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terça-feira, 4 de março de 2008

Narcosocialismo e Governos Populistas

“Raros são aqueles que decidem após madura reflexão; os outros andam ao sabor das ondas e longe de se conduzirem deixam-se levar pelos primeiros.” (Lucius Annaeus Seneca)

No dia 1º, sábado, Raúl Reyes e outros 16 guerrilheiros das FARC foram mortos em território Peruano pelo Exército Colombiano

§ AÇÃO COLOMBIANA

Raúl Reyes, porta-voz internacional das FARC, considerado o número 2 da organização e mais 15 guerrilheiros foram mortos sábado em território Equatoriano, província de Sucumbíos, numa incursão bem sucedida na "zona de fronteira". Reyes respondia, na Colômbia, a 14 condenações e 121 processos penais, sendo 57 por homicídio com fins terroristas, 26 por terrorismo, 25 por rebelião, 4 por seqüestro e 9 por lesões corporais.

O governo colombiano numa taxativa advertência a seus vizinhos, coniventes com os narcotraficantes, determinou, no domingo, a "expulsão imediata" do embaixador da Colômbia em Quito.

O presidente Rafael Correa, do Equador, acusou o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de atentar contra a soberania de seu país já que o acampamento guerrilheiro ficava a 1,8 quilômetros da fronteira colombiana. Correa só criou coragem para expulsar o embaixador da Colômbia em Quito e ordenar a retirada de seu embaixador em Bogotá depois de Chávez ter tomado esta atitude. Correa solicitou, ainda, uma reunião urgente da Comunidade Andina de Nações (CAN) e da Organização dos Estados Americanos (OEA) para tratar do ataque colombiano em território equatoriano. O Conselho Permanente da OEA, por sua vez, já convocou uma reunião extraordinária para esta terça-feira (04/03) para tratar do assunto, a reunião foi marcada para as 3 da tarde de terça-feira (17h em Brasília).

Correa afirma que não pode ter havido engano e que Uribe teria mentido quando informou que Reyes havia morrido em combate: "Os 15 corpos encontrados estavam de pijama. Foram mortos dormindo, depois de serem localizados por equipamentos de alta tecnologia, provavelmente de uma potência estrangeira." Correa exige uma retratação pública e ameaça levar o caso às "últimas conseqüências". Nas suas declarações, Correa demonstra estar mais preocupado com o que vestiam os guerrilheiros do que com o fato de os mesmos estarem homiziados em seu país. Na província de Sucumbíos existem atividades regulares das AUC e a região é sede do 48° Destacamento das FARC.

O caudilho bolivariano, em seu programa de rádio, foi incisivo: "Sr. ministro da Defesa, envie 10 batalhões para a fronteira com a Colômbia, batalhões de tanques e mobilize a Força Aérea". Chávez fechou sua embaixada em Bogotá e advertiu, durante uma reunião de gabinete transmitida pela TV no sábado: "Não queremos guerra, mas não vamos permitir que o império norte-americano,através de seu cachorrinho, o presidente Uribe e a oligarquia colombiana nos dividam. Se fosse em território da Venezuela, eu mandaria aviões de guerra. Não pense em fazer isso aqui, porque isso poderia ser sério, poderia ser razão para uma guerra".

§ ENVOLVIMENTO EQUATORIANO E VENEZUELANO

O general diretor da Polícia Nacional colombiana, Oscar Naranjo, informou que foram encontrados, no computador apreendido com o Raúl Reyes, documentos que indicam "um relacionamento estrutural das FARC tanto com a Venezuela quanto com o Equador". Os documentos relatam, ainda, que Gustavo Larrea, ministro de Segurança do Equador, em nome do presidente equatoriano, "tem o interesse de oficializar as relações com a direção das FARC" e que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, teria doado 300 milhões de dólares aos guerrilheiros.

§ DESAVENÇA HISTÓRICA

Colômbia e Venezuela

Em 1830, a Grã-Colômbia foi dissolvida e fragmentada em três Estados; Venezuela, Equador e Colômbia (à qual, à época, integrava-se o Panamá). Com a dissolução, criou-se o problema fronteiriço. Foram imediatamente iniciadas as negociações e após mais de um século de tratativas, que se estenderam até 1941, deu-se por concluída a fixação das fronteiras entre os dois países. O descontentamento e frustração com a demarcação foram incorporados ao patrimônio político da Venezuela, que se considera historicamente lesada.

Os dois países passaram a enfrentar um novo problema, desde 1964, quando a Colômbia tomou decisões unilaterais a respeito da delimitação de áreas marítimas e submarinas a noroeste do Golfo da Venezuela, uma zona petrolífera.

Os problemas decorrentes das fronteiras vivas, que se estendem por mais de dois mil quilômetros, são, fundamentalmente: contrabando, desmatamento, narcotráfico, seqüestros, ações das FARC e a imigração colombiana que estabeleceu um espaço econômico e cultural na zona de fronteira nos últimos cinqüenta anos. Como o número de marcos de fronteira são insuficientes, essas intercorrências geram um efeito multiplicador e quando o exército venezuelano reage, não raras vezes penetra o território vizinho.

Colômbia e Equador

Em que pese os problemas fronteiriços terem as mesmas origens e causas dos da Colômbia com a Venezuela, existem fatos recentes que geram tensões entre os dois países. O lançamento de uma granada de morteiro em povoado equatoriano, a morte de um comerciante na ponte que liga os dois países por militares colombianos e a invasão sistemática do espaço aéreo equatoriano por helicópteros de guerra são apenas alguns dos incidentes que contribuem para aumentar as tensões entre os dois países.

O Equador pretende abrir um processo contra a Colômbia na Corte Internacional de Justiça, pelo uso do herbicida glifosato nas pulverizações aéreas de combate às drogas na fronteira entre os dois países. O glifosato, levado pelo vento, causou danos irreparáveis ao meio ambiente equatoriano.

§ FARC

As FARC são o braço Latino americano do Terrorismo Internacional. Numa conjunção fatal ela congrega: a cocaína dos narcoterroristas e o socialismo, representado pelos presidentes Hugo Chávez, Rafael Corrêa e Evo Morales. Estes governos populistas apóiam o grupo guerrilheiro, rezam pela rota e ultrapassada cartilha de Fidel Castro e contam com a simpatia servil do presidente brasileiro.

§ DIPLOMACIA BRASILEIRA

O assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia afirmou: “Acho que nós vamos mobilizar toda a força da diplomacia brasileira e de outras capitais sul-americanas para reduzir ao máximo a tensão e procurar encontrar uma solução duradoura para esse problema". Uma declaração inócua, cautelosa e por que não dizer tíbia, mostrando mais uma vez, o quanto o governo brasileiro é omisso em questões internacionais. Estaria a diplomacia brasileira, mais uma vez, com medo de contrariar os governos ‘companheiros’ sem atentar para a real necessidade de se posicionar claramente frente ao problema?

A diplomacia brasileira tem conhecimento de que a Venezuela e o Equador dão abrigo às forças guerrilheiras em seus territórios e, em conseqüência, estariam vulneráveis a esse tipo de ação por parte do governo colombiano. Chávez e Correa protestam tentando desviar a atenção internacional deste fato. O governo colombiano decidiu apenas adotar uma postura mais dura contra a guerrilha, já que seus vizinhos são coniventes com ela. A zona de fronteira entre os três países se estende por milhares de quilômetros e nenhum deles possui capacidade logística e força armada capaz de uma operação militar duradoura em plena selva tropical sem objetivo político definido. Na verdade Chávez está usando este incidente para tentar recuperar seu espaço político, tendo em vista as derrotas políticas sofridas no ano passado.

O governo brasileiro precisa liderar o movimento diplomático latino-americano visando a um processo de mediação e repudiar este acoitamento de facínoras colombianos pelos países vizinhos. O Brasil, na década de 90, deu uma resposta contundente quando os guerrilheiros das FARC invadiram o nosso território, atacaram a guarnição do rio Traíra, mataram três soldados brasileiros, feriram nove, roubaram 17 fuzis e se refugiaram na selva colombiana. Os militares brasileiros agiram rapidamente e os guerrilheiros foram emboscados, dizimados e o armamento recuperado. Não fez, à época, como a Venezuela e a Colômbia, não tolerou a presença dos guerrilheiros em seu território. Infelizmente os ‘tempos companheiros’ são outros e os bandoleiros das FARC têm sido recebidos, no Brasil, em eventos políticos como se autoridades fossem.


Coronel de engenharia Hiram Reis e Silva
(professor do Colégio militar de Porto Alegre)
http://www.amazoniaenossaselva.com.br/
E-mail: hiramrs@terra.com.br

segunda-feira, 3 de março de 2008

Chávez manda tropas para fronteira com a Colômbia e fecha embaixada

Julio Cruz Neto*
Repórter da Agência Brasil


Brasília - Venezuela e Equador reagiram duramente à operação militar que resultou na morte do porta-voz e número 2 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes, além de outros guerrilheiros. A operação do governo colombiano ocorreu ontem do lado equatoriano da fronteira, segundo o governo do Equador.
O presidente de Venezuela, Hugo Chávez, ordenou o envio de tropas para a fronteira com a Colômbia e o fechamento da embaixada venezuelana en Bogotá. Ele disse ter falado sobre o assunto com seu o presidente do Equador, Rafael Correa, que chamou de volta o embaixador Francisco Suescum e acusou a Colômbia de violação de soberania.
Correa disse que os militares colombianos adentraram por dois quilômetros no território equatoriano e "massacraram" guerrilheiros enquanto dormiam. Ele enviou nota de protesto às autoridades da Colômbia e disse que "se acabaram os abusos e ultrajes do governo colombiano".
Na manhã de sábado, o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, havia telefonado para Correa para comunicá-lo sobre a operação, que já havia ocorrido. Correa mandou suas tropas ao local e teve a comprovação de que as mortes ocorreram em território equatoriano (na província Sucumbíos).
Correa, segundo o site do governo equatoriano, sustenta que "claramente se invadiu o espaço aéreo equatoriano" (teria havido um bombardeio aéreo) e "certamente" os guerrilheiros "foram localizados con ajuda de tecnologia de ponta de potências estrangeiras e extrarregionais".
O presidente disse também que os militares colombianos entraram no Equador para levar o cadáver de Raúl Reyes e deixaram outros 15 corpos no local, "que nossas Forças Armadas encontraram, assim como duas guerrilheiras feridas.

*Com informações da agência argentina Telam

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Quatro reféns são libertados depois de seis anos em poder das Farc

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil


Brasília - Os quatro ex-parlamentares colombianos mantidos reféns há seis anos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foram libertados. O porta-voz da Presidência da Venezuela, Jesse Chacón, informou hoje (27) que os ex-reféns encontram-se “sãos e salvos”. A declaração foi dada pouco depois do fim da operação de libertação que levou dois helicópteros da Cruz Vermelha à selva colombiana. As informações são da agência argentina Telam.
Chacón disse ainda que o fato de os reféns Gloria Polanco, Jorge Gechem, Orlando Beltrán e Luis Eladio terem sido libertados pela guerrilha “permite seguir avançando no caminho de alcançar o resto das libertações e, portanto, de paz para a Colômbia”.
A libertação dos ex-parlamentares foi anunciada pelas Farc no início de fevereiro, como outro gesto unilateral da guerrilha em reconhecimento às negociações conduzidas pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, e pela senadora colombiana Piedad Córdoba, mas também devido às más condições de saúde dos reféns. Os familiares dos quatro seqüestrados já aguardam a libertação em Caracas.
As Farc mantêm mais de 40 reféns – entre eles, a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, três americanos e vários políticos, militares e policiais – além de pelo menos 500 guerrilheiros presos.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Chávez e a ‘Zona en Reclamación’


“Se o ser humano não se preocupar com aquilo que está distante, ele encontrará tristeza muito próximo de si.” (Confúcio)

A Guiana Essequiba, ‘Território Esequibo’, ou como os venezuelanos a apelidaram - ‘Zona en Reclamación’ (Zona em Disputa), é a região do Planalto das Guianas, compreendida entre o rio Cuyuni e o rio Essequibo (159.500 km²), representando aproximadamente 66% do território da República Cooperativa da Guiana considerada pela Venezuela como parte integrante de seu território e cuja soberania reclama a nível internacional, através do acordo de Genebra de 17 de fevereiro de 1966.

HISTÓRICO

Em 1620, os holandeses construíram numa ilha denominada Essequibo, o Forte Kijkoveral, que seria o centro da administração da Companhia das Índias Ocidentais. Em 1648, o Rei da Espanha através do Tratado de Munster reconheceu as colônias da Companhia ao longo da costa Sul-Americana.

Os conflitos Europeus, sobremaneira as Guerras Napoleônicas, fizeram com que as colônias da Guiana ficassem sucessivamente sob controle britânico e francês; após a derrota de Napoleão, porém, a Holanda retomou o controle de suas colônias americanas.

No início do século XIX, os agricultores ingleses enfrentaram grandes prejuízos econômicos e, em função desses, muitos tiveram de hipotecar seus bens aos agentes financeiros holandeses. O movimento para que a colônia se tornasse uma possessão inglesa tomou corpo, e foi efetivado formalmente em 1814, com a assinatura do Tratado de Londres.

Sob controle britânico, as colônias foram unidas como Colônia da Guiana Britânica em 1831. A Venezuela, nesse período, tornara-se República, separando-se da Colômbia e o Brasil tornou-se independente de Portugal. A partir destas mudanças políticas, novas diretrizes administrativas foram criadas, especialmente na Guiana Britânica, que iniciou uma determinada exploração e ocupação das regiões do interior, demandando o reconhecimento de suas fronteiras. Neste contexto, aparece a figura de Schomburgk, dando início à contenda entre Espanhóis e a Guiana Britânica.

LINHAS DE SCHOMBURGK

Robert Schomburgk foi contratado para definir as fronteiras da Guiana Britânica e, para tal, chegou à região em 1835. Como resultado de suas expedições, elaborou um mapa da Guiana e formalizou a proposta britânica que serviu de base para as negociações a respeito das linhas de fronteira entre Guiana, Venezuela, Brasil e Suriname. Os especialistas venezuelanos e brasileiros criticaram com veemência a maneira como essa questão foi decidida.

Schomburgk propôs como fronteira com a Venezuela a linha que sai de Amacuro até a boca do Cuyuni, seguindo o divisório de águas do Cuyuni e do Mazaruni até o Roraima, e dali descendo o Cotingo, Surumu e Tacutu. Esta linha ficou conhecida como a Linha Schomburgk.

ACORDO DE GENEBRA

No princípio da década de 60, com o governo do People’s Progressive Party (PPP) da Guiana se empenhando sistematicamente para a independência, a Venezuela manifestou preocupação em relação à questão do Essequibo, considerando que o debate a respeito do assunto já não se limitaria apenas à Grã-Bretanha. A independência da Guiana significaria o reconhecimento das atuais fronteiras por todos os países que reconhecessem o novo Estado.

A Grã-Bretanha insistia que a demanda venezuelana não procedia, e que tudo fazia parte de um processo eleitoreiro, do então candidato, Raul Leoni ao governo venezuelano visando a influenciar as eleições. Logo que Leoni assumiu a presidência, o Congresso Nacional aprovou, em fevereiro de 1965, um novo mapa oficial do país onde a área do Essequibo passou a constar oficialmente como ‘Zona en Reclamación’ e os correios passaram a utilizar, nas correspondências internacionais, um selo com o novo mapa e a frase: “hacia la reconquista de la Guyana Esequiba”, e as nacionais: “Guyana Esequiba es Venezolana”, provocando protestos do governo inglês.

A Grã-Bretanha propôs, em Genebra, uma Comissão mista que estudaria um plano de desenvolvimento econômico para a Guiana Britânica, de 1966 a 1972, somado a um projeto de cooperação econômica entre os dois países que renunciariam, por 30 anos, as reclamações por demandas territoriais.

A Venezuela não aceitou a sugestão britânica e propôs o congelamento por um prazo de 10 anos e que um ano antes de esgotado este interregno, fosse submetido à arbitragem. O resultado da proposta britânica e venezuelana originou o ‘Acordo de Genebra’ firmado em 17 de fevereiro de 1966.

O Acordo tentava encontrar uma solução através de uma comissão mista de limites, que teria um prazo de quatro anos para encontrar uma saída adequada à disputa territorial. Após esse prazo, se não houvesse uma solução de consenso, o fórum decisório seriam as Nações Unidas.

Em 1966, a Venezuela ocupou militarmente a Ilha de Ancoro. O Laudo de 1899 dividia a ilha entre os dois países e continua ocupada nestes últimos 42 anos apesar dos veementes protestos da Guiana.

Em 1968 ocorreu a ‘Insurreição de Rupununi’, na qual fazendeiros e camponeses, à frente de um movimento separatista, que contava com apoio não-declarado do governo venezuelano, ocuparam instalações governamentais, bloquearam estradas e mataram e feriram policiais da Guiana. A Força de Defesa da Guiana agiu prontamente fazendo com que os insurretos, que não contaram com o esperado apoio das Forças Armadas Venezuelanas, refugiassem-se na Venezuela sem opor resistência.

Mas o que realmente concorreu para o fracasso das operações foi a decisiva atitude do governo brasileiro, que ordenou uma imediata mobilização da Força Terrestre na área da fronteira e a concentração de aviões de combate na região de Boa Vista - RR.

En 1970, o ‘Protocolo de Porto Espanha’ congelava as pretensões venezuelanas por 12 anos, um ano antes de vencer o prazo, a Venezuela decidiu invocar o ‘Acordo de Genebra’ e propor resolver a questão na ONU. Desde 1983, a Venezuela aceitou continuar debatendo a questão procurando encontrar uma solução pacífica conforme especifica o artigo 33 da Carta da ONU. Desde 1989, ambos os países mantêm conversações sem, no entanto, apresentar qualquer solução para o impasse.

DEMANDAS ATUAIS

A Assembléia Nacional Venezuelana aprovou, no dia 13 de março de 2006, o projeto do presidente Hugo Chávez que modificava a bandeira da Venezuela acrescentando uma oitava estrela, estrela essa que era um tributo à contribuição da província da Guiana por sua luta pela independência no século XIX. Chávez disse na ocasião que: "Las ocho estrellas están ahora flameando al viento de Venezuela, las siete estrellas originales y la octava que Simón Bolivar decretó en Angostura como símbolo de la estrella de la victoria". O Exército venezuelano, comungando com os mesmos sentimentos de Chávez, reporta em sua página oficial na Internet e nos mapas de suas Divisões os limites internacionais do país agregando a Guiana Essequiba.

Em novembro de 2007, o exército venezuelano destruiu duas dragas da Guiana que eram utilizadas para o garimpo do ouro na região da fronteira. Até hoje não se sabe se as dragas revolviam os sedimentos do rio Cuyuní, que fica em território guianense, ou do rio Wenamú, que divide os dois países. Ninguém ficou ferido, mas o episódio chamou a atenção para a contenciosa tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana.

FORÇAS ARMADAS

A Força Armadas da Venezuela tem um efetivo de 56.000 militares, 190 tanques, 6 fragatas, 2 submarinos, mais de 90 aeronaves de combate e mais de 20 helicópteros de ataque, enquanto a Guiana tem 1600 homens, 3 lanchas de patrulha e nenhum avião de combate. O enorme desequilíbrio militar nos leva a inferir que, em caso de conflito, a Guiana contará com apoio de outros países no confronto.

ESTABILIDADE POLÍTICA AMERICANA

Hoje, a Venezuela, aproveitando-se da inépcia da política externa brasileira, procura assegurar uma posição política hegemônica na América Latina. A disputa pela ‘Zona en Reclamación’ parece, no momento, ter sido relegada a um plano secundário. Porém, os grupos chamados de pró-essequibanos, com apoio velado das autoridades venezuelanas, proliferam e ganham cada vez mais simpatizantes cujo objetivo final é a recuperação da região de Essequibo.

A conquista da região pela Venezuela levantaria velhas questões sobre limites em toda Sul-América. A Colômbia tem velhas pendências territoriais contra a Venezuela de modo que, se a Venezuela atacasse a Guiana, a Colômbia encontraria justificativa para reivindicar seus antigos limites com a Venezuela. O Peru, por sua vez, poderia reavivar sua questão fronteiriça com o Equador e nem mesmo o Brasil ficaria de fora já que sobre a Questão do Pirara, até hoje, pairam dúvidas quanto à lisura da forma com que foi conduzida.

Hiram Reis e Silva
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sábado, 9 de fevereiro de 2008

Hugo Chávez - Versão grotesca de Simon Bolívar ou um novo Fidel?

O Artigo 14, da ‘Constituição da República Bolivariana da Venezuela’, enuncia que: a lei estabelecerá um regime jurídico especial para aqueles territórios que por livre determinação de seus habitantes e com o aval da Assembléia Nacional, se incorporem à República.

Pelo Artigo 14, poder-se-ia criar, caso as populações locais assim o decidissem por voto, a Grã-República Bolivariana, uma versão atualizada da antiga Grã-Colômbia, efêmera realização unitária de Simón Bolívar. A Grã-República idealizada por Chávez, agora, prevê a reintegração da Colômbia, Venezuela, Equador, Panamá e possivelmente, a Bolívia.

Com essa colocação posta em foco podemos entender uma série de atitudes quixotescas que o presidente Venezuelano vem arquitetando como se fossem meros arroubos caudilhescos. Atitudes essas que vem ganhando simpatia de alguns mandatários populistas.

COLÔMBIA

Após ter saído fortalecido no episódio em que foram libertadas as reféns Clara Rojas e Consuelo González de Perdomo, pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o presidente Hugo Chávez conseguiu um objetivo maior que foi o de mostrar, ao mundo, as FARC como um exército que ocupa uma região da Colômbia, com comando central e um ideal político revolucionário.

A relação entre Álvaro Uribe e Chávez saiu extremamente estremecida neste evento. Uribe afirmou que a Colômbia precisa de quem sirva de mediador com os terroristas, mas não de quem utilize a mediação para dar legitimidade ao terrorismo. Chávez afirmou, por sua vez, que não é possível a reconciliação com a Colômbia enquanto Uribe for presidente, acrescentando que espera que não o seja por muito tempo.

O presidente da Colômbia rebateu as críticas de Chávez acusando-o de Expansionista e de ter um projeto para criar um Império Venezuelano.

BOLÍVIA

O ‘Movimiento Nación Camba de Liberación’ tem um caráter nitidamente separatista, e seu objetivo é formar outro Estado, integrado pelos departamentos da "Media-Luna", formada pelos quatro Estados mais ricos do país: Santa Cruz de la Sierra, Tarija, Beni e Pando. Nessa região se encontram grandes jazidas de gás, petróleo e grande potencial agropecuário e industrial, que a convertem não só na mais rica região da Bolívia, mas em uma das de maior potencial da América Latina.

Angel Sandoval, um dos lideres do movimento declarou: "Nós temos uma cultura própria, somos uma nação. O problema é que nem os da ‘Nação Colla’, nem os da ‘Nação Camba’ se sentem representados pelo Estado boliviano. Nossa divisão é natural. A própria geografia nos divide ..."

A Venezuela tem uma participação cada vez maior em assuntos internos da Bolívia, desde que se iniciaram os projetos de nacionalização. Morales teme uma insurgência separatista e vem reequipando sua Forças Armadas, bem como estreitando os acordos de cooperação militar com a Venezuela.

O acordo possibilita uma interferência venezuelana no caso de algum problema interno que coloque em risco as instituições. Além da necessidade política de Morales se aproximar de Chávez, a já delicada economia boliviana enfraqueceu ainda mais depois dos processos de nacionalização em conseqüência da queda vertiginosa do investimento externo. Para tentar manter equilibrada a economia, e a capacidade técnica de operar os campos de petróleo e gás natural nacionalizados, Morales depende não só de tecnologia venezuelana, mas também de generosas injeções de dinheiro.

EQUADOR

O presidente Rafael Correa pretende, como bom discípulo de Chávez, colocar sob seu controle, os três poderes da República, estatizar a economia, manter sob controle os meios de comunicação e criar um regime socialista ‘moderno’, com a mesma retórica sutil e dúbia criada por Chávez para estabelecer a sua própria ditadura. Correa acredita piamente nisso, a ponto de afirmar, textualmente: “Creio que a América do Sul, em geral, se encaminha para o socialismo do Século XXI.”

GUIANA

Guiana Essequiba ou ‘Zona en Reclamación’ é a região do Planalto das Guianas, compreendida entre o rio Cuyuni e o rio Essequibo (159.500 km²), representando aproximadamente 66% do território da República Cooperativa da Guiana e reenvidicado pela Venezuela.

O Laudo Arbitral de Paris, no ano de 1899, concluiu com a cessão do território a oeste do rio Essequibo à Inglaterra. Entretanto, como a Venezuela não estava representada oficialmente, já que seus dois representantes haviam sido nomeados pelos Estados Unidos e não representavam, por isso, o estado venezuelano, esta declarou a nulidade do tratado. Outras tentativas de acordos ocorreram mas nenhuma levada a bom termo.

O artigo 10 da atual Constituição Venezuelana declara que "o território e demais espaços geográficos da República são os que correspondiam à Capitania Geral da Venezuela antes da transformação política iniciada em 19 de abril de 1810, com as modificações resultantes de tratados e laudos arbitrais não viciados de nulidade.

CONCLUSÃO

A postura de Chávez em nada lembra a figura do grande líder Bolívar, certamente o mais lúcido protagonista da Nova América, um ideólogo e um apaixonado libertador. Os ideais do, então, jovem Bolívar foram forjados em Cádis, Espanha, quando começou a freqüentar a Loja Maçônica ‘Lautaro’, onde os ‘irmãos maçons’ preconizavam as idéias de liberdade e a necessidade de lutar contra a opressão e a possibilidade de converter em Repúblicas às colônias espanholas da América. Após realizar o juramento sagrado, no Monte Sacro, em agosto de 1805, Bolívar passa os próximos vinte anos de sua vida dedicando-se de corpo e alma ao cumprimento das metas preconizadas pelos ‘irmãos de Lautaro’. Todo o seu esforço e todo seu ideário se resumia em que "o novo mundo deve estar constituído por nações livres e independentes, unidas entre si por um corpo de leis em comum que regulem seus relacionamentos externos".

Chávez e Fidel, por sua vez, embora possuindo trajetórias totalmente diferentes, procuram encarnar, segundo eles, valores e ideais que vão de encontro às aspirações permanentes do homem. Ambos recusam o projeto de globalização neoliberal e reivindicam para os seus povos o direito de construírem um futuro sem tutelas. Infelizmente as ações contrariam a retórica. Na Venezuela a Suprema Corte é totalmente subordinada ao presidente, que a dissolve quando reage aos seus interesses e empossa uma nova, com todos os membros indicados por ele. A grande diferença, porém, entre os controvertidos líderes é que Chávez é dono de 7,5% das reservas conhecidas de petróleo que alavancam sua economia e lhe permitem financiar diversos programas sociais para 80% de sua população que vive abaixo da linha de pobreza. Em contrapartida esses recursos também servem para montar a mais formidável máquina de guerra latino-americana e o tornam um motivo constante de preocupação para a harmonia dos países sul-americanos e do mundo.

Hiram Reis e Silva
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