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quinta-feira, 22 de maio de 2008

Sanepar inaugura unidade que produz energia do gás metano


A primeira estação de tratamento de esgoto adaptada para gerar energia elétrica a partir do uso da biomassa foi inaugurada no dia 20, em Foz do Iguaçu, pelo presidente da Sanepar e da Aesbe, Stenio Jacob e pelo diretor-geral da Itaipu binacional Jorge Miguel Samek.

A Estação Ouro Verde fica a dois quilômetros da fronteira com a Argentina e o Paraguai. Trata o esgoto de uma população de 18 mil pessoas e devolve à bacia do Rio Paraná uma água com 84% de redução de poluentes orgânicos. O evento marcou mais uma etapa no projeto da Itaipu Binacional de dinamizar a pesquisa e buscar novas fontes de energia.

O projeto é mais um passo para reduzir custos das empresas prestadora de serviços de água e esgoto, além de proteger o meio ambiente, reduzindo a carga de poluição lançada nos rios. A tecnologia desenvolvida pela Sanepar com apoio da Itaipu em Foz do Iguaçu será repassada a outras empresas de saneamento básico estaduais que, por iniciativa da Aesbe e da Sanepar, participaram do encontro Renergia, um dos eventos do Fórum Mundial de Energias Renováveis.

O evento foi realizado entre 18 e 21 de maio e contou com a presença de 1,2 mil pessoas de vários países, vários deles da África interessados em novas tecnologias e no biocombustível. Uma delegação de seis países africanos visitou a Estação de Tratamento de Esgoto de Ouro Verde para conhecer a nova tecnologia.

Além da questão ambiental, as empresas mostraram-se interessadas principalmente na redução dos custos. Na gestão dos serviços das companhias estaduais de saneamento o item energia elétrica representa 16% do custo total de exploração, o equivalente a R$ 2 bilhões anuais, segundo dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento – SNIS - de 2006.

Depois da folha de pagamento, a energia elétrica representa a maior despesa das companhias. "Um dos principais custos do setor de saneamento é o da energia elétrica. Este é um projeto importante, que pode ser compartilhado entre os Estados, de forma a reduzir custos”, explica o presidente da Aesbe e da Sanepar, Stenio Sales Jacob.

Ele acrescenta que a experiência será repassada para outras 211 estações de tratamento de esgoto no Paraná. Na Estação Ouro Verde da Sanepar o tratamento de esgoto é feito pelo processo anaeróbio. Possibilita a produção de biogás a partir do gás metano, transformando-o em energia e evitando que seja queimado e contribua para agravar o efeito estufa.

O engenheiro Péricles Weber, responsável pelo projeto da Sanepar, lembra que além de produzir energia e evitar a carga poluidora dos rios, a energia limpa possibilita a redução na emissão dos gases responsáveis pelo efeito estufa e pode significar, para a empresa de saneamento, a venda de créditos de carbono no mercado, conforme estabelece o Protocolo de Kioto.

Na estação de Ouro Verde serão gerados cerca de 990 KW/h por mês, suficientes para atender à demanda de energia do sistema de tratamento de esgoto. O excedente de energia retornará para a rede de baixa tensão da companhia estadual de energia elétrica.

Além da geração de energia a partir do gás metano, a Sanepar também vai apresentar um modelo híbrido, que alia a energia produzida pelo biogás com a de painéis solares. Cicero Blay, da Itaipu Binacional, afirmou que a energia limpa é a energia do futuro e que a pesquisa para alcançar a energia totalmente limpa, o hidrogênio, passa pelo gás metano.

Ao falar sobre o projeto de pesquisa da Itaipu por novas formas de energia, ele informou que vários produtores da região do Paraná já estão preparados para gerá-las a partir do subproduto de suas empresas. Segundo Blay, a Itaipu conduz trabalhos com suinocultores, produtores de leite e outras culturas. A idéia do Programa de Geração Distribuída da Itaipu Binacional é gerar energia limpa e próxima do seu local de consumo.

A Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais - Aesbe é uma entidade civil sem fins lucrativos, constituída por 24 Companhias Estaduais de Saneamento Básico. Essas empresas atendem 103 milhões de pessoas com abastecimento de água, em 3919 municípios. Também prestam serviços de esgotamento sanitário a 45 milhões de pessoas, em 893 municípios.A associação está em atividade desde 1985 e nos seus quase vinte anos de existência vem desenvolvendo ações voltadas às questões do saneamento básico, discutindo e apresentando matérias variadas aos diversos fóruns, visando a evolução do setor.

Assessoria de Imprensa da Aesbe
www.aesbe.org.br

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Um quarto da população não tem energia

Um quarto da população mundial (cerca de 1,6 bilhão de pessoas) não tem acesso à energia elétrica e outros 2,4 bilhões de pessoas utilizam a energia de forma precária. Baseadas nesse panorama, autoridades e especialistas de vários países participaram na manhã desta segunda-feira da conferência “Tendências para a Energia no Cenário Global”, durante o Fórum Global de Energias Renováveis, em Foz do Iguaçu. A conferência foi moderada pelo secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas Energias, Altino Ventura Filho.

Segundo o secretário do MME, o Brasil já tem garantida a auto-suficiência de energia até 2030, visto a riqueza e a variedade de fontes energéticas. Grande parte dessa auto-suficiência é proporcionada pelas fontes renováveis, que correspondem a 46% da matriz energética brasileira. Em sua apresentação, Altino Ventura Filho mostrou um histórico da participação das fontes renováveis na agenda energética brasileira, desde o Proáalcool, na década de 70, ao atual Programa de Biodiesel.

“A produção de biodiesel não acarreta em problema à produção de alimentos”, frisou. “O aumento do custo de produção de alimentos ocorre pela alta do preço do petróleo.” Ele informou que a experiência brasileira com os biocombustíveis está disponível aos outros países.

Para Dimitri Piskounov, diretor do Programa de Desenvolvimento e Divisão de Cooperação Técnica da Organização das Nações Unidas para Desenvolvimento Industrial (Onudi), a falta de alimentos tem outras causas, entre elas o desperdício pós-colheita. Em países subdesenvolvidos, 50% dos alimentos são perdidos devido à falta de infra-estrutura de transporte e de armazenamento.

Diante do número elevado de pessoas que não são beneficiadas com o fornecimento de energia elétrica – 80% delas vivendo na zona rural de países pobres –, Dimitri acredita que as fontes renováveis têm o importante papel de prover energia a essas pessoas. “A prioridade é fornecer energia para o setor produtivo e acelerar a redução da pobreza”, afirmou.

O panorama das diferentes energias renováveis na América Latina e Caribe foi tema da fala de Carlos Arturo Flórez Piedrahita, secretário-executivo da Organização Latino-Americana de Energia (Olade). De acordo com ele, o potencial energético da região é muito grande, mas pouco aproveitado: dos quase 660 mil MW de potencial hidrelétrico, por exemplo, apenas 21% se convertem de fato em energia. Até 2018, empurrada pelo setor industrial, a demanda de energia vai crescer 78%, informou Piedrahita. Em paralelo, a participação do petróleo na matriz energética da região vai ser reduzida em 42%, aumentando a importância de fontes como gás natural, biocombustíveis e hidroeletricidade. “O incremento da participação das hidrelétricas vai depender da integração dos países”, avisou.

A participação da hidroeletricidade tem um grande papel no panorama atual e futuro, acredita Thomas Stelzer, subsecretário-geral para políticas de coordenação e assuntos inter-agências do Departamento Econômico e Social da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo ele, um quinto da energia mundial é produzida por hidrelétricas espalhadas por 140 países. “Desde a década de 90 tem-se construído hidrelétricas menores. O principal objetivo é minimizar o impacto social e ambiental”.

A energia eólica foi tema da apresentação do presidente da Associação Mundial de Energia Eólica, Anil Kane. Segundo ele, a crescente demanda mundial por energia tem feito a fonte eólica cada vez mais desejável. Ele comparou a energia eólica com a nuclear e a fóssil, destacando o custo de produção muito mais baixo da primeira.

Kane informou que no contexto mundial 61% da energia eólica é produzida na Europa. Mas a América do Sul tem grande potencial para o uso desta fonte alternativa. “Brasil e Argentina são abençoados pela natureza. Num futuro próximo, esses países poderão produzir energia sem derramar uma única gota de óleo”, disse.

Problemas específicos como o caso das pequenas ilhas também foram tratados durante a conferência. O presidente da Aliança dos Estados das Ilhas Pequenas (Aosis), Angus Friday, destacou o papel das mudanças climáticas na definição de uma nova matriz energética mundial. “As mudanças climáticas são o asteróide que pode destruir o mundo”, enfatizou Friday. Ele lembrou o ano de 2004, quando Granada foi atingida pelo Furacão Ivan – 19% das casas, 80% da agricultura e 70% dos barcos foram destruídos. “Os países podem entender o que significa uma devastação desta magnitude?” Para ele, os biocombustíveis têm importante papel para mitigar os impactos do aquecimento global.

As palestras da manhã foram encerradas por Christine Lins, secretária-geral do Conselho Europeu de Energias Renováveis, que apresentou o panorama da Europa. Segundo ela, a energia renovável deve se basear no tripé competitividade, segurança de fornecimento e sustentabilidade.

“A Europa acredita que as fontes renováveis são as fontes do futuro”, afirmou. O compromisso europeu é que até 2020, 20% das fontes de energia da Europa sejam renováveis. Para isso, informou Christine, será feito um investimento de 443 bilhões de euros até essa data.

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Diretor-geral da Onudi afirma que o Brasil é modelo para o planeta

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), Kandeh Yumkella, vê o Fórum Global de Energias Renováveis como uma oportunidade de replicar exemplos bem sucedidos na obtenção de energia limpa – sobretudo os brasileiros – em outros países. “Aqui vemos exemplos práticos, e não apenas teóricos, da utilização de fontes renováveis de energia. Por isso, considero este o lugar certo para discutirmos esse tema”, disse o diretor-geral da Onudi na abertura oficial do encontro, realizada domingo à noite, no Hotel Bourbon Cataratas, em Foz do Iguaçu.

O evento, promovido pela Onudi com apoio do Ministério de Minas e Energia, Eletrobrás e Itaipu Binacional, prossegue até quarta-feira. Em diversas conferências e mesas redondas, especialistas vão discutir as fontes de energia renovável como alternativa energética viável para o desenvolvimento sustentável. Yumkella destacou o fato de poder conhecer e levar a outros países “visões de líderes, como as que produziram Itaipu.”

“Atualmente, milhões de pessoas não têm acesso à eletricidade, principalmente na África. E não podemos falar de desenvolvimento industrial sem crescimento energético. Por isso esse tema é tão importante”, afirmou o diretor. “Vemos, no Brasil, experiências que são exemplos para o resto do mundo. Elas mostram que o desenvolvimento das tecnologias para obtenção de energia renovável é perfeitamente possível”, analisou.

Yumkella é partidário da posição brasileira na “cruzada” em favor dos biocombustíveis. Ele considera que a alta no preço dos alimentos se deve ao aumento do preço do petróleo, visão defendida também pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Para Yumkella, não é coincidência que os países mais pobres do mundo sejam também os que tenham menos acesso à eletricidade. Mas o diretor-geral da Onudi é também um otimista. “Ouço sempre as mesmas perguntas no mundo todo. Uma delas é: como tornar a bioenergia acessível? O que podemos fazer? Acredito que podemos fazer a diferença.”

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Construção de novas hidrelétricas é prioridade para o Brasil, diz secretário do MME

O secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, afirmou ontem, durante a abertura do Fórum Global de Energias Renováveis, que o Brasil vive um momento único no setor de energia. Ele avaliou como confortável a posição brasileira no cenário energético mundial e defendeu a construção de novas usinas hidrelétricas como prioridade para o País.

Hoje, segunda-feira, o secretário – que já foi diretor técnico executivo da Itaipu - é o moderador das conferências do fórum, que têm como tema “Tendências para a Energia no Cenário Global”. O encontro prossegue até quarta-feira, no Hotel Bourbon Cataratas, em Foz do Iguaçu.

De acordo com Altino Ventura Filho, o Brasil se consolida como uma das poucas nações a chegar próximo da autonomia energética, ao mesmo tempo em que não precisa se preocupar com novas crises no setor elétrico em um horizonte próximo e fortalece a sua posição de modelo para a exploração de recursos de origem renováveis em escala planetária. Posição aparentemente tranqüila que, segundo o secretário, nem de longe significa conformismo.

Para ele, são necessários mais investimentos no setor, a começar por uma fonte que, apesar de fornecer mais de 90% da energia elétrica consumida no País, não utiliza nem metade da sua possibilidade de exploração em território brasileiro. “O Brasil aproveita um pouco menos de um terço do seu potencial hidrelétrico e, portanto, tem amplas chances de desenvolver a longo prazo essa fonte. E essa é nossa prioridade”, afirmou.

Mas o secretário também não desvia o foco de outras fontes renováveis de energia, que, segundo ele, podem ser extraídas aproveitando características geográficas favoráveis do Brasil. “Há possibilidades muito amplas, como o bagaço de cana, resultante da indústria do açúcar e do álcool, que já faz com que a biomassa seja uma das origens mais importantes para o País, já superando a hidreletricidade no nosso balanço energético total”, avaliou. Atualmente, o Brasil tem 46% da sua energia provida de fontes renováveis (hidráulica, eólica, solar e biomassa). A média mundial é de 13%. Índices que, de acordo com o secretário, devem crescer.

“Somos pioneiros no programa do álcool como combustível, que é um sucesso, e agora estamos entrando no biodiesel, que também deverá ter êxito a médio e longo prazo”, estimou. O fórum em Foz do Iguaçu, que conta com a presença de representantes de mais de 50 países, permitirá, segundo Ventura, uma grande troca de experiências para levantar as opções que se apresentam como as mais favoráveis ao aproveitamento das fontes renováveis. “Nesse contexto, o Brasil tem hoje uma liderança reconhecida internacionalmente”, destacou.

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Foto: Nilton Rolin/Itaipu Binacional
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Biocombustíveis serão foco do Fórum Global de Energias Renováveis, diz ministro



Cerca de 1.500 pessoas – entre autoridades governamentais, acadêmicos, representantes de empresas do setor elétrico e de entidades privadas e do terceiro setor – provenientes de mais de 50 países, lotaram o auditório do Hotel Bourbon Cataratas, na noite de hoje (18), em Foz do Iguaçu, para participar da abertura do Fórum Global de Energias Renováveis. Durante os próximos três dias, conferências, debates e mesas redondas com a participação de figuras proeminentes do setor energético vão discutir alternativas e formular propostas de ações para colocar a energia renovável no topo da agenda dos governantes.

O alerta para os problemas ambientais, aliado à necessidade de estimular a obtenção de energia de forma renovável para promover um desenvolvimento mais sustentável, deram o tom dos discursos na solenidade. Os principais objetivos do fórum ficaram claros para todos os participantes já no primeiro dia: incentivar ações voltadas ao uso de fontes renováveis de energia e fomentar o crescimento industrial sustentável em todo o planeta.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, tratou de ir direto ao assunto principal. “Esta reunião vai tratar preponderantemente dos biocombustíveis. Este será o tema central”, ressaltou o ministro. Ele atacou as críticas feitas ao desenvolvimento dos biocombustíveis como opção para todo o mundo, proposto pelo Brasil, e destacou o papel do País como modelo de país explorador de energia renovável. De fato, enquanto 46% da energia utilizada no Brasil provém desse tipo de fonte, a média planetária é de 13%.


Para o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Jorge Samek, os biocombustíveis são uma fonte de energia limpa e que pode ser produzida sem transtornos à produção de alimentos. “O povo não come porque não tem renda. Mas vamos enfrentar esse debate, pois ele nos interessa”, afirmou. O presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes, concordou com Samek. “O Brasil já mostrou, por meio da sua matriz, como é possível lidar com esse problema. Por isso, esse evento nos permite colocar a nossa experiência como modelo. Estamos à disposição para interagir e buscar soluções conjuntas, pelas quais todos sairão vitoriosos”, disse.

Kandeh Yumkella, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), alertou sobre a existência de milhões de pessoas sem acesso à eletricidade, o que exige atenção de todos os governos. E ressaltou a experiência local. “Aqui, em Foz do Iguaçu, vemos exemplos práticos, e não apenas teóricos, da utilização de recursos renováveis”, destacou. Por fim, em tom de desafio, deixou no ar uma pergunta aos participantes do fórum: “Como podemos tornar possível a obtenção de energias renováveis para muitos países?”.

Coletiva- “Energia renovável será objeto de integração latino-americana”

Os acordos energéticos entre o Brasil e outros países da América Latina foram o principal tema da fala do ministro de Minas Energia, Edison Lobão, durante a entrevista coletiva que antecedeu a cerimônia de abertura do Fórum Global de Energias Renováveis, hoje (domingo) à noite, em Foz do Iguaçu. Participaram da coletiva, ainda, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), Kandeh Yumkella; o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes; e o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek.

Lobão comentou os acordos assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Peru, para a construção de uma usina hidrelétrica em território peruano, com uma produção de energia da ordem de 1.400 MW. Segundo ele, o investimento da obra será de cerca de R$ 2 bilhões e o prazo máximo da construção de três anos.

“Acertamos um protocolo de intenções para a construção de mais 14 hidrelétricas naquele país, com uma produção que vai chegar a 20 mil MW”, acrescentou o ministro. A maior parte dessa energia será importada pelo Brasil, através do sistema Eletrobrás, informou.

Lobão também comentou outros acordos com países latino-americanos, inclusive o plano de construir hidrelétricas na Argentina e na Bolívia.

O ministro disse que se reuniu recentemente com o presidente venezuelano Hugo Chavez para debater a construção do gasoduto do Sul, que trará gás venezuelano para Brasil e Argentina. “Faremos a verdadeira integração energética entre os países da América do Sul. Vamos receber energia da Venezuela, algo em torno de dois a três mil megawatts, em determinado período do ano, e devolveremos essa energia no período seguinte”, informou Lobão. A troca é possível devido ao fato de os países terem regimes diferenciados de chuva.

Sobre o fórum, o ministro comentou que o mundo caminha cada vez mais para o uso das energias renováveis, um setor em que o Brasil é excelência. “Cerca de 50% de nossa matriz é renovável, enquanto a média mundial não passa de 14%. Por isso, poderemos sugerir soluções para os outros países”, afirmou.

Outros temas

Em relação aos licenciamentos ambientais para a construção de hidrelétricas, que são emitidos pelo Ministério do Meio Ambiente, Lobão foi diplomático. “Ainda não conversei com Carlos Minc, porque ele ainda não foi nomeado ministro”, disse. Lobão espera, no entanto, que aos licenciamentos ambientais ocorram em prazos mais curtos, como fazem os países desenvolvidos, onde esse processo demora no máximo um ano. O ministro foi ainda questionado sobre o programa brasileiro de biocombustíveis e o conflito entre a produção de energia e a produção de alimentos. “Nós mantemos inabalável o projeto de biocombustíveis, pois entendemos que isso é um bem para a humanidade e não um mal”. Segundo ele, a produção de alimentos atual é maior que a de antigamente, antes do programa de biocombustíveis.


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Fotos: Caio Coronel/Itaipu Binacional
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domingo, 18 de maio de 2008

Mais de 50 países participam do Fórum Global de Energias Renováveis

Será aberto hoje (domingo) à noite, em Foz do Iguaçu, o Fórum Global de Energias Renováveis, que reunirá cerca de 1.200 participantes de mais de 50 países. Os representantes estrangeiros vieram ao Brasil não só para discutir o futuro energético do planeta, mas também para conhecer a experiência bem-sucedida que o país desenvolveu no campo das energias renováveis, especialmente a hidreletricidade e os biocombustíveis.
“O Brasil tem uma posição de destaque no cenário internacional, em função da participação em larga escala de fontes limpas na matriz energética nacional”, afirma Jorge Samek, diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, uma das organizadoras do evento, juntamente com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), o Ministério de Minas e Energia e a Eletrobrás.
“O Brasil tem um potencial ilimitado para o desenvolvimento de energias renováveis, por conta de suas características relacionadas ao clima, geografia, biodiversidade, recursos naturais e o setor agropecuário”, diz Samek.
Atualmente, 79% da produção brasileira de energia elétrica provêm de fontes renováveis, contra 23,4% da média mundial. Em relação à energia primária nacional (elétrica + combustíveis), 55% provêm de fontes renováveis, enquanto no mundo a participação é de apenas 13%. Pesa nessa comparação a enorme produção e o conhecimento acumulado sobre o álcool combustível no Brasil, fruto de pesquisas iniciadas na década de 1970.
Em função dessas experiências, existe a expectativa de que o Fórum Global de Energias Renováveis também sirva para aumentar o intercâmbio comercial entre o Brasil e outros países, no campo das energias. “A questão ambiental, especialmente o aquecimento global, impõe a necessidade de desenvolvimento de fontes limpas e a demanda por energia na sociedade é crescente. Por isso, o país tem muito a ensinar, haja vista a experiência de Itaipu, a maior unidade produtora de energia renovável no mundo”, acrescenta Samek.

O evento

O Fórum Global será aberto neste domingo, às 18h30, no Hotel Bourbon Cataratas. A abertura contará com a presença do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, do diretor-geral da Onudi, Kandeh Yumkella, do presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopez, e dos diretores-gerais da Itaipu Binacional, Jorge Samek (Brasil) e Ramón Roa (Paraguai).

Entre os dias 19 e 21, os participantes debaterão temas como as tendências para a energia no cenário mundial, a relação entre mudanças climáticas e as fontes de energia, condições de mercado para as energias renováveis, o papel das hidrelétricas (grandes e pequenas) e de outras fontes limpas como solar, biomassa, eólica e hidrogênio. O evento termina com uma visita à usina de Itaipu.

Coube à Onudi e à Eletrobrás – e empresas do sistema (Itaipu, Furnas, Eletrosul, Chesf, Eletronorte, CGTEE, Eletronuclear e Cepel) – coordenar a logística e a organização do evento. As inscrições estão abertas e são gratuitas, e podem ser feitas no site www.renergybrazil2008.org , lembrando aos interessados que há limitação de vagas.

Experiências

Os participantes do evento também terão a oportunidade de conhecer de perto unidades de demonstração de fontes energéticas limpas que a Itaipu e diversas instituições parceiras implantaram na região Oeste do Paraná, como parte da Plataforma Itaipu de Energias Renováveis. É o caso da Granja Colombari, em São Miguel do Iguaçu, que utiliza dejetos da suinocultura para gerar biogás e transformá-lo em energia; a Fazenda Iguaçu, da Star Milk, em Vera Cruz do Oeste, que utiliza biogás e biodiesel próprios; e a Estação de Tratamento Ouro Verde, da Sanepar, que conta com geração híbrida (biogás aliado a painéis solares); entre outras.
“Com esses projetos, a Itaipu demonstra que a hidreletricidade pode gerar ainda mais benefícios para a sociedade, ajudando a promover o desenvolvimento de outras energias renováveis”, afirma Samek.

Mais informações:
www.renergybrazil2008.org
Itaipu Binacional
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www.itaipu.gov.br