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terça-feira, 15 de janeiro de 2008

De centro comercial para espaço comunitário


Trabalho da UnB mostra que apenas 14,8% das pessoas que pararam para olhar vitrines entraram nas lojas de um shopping center de Brasília, concluindo que o consumo nas lojas está perdendo espaço para os serviços e o lazer

15/01/2008

Por Thiago Romero

Agência FAPESP – Apenas 14,8% dos clientes que pararam para olhar as vitrines entraram nas lojas. É o que mostra uma dissertação de mestrado que analisou os freqüentadores de um shopping center da capital federal, apresentada no Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB).

O autor do trabalho, o psicólogo Hugo Póvoa Sandall, pesquisador do Grupo de Comportamento do Consumidor (Consuma) da UnB, filmou, durante 12 dias e com o auxílio de oito câmeras de vídeo, o comportamento de 44,4 mil pessoas que passaram em frente a oito lojas dos segmentos feminino e de moda jovem.

Para variar o público analisado e o período das filmagens, o pesquisador utilizou imagens de seis trechos de dez minutos cada, coletadas em horários aleatórios do dia, totalizando uma hora de filmagem por dia. Ao todo o estudo analisou 51.290 comportamentos no Laboratório de Aprendizagem Humana da UnB.

Sandall dividiu os comportamentos em quatro categorias: passar na frente da loja, olhar rapidamente a vitrine (entrever), parar para olhar a vitrine e entrar na loja. Em cada trecho de dez minutos de vídeo, foi registrado, em média, 54,14 comportamentos de passar, 23,16 de entrever, 13,24 de olhar e 1,54 de entrar.

De acordo com a pesquisa, considerando todos os 44, 4 mil indivíduos analisados, 52,5% das pessoas que passaram em frente às lojas entreviram, 58,7% das que entreviram pararam para olhar a vitrine e, destas, apenas 14,8% entraram nas lojas.

“Isso mostra que as lojas estão perdendo suas características de consumo pelo fato de os shoppings terem adquirido novas funções nos setores de serviços, alimentação e lazer. Com isso, além de concorrer com outras lojas do mesmo segmento, elas têm que disputar a atenção dos consumidores com esses outros setores”, disse Sandall à Agência FAPESP.

“Os shoppings hoje têm o caráter de centro comunitário das praças públicas de antigamente. Eles passaram a fazer parte da rotina das pessoas, que não os freqüentam mais exclusivamente para compras, que seriam a principal razão da existência desse tipo de centro comercial”, afirma o pesquisador.

Para ele, considerando que a maioria dos consumidores tem recursos limitados, as lojas estão diante da necessidade de reinventar suas estratégias de mercado para conquistar os clientes. “De modo geral, os shoppings estão conseguindo atrair pessoas, mas nem sempre as lojas conseguem atrair consumidores”, aponta Sandall.

A metodologia proposta no estudo envolveu observação sistemática a fim de não interferir na atividade do consumidor. “Usando a observação é possível registrar o que os consumidores fazem e não o que alegam ter feito. São vários os comportamentos que eles apresentam antes de comprar algo e esse tipo de pesquisa mostra que sua cadeia de comportamentos fora das lojas não é regular”, conta.

A coleta de dados nas oito lojas foi realizada de outubro de 2005 a fevereiro de 2006. Os dias da semana escolhidos para análise foram definidos em função da época do ano, incluindo datas de inauguração de lojas, feriados, lançamento da campanha de natal, caracterizadas por terem movimento aumentado de clientes, além de o pesquisador também ter selecionado dias com fluxo de consumidores e interesse tipicamente diminuídos.

Sandall realizou ainda um levantamento bibliográfico e, de acordo com dados da Associação Brasileira de Shopping Centers, os shopping centers geram cerca de 488,2 mil empregos diretos no Brasil, distribuídos em 42,3 mil lojas e 1,1 mil salas de cinema e outras funções administrativas e de serviços.

Para ler a pesquisa Comportamentos precorrentes de aproximação de lojas: Efeitos do nível de diferenciação de marca e localização sobre taxas de conversão em um shopping center, orientada pelo professor Jorge de Oliveira Castro, clique aqui

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Web Conferência em Abril 2008

Feliz ano novo. Feliz homem novo

* José Eduardo de Moura

Mais um ano chega ao fim em meio à excitação das grandes festas de Réveillon. Pessoas de todo o mundo, com as dificuldades vividas durante o ano ainda em mente, se enchem de esperanças para enfrentar um novo exército com 365 bravos guerreiros que não hesitarão em nos levar à exaustão cada dia do ano novo.

Celebramos o primeiro dia do novo calendário na expectativa de um ano de paz e confraternização mundial. Queremos que os próximos dias sigam pelas veredas da paz e harmonia. Muitas pessoas, presas a velhas crenças, não se importam em pular sete ondas, comer sementes de romã ou se vestir de branco, acreditando que essas e muitas outras práticas populares podem garantir boa sorte, afastar o mau olhado ou trazer a felicidade, acompanhada de muito dinheiro e saúde.

Seria tão bom se, ao puxarmos a última folha do velho calendário, fossem para o cesto de lixo todas as nossas maldades, problemas e tristezas vividas no ano anterior. Como seria prazeroso se ao pular as ondas do mar, além de relembrarmos nossa infância e a alegria do nosso primeiro passeio na praia, tivéssemos a certeza de estar saltando também todos os nossos problemas e tristezas. Ou se, ao nos vestirmos de branco, todas as nossas forças fossem revitalizadas.

Contudo, nada disso acontecerá se ao iniciar o Novo Ano não nascer também em nosso coração o desejo de traçar novas metas ou corrigir outras nas quais não obtivemos bons resultados. “Mentalizar” as mudanças que desejamos – sem agir para que aconteçam – significa nos preparar para viver o Novo Ano acompanhado dos mesmos velhos projetos e vícios. Não será possível viver um Novo Ano sem dívidas se não houver, de nossa parte, a disposição para reprimir os impulsos do consumismo excessivo.

Da mesma forma, não poderemos viver novas experiências em nossos relacionamentos afetivos se nos contentarmos com as migalhas de carinho daquela pessoa que não manifesta grande interesse pelo compromisso assumido. Talvez, deixar as coisas como estão poderia ser aparentemente a atitude mais fácil e cômoda. No entanto, estabelecer vínculos de intimidade com os velhos hábitos – que nos aprisionam e nos fazem infelizes – não será uma atitude muito inteligente. Muitos de nós arrastamos situações que não prometem crescimento. Agindo dessa maneira, vamos colocar nossa vida na direção de mais um ano de frustrações, se não rompermos com o medo que nos paralisa no comodismo.

Como poderemos sustentar novos projetos? Viver mudanças, certamente, irá exigir de cada um de nós esforço e dedicação. Conhecemos nossas fraquezas, medos, inseguranças e incapacidades, e sabemos que, por nós mesmos, nada conseguiremos realizar. A força de que precisamos para assumir nossas mudanças vem de Deus. Somente em Deus é que todas as coisas adquirem consistência. Muitas vezes, essa força de que necessitamos se manifesta por meio de conselhos de pessoas que, verdadeiramente, se comprometem conosco em nossos projetos, porque nos amam.

Como Deus fala conosco por meio dos acontecimentos, precisamos convidá-Lo para fazer parte de nossa vida. Assim, o “meu” trabalho agora é o “nosso” trabalho. O “meu” relacionamento, que eu pensava ser entre duas pessoas, agora passa a ser vivido entre três pessoas. Se quisermos que os nossos planos tenham consistência, que venham a perdurar por muitos anos e nos sintamos realizados neles, convidemos ao Senhor para nos orientar a executá-los e mantê-los.

Que a contagem regressiva dos 10 segundos finais do último dia do ano marque o início de um novo período de verdadeiras mudanças e de entrega nos braços dAquele que nos ama desde o princípio. Que Deus abençoe a nós todos. Feliz homem novo!


*José Eduardo de Moura é Missionário da Comunidade Canção Nova e trabalha na Fundação João Paulo II (www.cancaonova.com)

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Ex-Libris Comunicação Integrada
Jornalistas: Ricardo Abel e Heloísa Paiva
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