recordo, igualmente, as palavras do meu predecessor Leão XIII quando ensina que ‘nem a justiça, nem o bem comum consentem danificar alguém ou invadir a sua propriedade sob nenhum pretexto’ (Rerum Novarum, 55).
A Igreja não pode estimular, inspirar ou apoiar as iniciativas ou movimentos de ocupação de terras, quer por invasões pelo uso da força, quer pela penetração sorrateira das propriedades agrícolas.”
Com uma clareza absoluta, o Papa deixa claro que nada justifica “danificar alguém ou invadir a sua propriedade”. E que a Igreja jamais pode alimentar esse tipo de desordem. No entanto, sabemos que há elementos da Igreja, membros do clero, que são mentores e incentivadores das invasões de terra, prédios etc. Não há como justificar esse tipo de atitude.
Em novembro de 2002, o Papa voltou a dizer aos bispos do Brasil: “Para alcançar a justiça social se requer muito mais do que a simples aplicação de esquemas ideológicos originados pela luta de classes como, por exemplo, através da invasão de terras – já reprovada na minha viagem pastoral em 1991 – e de edifícios públicos e privados, ou por não citar outros, a adoção de medidas técnicas extremas, que podem ter conseqüências bem mais graves do que a injustiça que pretendiam resolver.”
Novamente, o Papa deixou claro que a necessária justiça social deve ser obtida pelas ações legais e não por “aplicação de esquemas ideológicos originados pela luta de classes”. Condenou explicitamente as “invasões de terra”. O Papa lembrou que essas ações desordeiras pioram os problemas referentes à justiça social ao invés de encontrar solução. A história recente da Rússia e dos países da antiga Cortina de Ferro mostra sobejamente essa verdade.
A Igreja é plenamente a favor da justiça social e quer que justiça seja feita dentro da lei e da ordem como propõe na sua Doutrina Social. Mas, sem lançar mão de violência, luta de classes ou incitamento do ódio de uns contra os outros. Isso não é um meio moral e cristão. Não se pode fazer o bem por um caminho ruim.
*Teólogo e apresentador dos programas Escola da Fé e Trocando idéias, na TV Canção Nova (http://www.cancaonova.com/)

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quarta-feira, 23 de abril de 2008

Dom Estevão Bettencourt, difusor da sabedoria cristã

Prof. Felipe Aquino*

Faleceu na madrugada de segunda-feira (14) o grande monge beneditino D. Flávio Estevão Bettencourt, incansável difusor da sabedoria cristã e defensor da Igreja Católica.
Santa Teresa de Ávila recomendava que o diretor espiritual fosse alguém “sábio, douto e santo”. Alguém certamente muito difícil de encontrar. Mas, os quarenta anos de trajetória de D. Estevão mostram que esse homem era o diretor recomendado por Santa Teresa.
“Dez vidas eu tivesse, dez vidas eu daria a Deus”, dizia. É difícil encontrar alguém com tamanha fé, espiritualidade, intelectualidade e capacidade de trabalho desse gigante da Igreja. Passou grande parte de sua vida no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro. Ali, serviu ao seu Senhor.
D. Estevão nasceu no Rio de Janeiro em 16 de setembro de 1919. Aos quatro anos de idade foi com os pais para Paris, onde permaneceu até os nove anos. Em Paris, iniciou seus estudos no Lycée Buffon. De volta ao Brasil, estudou no Colégio de São Bento do Rio de Janeiro, onde cursou o ensino fundamental entre 1931 e 1935. Depois, entrou no Mosteiro em 1º de fevereiro de 1936. Recebeu o hábito a 6 de outubro de 1937. Seu padroeiro era o protomártir S. Estevão.
Foi para Roma cursar o doutorado em Filosofia no Pontifício Ateneu de Santo Anselmo, em novembro de 1937, permanecendo lá até 1945. Fez sua Profissão Solene aos 7 de novembro de 1940 em Monte Cassino, onde S. Tomás de Aquino foi catequizado. Foi ordenado sacerdote aos 18 de julho de 1943, em Roma. Em novembro de 1944 defendeu a tese de Doutorado sobre Orígenes: “Doctrina Ascetica Origenis seu quid docuerit de Ratione animae humanae cum daemonibus”. Chegou ao Rio aos 2 de fevereiro de 1945.
Neste mesmo ano, assumiu a Cátedra Bíblica na Casa de Estudos da Congregação. Lecionou também na Universidade Santa Úrsula (1946-1980), na Pontifícia Universidade Católica (1958-1961 e 1968-1974), na Universidade Católica de Petrópolis (1968-1978), no Instituto Superior de Teologia da Arquidiocese do Rio de Janeiro (desde 1985), na Escola Superior de Catequese ‘Mater Ecclesiae’, na Escola ‘Luz e Vida’ de Catequese, e no Instituto Pio X do Rio de Janeiro (1957-1958). Foi assessor teológico do Cardeal D. Eugênio Sales.
D. Estevão foi diretor e redator da revistas “Pergunte & Responderemos”, desde 1957. A última edição, de número 549, foi publicada em março de 2008. Durante 51 anos cuidou sozinho da publicação, sem interrupção, combatendo o ateísmo, o fideísmo, o racionalismo, as heresias… e todos os erros de doutrina.
Como S. Tomás de Aquino, D. Estevão se valia da verdade e da razão para defender a fé. Conciliou maravilhosamente a fé com a razão. Além dos 549 números da PR, D. Estevão nos deixou muitos livros, cadernos do Curso de teologia por correspondência “Mater Ecclesiae” (http://www.lumenchristi.com.br/).
D. Estevão foi amigo, conselheiro, orientador. Certamente, Deus o acolherá, proporcionando o merecido repouso de sua alma na glória da Santíssima Trindade.
* Teólogo e apresentador dos programas Escola da Fé e Trocando idéias, na TV Canção Nova http://www.cancaonova.com

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quinta-feira, 27 de março de 2008

O Tempo Pascal

Prof. Felipe Aquino*

Após o domingo de Páscoa, a Igreja vive o Tempo Pascal. São sete semanas em que celebramos a presença de Jesus Cristo ressuscitado entre os Apóstolos, dando as suas últimas instruções. Quarenta dias depois da Ressurreição, Jesus teve a sua Ascensão ao Céu. Ao final de 49 dias, enviou o Espírito Santo sobre a Igreja reunida no Cenáculo com a Virgem Maria. É o coroamento da Páscoa. O Espírito Santo dado à Igreja é o grande dom do Cristo glorioso.

O Tempo Pascal é o período litúrgico mais forte de todo o ano. É a Páscoa (passagem) de Cristo da morte à vida. No dia de Pentecostes, a Igreja é introduzida na “vida nova” do Reino de Deus. Daí em diante, o Espírito guiará e assistirá a Igreja em sua missão de salvar o mundo, até que o Senhor volte no Último Dia – a Parusia.

Os vários domingos do Tempo Pascal são denominados, por exemplo, "III domingo de Páscoa". As leituras da Palavra de Deus deste Tempo na Santa Missa se referem à Ressurreição. A primeira leitura é sempre dos Atos dos Apóstolos e as ações da Igreja primitiva – que, no meio de perseguições, anunciou o Senhor ressuscitado e o seu Reino com destemor e alegria.

Portanto, este é um tempo de grande alegria espiritual. Temos de vivenciar intensamente a presença do Cristo ressuscitado. É um tempo especial de graças, onde a alma mais facilmente bebe nas fontes divinas. É o tempo de vencer os pecados, superar os vícios, renovar a fé e assumir com Cristo a missão de todo batizado, que é levar o mundo para Deus, através de Cristo. É tempo de anunciar o Cristo ressuscitado e dizer ao mundo que somente nele há salvação.

*Teólogo e apresentador dos programas Escola da Fé e Trocando idéias, na TV Canção Nova (http://www.cancaonova.com/)

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quarta-feira, 19 de março de 2008

Páscoa: sinal de Vida

*Prof. Felipe Aquino

Desde Moisés, o povo judeu celebra a Páscoa para comemorar a passagem do Mar Vermelho, quando sucumbiram as forças do Faraó que perseguia o povo de Deus. Foi a passagem da escravidão do Egito para a liberdade da Terra Prometida por Deus a Abraão. Fiel às Sagradas Escrituras, Jesus Cristo também celebrou a Páscoa junto a seus Apóstolos na Última Ceia, quando nos deixou o memorial da sua Paixão: a Eucaristia.

A Páscoa cristã, então, é a celebração da Ressurreição de Cristo, a vitória da vida sobre a morte, o triunfo da graça sobre o pecado, da luz sobre as trevas. Cristo desceu à mansão da morte para destruí-la. Essa é a alegria e a esperança cristã. Toda criança, ao ser batizada, participa da morte e ressurreição de Cristo, sendo regenerada e vivendo uma vida nova na liberdade dos filhos de Deus.

Como trazia em si a essência de Deus e de homem ao mesmo tempo, Cristo pôde morrer como homem e oferecer à Justiça divina, como Deus, um sacrifício de valor infinito, conquistando para todos os homens, de todos os lugares e de todos os tempos, o resgate do pecado e da morte.

No mesmo domingo da Ressurreição, Jesus instituiu o Sacramento do perdão, a Confissão. Estava ansioso para distribuir aos homens o perdão que Ele havia conquistado com sua morte e Ressurreição. Por isso, no mesmo dia em que ressurgiu dos mortos, Ele enviou os seus Apóstolos a perdoar os pecados em seu Nome. “Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados, os pecados serão perdoados” (João 20,22).

São Paulo afirma na Carta aos Coríntios que “Ele apareceu para mais de quinhentos, dos quais muitos ainda são vivos”. A verdade da Ressurreição de Cristo é que explica a força dos Apóstolos ao saírem pelo mundo pregando Jesus vivo e presente entre eles. Enfrentaram o império romano e o tornaram cristão. Enfrentaram os dentes dos leões sob Nero, Dioclesiano, Vespasiano, Domiciano e outros imperadores que os massacraram.

Foi na força da Ressurreição de Jesus que a Igreja sempre venceu todos os seus inimigos. Acreditar que a Igreja acumulou dois mil anos de vitórias sem acreditar na Ressurreição de Cristo, seria crer na possibilidade de um milagre ainda maior do que a própria Ressurreição.

“Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”, disse Cristo aos Apóstolos antes de subir aos céus. Essa frase, devemos carregá-la com coragem. Jesus venceu a morte, a dor e o pecado. Não temos por que temer.

* Prof. Felipe Aquino é teólogo e apresentador dos programas Escola da Fé e Trocando idéias, na TV Canção Nova (http://www.cancaonova.com)

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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Celibato: um gesto de amor



*Prof. Felipe Aquino

Durante o 12º Encontro Nacional de Presbíteros, realizado recentemente em Itaici (Indaiatuba-SP), foi apresentado um documento que propõe ao Vaticano algumas mudanças, como a busca de alternativas para o celibato sacerdotal, a ordenação de homens casados e a readmissão de padres que deixaram suas funções para se casar. Os padres não sugerem a abolição total do celibato, mas que ele passe a ser opcional.

O documento será enviado à Sagrada Congregação para o Clero (Roma), presidida pelo cardeal D. Cláudio Hummes, ex-arcebispo de São Paulo. As reivindicações parecem no mínimo inoportunas, já que contrariam normas em vigor na Igreja e confirmadas recentemente. Claro está que a Igreja não tem intenção de alterar essas medidas.

O último Sínodo dos Bispos sobre a Eucaristia confirmou o celibato. O Papa Bento XVI também manifestou sua opinião na Exortação Apostólica pós-sinodal “Sacramentum Caritatis” (22/2/2007): “Os padres sinodais quiseram sublinhar como o sacerdócio ministerial requer, através da ordenação, a plena configuração a Cristo... é necessário reiterar o sentido profundo do celibato sacerdotal, justamente considerado uma riqueza inestimável e confirmado também pela prática oriental de escolher os bispos apenas de entre aqueles que vivem no celibato, indício da grande honra em que se tem a opção do celibato feita por numerosos presbíteros”.

O Papa continua: “Com efeito, nesta opção do sacerdote encontram expressão peculiar a dedicação que o conforma a Cristo e a oferta exclusiva de si mesmo pelo Reino de Deus. O fato de o próprio Cristo, eterno sacerdote, ter vivido a sua missão até ao sacrifício da cruz no estado de virgindade constitui o ponto seguro de referência para perceber o sentido da tradição da Igreja Latina a tal respeito. Assim, não é suficiente compreender o celibato sacerdotal em termos meramente funcionais; na realidade, constitui uma especial conformação ao estilo de vida do próprio Cristo. Antes de mais, semelhante opção é esponsal: a identificação com o coração de Cristo Esposo que dá a vida pela sua Esposa. Em sintonia com a grande tradição eclesial, com o Concílio Vaticano II e com os Sumos Pontífices meus predecessores, corroboro a beleza e a importância duma vida sacerdotal vivida no celibato como sinal expressivo de dedicação total e exclusiva a Cristo, à Igreja e ao Reino de Deus, e, conseqüentemente, confirmo a sua obrigatoriedade para a tradição latina. O celibato sacerdotal, vivido com maturidade, alegria e dedicação, é uma bênção enorme para a Igreja e para a própria sociedade.”

Bento XVI defendeu de maneira contundente a necessidade do celibato para o clero. Por isso, parece de todo inoportuno e inadequado que os representantes dos Presbíteros queiram retomar o assunto há tão pouco tempo debatido e confirmado pelo Pontífice. Não há como não ver nisso certa discordância em relação ao Magistério da Igreja – algo que infelizmente fomenta certo mal-estar e agitação no povo de Deus.

* Prof. Felipe Aquino é teólogo e apresentador dos programas ‘Escola da Fé’ e ‘Trocando idéias’, na TV Canção Nova (http://www.cancaonova.com/)

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Como viver bem o tempo da Quaresma


* Prof. Felipe Aquino

A Quaresma é um tempo especial em que a Igreja nos convida à preparação para a maior solenidade do Ano Litúrgico: a Páscoa de Jesus, sua ressurreição, a vitória da vida sobre a morte, da graça sobre o pecado.

Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma, a Igreja quer nos ensinar como vencer as tentações de hoje. Daí surgiu a Quaresma, que tem início na Quarta-Feira de Cinzas, quando os sacerdotes colocam um pouquinho de cinzas sobre a cabeça dos fiéis na Missa. O significado desse gesto é lembrar que um dia a vida termina neste mundo, que “voltamos ao pó”.

Por causa do pecado, Deus disse a Adão: “És pó, e ao pó tu hás de tornar” (Gênesis 2, 19). A Igreja recorda que estamos de passagem por este mundo, e que a vida de verdade começa depois da morte. As cinzas nos lembram que após a morte prestaremos contas de todos os nossos atos, e de todas as graças que recebemos de Deus nesta vida, a começar da própria vida, do tempo, da saúde, dos bens etc.

Esses quarenta dias são um tempo forte de meditação, oração, jejum, de fazer caridade. São práticas que a Igreja chama de “remédios contra o pecado”. Trata-se de um tempo para se meditar profundamente a Bíblia, especialmente os Evangelhos, a vida dos santos, viver um pouco de mortificação (cortar um doce, deixar a bebida, cigarro, passeios, churrascos, a TV, alguma diversão etc.) com a intenção de fortalecer o espírito para que possa vencer as fraquezas da carne.

Sabemos como devemos viver, mas não temos força espiritual para isso. A mortificação fortalece o espírito. Não é a valorização do sacrifício de maneira masoquista, mas pelo fruto de conversão e fortalecimento espiritual que ele traz. Quaresma é um tempo de “rever a vida” e abandonar o pecado (orgulho, vaidade, arrogância, prepotência, ganância, pornografia, sexismo, gula, ira, inveja, preguiça, mentira etc.). Enfim, viver o que Jesus recomendou: “Vigiai e orai, porque o espírito é forte, mas a carne é fraca”.

Se engana, entretanto, quem pensa que Quaresma é tempo de tristeza. Ao contrário, já que a alma fica mais leve e feliz. O prazer é satisfação do corpo, mas a alegria é a satisfação da alma. Santo Agostinho dizia que “os teus pecados são a tua tristeza; deixa que a santidade seja a tua alegria”. A Quaresma nos traz um tempo de paz, alegria e felicidade, porque chegamos mais perto de Deus.

Uma Confissão bem feita é o meio mais eficaz para se livrar do pecado. Jesus instituiu a Confissão em sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da Ressurreição (Jo 20,22), dizendo: “A quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados”. Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência. Especialmente aqueles que há muito não se confessam, têm na Quaresma uma graça especial de Deus para se aproximar do Confessor e entregar a Cristo, nele representado, as suas misérias.

A Santa Missa também deve ser observada, porque é a prática de piedade mais importante da fé católica. Devemos participar, se possível, todos os dias da Quaresma. Na Missa estamos diante do Calvário. É a atualização do Sacrifício único de Jesus. A Igreja nos lembra que todas as vezes que participamos bem da Missa, “torna-se presente a nossa redenção”. Assim, podemos viver bem a Quaresma e participar bem da Páscoa do Senhor, enriquecendo a nossa alma com as suas graças extraordinárias.

* Prof. Felipe Aquino é teólogo e apresentador dos programas ‘Escola da Fé’ e ‘Trocando idéias’, na TV Canção Nova (www.cancaonova.com)

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