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segunda-feira, 12 de maio de 2008

MOP-4 discute regime de responsabilidade e compensação para uso de transgênicos

Daniela Mendes
Teve início nesta segunda-feira (12), em Bonn, na Alemanha, a quarta Reunião das Partes (MOP) do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança. MOP (Meeting of Parties) é a sigla em inglês utilizada, no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), para designar a Reunião dos Países Membros do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança.
São mais de 3 mil participantes de 147 países que vão discutir, até o dia 16 de maio, 15 temas relacionados a organismos geneticamente modificados, sendo que a pauta principal é a negociação de um regime jurídico para definir responsabilidade e compensação ambiental pelos danos causados por transgênicos.
De acordo com o diretor do Departamento de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Bráulio Dias, dois representantes do ministério estão em Bonn acompanhando as discussões. Nós entendemos que essas regras são uma necessidade. Sem elas, no futuro, fica difícil alguém conseguir ter os seus danos reparados, esclarece Bráulio, afirmando que a maior preocupação é em relação aos países pobres que, sem esse regime, não terão garantia de reparo de algum dano causado por transgênicos por falta de legislação.
As discussões da MOP-4 serão baseadas em informações produzidas por um grupo de trabalho criado em 2004 para tentar elaborar um consenso em relação ao tema. Essa reunião precede a da COP-9 - Conferência das Partes, órgão supremo decisório no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica que será realizada de 19 a 30 de maio, também, em Bonn.
O Brasil preside a Conferência desde a COP-8, em Curitiba, em 2006. A Alemanha assumirá o posto pelos próximos dois anos.
Gerusa Barbosa
Assessoria de Comunicação
Ministério do Meio Ambiente
+55 61 3317-1227/1165
Fax:+55 61 3317-1997

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Destaques do relatório “Situação global da comercialização de lavouras geneticamente modificadas: 2007”, desenvolvido pelo ISAAA

Brasil lidera a expansão de lavouras transgênicas com crescimento de 3,5 milhões de hectares em 2007

Os agricultores brasileiros cultivaram 15 milhões de hectares de lavouras transgênicas em 2007, apresentando o maior crescimento absoluto do mundo em adoção de biotecnologia agrícola. O País plantou 3,5 milhões de hectares a mais em relação a 2006, quando cultivou 11,5 milhões de hectares. Logo atrás do Brasil estão os EUA, com 3,1 milhões de hectares de crescimento, e a Índia, com 2,4 milhões.

Em porcentagem de crescimento, o Brasil também melhorou seu despenho em área cultivada com transgênicos, saltando de 22% em 2006, para 30% em 2007. No ano passado, apenas a Índia superou o País, com alta de 63%, saltando de 3,8 para 6,2 milhões de hectares.

Da área total de transgênicos plantados no Brasil, cerca de 14,5 milhões de hectares foram cultivados com soja tolerante a herbicida. Os outros 500 mil hectares foram dedicados ao cultivo do algodão resistente a insetos, liberado para comercialização no País em 2005.

Área com transgênicos cresce 12% no mundo

A área global de plantações geneticamente modificadas (GM) cresceu 12,3 milhões de hectares em 2007, ou 12% em relação ao período anterior. Com o aumento – o segundo maior nos últimos cinco anos –, as lavouras transgênicas alcançaram 114,3 milhões de hectares cultivados.

O número de países que usaram biotecnologia em suas lavouras chegou a 23, com o início do plantio de culturas GM na Polônia e no Chile. Além desses, cultivavam transgênicos os agricultores dos EUA, Argentina, Brasil, Canadá, Índia, China, Paraguai, África do Sul, Uruguai, Filipinas, Austrália, Espanha, México, Colômbia, França, Honduras, República Tcheca, Portugal, Alemanha, Eslováquia e Romênia.

Cenário dos principais países produtores de transgênicos por continente

Américas – Os Estados Unidos continuam firmes na posição de maior produtor mundial de transgênicos, com uma área plantada de 57,7 milhões de hectares, o que equivale a 50% de todas as lavouras geneticamente modificadas do mundo. Em 2007, os agricultores norte-americanos cultivaram 3,1 milhões de hectares de transgênicos a mais em relação a 2006, um aumento de 5,7%. O aquecimento do mercado de etanol elevou em 40% a área dedicada ao milho GM no país, onde o álcool é produzido a partir do cereal. Já a Argentina aumentou suas lavouras transgênicas em 1,1 milhão de hectares, um crescimento de 6% em relação a 2006. Com uma área total de transgênicos de 19,1 milhões de hectares, a Argentina se manteve atrás apenas dos Estados Unidos.

Ásia – Pelo terceiro ano consecutivo, a Índia registrou o maior crescimento proporcional do mundo nas lavouras transgênicas, com aumento de 63% em relação a 2006. A razão é o aumento de rentabilidade garantido pelo algodão Bt (único transgênico liberado para plantio no país), que pode render até 50% mais que as variedades convencionais por ser resistente a insetos. Entre 2002 e 2007, a área cultivada com algodão GM na Índia cresceu de 50 mil para 6,2 milhões de hectares, cultivados por 3,8 milhões de pequenos agricultores. Na China, mesmo com uma área plantada menor, o número de pequenos produtores de algodão GM atinge 7,1 milhões de pessoas, pois as propriedades medem em média apenas 0,59 hectare. A área plantada com o algodão Bt na China atingiu 3,8 milhões de hectares, acima dos 3,5 milhões de hectares de 2006.

África – A África do Sul é o único país do continente que comercializa produtos GM. Em 2007, a área plantada com transgênicos atingiu 1,8 milhão de hectares, quase 30% acima do registrado no ano anterior. O destaque é o milho GM, que já ocupa dois terços do 1,7 milhão de hectares de área de milho branco (para alimentação) do país.

Europa – Em 2007, oito países da União Européia (UE) cultivaram lavouras GM – ante seis países em 2006. A área plantada total com milho Bt na UE superou os 100 mil hectares pela primeira vez, com uma taxa de crescimento anual de 77%. A Espanha é líder no cultivo de transgênicos na Europa, com cerca de 70 mil hectares plantados em 2007, o equivalente a um crescimento de 20% sobre o ano anterior. Nos outros sete países do bloco que adotaram a biotecnologia agrícola, a área plantada quadruplicou entre 2006 e 2007, para 35,7 mil hectares.

Pequenos agricultores são 90% dos produtores de transgênicos do mundo

Pela primeira vez, mais de 10 milhões de pequenos agricultores utilizaram sementes transgênicas no mundo. Do total de 12 milhões de produtores que adotaram lavouras GM em 2007, cerca de 11 milhões foram agricultores familiares de países em desenvolvimento. Em 2006, 10,3 milhões de produtores haviam plantado transgênicos, dos quais 9,3 milhões possuíam pequenas porções de terra.

Entre os pequenos agricultores que adotaram a biotecnologia em 2007, a maior parte plantou algodão Bt, sendo 7,1 milhões na China e 3,8 milhões na Índia. O restante, 100 mil produtores de outros países, optaram por distintas culturas transgênicas.

Transgênicos crescem mais nos países emergentes

Durante o período de 1996 a 2007, a participação dos países emergentes na área global de lavouras GM aumentou de forma consistente ano após ano. Em 2007, 43% da área global com biotecnologia agrícola foi cultivada em países emergentes, ante 40% em 2006, atingindo 49,4 milhões de hectares. O crescimento entre 2006 e 2007 foi substancialmente mais alto nesses países – 8,5 milhões de hectares ou 21% de crescimento – do que nos países industrializados – 3,8 milhões de hectares ou 6% de crescimento.

Vale ressaltar que quatro dos seis principais países produtores de transgênicos do mundo são emergentes (Argentina, Brasil, Índia e China) e que os cinco principais países em desenvolvimento que plantam lavouras GM abrangem todos os três continentes do Sul: Índia e China na Ásia, Argentina e Brasil na América Latina e África do Sul no continente africano.

Milho supera soja como cultura mais importante para o setor de biotecnologia

O milho representou 47% do mercado global dos produtos GM em 2007, que atingiu US$ 6,9 bilhões, de acordo com a consultoria Cropnosis. O mercado de milho GM totalizou US$ 3,2 bilhões, superando a soja GM, que gerou um mercado de US$ 2,6 bilhões – o equivalente a 37% do total. Em 2006, o quadro era inverso: o milho representava 39% do mercado global de transgênicos, enquanto a soja liderava o ranking com 44%. Para 2008, o valor global do mercado dos produtos GM está projetado em aproximadamente US$7,5 bilhões.

O mercado mundial de produtos transgênicos representou 16% dos US$ 42,2 bilhões do mercado global de proteção de cultivos em 2007, e 20% dos cerca de US$34 bilhões do mercado comercial de sementes, ainda segundo a Cropnosis. O cálculo do valor de mercado do mercado global de produtos GM baseia-se no preço de venda das sementes GM, juntamente com quaisquer outros encargos aplicáveis da tecnologia. Considerando que as primeiras culturas transgênicas foram comercializadas em 1996, o valor global acumulado até 2007 é calculado em US$42,4 bilhões.

Sobre o ISAAA
O ISAAA é uma organização sem fins lucrativos com uma rede internacional de centros de pesquisa voltada para difundir conhecimento e aplicações de plantações GM. O relatório é co-patrocinado pela Fundação Rockefeller, organização filantrópica baseada nos EUA, associada com a Revolução Verde, que salvou mais de um bilhão de vidas na década de 60, e com o Ibercaja, um dos maiores bancos espanhóis com sede na região de crescimento de milho da Espanha.


Sobre o CIB
O Conselho de Informações Sobre Biotecnologia (CIB) é uma organização não-governamental, cujo objetivo básico é divulgar informações técnico-científicas sobre biotecnologia e seus benefícios, aumentando a familiaridade de todos os setores da sociedade com o tema. Para estabelecer-se como fonte segura de informações para jornalistas, pesquisadores, empresas e instituições interessadas em biotecnologia, o CIB dispõe de um grupo de conselheiros formado por mais de 70 especialistas – cientistas e profissionais liberais, em sua maioria – ligados a instituições que estudam as diferentes áreas dessa ciência. Visite o site www.cib.org.br.


Contatos:
Augusto Moraes Luiz Silveira
(11) 3017-5316 (11) 3017-5300 r.243
(11) 9425-3552 (11) 8196-4979
augusto.santos@edelman.com luiz.silveira@edelman.com

Embargo ao milho transgênico na França é político e temporário, diz produtor local

São Paulo, 12 de fevereiro – Em rápida passagem por São Paulo, um grupo de produtores rurais franceses que está no Brasil para conhecer a nossa agricultura demonstrou preocupação em relação ao embargo imposto pelo governo da França ao milho geneticamente modificado (GM). Contudo, os agricultores não acreditam que a decisão tomada no último dia 9 tenha vida longa. “Trata-se de uma medida unicamente política, que deve afetar apenas a safra 2008”, afirmou ao Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) o agricultor Claude Menara, membro do Programa Acompanhamento de Culturas em Biotecnologia (PACB), desenvolvido pela Associação dos Produtores de Milho e Sorgo da França.


Segundo ele, a decisão do governo francês deve-se em grande parte aos interesses relacionados às eleições municipais, que ocorrem dentro de quatro semanas. “Embora o governo tente jogar dúvidas sobre a segurança do milho transgênico, não consegue encontrar uma novidade técnico-científica que justifique o embargo”, explica Menara. Para o produtor, isso mostra que a moratória ao milho transgênico não conseguirá se sustentar por muito tempo.

Além de não haver fatos novos que comprometam a segurança do milho geneticamente modificado (GM), Menara acredita que os benefícios da semente transgênica já são incontestáveis na França e tornarão o embargo inviável. “Em 10 anos, o crescimento da rentabilidade da lavoura transgênica é de 12% a 15% quando comparada à da convencional, porque o milho GM rende até 1,5 tonelada a mais por hectare”, ressalta. Para se ter uma idéia de quanto isso representa, a produtividade média do milho no Brasil é hoje de cerca de 3,6 toneladas por hectare.

“Há também outras vantagens que ainda não foram mensuradas, como o impacto reduzido para o meio ambiente e a qualidade do milho transgênico, que possui até 90% menos micotoxinas (substâncias tóxicas ao homem)”, conclui Menara.

Sobre o CIB

O Conselho de Informações Sobre Biotecnologia (CIB) é uma organização não-governamental, cujo objetivo básico é divulgar informações técnico-científicas sobre biotecnologia e seus benefícios, aumentando a familiaridade de todos os setores da sociedade com o tema. Para estabelecer-se como fonte segura de informações para jornalistas, pesquisadores, empresas e instituições interessadas em biotecnologia, o CIB dispõe de um grupo de conselheiros formado por mais de 70 especialistas – cientistas e profissionais liberais, em sua maioria – ligados a instituições que estudam as diferentes áreas dessa ciência. Visite os sites www.cib.org.br e www.biotecpragalera.org.br.

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Augusto Moraes Luiz Silveira
(11) 3017-5316 (11) 3017-5300 r.243
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