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sexta-feira, 30 de maio de 2008

Minc defende agenda positiva para sustentabilidade da Amazônia


Min.Carlos Minc durante Reuniao do Fórum de Governadores da Amazönia Legal. Foto:Jefferson Rudy/MMA


30/05/2008

Gisele Teixeira

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse nesta sexta-feira (30), em Belém (PA), que quer trabalhar em conjunto com todos os governadores e prefeitos da Amazônia Legal, independentemente de partido. "As medidas do governo federal para a região sempre foram e sempre serão discutidas com todos, sem exceção, mas as boas notícias são apenas para aqueles que querem atuar na legalidade", afirmou, durante a abertura da primeira reunião do Fórum de Governadores da Amazônia Legal, na capital paraense.

Minc esclareceu que a Resolução 3545/08, do Conselho Monetário Nacional, está mantida e começa a valer em 1º de julho. A norma determina a inclusão de critérios ambientais para a contratação de crédito da safra 2008/2009 no bioma Amazônia. "As pessoas terão que se regularizar e, com a estiagem que vem agora, a gente não pode dar crédito para desmatar", afirmou.

O problema é que alguns municípios possuem propriedades localizadas no bioma Amazônico e também propriedades em zonas de transição para o Cerrado. Para eliminar dúvidas, especialmente dos bancos na hora de concessão de financiamento, Minc assinou nesta sexta-feira (30) uma portaria, cujo texto define que caberá aos órgãos ambientais, com base em dados do IBGE, comprovar a localização das áreas que não se incluem na abrangência da resolução. "Não é uma flexibilização, é um esclarecimento para não punir aqueles que estão fora do bioma", disse Minc.

O ministro destacou uma série de medidas tomadas recentemente pelo governo e que reforçam uma agenda positiva capaz de garantir a sustentabilidade da Amazônia e o desenvolvimento social e econômico de suas populações. Entre elas, o apoio aos produtores que querem trabalhar na legalidade. Segundo Minc, o MMA vai garantir 30% dos recursos para regularização ambiental e cerca de R$ 1 bilhão para recompor as reservas legais na Amazônia (os 80% de uma propriedade que, por lei, precisam ser preservados na região).

Além disso, Minc lembrou que o MMA já assegurou a doação dos primeiros US$ 100 milhões, por parte do governo da Noruega, para composição do Fundo de Proteção e Conservação da Amazônia Brasileira. O valor, anunciado esta semana, na Alemanha, durante a Convenção da Biodiversidade (COP-9), irá transformar a redução das emissões por desmatamento em um sistema de financiamento da conservação e uso sustentável da floresta e demonstrar a viabilidade do mecanismo de incentivos positivos, em discussão na Convenção de Mudanças do Clima. Outro apoio importante, também anunciado esta semana na Alemanha e lembrado pelo ministro durante seu discurso, foi a doação de 10 milhões de euros, pelo governo alemão, para a segunda fase do programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), o maior programa de conservação de florestas tropicais do mundo.

Além disso, o governo brasileiro anunciou esta semana o apoio à comercialização de produtos do extrativismo com a inclusão desses produtos na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) do governo federal, permitindo a equalização dos preços dos produtos extrativistas e a realização de leilões específicos para o seu escoamento. Minc adiantou, por fim, que o governo estuda a criação de um Plano Nacional de Combate a Incêndios e Queimadas, junto com os estados, e acrescentou que já está acelerando a elaboração do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), para que todos os estados tenham seus mapas prontos até 2009. Todas essas ações, segundo o ministro, mostram que o MMA será sempre um grande aliado dos governadores e dará todo o apoio para quem quer trabalhar na legalidade. "Para quem não quer, Polícia Federal", completou.

O 1º Fórum de Governadores da Amazônia Legal tem o objetivo de discutir propostas comuns de desenvolvimento sustentável a serem implementadas pelos nove estados que compõem a região (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins). As prioridades apresentadas durante o encontro foram reunidas em um documento chamado Carta de Belém, entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.




Gerusa Barbosa
Assessoria de Comunicação
Ministério do Meio Ambiente
+55 61 3317-1227/1165
Fax:+55 61 3317-1997

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Desmatamento da Amazônia é tema de seminário em Belém

Nesta terça e quarta (6 e 7), encontro reúne representantes de setores governamentais, instituições de pesquisa e da sociedade civil

Fomentar a interlocução entre diferentes atores sociais interessados em combater a devastação da floresta amazônica e sistematizar recomendações aos tomadores de decisão estão entre os principais objetivos do seminário “Desmatamento da Amazônia: um diálogo necessário. É possível?”, que será realizado nos dias 6 e 7 de maio, em Belém.

Promovido pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em parceria com o Governo do Estado, por meio do Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp), o evento reunirá gestores públicos, pesquisadores, representantes do setor empresarial e de organizações não-governamentais em torno da discussão que se tornou um desafio de interesse mundial.
De acordo com Ima Vieira, diretora do museu, o seminário ajudará a sociedade a conhecer os pontos de vista, muitas vezes divergentes, de cada um desses setores, entendendo também as alternativas apontadas por eles para a superação do problema. “Os órgãos governamentais estão tomando ações efetivas de combate e controle às ações de desmatamento. Por sua vez, o setor privado reclama que estas medidas afetam a economia, enquanto as ONGs divulgam estudos de desmatamento e monitoramento que contradizem os dados de institutos públicos de pesquisa. Com isso, a sociedade está confusa e precisa entender o discurso utilizado em cada setor”, explicou.
O presidente do Idesp, Peter Toledo, ressalta que as discussões serão incrementadas pela presença da academia, que ajudará os participantes a fazerem uma leitura do processo de ocupação da Amazônia. “Em 1992, o evento ‘Sindamazônia’, realizado pelo Governo do Pará, já tratava a questão do desmatamento. Agora, temos a oportunidade de reunir boa parte das pessoas que participaram daquela discussão e fazer um balanço dos desafios que se arrastam desde as décadas anteriores e os avanços conquistados em uma região que demonstra um grande dinamismo em termos de desenvolvimento socioeconômico”.

Para as discussões sobre estudos, políticas públicas, desempenho do mercado e da mobilização social estarão presentes pesquisadores de instituições de ensino e pesquisa com importantes contribuições para a região, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e as universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Pará (UFPA), a Embrapa Amazônia Oriental e o Museu Goeldi. Também participarão movimentos sociais e organizações não-governamentais de reconhecido engajamento na área socioambiental, como o Greenpeace, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Associação Amigos da Terra, a Conservação Internacional (CI-Brasil) e os institutos de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O setor empresarial será representado pela Associação das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Pará (Aimex) e pela Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa).
Entre os gestores públicos, estarão a Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Sema) e o Instituto de Florestas do Pará (Ideflor), a Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso e o Ministério do Meio Ambiente (MMA).
O seminário será realizado no auditório do campus de pesquisa do Museu Goeldi e conta com o apoio da Rede Temática em Pesquisa de Modelagem Ambiental da Amazônia (Geoma). As inscrições são gratuitas e serão realizadas na abertura do evento.
Desmatamento - Um dos mais recentes estudos do Inpe demonstrou que, entre os meses de agosto e dezembro de 2007, o desmatamento na região amazônica foi de 3,2 mil quilômetros quadrados, uma área duas vezes maior que a cidade de São Paulo. O estado do Pará foi o segundo que mais contribuiu com esses números, atrás apenas do Mato Grosso.
Aliada à derrubada indiscriminada da floresta está uma série de outros problemas cruciais, como a perda da biodiversidade, a influência sobre ciclo hidrológico regional e a exploração de trabalhadores e populações locais. Para enfrentar o problema, uma das frentes de atuação do Governo Federal tem se dado com a operação “Arco de Fogo”, desencadeada em fevereiro deste ano, a fim de combater a extração e venda clandestina de madeira.
Além do Pará, onde a operação conta com o apoio do Governo do Estado, as ações alcançam também os estados do Mato Grosso e Rondônia. Até o início deste mês, já foram aplicados R$ 31,3 milhões em multas e apreendidos 25,8 mil m³ de madeira serrada e em tora nesses três estados.

Serviço

Seminário“Desmatamento da Amazônia: um diálogo necessário. É possível?”
Data: 6 e 7 de maio de 2008.
Hora: 8h30 às 18h.
Local: Auditório do campus de pesquisa do Museu Emílio Goeldi
(Av. Perimetral, s/n – Belém / PA)
Inscrições: na abertura do evento

Ex-Libris Comunicação Integrada
Célia Moreno