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quarta-feira, 11 de junho de 2008

Poli/USP abre inscrições para MBA em Gestão e Tecnologias Ambientais

Empresas têm dificuldades para encontrar profissionais capacitados na área. As empresas brasileiras vêm sofrendo uma forte pressão – do mercado e da sociedade – para se adaptarem às normas ambientais internacionais.

Mas, apesar do esforço que realizam para estar em dia com o cumprimento da legislação referente à área, a rapidez com que essas normas mudam, tornando-se cada vez mais rígidas, representa um desafio para todos os setores da indústria.

A necessidade de responder a essa exigência tem obrigado as empresas a buscar profissionais no mercado com especialização em gestão ambiental. A grande demanda, no entanto, não está sendo respondida, dada a dificuldade de se encontrar pessoal realmente capacitado na área. Hoje ainda é insuficiente o número de profissionais com uma visão ampla do assunto, capazes de implantar sistemas de gestão ambiental, realmente eficazes em suas empresas.

“As novas técnicas para a realização de um diagnóstico ambiental completo da empresa, como o chamado Estudo de Ciclo de Vida do Produto, que analisa o impacto no meio ambiente em todas as fases da cadeia produtiva, ainda são conhecidas por poucos no País”, diz o professor da Escola Politécnica da USP, Gil Anderi, coordenador do MBA em Gestão e Tecnologias Ambientais, que é oferecido pela Poli por meio de seu Programa de Educação Continuada (PECE).

Segundo ele, o curso foi criado com o objetivo de formar pessoal capacitado a liderar equipes competentes para a implantação de sistemas de gestão ambiental eficientes e que domine os conhecimentos necessários para fazer o diagnóstico ambiental das organizações, elaborar plano de ação para melhorar o desempenho ambiental e gerenciar a implementação desse plano.

“Queremos formar profissionais com uma visão sistêmica da questão ambiental, para que, assim, possam efetivamente colaborar na solução dos problemas causados por suas empresas ao meio ambiente”, explica o coordenador.

O MBA, que tem duração de dois anos, é voltado para profissionais das mais variadas áreas, de engenheiros, administradores de empresas e biólogos a médicos e advogados. Para contemplar os interesses de um público tão diverso, o curso possui uma estrutura aberta: ou seja, não há disciplinas obrigatórias.

O aluno pode escolher 14 entre 27 matérias, levando em conta, para o critério de seleção, aquelas que mais se encaixam na sua área de atuação.O ingresso no MBA se dá por meio de processo seletivo (análise de currículo e entrevista).

O curso é ministrado na Escola Politécnica, em São Paulo, por um corpo docente que inclui professores da Poli e de outras faculdades da USP, além de profissionais com renomada experiência na área. As aulas acontecem no período noturno, das 19h30 às 22h30.

As inscrições para o MBA em Gestão e Tecnologias Ambientais vão até 7 de julho e as aulas começam no dia 28. Mais informações em www.pece.org.br ou (11) 2106-2400.

Sobre o PECE - Criado há mais de 30 anos, o Programa de Educação Continuada da Poli/USP tem como objetivo transferir conhecimento, nas áreas de Engenharia e Gestão, para empresas, profissionais e a sociedade em geral. O programa oferece mais de 20 cursos entre MBA, Especialização e Programas de Treinamento (direcionados especificamente a empresas), de curta e média duração.

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segunda-feira, 9 de junho de 2008

Poli/USP desenvolve tubo de concreto reforçado com fibras de aço para saneamento

Maior resistência e durabilidade faz com que se reduza a necessidade de manutenção, além de diminuir quebras e perdas nas obras, no transporte e no armazenamento. O setor de saneamento básico no Brasil pode agora contar com tecnologia para a produção de tubos de concreto reforçados com fibras de aço.

O estudo foi desenvolvido na Poli/USP por Antonio Domingues de Figueiredo, professor do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP, e por Pedro Chamma Neto, engenheiro da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Com grande durabilidade, o uso de tubos de concreto reforçados com fibras de aço pode trazer diversos benefícios na implantação de sistemas de saneamento básico no país, desde coleta e tratamento de esgoto, até águas pluviais.

A durabilidade pode ser a solução mais adequada para um país com pouca cultura de manutenção. E embora ainda não tenham sido feitos estudos em uso, já que o produto é uma inovação, tudo indica que a vida útil dos tubos reforçado com fibras de aço traz grandes vantagens em relação aos tubos convencionais de concreto, armados com telas de aço.

“A verificação da durabilidade ainda não ficou sacramentada, pois ainda não houve uma obra piloto para experimentação e comparação. Mas estamos interessados em nos colocar à disposição para um projeto piloto de aplicação, com possibilidade de monitoramento da obra e desenvolvimento de um programa de inspeção e manutenção, com o intuito de coletar dados”, afirma o professor Figueiredo.

Vida útil – Uma das principais razões para a maior vida útil dos tubos é que as fibras de aço (longas), já utilizadas em pavimentação, reforçam o tubo de maneira uniforme e em toda sua espessura, tornando a peça mais resistente. “Tudo isso melhora o desempenho do concreto e influencia na durabilidade do tubo, principalmente no início das deformações”, diz Figueiredo.

Algumas indústrias de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul já começaram a adequação para a produção de tubos reforçados com fibra de aço. A adaptação fundamental é adequação do equipamento instalado para a passagem da mistura com a fibra que pode demandar alguns ajustes para possibilitar a correta moldagem das peças.

Além disso, é fundamental a introdução de um equipamento alimentador de fibras, importado, para a produção em grande escala. “Uma das grandes vantagens para a indústria é o aumento da velocidade de produção.

O tubo reforçado com fibras elimina a etapa de colocação da armadura de tela, já que o próprio concreto é misturado com as fibras, e torna mais fácil o preenchimento das fôrmas. Os custos de produção, por sua vez, são próximos ao do tubo armado convencional”, explica ele. Além disso, como o tubo é mais resistente, haverá menos quebras e perdas durante o transporte e armazenagem, reduzindo custos das obras.

Norma – Outra boa notícia é que os tubos reforçados com fibras já nascem normalizados. A versão final da revisão da norma de especificação brasileira para tubos de concreto para águas pluviais e esgoto, a NBR 8890, agora prevê também a utilização de fibras de aço para reforço do concreto em tubos. A norma contempla algumas mudanças no sistema principal de qualificação dos tubos com fibras, e reformula o procedimento de ensaio de compressão axial.

No caso de utilização de fibras de aço, o procedimento de ensaio consiste numa rotina de carregamento, descarregamento e re-carregamento do tubo, de modo a verificar sua capacidade de resistência. A norma é mais exigente para os tubos reforçados com fibras do que para os tubos convencionais, não permitindo o surgimento de qualquer tipo de dano ao componente quando submetido à carga de fissuração prevista para o tubo convencionalmente armado.

“Além disso, o procedimento envolve um prolongamento no procedimento do ensaio, em relação à norma européia, de modo a possibilitar a determinação da carga máxima pós-fissuração, o que é um parâmetro fundamental para a otimização do sistema de reforço com fibras para os tubos”, acrescenta Figueiredo.

A norma foi desenvolvida em paralelo com a norma de especificação da própria fibra de aço. “Assim, mesmo representando uma inovação, isso permite a compra de tubos reforçado com fibras por parte de órgãos governamentais, que só podem especificar produtos normalizados”.

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segunda-feira, 26 de maio de 2008

Novo método de reciclagem de entulho estará na Mostra de Tecnologia Sustentáveis

Evento ocorrerá em São Paulo, em paralelo à Conferência Internacional Ethos.

Um novo método de reciclagem dos resíduos da construção civil e demolição (RCD), que é 50% mais barato e tem consumo de energia 80% menor, será apresentado na Mostra de Tecnologias Sustentáveis, evento que ocorre em paralelo à Conferência Internacional Ethos, entre 27 a 30 de maio, no Palácio de Convenções do Parque Anhembi, em São Paulo.

Desenvolvida por pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) e da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a tecnologia deverá ajudar a ampliar o mercado de reciclagem de RCD.

“O método dispensa a britagem do material a ser reciclado, o que barateia o processo e torna viável a instalação de pequenas usinas de reciclagem”, afirma a engenheira Carina Ulsen, do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo, da Poli, que integra a equipe de pesquisadores.

Vantagens – Segundo Ulsen, a tecnologia desenvolvida permite que usinas de reciclagem simplifiquem a produção de matéria-prima para bases e sub-bases de pavimentação. Atualmente, a reciclagem de RCD passa necessariamente pela britagem (quebra do material em pedaços pequenos, com no máximo 63 milímetros de diâmetro).

“Isso encarece o processo, pois o britador representa mais da metade do investimento total da montagem de uma usina de reciclagem”, diz. O novo método reduz os investimentos iniciais e simplifica a operação das centrais de reciclagem, o que tornará viável um maior número de centrais de reciclagem públicas ou privadas.

A tecnologia está baseada nos resultados de uma pesquisa do grupo com amostras representativas de resíduos coletados em três cidades: Macaé, Maceió e São Paulo, de onde foram coletadas 20 toneladas de resíduos.“Constatamos que cerca da metade dos resíduos das amostras tinha tamanho inferior a 63 milímetros, o que possibilitaria sua aplicação diretamente na confecção de pavimentos, dispensando a etapa da britagem”, explica Ulsen.

Descobria-se aí uma forma extremamente simples de transformar os resíduos em agregados. Bastava fazer a separação manual do material indesejável ao processo, peneirar o resto em bitola de 60mm, e fazer uma nova remoção manual dos contaminantes (madeira, papel, cerâmica) remanescentes na fração abaixo de 63mm, para poder comercializar o agregado para pavimentação.”

Já a parcela mais grosseira, retida na peneira, poderia ser comercializada para rachão em obras pesadas. Segundo Sérgio Ângulo, outro integrante da equipe de pesquisadores que hoje atua no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), essa tecnologia pode ser aplicada em ambientes urbanos e adotada por administrações municipais, cooperativas ou empreendimentos privados, já que os custos iniciais e a complexidade de operação são muito menores.

“Nossa expectativa é que essa tecnologia amplie o número de usinas e aumente a margem de lucro dos negócios na área”, afirma ele, acrescentando que a ampliação desse mercado ajudaria a evitar a deposição ilegal dos resíduos RCD. “Além da redução do impacto ambiental, haveria também uma economia nos gastos das prefeituras com a gestão dos resíduos.”

A nova tecnologia também tem a vantagem de reduzir o consumo de energia elétrica (60 a 80%) em relação ao sistema de reciclagem tradicional com britagem. Também torna possível a implantação das usinas nas proximidades do mercado consumidor, o que representa menores distâncias de transporte.

“Hoje o transporte do RCD corresponde a dois terços do preço final do agregado”, diz Ângulo. Esse sistema também reduz significativamente a emissão de material particulado e principalmente de ruídos da operação de britagem.

Serviço: A entrada para a Mostra de Tecnologias Sustentáveis é gratuita, mas a apresentação de convite, previamente solicitado no site é obrigatória:
http://www.ethos.org.br/mostradetecnologiassustentaveis

O endereço do Palácio de Convenções do Parque Anhembi é:
Rua Milton Rodrigues, s/n, Portão 34, São Paulo.
Os horários de visita são: 28 e 29/5, das 9h00 às 21h00; e 30/5, das 9h00 às 17h00.

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segunda-feira, 28 de abril de 2008

Pesquisadores apresentam novo método para reciclagem de resíduos da construção civil

Sistema que diminui em 50% o custo da reciclagem será apresentado em São Paulo, durante uma conferência internacional na USP

Um novo método para aproveitamento dos resíduos de construção civil e demolição (RCD), 50% mais barato e com consumo de energia 80% menor. Esse é o principal resultado de um estudo realizado por pesquisadores da Escola Politécnica da USP (Poli/USP), do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) e da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). O novo método dispensa a britagem do material a ser reciclado, o que barateia o processo e torna viável a instalação de pequenas usinas de reaproveitamento dos RCD. O método é tão inovador, que está sendo patenteado.
Segundo o professor Vanderley John, do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Poli, um dos integrantes da equipe que realizou o estudo, a tecnologia desenvolvida possibilita que usinas de reciclagem simplifiquem a produção de matéria-prima para bases e sub-bases de pavimentação a partir de resíduos da construção civil. “Atualmente, a reciclagem de RCD passa necessariamente pela britagem (quebra dos resíduos em pedaços pequenos, com no máximo 63 milímetros de diâmetro)”, explica. “Isso encarece o processo, pois o britador representa mais da metade do investimento total da montagem de uma usina de reciclagem. O novo método reduz os investimentos iniciais e simplifica a operação das centrais de reciclagem, o que torna viável um maior número de centrais de reciclagem públicas ou privadas.”
Aplicações – A nova tecnologia está baseada nos resultados de uma pesquisa com amostras representativas de resíduos coletados em três cidades: Macaé (RJ), Maceió (AL) e São Paulo (SP). “Coletamos 20 toneladas de resíduos dessas três cidades”, explica John. “E constatamos que cerca da metade dos resíduos tinha tamanho inferior a 63 milímetros; ou seja, poderiam ser aplicados diretamente na composição de pavimentos, sem necessidade da britagem”, acrescenta.
Esta constatação levou a equipe a propor uma forma extremamente simples de transformar resíduos em agregados: separação manual do material indesejável ao processo, seguido de peneiramento na bitola de 60 mm e de uma nova remoção manual dos contaminantes (madeira, papel, cerâmica), remanescentes da fração abaixo de 63 mm, que será comercializada como agregado de pavimentação.
Segundo John, o novo método poderá ser aplicado em ambientes urbanos e adotado por prefeituras, cooperativas ou empreendimentos privados. “A redução dos investimentos iniciais, dos custos e da complexidade de operação facilita a introdução da reciclagem, inclusive porque reduz os riscos. Assim, esperamos que essa tecnologia possibilite a ampliação do número de usinas e a margem de lucro desse novo negócio”, ressalta. Em conseqüência, evita-se a deposição ilegal desses resíduos nas margens de ruas e rios, reduzindo os impactos ambientais, além de minimizar os gastos das prefeituras com a gestão deles.
A nova tecnologia tem várias outras vantagens, a exemplo da redução do consumo de energia elétrica (60 a 80%) em relação ao sistema de reciclagem tradicional com britagem. “O novo método também torna possível a implantação das usinas nas proximidades do mercado consumidor, o que significa menores distâncias de transporte, que corresponde a dois terços do preço final do produto”, diz. Outra vantagem é que o sistema reduz de forma significativa a emissão de material particulado e principalmente de ruídos na operação de britagem. Assim, alternativas de desenvolvimento sustentável são incentivadas.
Além do professor Vanderley John, entre os pesquisadores da Poli também participaram da pesquisa o professor Artur Pinto Chaves e a pesquisadora Carina Ulsen, ambos do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo, e os pesquisadores Francisco Mariano Sérgio Ângulo (atualmente no do IPT).
Serviço: A nova tecnologia de reciclagem de RCD será apresentada no próximo dia 28 de abril, durante a Conferência sobre Resíduos de Construção e Demolição (RCD) como Material de Construção, que será realizada em São Paulo, no auditório “Prof. Francisco Romeu Landi”, do prédio da Administração da Poli (Avenida Prof. Luciano Gualberto, travessa 3, nº 380, Cidade Universitária, São Paulo). Mais informações sobre o evento: http://rcd08.pcc.usp.br/.

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domingo, 6 de abril de 2008

Poli/USP inaugura o mais versátil microscópio eletrônico de varredura do País

O equipamento faz análises quantitativas de minerais automaticamente e poderá ser usado à distância por pesquisadores de outras instituições.

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT), acaba de colocar em funcionamento o mais versátil microscópio eletrônico de varredura ambiental do País. Trata-se do modelo Quanta 600 FEG, da empresa holandesa FEI Company, que foi instalado no Laboratório de Caracterização Tecnológica (LCT) do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo da Poli. Equipado com software de automação, o novo microscópio faz automaticamente análises quantitativas de minerais, o que possibilitará maior agilidade e precisão nas análises. A Poli é a única instituição pública do País que possui este software.

A análise mineralógica quantitativa é um procedimento essencial na caracterização tecnológica de minérios com vistas à melhoria de processos e produtos. A partir de uma amostra de ouro, por exemplo, é possível saber qual é a forma de ocorrência do metal precioso, sua composição química, quais minerais estão associados a ele e qual a influência deles no processo de beneficiamento. Esse tipo de estudo, que engloba todos os aspectos relacionados à microestrutura, morfologia e composição química da amostra, agora passa a ser feito automaticamente com maior agilidade e menor interferência do operador.

“Além disso, todas as informações geradas podem ser visualizadas em tabelas ou gráficos, o que facilita a análise dos dados”, conta o coordenador do LCT, Henrique Kahn, acrescentando que o software é capaz de analisar vinte mil partículas de um concentrado ou minério em questão de horas. Em uma noite, o microscópio é capaz de analisar até 16 amostras sem assistência de operador.

Equipamento multiusuário – O sistema de controle remoto também propicia maior aproveitamento do tempo de uso do microscópio. Poderá ser usado à distância para que pesquisadores de outras instituições tenham condições de realizar pesquisas intensivas. “A proposta é que este equipamento seja multiusuário, que possa ser usado tanto por pesquisadores da USP como de outras instituições, sejam elas públicas ou privadas”,
diz Kahn.

Com resolução de 2 a 3 nanômetros e capacidade de ampliação superior a 500 mil vezes (dez vezes superior que o antigo existente no laboratório), o microscópio de varredura tem a vantagem de operar em alto, baixo vácuo e em modo ambiental, ou seja, condições próximas às ambientais, o que dispensa o preparo das amostras. Isso abre um leque maior de aplicações, especialmente na área de biociências, já que nessas condições é possível fazer análises de tecidos e materiais orgânicos. “O equipamento também realiza ensaios dinâmicos com água ou com variação de temperatura de -20 a 60 ºC, o que possibilita a observação, em tempo real, de mudanças de fases como, por exemplo, a cristalização de sais”, explica Kahn, acrescentando que futuramente poderão ser acoplados acessórios para análise em temperaturas mais elevadas.

Referência no setor – O Laboratório de Caracterização Tecnológica da Poli é uma referência no Brasil no estudo de matérias-primas de origem mineral. Seus estudos são fundamentais para a tomada de decisão de empresas do setor, na medida em que fornecem parâmetros importantes para otimizar o planejamento de lavra e o processo de beneficiamento mineral, além de melhorar a qualidade do produto final da indústria mineral.

“O laboratório contribui ainda para a formação de mão-de-obra especializada e para o avanço do conhecimento, uma vez que grande parte das pesquisas científicas realizadas pelos alunos de pós-graduação é baseada em necessidades reais do setor mineral”, lembra Kahn. Isso se estende a outras instituições, já que o LCT também dá suporte em pesquisas de áreas diversas, a exemplo de um estudo morfológico de lentes intra-oculares que visou detectar irregularidades que poderiam propiciar infecções pós-operatórias.

Anualmente, o laboratório realiza cerca de 50 projetos de suporte às atividades de pesquisa e desenvolvimento de empresas do setor mineral, além de inúmeras análises para companhias dos diversos setores produtivos. O LCT também se destaca por ter uma equipe altamente especializada e manter sua infra-estrutura com tecnologia de ponta. Desde sua criação, em 1991, já foram investidos mais de US$ 5 milhões na aquisição e atualização dos equipamentos existentes. Além dos dois microscópios eletrônicos de varredura, o laboratório dispõe de sistemas de análise de tamanho de partículas por espalhamento laser, espectrômetros por fluorescência de raios X e difratômetros de raios X, entre outros. Sua equipe, com formação em geologia, engenharia de minas e química, é composta por quatro doutores, quatro mestres e três mestrandos, além de dez técnicos de nível médio.
Mais informações: lct@poli.usp.br ou (11)3091-5151

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terça-feira, 25 de março de 2008

Poli/USP cria equipamento que pode aumentar em até 25% a extração de óleo de xisto

O Brasil possui a segunda maior reserva de xisto (folhelho pirobetumionoso) do mundo, volume que equivale a pelo menos 35 vezes a reserva total de petróleo do País.

O Departamento de Engenharia de Minas e Petróleo da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) está desenvolvendo, em parceria com a Petrobras, um equipamento que possibilitará aumentar a extração de óleo do folhelho pirobetuminoso em 25%. O folhelho pirobetuminoso é uma rocha sedimentar oleífera, popularmente conhecida como xisto, que contém um complexo orgânico chamado querogênio da qual se extrai óleo e gás por um processo de decomposição térmica. O Brasil possui a segunda maior reserva deste minério no mundo, cujos subprodutos são similares ao do petróleo.
O aproveitamento de 25% a ser propiciado pelo equipamento da Poli se dará porque ele é capaz de extrair óleo de fragmentos finos de xisto, que hoje não são aproveitados no processo de extração usado pela Petrobras. Por esse processo, a rocha, depois de lavrada em mina a céu aberto, é transportada para um britador, onde é reduzida de tamanho e, em seguida, aquecida em um reator. Isso faz com que o óleo seja liberado. O problema é que somente as frações maiores da rocha, com mais de meia polegada, podem ser processadas pelo atual sistema.
“O que criamos foi um equipamento capaz de processar partículas bem finas da rocha, com menos de meia polegada de espessura”, explica o coordenador do projeto, o professor Giorgio De Tomi, do Departamento de Minas e Petróleo da Poli. No caso, usa-se água, sob pressão, para arremeter os fragmentos de xisto contra um obstáculo metálico. “Com o impacto, as frações se quebram em partículas ainda menores e o óleo é separado”, explica.
Extração sustentável – O equipamento desenvolvido pela Poli também diminuirá o impacto ambiental, evitando que milhares de toneladas de rejeitos sejam depositadas no meio ambiente sem o aproveitamento do óleo. Hoje, das 10 mil toneladas diárias de xisto lavradas na unidade da Petrobras em São Mateus do Sul, no Paraná, cerca de 80% são processadas, ou seja, aproveitadas para a extração de óleo e gás e demais derivados. Os 20% restantes são rejeitados por estarem abaixo da granulometria adequada para o processamento. “A idéia, agora, é utilizar os dois processos, aproveitando todo o material que hoje é rejeitado”, conta De Tomi.
Um protótipo do equipamento desenvolvido pelo pesquisador acaba de ser montado no Departamento de Minas e Petróleo da Poli. Assim que os testes terminarem, ele será produzido em escala industrial e poderá ser instalado em São Mateus do Sul, onde estão concentradas as operações da Petrobras. Nessa unidade, a Petrobras produz, a partir da exploração do xisto, óleo combustível, nafta industrial, gás combustível, gás liquefeito (GLP), enxofre e fertilizante (água ácida).
Mineral estratégico - De acordo com o engenheiro da Petrobras Leandro Carlos dos Santos, que participa do projeto em conjunto com a Poli, o xisto tem uma grande importância estratégica para o País. “Isso porque seus produtos são equivalentes ao do petróleo, sendo, portanto, uma alternativa energética expressiva”.
A Petrobras detém a patente internacional do único processo moderno, em operação comercial, para extração do óleo de xisto – o Petrosix. Outros processos existentes são muito antigos ou não conseguiram atingir o estágio industrial. A patente do equipamento da Poli já foi requerida pela USP.
A maior parte do xisto localizado em território nacional pertence à formação Irati, que abrange os Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Goiás. Se fosse possível minerar todo o xisto existente na formação Irati, seriam extraídos cerca de 800 bilhões de barris de óleo. “Esse volume equivale a pelo menos 35 vezes a reserva total atual de petróleo no Brasil”, diz Santos. “Portanto, ter essa reserva torna-se estratégico na medida em que, se for mantido o atual ritmo de consumo, os estoques mundiais de petróleo serão suficientes para apenas mais quatro decadas”, finaliza.

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quinta-feira, 20 de março de 2008

Programa de Treinamento – Qualidade do Ar e Poluição em Ambientes

Aspectos de prevenção, controle e efeitos na saúde, relacionados a qualidade do ar de ambientes interiores é o foco do programa que reúne especialistas no assunto

O PECE – programa de Educação Continuada, da Escola Politécnica da USP lança o Programa de Treinamento – Qualidade do Ar e Poluição em Ambientes com o objetivo de atualizar profissionais a respeito dos diversos aspectos de prevenção, controle e efeitos na saúde, relacionados a qualidade do ar de ambientes interiores. O conteúdo do curso, que vai de 28 de março a 10 de maio, na sede do PECE, é resultado de anos de pesquisas realizadas por professores e pesquisadores da Escola Politécnica, da faculdade de Medicina e do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, aliados a experiência de profissionais que atuam em empresas ligadas ao setor. Todos os temas são abordados de maneira multidisciplinar, formato necessário para a solução de problemas de saúde advindos de viver e trabalhar em ambientes interiores inadequados.

A estrutura do programa é dividida em dez módulos de três horas cada, que abrangem os seguintes temas: Visão Geral da Qualidade do Ar; Qualidade do Ar e Saúde; Ações para Controle da Qualidade do Ar; Distribuição de Ar e Conforto Térmico; Qualidade do Ar com Conservação de Energia; Poluição em Ambientes Interiores e Alergias Respiratórias; Testes, Balanceamento e Comissionamento para a Qualidade do Ar; Aspectos Técnicos e Jurídicos da Legislação; Avaliação da Qualidade do Ar e Estudos de Casos.

O programa é voltado aos profissionais de nível superior e técnico, atuantes nas áreas da saúde, engenharia, arquitetura, administração e projetos, responsáveis por saúde e higiene ocupacional, manutenção e facilities em hospitais, teatros, shopping centers, edifícios comerciais, plantas industriais, dentre outros.

Na coordenação do curso estão: Prof. Arlindo Tribess, engenheiro mecânico e professor doutor da Escola Politécnica da USP; Eng. Celso Simões Alexandre, engenheiro eletrotécnico com diversos trabalhos publicados em qualidade do ar, filtragem e distribuição de ar; Eng. Eduardo Dantas, engenheiro mecânico especializado em refrigeração e Ar-Condicionado e consultor em Qualidade do Ar em Ambientes Interiores, da divisão EHS- Enviromental Hygiene Services, da Nalco e o Dr. Gustavo Silveira Graudenz, pós-doutor em Imunologia Clínica e Alergia pela Faculdade de Medicina da USP, da divisão EHS- Enviromental Hygiene Services, da Nalco. Formando o corpo docente, também da equipe da Nalco, a mestre em Bioquímica pela Universidade de Bordeaux II, França, e consultora em Qualidade do Ar em Ambientes Interiores, Isabelle Lúcia Ricard.


Serviço - Programa de Treinamento – Qualidade do Ar e Poluição em Ambientes

Início: 28 de março de 2008
Conclusão: 10 de maio de 2008
Local: Campus da Universidade de São Paulo, Cidade Universitária, no Programa de Educação Continuada – PECE
Horário: às sextas-feiras, das 17h00 às 20h00, e aos sábados, das 9h00 às 13h30, em semanas alternadas (quinzenalmente).
Informações: Central de Atendimento:
Tel. (11) 2106-2400 (Grande São Paulo) - 0800-726-0660 (outras localidades)
E-mail: atendimento@pece.org.br
A íntegra dos cursos e outras informações estão disponíveis no site
www.pece.org.br

Way Comunicações
(11) 3862-1586/ 3862-0483
Bete Faria Nicastro
Aline Nicastro

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Edificações recicladas

Pesquisa da Poli/USP gera areia e rochas britadas de alto desempenho mecânico para produção de concreto estrutural que pode ser utilizado na construção de casas e edifícios (foto: divulgação)

25/02/2008
Por Thiago Romero

Agência FAPESP – Um projeto multidisciplinar desenvolvido na Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP) deu origem a um método inovador para a produção de areia e rochas britadas de alto desempenho mecânico.

Os produtos foram extraídos do entulho produzido na construção civil que, normalmente, ou é reciclado por usinas para gerar produtos de baixo valor agregado ou vai parar em aterros sem qualquer tipo de reúso.

Segundo os coordenadores do estudo que gerou a inovação, Vanderley John, professor do departamento de Engenharia de Construção Civil, e Carina Ulsen, pesquisadora do Laboratório de Caracterização Tecnológica, a melhor destinação da areia e da brita geradas pelo processo é o uso em concreto estrutural para construção de casas e edifícios, com exceção da aplicação em pontes.

“A areia e a brita desenvolvidas pelo estudo, cujos resultados foram obtidos pela união de conhecimentos de duas grandes áreas da Poli, as engenharias civil e de minas, podem ser utilizadas em construções que necessitam de um desempenho mecânico maior que 25 megapascal – o índice mínimo de resistência do concreto estrutural exigido pelas normas técnicas”, disse Carina Ulsen à Agência FAPESP.

Para o beneficiamento do entulho, os resíduos foram separados de acordo com características físicas e químicas. A validação do método foi realizada com diferentes tipos de resíduos, cujas amostras foram coletadas em aterros de São Paulo, Rio de Janeiro, Macaé (RJ) e Maceió (AL).
“Infelizmente, ainda não podemos entrar em detalhes sobre as técnicas de beneficiamento mineral utilizadas. Os resultados, sobretudo os obtidos com a areia, que também poderá ser usada em argamassas para acabamentos finos, ainda são muito recentes e o processo ainda não foi patenteado”, explica Carina.

A pesquisadora garante, no entanto, que a areia e a brita geradas pelo estudo têm características superiores ao agregado reciclado, atualmente empregado na pavimentação de ruas e estradas, que é produzido por usinas de reciclagem no país. “Essas indústrias normalmente trituram grandes blocos de concreto, gerados quando uma edificação é demolida, para chegar a uma granulometria adequada para a pavimentação.”

“Com o novo processo, temos condições de beneficiar tanto as sobras da construção civil como os blocos de demolição, apontando, em porcentagens, a quantidade do produto final, que é de baixa porosidade e poderá ser utilizado para a produção de concreto estrutural”, disse.

Segundo dados do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), são gerados cerca de 70 milhões de toneladas por ano de resíduos da construção civil e da demolição. “Estima-se que menos de 20% desse volume seja hoje reciclado”, disse Carina.

O trabalho, realizado em parceria com pesquisadores do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) e da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), foi desenvolvido com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes).
Leia também:
Mais no Boletim da Agência Fapesp hoje:

Luz oscilante
José Antonio Brum, diretor-geral do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron faz um balanço da reunião anual de usuários do LNLS e fala sobre os problemas orçamentários que suspenderam as atividades em três laboratórios por dois meses

Criptografia entra em fria
Pesquisadores da Universidade de Princeton congelam chip para acessar dados na memória RAM e quebrar sistemas de criptografia considerados invulneráveis e usados em laptops com sistemas operacionais Windows, Mac OS e Linux

Vaga no Instituto de Física da USP
Departamento de Física dos Materiais e Mecânica recebe inscrições até 10 de março para vaga de professor doutor na área de nanociências. Salário será de R$ 5.850,92

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Poli/USP faz entulho virar material nobre para construção

Método de beneficiamento possibilita obter produtos de alto valor agregado, o que contribuirá para a sustentabilidade da construção civil no Brasil.

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) conseguiu obter do entulho de construção civil dois produtos de alto valor agregado: areia e brita para aplicações em concreto armado, com características superiores ao agregado reciclado atualmente empregado para pavimentação. O próximo passo, já em andamento, é a obtenção de uma areia reciclada para utilização em argamassas aplicadas em acabamentos finos, tema do doutorado da pesquisadora Carina Ulsen, do Laboratório de Caracterização Tecnológica da Poli.
Essa conquista, inédita no mundo, é resultado de um projeto multidisciplinar entre pesquisadores dos departamentos de Engenharia de Minas e Petróleo (PMI) e de Engenharia de Construção Civil (PCC) da Poli, envolvendo outras instituições de pesquisa, tais como o Centro de Tecnologia Mineral e a Universidade Federal de Alagoas. Bancado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), o projeto possibilitará a expansão do mercado de reciclagem dos resíduos de construção civil e demolição no Brasil e, conseqüentemente, contribuirá para a sustentabilidade do setor.
Atualmente, a maioria das usinas de reciclagem de produtos da construção civil se limita a britar todo o material do entulho (telhas, tijolos, rochas, metais, madeira, concreto, plástico, gesso etc) e peneirá-lo conforme a granulometria desejada. O resultado desse processo, chamado de ‘agregado reciclado’, é um produto de baixo valor, geralmente utilizado como base para preparação de terrenos, na pavimentação de ruas e estradas e na fabricação de blocos, entre outras aplicações que não exigem alto desempenho mecânico.
Salto tecnológico – “Conseguimos desenvolver um método que otimiza a produção de areia e brita recicladas de baixa porosidade”, conta a pesquisadora Carina Ulsen, que tem formação e mestrado em Engenharia Mineral. Ela explica que no entulho da construção civil a rocha geralmente está contaminada por pasta de cimento, que possui alta porosidade e baixa resistência, o que torna o agregado reciclado inadequado para concreto estrutural. “Já a areia pode ter solo como contaminantes, tornando-a inapropriada para argamassa.”
Trata-se de um avanço tecnológico que nenhuma outra instituição de pesquisa do mundo conseguiu alcançar, tamanha a dificuldade que é separar os materiais conforme suas características físicas e químicas e atender as exigências de cada aplicação na construção civil. O processo é realizado de forma eficiente e seguro e atende os requisitos das normas técnicas. “Trabalhamos com amostras bastante diversificadas, obtidas em aterros de São Paulo (SP), Macaé (RJ), Rio de Janeiro (RJ) e Maceió (AL), o que comprovou a eficiência do método independente da origem do resíduo”, acrescenta Carina.
Mercado sustentável – A próxima etapa da pesquisa será o levantamento de custos e a adaptação do projeto para implantá-lo em escala comercial. Potencial de mercado é o que não falta. Segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), o consumo de agregados (matéria-prima de origem mineral) no Brasil é da ordem de 400 milhões t/ano, enquanto que a geração de resíduos da construção civil e demolição (RCD) é de aproximadamente 70 milhões t/ano. Considerando somente a fração mineral do entulho (75-90% segundo a pesquisadora), a reciclagem do RCD como agregados poderia atender até 17% do mercado.
Estima-se que cerca de 20% dos RCD produzidos no Brasil sejam depositados em aterros ilegais, nas margens de rios, córregos, estradas ou em terrenos baldios. “Nossa expectativa é que essa pesquisa contribua para a sustentabilidade do setor de construção civil, de modo a diminuir a extração de bens minerais não renováveis e as áreas de deposição dos resíduos”, prevê Carina.


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Assessoria de Imprensa e Comunicação da Escola Politécnica
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

MBA em Gestão e Tecnologias Ambientais da Poli/USP tem inscrições abertas até 6/2

Estão abertas até 6/2 as inscrições para o MBA Gestão e Tecnologias Ambientais da Escola Politécnica da USP, oferecido por meio de seu Programa de Educação Continuada (PECE). O MBA, dirigido a profissionais das áreas de Engenharia, Administração de Empresas, Direito e Biologia, entre outros, foi criado com o objetivo de formar pessoal capacitado a implementar sistemas de gestão ambiental abrangentes, que envolvam desde o diagnóstico ambiental da empresa até a elaboração e supervisão de planos de ação na área.

O curso, que tem duração de dois anos, possui uma estrutura aberta, ou seja, não há disciplinas obrigatórias. O aluno pode escolher 14 entre 27 matérias, levando em conta, para o critério de seleção, aquelas que mais se encaixam na sua área de atuação. As aulas terão início em 25/2 e serão ministradas na Poli/USP, em dias de semana à noite. Mais informações em www.pece.org.br ou (11) 2106-2400.

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Técnicas combinadas



Com o objetivo de amenizar escassez de água, pesquisador desenvolve sistema capaz de tratar esgoto doméstico para reúso em processos industriais. Processo associa o tratamento biológico de efluentes a membranas de ultrafiltração

21/01/2008

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Uma pesquisa realizada na Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP) resultou num inédito sistema para tratamento de efluentes que possibilita o reúso da água de esgoto doméstico em atividades do setor produtivo.

O sistema piloto, que combina o tratamento por lodos ativados ao uso de membranas de ultrafiltração, foi o resultado do doutorado defendido por Ricardo Nagamine Costanzi no Centro Internacional de Referência de Reúso de Água da Poli.

De acordo com Costanzi, que é professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Londrina, o objetivo do estudo era contribuir com soluções que pudessem amenizar a escassez de água em São Paulo.

“A idéia era propor um sistema que pudesse tratar o esgoto e retornar a água com uma qualidade viável para reúso. Seria uma alternativa ao uso de água potável no processo industrial, que geralmente representa um desperdício financeiro e ambiental”, disse Costanzi à Agência FAPESP.

O principal diferencial do sistema, segundo o pesquisador, é a combinação das duas técnicas. Nos sistemas convencionais, além de uma desinfecção com cloro, a água de esgoto passa por um tratamento com lodos ativados.

“Esses sistemas possuem bactérias que consomem substâncias como o carbono, o nitrogênio e o fósforo. Assim, a água pode ser devolvida aos rios e córregos com menos impacto ambiental”, explcou. Segundo Costanzi, o protótipo foi instalado no sistema de coleta de esgoto dos conjuntos residenciais da USP, na Cidade Universitária.

O novo sistema utiliza a mesma técnica biológica associada a uma nova etapa: um sistema de membranas capaz de reter as bactérias antes da desinfecção. “É um tipo de filtragem que deixa a água completamente livre das bactérias. Passam no máximo alguns vírus, que são facilmente eliminados com a desinfecção”, afirmou o cientista.

De acordo com o professor, a água produzida pelo sistema tem qualidade substancialmente melhor que a dos tratamentos tradicionais. “Fizemos diversos tipos de análises laboratoriais e constatamos que a presença de sólidos suspensos foi zerada. A membrana deixou passar apenas alguns sólidos dissolvidos e sais. Visualmente, parece água de torneira”, disse.

A membrana atua como uma barreira seletiva devido ao tamanho de seus poros e às características físico-químicas dos materiais que a compõem. Além de sistemas produtivos industriais, a água de reúso poderia ser utilizada para irrigação, lavagem de ruas e outras atividades que dispensem o uso de água potável, segundo Costanzi.

O pesquisador afirma que existem sistemas similares, mas nenhum deles aplicável ao tratamento de esgoto doméstico. “Como o piloto foi um sucesso, queremos estudar melhor os dados de operação e qualidade da água de saída para, em seguida, passarmos o sistema para uma escala maior”, afirmou.

O pesquisador diz que, para aplicação do sistema em grandes centros urbanos, será preciso estudar as condições logísticas de distribuição – as estações de tratamento precisam estar próximas das indústrias, já que a tubulação de água potável e esgoto não pode ser utilizada – e também o custo do processo, que não foi avaliado na pesquisa.

“Sabemos que, para ser viável, a água de reúso precisa custar entre R$ 1 e R$ 3 por metro cúbico. O próximo passo das pesquisas será definir os custos operacionais. Se conseguirmos um valor próximo desse, já valerá a pena, pois a qualidade da água é melhor”, declarou.