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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Ambulante vê racismo no Carnaval baiano


Pesquisa da prefeitura de Salvador indica que 95% dos trabalhadores informais dizem que há preconceito racial durante as festividades - Crédito: Secretaria Municipal da Reparação / Divulgação

Salvador, 19/02/2008
OSMAR SOARES DE CAMPOS
da PrimaPagina

Uma pesquisa realizada entre ambulantes e catadores de latinhas que trabalham no Carnaval de Salvador revela que 95% dos entrevistados dizem que há preconceito racial na festa do município. Desse total, 79% crêem que esse sentimento é forte. Esse é um dos resultados que devem constar de trabalho inédito realizado pelo Observatório da Discriminação Racial da Violência contra a Mulher, projeto iniciado na capital baiana em 2006 com intuito de mensurar e coibir preconceito e abusos durante o Carnaval.
Neste ano, além de receber e registrar queixas, a iniciativa da Prefeitura de Salvador ofereceu orientação jurídica aos reclamantes e realizou uma pesquisa sobre questões raciais, em que 1.620 trabalhadores informais soteropolitanos responderam a um questionário e 120 participaram de entrevistas qualitativas. Também foram realizadas entrevistas com 80 turistas que se divertiram em camarotes e blocos.
Os pesquisadores, 73 profissionais especializados em questões raciais e de gênero da Universidade de Salvador, buscaram identificar a percepção de ambos os grupos em relação ao preconceito racial durante a festa na cidade.
Os dados ainda estão sendo tabulados e analisados. A previsão da Secretaria Municipal da Reparação é de que o resultado seja divulgado até o final de abril. As informações recolhidas no questionário, contudo, permitem adiantar que 59% dos catadores e ambulantes se declaram pretos e 30%, pardos; 88,2% afirmam receber menos que três salários mínimos — sendo que 38,2% ganham até um salário mínimo e 37,8% dizem sustentar entre três e seis pessoas com essa renda.
A percepção dos ambulantes e catadores reflete uma divisão visível nos blocos de Carnaval de Salvador, avalia a secretária Municipal da Reparação, Antonia Garcia. "Há uma hierarquização muito clara nos grandes blocos, como os de Chiclete com Banana e de Ivete Sangalo", afirma. Os cordeiros, que demarcam com cordas o espaço dos foliões que seguem o bloco, são na maioria negros, assim como os ambulantes. "E, dentro dos blocos, há um mar de brancos, uma configuração muito clara da realidade brasileira", descreve a secretária, que é socióloga.
Com os turistas, a Prefeitura já realizava pesquisas em que a limpeza e a segurança pública da cidade eram elogiadas. Inserir a questão racial foi uma forma de avaliar qual é "a percepção do turista e se ele está ou não alienado em relação a essa problemática".
"Entre os turistas, uma análise preliminar permite dizer que metade acredita que existe o racismo no Brasil e que ele é forte", afirma a secretária. "Eles crêem que a mulher branca não sofre discriminação, enquanto a mulher negra está no outro extremo, como a mais discriminada."
O Observatório da Discriminação Racial da Violência contra a Mulher foi criado em 2006 pela Secretaria Municipal da Reparação, com apoio do PNUD, para receber reclamações dos trabalhadores informais contra abusos de fiscais da prefeitura durante o Carnaval. Foram contabilizadas 128 ocorrências naquele ano. Em 2007, esse número saltou para 422. Em 2008, 55.
Estima-se que cerca de 15 mil pessoas de todas as partes de Salvador se desloquem ao centro da cidade para realizar atividades informais durante o Carnaval. Desse total, 10 mil têm registro na Prefeitura.



Saiba mais sobre o programa de Combate ao Racismo Institucional no Brasil, apoiado pelo PNUD e no qual estão incluídas as ações ligadas ao Observatório da Discriminação Racial.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Cartão de crédito na tribo Pataxó

A aldeia dos índios Pataxós, localizada na Reserva da Jaqueira, em Porto Seguro (Bahia), começou a aceitar cartões de crédito Visa como forma de pagamento na venda de objetos de artesanato produzidos pelos nativos. Com a presença de muitos turistas estrangeiros, a implantação do sistema Visa através da VisaNet Brasil vai agilizar e facilitar o comércio para os Pataxós, que vendem peças como cocares, colares, pulseiras, cestos, travessas, anéis, porta-retratos etc. A reserva tem 150 índios que recebem todos os visitantes com rituais ancestrais e muita hospitalidade.Para os índios, a chegada do meio eletrônico de pagamento em suas vidas representa a inclusão da aldeia no mundo moderno, sem deixar de valorizar, divulgar e perpetuar a cultura do povo Pataxó.

Camilla Camargo
Executiva de Conta / Account Executive
Ketchum Estratégia - Brasil
Fone: (55 11) 5096 4334 ramal: 286
www.ketchum.com.br

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Salvador treina 800 servidores anti-racismo


Salvador, 12/02/2008
Prefeitura da capital da Bahia dá curso para funcionários públicos da área de saúde identificarem e combaterem discriminação por cor - Foto: Ministério da Saúde / Divulgação


RAFAEL SAMPAIO
da PrimaPagina

Cerca de 800 funcionários públicos da área da saúde em Salvador — incluindo médicos, enfermeiros, agentes e gestores e outros profissionais — foram treinados em 2006 e 2007 para identificar e combater casos de racismo no setor. Os servidores da capital baiana, que é o município brasileiro com maior porcentagem de pretos e pardos (75,3%, segundo o Censo 2000), participaram de oficinas sobre discriminação racial tanto na administração pública quanto no atendimento a pacientes.
Ao todo, ao longo dos dois anos foram dados 25 cursos, com carga horária de 16 a 20 horas e turmas com de 30 a 40 pessoas. As oficinas vão continuar em 2008, segundo Denise Ribeiro, coordenadora da Assessoria de Promoção da Eqüidade Racial da Saúde, órgão ligado à Secretaria Municipal de Saúde.
A iniciativa é da prefeitura de Salvador, que adota o Programa de Combate ao Racismo Institucional (PCRI), apoiado pelo PNUD. “A meta é sensibilizar os servidores para questões raciais e fazer com que percebam que o preconceito existe na sociedade e nas relações de quem que está no poder público, inclusive em ações sutis”, afirma Denise.
Joelma Rosado, técnica da secretaria da Saúde no distrito da Liberdade, em Salvador, assinala que antes das oficinas era comum ver casos de médicos que davam tratamento diferente de acordo com a classe social e a cor da pele. “A diferença era sutil e consistia em não querer trabalhar com prevenção de saúde na comunidade e não dar atenção a queixas de pacientes menos instruídos e mais pobres”, diz ela. “Mas com as oficinas houve uma mudança de mentalidade”, avalia Joelma, que atua em um posto de saúde.
A técnica do distrito da Liberdade ressalta que a Ouvidoria de Saúde de Salvador já está recebendo denúncias de racismo e pode ser acionada por pessoas que não se sentirem devidamente atendidas em postos de saúde e hospitais.
A primeira oficina de combate ao racismo institucional foi dada a coordenadores da Secretaria de Saúde, que lidam não apenas com as políticas públicas do setor, mas também com recursos humanos e administração dos hospitais. A partir daí, estabeleceu-se que os cursos levariam em consideração o perfil epidemiológico, os problemas sociais e a composição étnica da população de cada um dos 12 distritos sanitários de Salvador.
“Em uma Secretaria com 12 mil servidores, o treinamento até agora foi tímido e pode avançar mais", comenta Vilma Reis, dirigente do CEAFRO (Programa de Educação para a Igualdade Racial), que é parceiro da Secretaria de Saúde nas oficinas.
A prefeitura de Belo Horizonte e o governo da Bahia já mostraram interesse em adotar projetos semelhantes aos da Prefeitura de Salvador, segundo Vilma. Ela diz ainda que está em estudo um curso para os 1.200 agentes de endemia da capital baiana que lidam com dengue, malária e outras doenças, para identificarem casos de discriminação institucional.

O que é racismo institucional:

O racismo institucional se revela por meio de mecanismos de intituições públicas, explícitos ou não, que dificultam o fim da desigualdade entre negros e brancos. Estudar esse tipo de racismo é, por exemplo, procurar respostas para o fato de a mortalidade infantil entre crianças negras ser maior que a de crianças brancas, mesmo que elas provenham de famílias com o mesmo padrão de renda.Segundo o Programa de Combate ao Racismo Institucional, algumas pesquisas mostram que mulheres negras têm menos chances de passar por consultas ginecológicas completas, ter acompanhamento pré-natal e pós-parto, obter informações adequadas sobre concepção e anticoncepção, e ter acesso aos métodos contraceptivos. No entanto, são maiores suas chances de estarem grávidas e terem o primeiro filho antes dos 16 anos.
Conheça o projeto:


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