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quarta-feira, 5 de março de 2008

Programa Intercâmbios Afro-Latinos tem resultados positivos

Por Marília Matias de Oliveira
Brasília - A ida do Ilê Aiyê ao Equador, em fevereiro deste ano, foi a terceira ação do Programa Intercâmbios Afro-Latinos, da Fundação Cultural Palmares (FCP). Essa ação possibilitou uma integração não só com o Equador, mas também com a Colômbia, a Argentina, o Peru, a Venezuela e a Bolívia.
Grupos culturais afro de todos esses países estavam reunidos na província de Esmeraldas, para o VII Festival Internacional de Música e Dança Afro. O festival aconteceu no período do carnaval, de 2 a 5 de fevereiro. Os primeiros resultados das aitividades do Programa já se fazem sentir. A embaixada da Argentina no Brasil fez o convite para que o grupo se apresente este ano em Buenos Aires. O Ministério das Relações Exteriores está apoiando esse evento, que dará continuidade aos intercâmbios afro-latinos.
A turnê do grupo Ilê Aiyê no Equador também foi uma ação do Programa Executivo Cultural assinado pelos ministros da Cultura do Brasil e do Equador em novembro do ano passado. Os shows do grupo reuniram milhares de pessoas em Quito e em Esmeraldas e mostraram a riqueza da música e da dança afro-brasileira, pela primeira vez a um povo latino-americano.
O então ministro da Cultura do Equador, Antonio Preciado, que prestigiou algumas apresentações do Ilê Aiyê, vê a cultura como um caminho importante para a aproximação dos povos. "Quando conhecemos um povo por sua cultura, conhecemo-lo profundamente", disse o Preciado, que é natural de Esmeraldas e foi o primeiro ministro negro do Equador.
Também para o embaixador do Brasil no Equador, Antonino Marques Porto, a ida do Ilê Aiyê ao país da América do Sul, prioritária para o Brasil nas relações exteriores, foi um importante passo para a integração entre as duas nações. "Trazer o Ilê Aiyê aqui é mostrar ao Equador, que é um país extremamente diverso em termos de formação cultural e racial, que nós temos esse ponto em comum", disse o embaixador.
O Programa Intercâmbios Afro-Latinos tem o objetivo de trocar informações e experiências sobre as culturas das comunidades afro-descendentes da América Latina. O primeiro evento do Programa foi o Seminário realizado em julho e agosto de 2007, no Rio de Janeiro e em Salvador, e reuniu Colômbia, Brasil e Peru. A segunda atividade foi a presença do grupo colombiano Quilombo em Salvador, em novembro do ano passado. A Fundação Cultural Palmares prepara o lançamento do portal Intercâmbios Afro-Latinos como a próxima ação. O portal será uma ação contínua e buscará a troca de informações sobre a cultura afro nos países latino-americanos e contará com o apoio do Ministério das Relações Exteriores.

terça-feira, 4 de março de 2008

Narcosocialismo e Governos Populistas

“Raros são aqueles que decidem após madura reflexão; os outros andam ao sabor das ondas e longe de se conduzirem deixam-se levar pelos primeiros.” (Lucius Annaeus Seneca)

No dia 1º, sábado, Raúl Reyes e outros 16 guerrilheiros das FARC foram mortos em território Peruano pelo Exército Colombiano

§ AÇÃO COLOMBIANA

Raúl Reyes, porta-voz internacional das FARC, considerado o número 2 da organização e mais 15 guerrilheiros foram mortos sábado em território Equatoriano, província de Sucumbíos, numa incursão bem sucedida na "zona de fronteira". Reyes respondia, na Colômbia, a 14 condenações e 121 processos penais, sendo 57 por homicídio com fins terroristas, 26 por terrorismo, 25 por rebelião, 4 por seqüestro e 9 por lesões corporais.

O governo colombiano numa taxativa advertência a seus vizinhos, coniventes com os narcotraficantes, determinou, no domingo, a "expulsão imediata" do embaixador da Colômbia em Quito.

O presidente Rafael Correa, do Equador, acusou o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de atentar contra a soberania de seu país já que o acampamento guerrilheiro ficava a 1,8 quilômetros da fronteira colombiana. Correa só criou coragem para expulsar o embaixador da Colômbia em Quito e ordenar a retirada de seu embaixador em Bogotá depois de Chávez ter tomado esta atitude. Correa solicitou, ainda, uma reunião urgente da Comunidade Andina de Nações (CAN) e da Organização dos Estados Americanos (OEA) para tratar do ataque colombiano em território equatoriano. O Conselho Permanente da OEA, por sua vez, já convocou uma reunião extraordinária para esta terça-feira (04/03) para tratar do assunto, a reunião foi marcada para as 3 da tarde de terça-feira (17h em Brasília).

Correa afirma que não pode ter havido engano e que Uribe teria mentido quando informou que Reyes havia morrido em combate: "Os 15 corpos encontrados estavam de pijama. Foram mortos dormindo, depois de serem localizados por equipamentos de alta tecnologia, provavelmente de uma potência estrangeira." Correa exige uma retratação pública e ameaça levar o caso às "últimas conseqüências". Nas suas declarações, Correa demonstra estar mais preocupado com o que vestiam os guerrilheiros do que com o fato de os mesmos estarem homiziados em seu país. Na província de Sucumbíos existem atividades regulares das AUC e a região é sede do 48° Destacamento das FARC.

O caudilho bolivariano, em seu programa de rádio, foi incisivo: "Sr. ministro da Defesa, envie 10 batalhões para a fronteira com a Colômbia, batalhões de tanques e mobilize a Força Aérea". Chávez fechou sua embaixada em Bogotá e advertiu, durante uma reunião de gabinete transmitida pela TV no sábado: "Não queremos guerra, mas não vamos permitir que o império norte-americano,através de seu cachorrinho, o presidente Uribe e a oligarquia colombiana nos dividam. Se fosse em território da Venezuela, eu mandaria aviões de guerra. Não pense em fazer isso aqui, porque isso poderia ser sério, poderia ser razão para uma guerra".

§ ENVOLVIMENTO EQUATORIANO E VENEZUELANO

O general diretor da Polícia Nacional colombiana, Oscar Naranjo, informou que foram encontrados, no computador apreendido com o Raúl Reyes, documentos que indicam "um relacionamento estrutural das FARC tanto com a Venezuela quanto com o Equador". Os documentos relatam, ainda, que Gustavo Larrea, ministro de Segurança do Equador, em nome do presidente equatoriano, "tem o interesse de oficializar as relações com a direção das FARC" e que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, teria doado 300 milhões de dólares aos guerrilheiros.

§ DESAVENÇA HISTÓRICA

Colômbia e Venezuela

Em 1830, a Grã-Colômbia foi dissolvida e fragmentada em três Estados; Venezuela, Equador e Colômbia (à qual, à época, integrava-se o Panamá). Com a dissolução, criou-se o problema fronteiriço. Foram imediatamente iniciadas as negociações e após mais de um século de tratativas, que se estenderam até 1941, deu-se por concluída a fixação das fronteiras entre os dois países. O descontentamento e frustração com a demarcação foram incorporados ao patrimônio político da Venezuela, que se considera historicamente lesada.

Os dois países passaram a enfrentar um novo problema, desde 1964, quando a Colômbia tomou decisões unilaterais a respeito da delimitação de áreas marítimas e submarinas a noroeste do Golfo da Venezuela, uma zona petrolífera.

Os problemas decorrentes das fronteiras vivas, que se estendem por mais de dois mil quilômetros, são, fundamentalmente: contrabando, desmatamento, narcotráfico, seqüestros, ações das FARC e a imigração colombiana que estabeleceu um espaço econômico e cultural na zona de fronteira nos últimos cinqüenta anos. Como o número de marcos de fronteira são insuficientes, essas intercorrências geram um efeito multiplicador e quando o exército venezuelano reage, não raras vezes penetra o território vizinho.

Colômbia e Equador

Em que pese os problemas fronteiriços terem as mesmas origens e causas dos da Colômbia com a Venezuela, existem fatos recentes que geram tensões entre os dois países. O lançamento de uma granada de morteiro em povoado equatoriano, a morte de um comerciante na ponte que liga os dois países por militares colombianos e a invasão sistemática do espaço aéreo equatoriano por helicópteros de guerra são apenas alguns dos incidentes que contribuem para aumentar as tensões entre os dois países.

O Equador pretende abrir um processo contra a Colômbia na Corte Internacional de Justiça, pelo uso do herbicida glifosato nas pulverizações aéreas de combate às drogas na fronteira entre os dois países. O glifosato, levado pelo vento, causou danos irreparáveis ao meio ambiente equatoriano.

§ FARC

As FARC são o braço Latino americano do Terrorismo Internacional. Numa conjunção fatal ela congrega: a cocaína dos narcoterroristas e o socialismo, representado pelos presidentes Hugo Chávez, Rafael Corrêa e Evo Morales. Estes governos populistas apóiam o grupo guerrilheiro, rezam pela rota e ultrapassada cartilha de Fidel Castro e contam com a simpatia servil do presidente brasileiro.

§ DIPLOMACIA BRASILEIRA

O assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia afirmou: “Acho que nós vamos mobilizar toda a força da diplomacia brasileira e de outras capitais sul-americanas para reduzir ao máximo a tensão e procurar encontrar uma solução duradoura para esse problema". Uma declaração inócua, cautelosa e por que não dizer tíbia, mostrando mais uma vez, o quanto o governo brasileiro é omisso em questões internacionais. Estaria a diplomacia brasileira, mais uma vez, com medo de contrariar os governos ‘companheiros’ sem atentar para a real necessidade de se posicionar claramente frente ao problema?

A diplomacia brasileira tem conhecimento de que a Venezuela e o Equador dão abrigo às forças guerrilheiras em seus territórios e, em conseqüência, estariam vulneráveis a esse tipo de ação por parte do governo colombiano. Chávez e Correa protestam tentando desviar a atenção internacional deste fato. O governo colombiano decidiu apenas adotar uma postura mais dura contra a guerrilha, já que seus vizinhos são coniventes com ela. A zona de fronteira entre os três países se estende por milhares de quilômetros e nenhum deles possui capacidade logística e força armada capaz de uma operação militar duradoura em plena selva tropical sem objetivo político definido. Na verdade Chávez está usando este incidente para tentar recuperar seu espaço político, tendo em vista as derrotas políticas sofridas no ano passado.

O governo brasileiro precisa liderar o movimento diplomático latino-americano visando a um processo de mediação e repudiar este acoitamento de facínoras colombianos pelos países vizinhos. O Brasil, na década de 90, deu uma resposta contundente quando os guerrilheiros das FARC invadiram o nosso território, atacaram a guarnição do rio Traíra, mataram três soldados brasileiros, feriram nove, roubaram 17 fuzis e se refugiaram na selva colombiana. Os militares brasileiros agiram rapidamente e os guerrilheiros foram emboscados, dizimados e o armamento recuperado. Não fez, à época, como a Venezuela e a Colômbia, não tolerou a presença dos guerrilheiros em seu território. Infelizmente os ‘tempos companheiros’ são outros e os bandoleiros das FARC têm sido recebidos, no Brasil, em eventos políticos como se autoridades fossem.


Coronel de engenharia Hiram Reis e Silva
(professor do Colégio militar de Porto Alegre)
http://www.amazoniaenossaselva.com.br/
E-mail: hiramrs@terra.com.br

segunda-feira, 3 de março de 2008

Chávez manda tropas para fronteira com a Colômbia e fecha embaixada

Julio Cruz Neto*
Repórter da Agência Brasil


Brasília - Venezuela e Equador reagiram duramente à operação militar que resultou na morte do porta-voz e número 2 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes, além de outros guerrilheiros. A operação do governo colombiano ocorreu ontem do lado equatoriano da fronteira, segundo o governo do Equador.
O presidente de Venezuela, Hugo Chávez, ordenou o envio de tropas para a fronteira com a Colômbia e o fechamento da embaixada venezuelana en Bogotá. Ele disse ter falado sobre o assunto com seu o presidente do Equador, Rafael Correa, que chamou de volta o embaixador Francisco Suescum e acusou a Colômbia de violação de soberania.
Correa disse que os militares colombianos adentraram por dois quilômetros no território equatoriano e "massacraram" guerrilheiros enquanto dormiam. Ele enviou nota de protesto às autoridades da Colômbia e disse que "se acabaram os abusos e ultrajes do governo colombiano".
Na manhã de sábado, o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, havia telefonado para Correa para comunicá-lo sobre a operação, que já havia ocorrido. Correa mandou suas tropas ao local e teve a comprovação de que as mortes ocorreram em território equatoriano (na província Sucumbíos).
Correa, segundo o site do governo equatoriano, sustenta que "claramente se invadiu o espaço aéreo equatoriano" (teria havido um bombardeio aéreo) e "certamente" os guerrilheiros "foram localizados con ajuda de tecnologia de ponta de potências estrangeiras e extrarregionais".
O presidente disse também que os militares colombianos entraram no Equador para levar o cadáver de Raúl Reyes e deixaram outros 15 corpos no local, "que nossas Forças Armadas encontraram, assim como duas guerrilheiras feridas.

*Com informações da agência argentina Telam

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Hugo Chávez - Versão grotesca de Simon Bolívar ou um novo Fidel?

O Artigo 14, da ‘Constituição da República Bolivariana da Venezuela’, enuncia que: a lei estabelecerá um regime jurídico especial para aqueles territórios que por livre determinação de seus habitantes e com o aval da Assembléia Nacional, se incorporem à República.

Pelo Artigo 14, poder-se-ia criar, caso as populações locais assim o decidissem por voto, a Grã-República Bolivariana, uma versão atualizada da antiga Grã-Colômbia, efêmera realização unitária de Simón Bolívar. A Grã-República idealizada por Chávez, agora, prevê a reintegração da Colômbia, Venezuela, Equador, Panamá e possivelmente, a Bolívia.

Com essa colocação posta em foco podemos entender uma série de atitudes quixotescas que o presidente Venezuelano vem arquitetando como se fossem meros arroubos caudilhescos. Atitudes essas que vem ganhando simpatia de alguns mandatários populistas.

COLÔMBIA

Após ter saído fortalecido no episódio em que foram libertadas as reféns Clara Rojas e Consuelo González de Perdomo, pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o presidente Hugo Chávez conseguiu um objetivo maior que foi o de mostrar, ao mundo, as FARC como um exército que ocupa uma região da Colômbia, com comando central e um ideal político revolucionário.

A relação entre Álvaro Uribe e Chávez saiu extremamente estremecida neste evento. Uribe afirmou que a Colômbia precisa de quem sirva de mediador com os terroristas, mas não de quem utilize a mediação para dar legitimidade ao terrorismo. Chávez afirmou, por sua vez, que não é possível a reconciliação com a Colômbia enquanto Uribe for presidente, acrescentando que espera que não o seja por muito tempo.

O presidente da Colômbia rebateu as críticas de Chávez acusando-o de Expansionista e de ter um projeto para criar um Império Venezuelano.

BOLÍVIA

O ‘Movimiento Nación Camba de Liberación’ tem um caráter nitidamente separatista, e seu objetivo é formar outro Estado, integrado pelos departamentos da "Media-Luna", formada pelos quatro Estados mais ricos do país: Santa Cruz de la Sierra, Tarija, Beni e Pando. Nessa região se encontram grandes jazidas de gás, petróleo e grande potencial agropecuário e industrial, que a convertem não só na mais rica região da Bolívia, mas em uma das de maior potencial da América Latina.

Angel Sandoval, um dos lideres do movimento declarou: "Nós temos uma cultura própria, somos uma nação. O problema é que nem os da ‘Nação Colla’, nem os da ‘Nação Camba’ se sentem representados pelo Estado boliviano. Nossa divisão é natural. A própria geografia nos divide ..."

A Venezuela tem uma participação cada vez maior em assuntos internos da Bolívia, desde que se iniciaram os projetos de nacionalização. Morales teme uma insurgência separatista e vem reequipando sua Forças Armadas, bem como estreitando os acordos de cooperação militar com a Venezuela.

O acordo possibilita uma interferência venezuelana no caso de algum problema interno que coloque em risco as instituições. Além da necessidade política de Morales se aproximar de Chávez, a já delicada economia boliviana enfraqueceu ainda mais depois dos processos de nacionalização em conseqüência da queda vertiginosa do investimento externo. Para tentar manter equilibrada a economia, e a capacidade técnica de operar os campos de petróleo e gás natural nacionalizados, Morales depende não só de tecnologia venezuelana, mas também de generosas injeções de dinheiro.

EQUADOR

O presidente Rafael Correa pretende, como bom discípulo de Chávez, colocar sob seu controle, os três poderes da República, estatizar a economia, manter sob controle os meios de comunicação e criar um regime socialista ‘moderno’, com a mesma retórica sutil e dúbia criada por Chávez para estabelecer a sua própria ditadura. Correa acredita piamente nisso, a ponto de afirmar, textualmente: “Creio que a América do Sul, em geral, se encaminha para o socialismo do Século XXI.”

GUIANA

Guiana Essequiba ou ‘Zona en Reclamación’ é a região do Planalto das Guianas, compreendida entre o rio Cuyuni e o rio Essequibo (159.500 km²), representando aproximadamente 66% do território da República Cooperativa da Guiana e reenvidicado pela Venezuela.

O Laudo Arbitral de Paris, no ano de 1899, concluiu com a cessão do território a oeste do rio Essequibo à Inglaterra. Entretanto, como a Venezuela não estava representada oficialmente, já que seus dois representantes haviam sido nomeados pelos Estados Unidos e não representavam, por isso, o estado venezuelano, esta declarou a nulidade do tratado. Outras tentativas de acordos ocorreram mas nenhuma levada a bom termo.

O artigo 10 da atual Constituição Venezuelana declara que "o território e demais espaços geográficos da República são os que correspondiam à Capitania Geral da Venezuela antes da transformação política iniciada em 19 de abril de 1810, com as modificações resultantes de tratados e laudos arbitrais não viciados de nulidade.

CONCLUSÃO

A postura de Chávez em nada lembra a figura do grande líder Bolívar, certamente o mais lúcido protagonista da Nova América, um ideólogo e um apaixonado libertador. Os ideais do, então, jovem Bolívar foram forjados em Cádis, Espanha, quando começou a freqüentar a Loja Maçônica ‘Lautaro’, onde os ‘irmãos maçons’ preconizavam as idéias de liberdade e a necessidade de lutar contra a opressão e a possibilidade de converter em Repúblicas às colônias espanholas da América. Após realizar o juramento sagrado, no Monte Sacro, em agosto de 1805, Bolívar passa os próximos vinte anos de sua vida dedicando-se de corpo e alma ao cumprimento das metas preconizadas pelos ‘irmãos de Lautaro’. Todo o seu esforço e todo seu ideário se resumia em que "o novo mundo deve estar constituído por nações livres e independentes, unidas entre si por um corpo de leis em comum que regulem seus relacionamentos externos".

Chávez e Fidel, por sua vez, embora possuindo trajetórias totalmente diferentes, procuram encarnar, segundo eles, valores e ideais que vão de encontro às aspirações permanentes do homem. Ambos recusam o projeto de globalização neoliberal e reivindicam para os seus povos o direito de construírem um futuro sem tutelas. Infelizmente as ações contrariam a retórica. Na Venezuela a Suprema Corte é totalmente subordinada ao presidente, que a dissolve quando reage aos seus interesses e empossa uma nova, com todos os membros indicados por ele. A grande diferença, porém, entre os controvertidos líderes é que Chávez é dono de 7,5% das reservas conhecidas de petróleo que alavancam sua economia e lhe permitem financiar diversos programas sociais para 80% de sua população que vive abaixo da linha de pobreza. Em contrapartida esses recursos também servem para montar a mais formidável máquina de guerra latino-americana e o tornam um motivo constante de preocupação para a harmonia dos países sul-americanos e do mundo.

Hiram Reis e Silva
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E-mail: hiramrs@terra.com.br

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Equador recebe o canto do Ilê Aiyê no Carnaval



(28/01/2008 - 08:41)

O Grupo Ilê Aiyê, primeiro bloco afro da Bahia, tocará no Carnaval do Equador deste ano. O evento é um presente do Brasil, pedido pelo Presidente do Equador, Rafael Correa, por ocasião da visita do Ministro da Cultura, Gilberto Gil em novembro do ano passado. A Fundação Cultural Palmares (FCP), vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), foi encarregada de levar o grupo, que se apresentará em três cidades do país. O Presidente da República do Equador, Rafael Correa e o Ministro da Cultura do Equador, Antonio Preciado estarão presentes no evento.

O Ilê Aiyê fará sua primeira apresentação no dia 31 de janeiro, em Quito, capital do Equador, no Centro Cultural Itchímbia, com a presença do Ministro da Cultura Antonio Preciado. No dia 2 de fevereiro, o Presidente Rafael Correa assistirá a apresentação do grupo em Ambato, cidade que tem a tradicional Fiesta de las Flores y las Frutas durante o Carnaval. Na manhã do dia 3, haverá, ainda em Ambato, uma caminhada cultural com o grupo pela cidade. Nos dias 4 e 5, o Ilê encerra suas apresentações na cidade de Esmeraldas, onde se concentra a maior parte da população negra do Equador.

Essa atividade faz parte do Programa Executivo Cultural do Acordo de Cooperação Cultural e Educacional estabelecido entre Brasil e Equador para o período 2007-2010. O programa, assinado pelo MinC, prevê, entre outras ações, a produção de mecanismos de intercâmbio no âmbito das culturas afrodescendentes. Nesse ponto, a FCP entra com o Programa Intercâmbios Afro-Latinos, que busca a integração e a troca de experiências culturais entre as comunidades negras de todos os países latino-americanos.

Para o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, a presença do Ilê Aiyê torna a atividade mais importante ainda. "O Ilê é, sem dúvida, a maior referência da cultura negra brasileira, conseguindo unir o talento, a criatividade, o canto, a música, o toque com a luta pela cidadania", afirmou Zulu. O presidente da FCP estará também no Equador e dará uma palestra sobre a Fundação em Esmeraldas, no dia 4 de fevereiro.

O Conselheiro para assuntos consulares da Embaixada do Equador no Brasil, Hernán Yanez, felicitou a iniciativa dos Ministérios da Cultura do Brasil e do Equador. "A Embaixada considera que essa visita contribuirá para o estreitamento das relações entre os dois países, além de representar um intercâmbio cultural de grande valor não só para os povos de origem africana, mas para toda a sociedade", disse ele.

Essa atividade é a terceira ação do Programa Intercâmbios Afro-Latinos, que se iniciou em julho com o I Seminário de Intercâmbios Afro-Latinos, em Salvador e no Rio de Janeiro, envolvendo Colômbia e Peru. A segunda atividade ocorreu em dezembro, quando o Grupo Quilombo, da Colômbia, se apresentou em Salvador, Bahia. "O Programa Intercâmbios Afro-Latinos é inovador, pois é a primeira vez que se busca articular todas as comunidades negras da América Latina em torno das manifestações culturais mais diversas", ressaltou Zulu.

Ilê Aiyê

O Ilê Aiyê é o primeiro bloco afro da Bahia, e começou sua história em 1974, no bairro Curuzu-Liberdade, em Salvador. A música, a riqueza plástica e sonora do grupo revolucionaram o carnaval baiano, valorizando e expandindo a cultura afro-brasileira.

Desde que foi fundado, no bairro de maior população negra do páis, o Ilê Aiyê vem homenageando os países africanos e as revoltas negras do Brasil. Com três mil associados, o grupo é hoje um patrimônio da cultura baiana.

Angola, Benin, Martinica, Estados Unidos, Alemanha, Dinamarca, Paris, Espanha, Holanda, Inglaterra, Itália, Suíça e Bélgica são países que já viram e ouviram o canto do Ilê Aiyê. Equador será o primeiro país da América Latina a receber a visita do grupo brasileiro.

Saiba mais sobre o Ilê Aiyê no link:

http://www.ileaiye.org.br

Marília Matias de Oliveira FCP/MinC