Montevidéu, 24 mai (Lusa) - O presidente eleito do Paraguai, o ex-bispo católico Fernando Lugo, disse na sexta-feira à Agência Lusa que quer renegociar os contratos de energia elétrica com o Brasil e a Argentina, acusando "os governos de esquerda" destes países de "explorarem economicamente" o seu país."Somos um dos maiores produtores de energia elétrica do mundo e por isso mesmo vamos renegociar os contratos que temos com o Brasil na barragem de Itaipu e com a Argentina em Yacyretâ", afirmou Lugo em Montevidéu, onde esteve negociando apoios com o governo de Tabaré Vasquez.
"Não podemos continuar sendo explorados economicamente por países que têm governos de esquerda e que dizem estar lutando por uma América Latina mais próspera e democrática, como é o caso do Brasil e da Argentina", acrescentou Lugo, em declarações à Lusa."Tenho a certeza que o presidente Lula da Silva vai acabar por renegociar o contrato que existe entre os dois países, uma vez que o mesmo terá de sofrer alguns ajustes", disse."
Soberania
"Para o ex-bispo católico, "está na hora do Paraguai retomar a sua dignidade enquanto país e recuperar a sua soberania, exportando energia elétrica para países como o Uruguai".O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, nunca admitiram publicamente que o Brasil poderá negociar com o governo de Fernando Lugo o contrato de Itaipu.
Já o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que aceitava discutir o preço da energia com o novo governo do Paraguai. "É uma questão de analisarmos o contrato e fazer alguns ajustes", afirmou Amorim.
Especialistas ouvidos pela Lusa defendem a “revisão zero” do contrato, como forma de criar uma segurança jurídica no setor elétrico na região.
A usina de Yacyretâ fica situada na fronteira com a Argentina e também constitui uma das maiores fontes de rendimento do Paraguai. "O novo governo argentino já garantiu que está à disposição para acertar os preços da energia que consome", disse o ex-bispo católico.
Ajuste de preço
Pelo contrato em vigor, o Brasil paga US$ 400 milhões (R$ 661,5 milhões) por ano ao Paraguai. Se o governo de Fernando Lugo conseguir chegar a um entendimento com Lula e a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, a receita poderá aumentar em US$ 1,8 bilhão (R$ 2,9 bilhões).
Uma das cláusulas do atual contrato, estipula que o excesso de energia elétrica produzida na barragem de Itaipu, deverá ser vendida aos brasileiros. Nos encontros que estabeleceu com alguns ministros do governo do Uruguai e com o Presidente Tabaré Vasquez, o futuro chefe de Estado paraguaio insistiu na possibilidade de "vender energia elétrica a outros países vizinhos".
"A possibilidade de o Uruguai poder comprar energia ao Paraguai, aumentar o intercâmbio comercial e a cooperação entre os países mais pequenos do Mercosul, foram os temas centrais da reunião entre os dois chefes de Estado", afirmou Gustavo Antúnez, um assessor do presidente uruguaio, Tabaré Vasquez.
Copyright © 2003 Agencia Lusa. Todos os direitos reservados.
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"Não podemos continuar sendo explorados economicamente por países que têm governos de esquerda e que dizem estar lutando por uma América Latina mais próspera e democrática, como é o caso do Brasil e da Argentina", acrescentou Lugo, em declarações à Lusa."Tenho a certeza que o presidente Lula da Silva vai acabar por renegociar o contrato que existe entre os dois países, uma vez que o mesmo terá de sofrer alguns ajustes", disse."
Soberania
"Para o ex-bispo católico, "está na hora do Paraguai retomar a sua dignidade enquanto país e recuperar a sua soberania, exportando energia elétrica para países como o Uruguai".O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, nunca admitiram publicamente que o Brasil poderá negociar com o governo de Fernando Lugo o contrato de Itaipu.
Já o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que aceitava discutir o preço da energia com o novo governo do Paraguai. "É uma questão de analisarmos o contrato e fazer alguns ajustes", afirmou Amorim.
Especialistas ouvidos pela Lusa defendem a “revisão zero” do contrato, como forma de criar uma segurança jurídica no setor elétrico na região.
A usina de Yacyretâ fica situada na fronteira com a Argentina e também constitui uma das maiores fontes de rendimento do Paraguai. "O novo governo argentino já garantiu que está à disposição para acertar os preços da energia que consome", disse o ex-bispo católico.
Ajuste de preço
Pelo contrato em vigor, o Brasil paga US$ 400 milhões (R$ 661,5 milhões) por ano ao Paraguai. Se o governo de Fernando Lugo conseguir chegar a um entendimento com Lula e a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, a receita poderá aumentar em US$ 1,8 bilhão (R$ 2,9 bilhões).
Uma das cláusulas do atual contrato, estipula que o excesso de energia elétrica produzida na barragem de Itaipu, deverá ser vendida aos brasileiros. Nos encontros que estabeleceu com alguns ministros do governo do Uruguai e com o Presidente Tabaré Vasquez, o futuro chefe de Estado paraguaio insistiu na possibilidade de "vender energia elétrica a outros países vizinhos".
"A possibilidade de o Uruguai poder comprar energia ao Paraguai, aumentar o intercâmbio comercial e a cooperação entre os países mais pequenos do Mercosul, foram os temas centrais da reunião entre os dois chefes de Estado", afirmou Gustavo Antúnez, um assessor do presidente uruguaio, Tabaré Vasquez.
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