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quinta-feira, 5 de junho de 2008

Criação de 2,6 milhões de hectares de áreas protegidas na Amazônia celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente

Para o WWF-Brasil, apesar ser uma ótima notícia, ainda há muito a ser feito

Confirmando boa parte das expectativas geradas a partir da sinalização do ministro Carlos Minc durante a 9ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, em Bonn (Alemanha), onde foi para noticiar o lançamento da segunda fase do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), o governo federal anunciou hoje, 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, a criação de três novas unidades de conservação: duas localizadas no Amazonas (Parque Nacional do Mapinguari e Reserva Extrativista do Ituxi) e uma no Pará (Reservas Extrativistas do Médio Xingu).

O anuncio dos 2.653.203 hectares de novas áreas protegidas foi feito pelo presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a solenidade comemorativa, realizada no Palácio do Planalto.

Segundo Denise Hamú, secretaria-geral do WWF-Brasil, somado à criação das outras quatro unidades de conservação no Amazonas - que correspondem a aproximadamente outros 3,2 milhões de hectares divulgados em maio, ainda durante a gestão da Marina Silva - o resultado do anúncio de hoje expressa uma relevante melhora no nível de comprometimento do governo federal em relação à conservação ambiental, especialmente no que tange à prevenção de impactos causados pela possível reconstrução da rodovia Porto Velho-Manais (BR-319). "Não só pelo significado desse passo em si, mas também pela contribuição às políticas de conservação da diversidade biológica, na manutenção de serviços ambientais e na redução do desmatamento, além de contribuir para promoção da segurança e melhoria de qualidade de vida das populações que residem essas localidades, dentro de um quadro do desenvolvimento sustentável que buscamos para a Amazônia", declarou Hamú.

Áreas como a Resex do Médio Xingu, localizada no Município de São Felix do Xingu (PA) e habitada por aproximadamente 50 famílias, sofrem, por exemplo, diversas ameaças de grileiros e madeireiros que derrubam castanhais e preparam-se para vender as terras, agindo, inclusive com violência contra os moradores os quais dependem dos recursos naturais e da área para sobreviver.

Além disso, esse local tem importância estratégica na consolidação do mosaico de áreas protegidas da Terra do Meio. Quadro semelhante caracteriza a Resex do Rio Ituxi, localizada no município de Lábrea (AM) e cujo movimento para a criação foi iniciado há seis anos. Enquanto aguardava uma resposta do governo, a comunidade local desempenhava papel ativo na conservação, fazendo frente a invasões de pesqueiros, grileiros, garimpeiros, madeireiros e pescadores de quelônios, sofrendo, inclusive, ameaças de morte.

"Essas são exemplos de atividades ilegais, muitas vezes criminosas, que tem ameaçado essas regiões e as pessoas que as habitam e que a criação dessas unidades de conservação ajudarão a combater", destacou Denise, explicando também que é a importância da conservação da natureza, da manutenção da segurança e da promoção do desenvolvimento sustentável nessas áreas, que motivou o WWF-Brasil a se envolver diretamente.

Envolvimento este que perpassa tanto pelo apoio aos estudos que geraram a criação das Resexs do Rio Ituxi e Médio Purus, quanto pelo apoio à realização dos procedimentos de justificativa e aprovação para a criação do mosaico da Terra do Meio, com o qual agora colabora para sua implementação. Contribuição significativa também desempenha o Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) com o suporte financeiro e operacional a todas as ações de gestão de unidades de conservação, por ele eleitas, que vão desde os estudos para sua criação, até sua implementação e manutenção em longo prazo.

A secretária-geral mantém também o alerta, que vem sendo anunciado pelo WWF-Brasil desde o final do ano passado, de que ainda é grande e preocupante o número de importantes áreas que já foram aprovadas pelo Ministério do Meio Ambiente, mas permanecem sob análise de outros setores do governo ou paradas na Casa Civil.

Para Denise, especialmente devido o alarmente reflexo socioeconômico e ambiental que caracterizam essas áreas, as medidas para mudar esse quadro precisam ser mais ágeis e encaradas como prioritárias. Existem terras, que ocupam regiões em que há expectativa da criação de unidades de conservação federais de uso sustentável. São localidades caracterizadas por graves situações de conflitos ligados à questão fundiária e ao uso de recursos naturais que ameaçam, inclusive, a vida de populações tradicionais que as ocupam.

Há também várias propostas de criação de unidades de conservação de proteção integral e processos com intervenções não muito claras. São dificuldades e morosidades que colocam em risco importantes patrimônios ecológicos, de grande diversidade biológica.

"Situação preocupante, sobretudo nesses tempos de mudanças climáticas e tendo as unidades de conservação papel importante no combate ao desmatamento. Apesar de o anúncio de hoje ser extremamente positivo, tudo isso mostra que é preciso acelerar o fluxo de decretação de áreas protegidas, especialmente em regiões onde as pressões contra a conservação tendem a se intensificar", explicou. Entre as três novas unidades de conservação, a Reserva Extrativista do Ituxi, do Médio Xingu já tinham seus estudos e processos de criação apoiados pelo Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa).

Somadas às unidades criadas e ampliadas em maio, a extensão de novas áreas protegidas no Brasil chega à 5.821.489 de hectares, ou seja, quase cinco milhões de campos de futebol. Dois representantes da Resex Rio Xingu, Lauro Freitas Lopes e o presidente da Associação dos Moradores, Herculano Costa Silva, estiveram presentes na solenidade, onde comemoraram a conquista que representa a possibilidade de regularização fundiária da região, beneficiando cerca de 60 famílias que vivem atualmente em clima de total insegurança.

Herculano, que em março e maio esteve em Brasília para pedir proteção policial e cobrar do governo federal a criação da Reserva Extrativista do Médio Xingu, sentou-se no podium junto às autoridades após cumprimentar ministros e o presidente Lula. "Demorou, mas saiu e nova vida nasce no mosaico Terra do Meio. Só faltava essa reserva extrativista para completá-lo. Essa criação representa um grande passo para combatermos as ameaças contra a natureza e as pessoas nas terras de lá. Peço agora apoio do senhor presidente, no sentido de garantir minha segurança para que possa voltar para minha família", declarou Herculano, durante a cerimônia.

Outras medidas importantes também foram anunciadas, entre elas o envio da mensagem ao Congresso Nacional do projeto de lei que institui a Política Nacional sobre Mudanças do Clima, a criação do grupo de trabalho para gerir o Fundo para Proteção e Conservação da Amazônia e a renovação da interdição de comercialização do Mogno por mais dez ou 20 anos.

Áreas protegidas mobilizam soluções
Para o WWF-Brasil, as áreas protegidas têm se mostrado um instrumento de sucesso para promover o ordenamento territorial, rebatendo o crescimento não planejado - prática comum especialmente na Amazônia brasileira que tem gerado vários problemas, inclusive de criminalidades associadas - e também para proteger o pouco que resta da Mata Atlântica, resistir o processo avassalador de destruição do Cerrado e aumentar a representatividade da conservação no Pantanal, na Zona Costeira e na Caatinga.

Experiências em andamento mostram que o estabelecimento das potencialidades e restrições de uso e ocupação promovidas pela criação e implementação das unidades de conservação tem colaborado com definições fundiárias e de dominialidade, além de representar unidades ativas para a promoção do desenvolvimento sustentável nas regiões onde são implementadas. Um estudo, realizado em parceria entre o WWF-Brasil, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), pesquisadores da Universidade de Minas Gerais (UFMG) e outros parceiros, avaliou a contribuição do Programa Arpa na redução das emissões de carbono, oriundas de desmatamento.

Os resultados mostraram, utilizando-se dados das taxas históricas entre 1997 e 2007, que cerca de 50% das florestas remanescentes da Amazônia se encontram sobre alguma designação de área protegida no seu sentido amplo. Desse total, 16,8% recebem apoio do Programa Arpa. Hoje as áreas protegidas da Amazônia detêm cerca de 50% do estoque de carbono florestal do domínio. Segundo o estudo, as 61 áreas protegidas apoiadas pelo programa estão preservando um estoque de carbono florestal da ordem de 4,6 bilhões de toneladas de carbono (18% do estoque total protegido na Amazônia). Trata-se de um volume equivalente ao dobro do esforço de redução de emissões do primeiro período de compromisso do Protocolo de Quioto, na hipótese de sua efetiva implementação. Talvez de maior destaque são as conclusões no sentido de que, somente considerando as 61 unidades de conservação apoiadas pelo Arpa até o final de 2007, projeta-se uma redução de emissões de carbono em cerca de 1,1 bilhão de toneladas até 2050. Foi detectado efeito positivo na redução do desmatamento no entorno das unidades de conservação (e provável não deslocamento dessa degradação para outro local em termos líquidos), com potencial de redução de emissões significativamente maior.

Além disso, apesar de apenas por curto período, as unidades de conservação de uso sustentável com sua implementação apoiada pelo Arpa já demonstram maior eficiência na resistência ao desmatamento com relação àquelas não apoiadas pelo Arpa.

WWF-Brasil
comunicacao@wwf.org.br

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Minc sinaliza criação de novas áreas protegidas em reunião com doadores do Arpa

Bonn (Alemanha) - O primeiro compromisso do Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, ao chegar hoje, quinta-feira, 29 de maio, na 9ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, em Bonn (Alemanha), foi uma reunião com os doadores do Arpa (Programa de Áreas Protegidas da Amazônia).

No encontro Minc confirmou a continuidade do programa na sua agenda de governo e sinalizou a criação de novas unidades de conservação na Amazônia no próximo Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho. "Fiz questão de vir a Bonn para dar boas notícias e reafirmar nosso compromisso com o Arpa e a ampliação da meta de criação de unidades de conservação de 50 para 60 milhões de hectares", afirmou Minc, no encontro realizado com representantes da Rede WWF, do Banco Mundial e do KfW (Banco de Cooperação Alemã) - principais doadores do Arpa.

O novo ministro também sinalizou a possível criação de quatro novas unidades de conservação no próximo dia 5 de junho. Segundo ele, na Amazônia serão criadas a Reserva Extrativista do Xingu, a Reserva Extrativista do Ituxi e o Parque Nacional do Mapingari, além de uma reserva extrativista no litoral da Bahia (Mata Atlântica).

Momentos antes da conversa, o Ministério do Meio Ambiente realizou evento paralelo para lançar oficialmente a segunda fase do Arpa. Com início previsto para janeiro de 2009, a próxima fase do programa deve criar 20 milhões de hectares em quatro anos, sendo 10 milhões em unidades de conservação de uso sustentável. Durante o evento o KfW já assinou contrato com o Funbio (Fundo Brasileiro de Biodiversidade) para a doação de 10 milhões de euros para fundo fiduciário de capitalização permanente do Arpa - o FAP (Fundo de Áreas Protegidas). "O WWF-Brasil, e outros membros da Rede WWF, assumem seu compromisso com o Arpa, atendendo o desejo da sociedade brasileira em atingir o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Ao mesmo tempo, oferecemos ao novo ministro brasileiro de Meio Ambiente, Carlos Minc, a oportunidade de reforçar o Arpa e conseguir novas doações para a implementação da segunda fase do programa", afirmou o presidente do Conselho Diretor do WWF-Brasil, Álvaro de Souza, presente na reunião que também contou com o diretor-geral do WWF Internacional, James Leape, e a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú.

A Rede WWF anunciou o seu comprometimento com o programa e sinalizou doação de US$ 30 milhões de dólares para a segunda fase do Arpa. A quantia, na sua maioria ainda por ser captada, será disposta da seguinte forma US$ 10 milhões de dólares para investimento direto nas atividades do programa, US$ 15 milhões de dólares para aplicação no FAP e US$ 5 milhões de dólares serão oferecidos em produtos e serviços desenvolvidos pelo WWF-Brasil, como estudos propondo áreas prioritárias a serem criadas para a conservação da Amazônia brasileira, realização de planos de manejo para a consolidação de unidades de conservação já criadas, atividades de capacitação e formação para o fortalecimento de equipes como os gestores de unidades de conservação, entre outras atividades.

Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, o Arpa é implementado em conjunto pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e sete governos estaduais da Amazônia brasileira - Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins. O apoio financeiro é dado pelo Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF), por meio do Banco Mundial, pelo KfW (Banco de Cooperação do Governo da Alemanha) e pela Rede WWF, por meio do WWF-Brasil.

Seus recursos são gerenciados pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). Além disso, existe uma cooperação técnica ao programa fornecida pelo WWF-Brasil e pela GTZ (Agência de Cooperação Técnica Alemã).

João Gonçalves,
assessor de comunicação do WWF-Brasil
+55 61 8175 3410
joao@wwf.org.br

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Carlos Minc lança segunda fase do Arpa na COP-9, na Alemanha

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, lançará nesta quinta-feira (29), em Bonn, na Alemanha, durante a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), a segunda fase do programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), o maior programa de conservação de florestas tropicais do mundo.

Durante jantar com o ministro alemão do Meio Ambiente, e da vice-ministra de Economia, Cooperação e Desenvolvimento, além de representantes da CDB e de instituições parceiras do Programa Arpa, Carlos Minc vai compartilhar os resultados já alcançados e anunciar o lançamento da segunda fase.

Em um side event na COP-9, haverá apresentação técnica e os próximos resultados do Arpa. Instituições parceiras do Arpa já confirmaram compromissos na ordem de US$ 105 milhões para a segunda fase (2009-2012). Os compromissos financeiros de doação são oriundos do GEF (30 milhões), KfW (45 milhões), e Rede WWF (30 milhões).

A contrapartida governamental para a segunda fase do Arpa é de 25 milhões de dólares.A segunda fase do Programa Arpa tem meta de criação de 20 milhões de hectares de novas áreas protegidas na Amazônia num período de quatro anos: 10 milhões de hectares de proteção integral e 10 milhões de hectares de uso sustentável. A meta de criação de novas áreas foi ampliada em 10 milhões de hectares.

As metas totais do Arpa passam de 50 para 60 milhões de hectares de unidades de conservação na Amazônia até 2012. O Programa Arpa é fruto do compromisso brasileiro de conservar uma amostra ecologicamente representativa de todo o patrimônio genético amazônico, por meio da expansão e consolidação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (Snuc).

Dessa forma, o Brasil e seus parceiros contribuem de forma significativa para os objetivos da Convenção sobre a Diversidade Biológica, particularmente em relação ao seu Programa de Trabalho sobre Áreas Protegidas (instrumento internacional mais importante sobre o tema, Decisão CBD VII/28 ).

Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, o Arpa é implementado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pelos órgãos estaduais de meio ambiente de sete estados da Amazônia (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins), sendo que a execução financeira de recursos de doação realizada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).

O Arpa conta com apoio financeiro do Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF) por meio do Banco Mundial, do KfW (Banco de Cooperação do governo da Alemanha) e da Rede WWF, por meio do WWF-Brasil, além da cooperação e colaboração técnicas da GTZ (Agência de Cooperação Técnica Alemã) e do WWF-Brasil.

Resultados da Fase I (2003 a 2008) - A meta, de criar 18 milhões de hectares de novas unidades de conservação (UC) até 2006 foi ultrapassada. Foram criadas no âmbito do Arpa 22,5 milhões de hectares de novas unidades de conservação.

Atualmente, o programa Arpa beneficia 60 unidades de conservação estaduais e federais, englobando cerca de 31 milhões de hectares. O Arpa também apóia 20 estudos para a criação de novas áreas protegidas.

Entre as medidas que fazem a diferença positiva do Arpa está a perspectiva de apoio consistente para a manutenção das áreas protegidas por meio do Fundo de Áreas Protegidas (FAP). Criado em 2004, o FAP capitaliza recursos de diversas fontes nacionais e internacionais. Até o momento, o FAP possui cerca de US$ 17,9 milhões. Com o anúncio da doação do KfW de cerca de US$ 15 milhões (acordo a ser assinado no evento paralelo do Arpa na COP 9 da CDB) e US$ 6,5 milhões alocados pelo GEF, o FAP terá, ao final da primeira fase (2008), US$ 40,5 milhões.

Gerusa Barbosa
Assessoria de Comunicação
Ministério do Meio Ambiente
+55 61 3317-1227/1165
Fax:+55 61 3317-1997

segunda-feira, 26 de maio de 2008

WWF-Brasil discute áreas prioritárias de conservação na Amazônia na COP9 da CDB

A visão ecológica desenvolvida pelo WWF-Brasil, em conjunto com a Rede WWF, para definição de áreas prioritárias para todo o bioma amazônico, que abrange 6,7 milhões de quilômetros quadrados, em nove países - Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Suriname e Guianas - foi apresentada no evento paralelo "Áreas prioritárias para conservação no bioma amazônico: experiências e metodologias".

O estudo concluiu ser necessário que ao menos 30% de todos os ecossistemas terrestres e aquáticos amazônicos sejam conservados. Promovido pelo Arpa (Programa Áreas Protegidas da Amazônia)/Ministério do Meio Ambiente, o evento aconteceu na última sexta-feira, 23, em Bonn (Alemanha), durante a 9ª Conferência das Partes (COP9) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).

Com mediação do diretor de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Bráulio Dias, o evento paralelo contou com a participação do coordenador do Laboratório de Ecologia da Paisagem do WWF-Brasil, Sidney Rodrigues, e da pesquisadora do Instituto Emilio Goeldi, Ana Luisa Albernaz. "O bioma amazônico tem sistemas ecológicos muito diversos e complexos.

A definição de áreas prioritárias de conservação busca garantir uma representatividade de espécies para o futuro, de forma eficiente, ao longo do tempo", afirma Rodrigues, explicando que a visão ecológica é basicamente uma ferramenta de suporte para a tomada de decisão.

Segundo ele, o trabalho envolveu a compilação de dados disponíveis sobre o bioma, avaliação das áreas protegidas existentes e identificação de objetivos e metas de conservação. O estudo, feito em conjunto com representações da Rede WWF em outros países do bioma amazônico, concluiu que ao menos 30% de todos os ecossistemas terrestres e aquáticos amazônicos sejam conservados. "Só assim serão mantidas características do bioma, e teremos garantida a proteção de espécies, habitats, paisagens e processos ecológicos existentes na Amazônia", concluiu Rodrigues.

Efetividade de gestão - O WWF-Brasil também apoiou o Arpa na realização do evento paralelo "Avaliação da efetividade de gestão de áreas protegidas: metodologia, aplicação e resultados", realizado na sexta-feira, 23, durante a COP9 da CDB. No evento, que contou com a participação da técnica do Centro Mundial de Monitoramento da Conservação do Programa das Nações Unidas para Meio Ambiente (UNEP), Helena Pavese, e do diretor do Departamento de Articulação de Ações da Amazônia, Ronaldo Weigand, foram apresentadas diferentes experiências de avaliação de efetividade de gestão em áreas protegidas.

Entre elas a metodologia RAPPAM (Rapid Assessment and Priorization of Protected Area Management/ Avaliação Rápida e Priorização da Gestão de Unidades de Conservação), desenvolvida pela Rede WWF, que permite a avaliação rápida e priorização do manejo em unidades de conservação. Em parceria com o WWF-Brasil, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) aplicou a metodologia para avaliar 246 unidades de conservação federais. O processo, realizado entre 2005 e 2007, permitiu rever procedimentos inadequados e enxergar possíveis ajustes e avanços na gestão dessas áreas.

João Gonçalves
assessor de comunicação do WWF-Brasil
joao@wwf.org.br

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Brasil e Alemanha discutem preparativos para a COP-9 e biocombustíveis

Gisele Teixeira
Os preparativos para a 9ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-9), que acontecerá em Bonn, de 19 a 30 de maio, e a produção sustentável de biocombustíveis foram os principais assuntos da reunião entre o ministro do Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha, Sigmar Gabriel, e a ministra do Meio Ambiente do Brasil, Marina Silva. As duas autoridades mantiveram encontro na manhã desta segunda-feira, em Brasília, acompanhados de seus principais assessores. Foi o primeiro compromisso da agenda oficial de Sigmar Gabriel, que permanece no Brasil até a próxima-sexta-feira.
Durante a reunião, o ministro solicitou à Marina Silva que o Brasil ajude a Alemanha na força-tarefa para fazer avançar a negociação de um regime internacional sobre acesso e repartição de benefícios (ABS) durante a COP-9.
O Brasil preside a Conferência desde a COP-8, em Curitiba, em 2006. A partir de maio a Alemanha assumirá o posto pelos próximos dois anos. O regime é considerado contribuição fundamental para a implementação do terceiro objetivo da Convenção repartição de benefícios derivados do uso dos recursos genéticos. Temos apenas dois anos para fazer cumprir uma decisão tomada há 15 anos, destacou o ministro, defendendo que os países desenvolvidos paguem pelo uso dos recursos naturais utilizados.
A ministra Marina Silva disse que a adoção do regime é um dos principais instrumentos para conter o desmatamento no Brasil, por valorizar a floresta em pé. Ela destacou a importância das comunidades tradicionais e anunciou que o Brasil está transformando projetos-piloto nesta área em políticas públicas. Segundo a ministra, o Programa de Apoio às Comunidades Tradicionais, que tinha dotação inicial de US$ 200 milhões para os próximos 12 anos, deve contar agora com US$ 1,5 bilhão para o mesmo período.

A inclusão de critérios de sustentabilidade na produção de biocombustíveis também foi abordada pelos dois ministros. Sigmar Gabriel disse que a adoção de uma certificação, a exemplo do que já acontece para a madeira, seria uma forma de valorizar e diferenciar a produção sustentável, que não pressiona a floresta e não compete com a produção de alimentos. Nós já adotamos critérios ambientais e socialmente corretos de produção. O que temos de fazer é torná-los públicos para nossos parceiros, afirmou Marina.
Marina Silva destacou que o programa brasileiro de biocombustíveis é conseqüência de investimentos em tecnologia, e representa um esforço importante para as ações de mitigação das mudanças climáticas e de inclusão social. Ela ressaltou que o Brasil possui 300 milhões de hectares de área agricultável, mas que utiliza apenas 1% para a produção de biocombustível.
Não se pode enfrentar novos desafios com velhas práticas. Com a Embrapa e outras empresas, podemos dobrar nossa capacidade de produção sem derrubar uma árvore sequer, acrescentou.
O ministro alemão anunciou que, durante a visita da chanceler Angela Merkel ao Brasil, será assinado um acordo na área energética entre os dois países e negou que a alteração aplicada pela Alemanha na porcentagem de etanol brasileiro adicionado ao combustível fóssil alemão tenha sido uma restrição ao etanol nacional. Acordo entre os dois países prevê o acréscimo de 10% de etanol no combustível alemão. Isso ocorreu porque a frota dos veículos mais antigos da Alemanha, de fabricação francesa e italiana, não comporta essa mistura, explicou. Gabriel destacou, porém, que a previsão é que a Alemanha irá se enquadrar até 2020.

Há mais de 42 anos, Brasil e Alemanha atuam conjuntamente na área de cooperação para o desenvolvimento. Atualmente, a Alemanha é o segundo maior doador bilateral para cooperação com o Brasil, atrás do Japão. O governo alemão destaca-se por ser o maior doador do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG7), que vem financiando projetos na Amazônia e na Mata Atlântica, nos últimos doze anos.
Sigmar Gabriel irá cumprir uma extensa agenda na área ambiental no Brasil. Nesta segunda-feira, além de reunião com a equipe de secretários do Ministério do Meio Ambiente, ele manteve agenda no Itamaraty e visitou o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção à Amazônia (Censipam). A partir de terça-feira, o ministro segue para Santarém, Belém e São Paulo. Estão previstas visitas à Floresta Nacional do Tapajós e à Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, entre outros compromissos.
Gerusa Barbosa
Assessoria de Comunicação
Ministério do Meio Ambiente
+55 61 3317-1227/1165Fax:+55 61 3317-1997