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terça-feira, 14 de outubro de 2008

ACT faz protesto contra indústria do tabaco, que se reúne em encontro internacional no Rio de Janeiro

A Aliança de Controle do Tabagismo – ACT faz um protesto nesta quarta-feira, 15 de outubro, das 10h às 12h, em frente ao Hotel Intercontinental, em São Conrado. Lá, estará começando o Global Tobacco Networking Forum, a primeira reunião dos grandes fabricantes de tabaco na América Latina, que vai até sexta-feira.
Um dos patrocinadores deste fórum é a British American Tobacco, da qual a Souza Cruz é subsidiária. A concentração para o protesto será às 9:30, no canteiro gramado entre as avenidas Prefeito Mendes de Moraes e Aquarela do Brasil. Em frente ao hotel, será montado um cemitério com 200 cruzes, simbolizando as 200 mil mortes ocorridas no Brasil, por ano, por causa do tabagismo.
Pessoas estarão vestidas de morte e distribuirão material sobre a indústria, desmontando conceitos como o de boa cidadania corporativa. Haverá ainda esquetes de teatro e hip hop. A intenção da ACT é chamar a atenção para a atuação da indústria do tabaco, reconhecida tanto pela Organização Mundial da Saúde quanto pela Justiça norte-americana e européia por estar por trás da epidemia tabagista e que atua em conjunto e coordenadamente para enganar a opinião pública, governos, comunidade de saúde e consumidores.
“É uma indústria pautada pela falta de ética e pela ausência de compromisso com a vida e a saúde de fumantes e não- fumantes, que mentiu, enganou e, de forma conspiratória, fraudou todo o mundo”, explica Paula Johns, diretora-executiva da ACT.
Acontece Comunicação

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Jornalistas brasileiras ganham concurso interamericano sobre o problema do tabagismo

Quinta Edição do Prêmio de Jornalismo “Vital Air”

Fernanda D'Avila, repórter da Rádio Bandnews FM, foi eleita pelo júri, que destacou sua série de reportagens e entrevistas sobre prejuízos à saúde causados pelo tabagismo e as iniciativas de controle.

Lígia Formenti, de O Estado de S. Paulo, ganha menção especial

São Paulo, Brasil - A repórter Fernanda D´Avila, da Rádio Bandnews FM, de São Paulo, Brasil, foi a vencedora da Quinta Edição do Concurso InterAmericano de Jornalismo “Vital Air” sobre o Problema do Tabaco.

Este é um reconhecimento da Fundação InterAmericana do Coração à imprensa, que busca ressaltar a importância da cobertura jornalística para abordar esta epidemia, responsável pela morte de milhares de latino-americanos por dia.

Promovido pela Fundação InterAmericana do Coração, pela Organização Panamericana de Saúde, pela Framework Convention Alliance e pela Aliança de Controle do Tabagismo – ACT, é a segunda vez que o concurso inclui a participação do Brasil.

Foram avaliados os melhores trabalhos de jornalismo desenvolvidos sobre a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, o tratado internacional da Organização Mundial da Saúde, e temas relacionados, como a proibição da publicidade do tabaco, medidas de proteção para evitar a exposição ao tabagismo passivo, o controle do contrabando, as repercussões sanitárias e econômicas do consumo do tabaco, etc.

Para esta versão, participaram jornalistas de imprensa escrita, Internet, rádio e televisão, com matérias publicadas ou divulgadas entre 1º de janeiro de 2007 a 30 de junho de 2008

Fernanda D´Avila trabalhou durante seis anos na rádio Eldorado AM de São Paulo, na produção de jornais e na reportagem. Antes, na Eldorado FM, participou da produção de programas musicais e noticiários. Está na Rádio BandNews FM desde o início do projeto, em maio de 2005, onde atuou na produção e na coordenação do noticiário. Desde dezembro de 2007 apresenta os jornais nacionais da Rede BandNews FM no período vespertino. Em 2008, realizou duas séries de reportagens especiais sobre o tabagismo no Brasil, destacando as políticas de combate ao fumo no país e os tratamentos para a doença.

O júri responsável pela análise dos trabalhos foi formado por especialistas em controle do tabagismo, jornalismo e relações públicas. Participaram como jurados, para o Brasil, Tânia Cavalcanti, diretora do Programa Nacional de Controle do Tabagismo; Vera Luiza da Costa e Silva, consultora sênior da OMS; e Antônio Carlos da Cunha, editor do Jornal do Commercio. Outros jurados foram Pedro Garcia, do Chile; Yul Dorado, da Colômbia; Patricia Ayala, dos Estados Unidos; Eduardo Bianco, do Uruguai, Claudio Jehin, da Argentina; Gustavo Giraldo e Ricardo Córdova, do México; e Francis Thompson, do Canadá.

Os trabalhos foram apresentados por jornalistas da Argentina, Barbados, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Uruguai e Venezuela. Os jurados verificaram que os trabalhos cumpriram com todos os requisitos exigidos pela organização do concurso e decidiu por unanimidade outorgar os seguintes prêmios:

Prêmio Categoria Geral
Fernanda D'Avila, repórter da Rádio BandNews FM, do Brasil, com sua reportagem de maio de 2008, intitulada:

Tabagismo
(
http://www.interamericanheart.org/docs/concurso/5570_96216799.mp3 )

Vencedores por categorias

Prêmio de Jornalismo Escrito:
Primeiro lugar: Sebastián Rios, jornalista de La Nación, da Argentina, com sua reportagem publicada em maio de 2008, intitulada:
“Daña Media Hora de Tabaquismo Pasivo”
(
http://www.interamericanheart.org/docs/concurso/9122_65382352.pdf )

Menção Especial:
Ligia Formenti, jornalista de O Estado de São Paulo, do Brasil, com sua reportagem de março de 2008, intitulada:
“Fumantes Custam R$ 338 Mi ao SUS e Preço Baixo do Maço Ameaça Combate ao Tabagismo”
(
http://www.interamericanheart.org/docs/concurso/4597_35704582.pdf )

Prêmio de Rádio:

Primeiro lugar:
repórter da Rádio BandNews FM, do Brasil, com sua reportagem de maio de 2008, intitulada:
Tabagismo
(
http://www.interamericanheart.org/docs/concurso/5570_96216799.mp3 )

Menção Especial:
Raúl Ponce de León, repórter da Rádio SARANDI 690 AM, do Uruguay, com sua reportagem transmitida em junho de 2008, intitulada:“Programa Especial Sobre El Tabaco”
Parte 1
(http://www.interamericanheart.org/docs/concurso/080709PoncedeLeonPt1.mp3)

Parte 2
(http://www.interamericanheart.org/docs/concurso/080709PoncedeLeonPt2.mp3)

Parte 3
(http://www.interamericanheart.org/docs/concurso/080709PoncedeLeonPt3.mp3)

Parte 4
(http://www.interamericanheart.org/docs/concurso/080709PoncedeLeonPt4.mp3)

Prêmio de Televisão:
Primeiro lugar: Jennifer Barreto, repórter de Noticias Caracol, da Colômbia, com sua reportagem transmitida em maio de 2008, intitulada:
“La Nicotina es 10 Veces Más Adictiva Que la Cocaina y la Heroína"
(
http://www.interamericanheart.org/docs/concurso/1585_17818694.wmv )

Menção Especial:
Andrea Duplá, repórter de Noticero Canal 9, da Argentina, com sua reportagem transmitida em agosto de 2007, intitulada:“El Vicio Adolescente”
(Não disponível em formato eletrônico)

Prêmio de Internet:
Primeiro lugar: Naísa Modesto, jornalista de Jornal Carreira & Sucesso, do Brasil, com sua reportagem publicada em maio de 2008, intitulada:
“Tabaco: As Armadilhas Que Você Não Vê”
(
http://www.interamericanheart.org/docs/concurso/6105_75968910.pdf )

Menção Especial: Bruno Geller, jornalista da Agencia De Noticias Científicas Y Tecnológicas Del Instituto Leloir, da Argentina, com sua reportagem publicada em maio de 2008, intitulada:
“El Convenio Marco Para El Control Del Tabaco Sigue Esperando Ser Ratificado”
(
http://www.interamericanheart.org/docs/concurso/brunogellertrabajoperiodistico.pdf )

Prêmio local para Barbados: Cheryl Springer, jornalista de Stabroek News, da Guiana, com sua reportagem publicada em maio de 2008, intitulada:
“Smoking Kills”
(
http://www.interamericanheart.org/docs/concurso/080728cherylspringersmokingkills.pdf )

O júri teve acesso a cada um dos trabalhos para tomar a decisão final. Os resultados consideraram a forma como se abordou o tema, a originalidade e os recursos jornalísticos utilizados. Os trabalhos participantes podem ser acessados no site da Fundação InterAmericana do Coração:


http://www.interamericanheart.org/docs/concurso/5thJournalismContestFinalRosterWeb.doc
A

Fundação InterAmericana do Coração agradece e felicita todos os jornalistas e meios de comunicação que tenham participado neste projeto e os convida a seguir desenvolvendo matérias sobre o tema para a versão 2009 do concurso.

Para nós, o principal prêmio é a enorme ajuda que os meios de comunicação podem nos dar ao divulgar informações sobre uma epidemia legal, de enorme alcance e impacto.

Acontece Comunicação
Chico Damaso ou Monica Kulcsar

sábado, 31 de maio de 2008

Programa é referência em alternativas para a cultura do fumo

Juventude Livre do Tabaco. Este é o tema do Dia Mundial sem Tabaco 2008, que será celebrado neste sábado (31) no Brasil e em 191 países Estados-Membros da Organização Mundial da Saúde (OMS). O objetivo é fortalecer a necessidade do controle do tabagismo em todo o mundo.

No Brasil são desenvolvidas várias ações governamentais para diminuir o consumo de tabaco. Uma delas, exemplo para outros países, é o Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivas com Tabaco. Criado pelos ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em 2006, sob a coordenação da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF), o programa estimula geração de renda e qualidade de vida com o apoio a projetos de extensão rural, formação e pesquisa para o desenvolvimento de estratégias de diversificação produtiva e não-agrícolas em propriedades de agricultores familiares fumicultores.

O Programa apóia, no momento, 47 projetos na região Sul desenvolvidos por meio de parcerias com organizações não-governamentais (ONGs), universidades, centros de pesquisa, organizações de assistência técnica e extensão rural. A ação abrange 500 municípios e beneficia 19 mil famílias. Em 2007, o Programa foi ampliado para quatro estados do Nordeste.

O secretário da SAF/MDA, Adoniram Sanches Peraci, afirma que o Programa de Diversificação é referência mundial pela capacidade do governo em criar políticas públicas para enfrentar as ações da indústria do fumo por meio do crédito, assistência técnica e extensão rural (ATER) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), entre outros. “Já investimos R$ 10 milhões em ações de capacitação, assistência técnica, apoio a organizações governamentais e não-governamentais junto às famílias de agricultores que optaram pela diversificação e reconversão das áreas de produção de fumo”.

Exemplo mundial
De 15 e 19 de junho, o MDA irá representar o Brasil em um evento no México para apresentar os avanços e as políticas do Ministério para a agricultura familiar. Além disso, apresentará uma proposta para os outros países de matriz metodológica para estudos comparativos sobre alternativas a cultura do tabaco. Peraci acredita que a pressão mundial contra o tabagismo contribuiu para reduzir a área plantada de fumo. “Somente na última safra, no Sul do Brasil, a redução na produção de fumo foi de quase 14%”, explica.

Na prática
Guilherme Kuhn, agricultor familiar da localidade de Estrada da Gama, no município de Pelotas (RS), chegou a plantar 80 mil pés de fumo. Hoje, reduziu o cultivo para 20 mil pés. Ele pensa até em, ao terminar o contrato, não plantar mais fumo. Kuhn diversificou a propriedade com o cultivo hortaliças orgânicas. A produção é comercializada via cooperativa para o PAA e o mercado local. Na prática, o resultado foi a garantia de venda e a valorização por meio do preço pago ao agricultor, que trouxe aumento da renda, além da ampliação da produção ecológica.

Kuhn é integrante da Rede de Cooperação e Comercialização Solidária em Contra-posição à Cultura do Tabaco no Território Sul do Rio Grande do Sul, que conta com o apoio do Programa de Diversificação. Por meio da Rede, desenvolve-se a proposta agroecológica, já que alguns agricultores diminuíram a área plantada com o fumo ou deixaram de plantar. Isso possibilitou a ampliação da área de produção agroecológica nas propriedades e o interesse de novas famílias para integrarem os grupos ecológicos

Com 523 associados, a Cooperativa Sul Ecológica de Agricultores Familiares, do município de Pelotas (RS), conta com o apoio do Programa de Diversificação, atuando no fomento à assistência técnica, capacitação e extensão para fortalecimento da produção agroecológica. Além disso, a cooperativa trabalha na consolidação da Rede de Comercialização Solidária, em contraposição à cultura do tabaco no território sul do Rio Grande do Sul.

Em Santa Catarina, estado que mais produz fumo no País, o Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro) desenvolve um trabalho na região do Alto Vale do Itajaí (SC), sobretudo nos municípios de Leoberto Leal, Angelina, Imbuia, Vidal Ramos, Major Gercino, Alfredo Wagner e Nova Trento. A ação, que envolve mais de 1.800 famílias que dependem do plantio de fumo, é direcionado à transição para sistemas agroecológicos, sobretudo no incremento de pastagens. Isso tem permitido o aumento do rebanho e da produção de leite. A garantia de um vencimento quinzenal para os agricultores que optaram pela venda de leite para laticínios da região tornou a atividade atrativa.

Diversificação de culturas
O Brasil ratificou a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) em 2005, comprometendo-se a implementar uma série de medidas para o controle do tabaco, inclusive àquelas referentes ao artigo 17 da Convenção que trata das alternativas produtivas economicamente viáveis à cultura do tabaco. Dentro deste contexto que foi criado o Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco.

Assessoria de Comunicação Social MDA/Incra
Ricardo Schmitt
comunicacaosocial@mda.gov.br

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Como o cigarro passou de mocinho a vilão no Brasil

Livro com projeto da cardiologista Jaqueline Scholz Issa e reportagem da jornalista Madeleine Lacsko, que será lançado no Dia Mundial de Combate ao Tabaco, 31 de maio, conta os bastidores da saga brasileira no combate ao tabagismo.

Na década de 1980, o Brasil figurava nos cenários da indústria de tabaco como um dos mercados mais promissores do planeta no consumo de cigarros. Com essa perspectiva, a indústria se mobilizou fortemente nos mercados para dar destaque ao país e a seus consumidores. O sonho do Brasil como líder de consumo foi frustrado, porém, na década seguinte, quando forças importantes da sociedade – médicos, pesquisadores, políticos, imprensa, ONGs – se mobilizaram numa frente ampla de resistência.

Os resultados dessa batalha, entre outros, é que a incidência do tabagismo na população brasileira tem caído de forma continuada e consistente há mais de uma década, e que o Brasil mantém um programa de combate ao tabaco considerado modelo pela OMS – Organização Mundial de Saúde.

“Sem Filtro: ascensão e queda do cigarro no Brasil”, que será lançado neste sábado, 31 de maio, às 11h, na Livraria Cultura, em São Paulo, chega ao mercado para mostrar que há muito mais por trás do cigarro do que seu poder de gerar doenças do coração e dos vasos, além de um amplo leque de cânceres.

O livro, publicado pela Editora de Cultura, é resultado de projeto da cardiologista Jaqueline Scholz Issa, do InCor (Instituto do Coração), que trabalha em pesquisas e tratamentos do tabagismo (veja mais em www.deixardefumar.com.br).

A médica trouxe para o Brasil, em 1993, a iniciativa do Dia Mundial sem Tabaco, da OMS (Organização Mundial da Saúde), e fundou um dos primeiros programas de tratamento do tabagismo reconhecidos no país, o do InCor.

A reportagem ficou a cargo da jornalista Madeleine Lacsko, que pertenceu aos quadros da Rádio Jovem Pan, de São Paulo, e hoje atua em Brasília, como coordenadora geral da Rádio Justiça.

Depois de mais de uma década de campanhas e de divulgação intensa de informações de pesquisas pela imprensa, diz Jaqueline, a população brasileira está cada vez mais atenta aos malefícios do cigarro. “Faltavam-nos, contudo, informações organizadas, que dessem uma perspectiva histórica desse período e dos interesses e forças que estiveram e ainda estão atuando no cenário. ‘Sem filtro’ vem cobrir justamente essa lacuna. É uma obra que eu, como médica, acho fundamental para que a sociedade brasileira mantenha sua consciência de luta contra o tabagismo”.

Para montar essa história, foram pesquisados documentos oficiais de diversas procedências, inclusive os da Justiça norte-americana, mostrando o envolvimento da indústria do tabaco do Brasil com o contrabando de cigarros como estratégia de mercado. Figuras históricas do Brasil e do exterior deram depoimentos marcantes sobre os principais momentos da luta contra o tabaco, a começar pela mentora e ex-coordenadora do programa mundial da OMS de combate ao tabagismo, a médica suíça Claire Chollat-Traquet.

Dois antitabagistas históricos – o governador José Serra e o ex-ministro da Saúde Adib Jatene –, além do deputado Elias Murad, falaram sobre os principais lances do processo que levou o Brasil a ser pioneiro na instituição de leis restritivas ao cigarro.

Políticos, militantes de ONGs, médicos e pesquisadores de expressão – como os médicos Vera Luiza Costa e Silva, Marco de Moraes e Antônio Pedro Mirra – também figuram na galeria de depoimentos que fazem deste livro uma obra reveladora e uma publicação original em termos mundiais.

As autoras
Madeleine Lacsko é jornalista, com passagem pela Rádio Trianon e dez anos na Rádio Jovem Pan. Teve por quatro anos uma coluna diária, crítica e bem-humorada, sobre as atividades do Congresso Nacional. É coordenadora geral da Rádio Justiça, emissora pública do Poder Judiciário brasileiro administrada pelo Supremo Tribunal Federal.

Jaqueline Scholz Issa
é doutora em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da USP, ocupa atualmente o cargo de diretora da Unidade de Atendimento ao Cliente dos Consultórios do InCor, onde coordena o ambulatório de tratamento do tabagismo e a pesquisa com novos medicamentos para tratamento do tabagismo. Foi médica colaboradora da Organização Mundial da Saúde no programa “Tabaco or Health” entre1993 e 1996. Tem vários artigos e trabalhos publicados no Brasil e no exterior.

DADOS DA OBRA
Brochura16 x 23 cm
176 páginas
R$ 30,00
ISBN: 978-85-293-0121-1
EDITORA DE CULTURA

SERVIÇO
“Sem Filtro: ascensão e queda do cigarro no Brasil”
Autoria: Madeleine Lacsko
Projeto: Dra. Jaqueline Scholz Issa
Lançamento: 31 de maio de 2008, às 11h
Local: Livraria Cultura, situada na Av. Paulista, 2073 – São Paulo/SP

Rita Amorim
Assessora de Imprensa
Incor-HCFMUSP

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Indústria do tabaco na Justiça para voltar a anunciar na TV

ACT reage

Celebrando o Dia Mundial Sem Tabaco (31 de maio)

OMS inicia cruzada para proibir todas as formas de propaganda de tabaco

Indústria do tabaco na Justiça para voltar a anunciar em rádios, emissoras de TV e outros veículos.

ACT requer seu ingresso na Ação Direta de Inconstitucionalidade impetrada pelas empresas, exigindo a manutenção do veto à publicidade. Também pede a proibição total de qualquer tipo de promoção de cigarros

Para garantir que a lei 10.167/2000 que proibiu a publicidade de produtos de tabaco em TVs, rádios, revistas, jornais, Internet, outdoors continue a ser cumprida, a Aliança de Controle do Tabagismo (ACT) vai requerer amanhã, 27 de maio, em Brasília, seu ingresso na ADIN como terceiro interessado (‘amicus curiae’), assim como outras entidades já fizeram.

A ACT tem a convicção de que a volta da veiculação dos anúncios de cigarros é um passo atrás em relação ao avanço que o país conquistou em termos de controle do tabagismo. Essa ameaça à lei 10.167/2000 se deve à Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN), impetrada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) junto ao Supremo Tribunal Federal, com o objetivo de liberar a propaganda de cigarros.

A CNI questiona a legislação com o argumento de que ela feriria a Constituição Federal, por interferir na liberdade de manifestação comercial. Essa ação também quer retirar as advertências sobre os malefícios do cigarro de suas embalagens e peças publicitárias. A ACT vê tal iniciativa como uma ameaça à atual lei 10.167/2000 – e à saúde pública. Portanto, exige que as autoridades competentes mantenham as restrições à publicidade, conforme a lei 10.167/2000, e julguem a ADIN improcedente.

O ingresso da ACT na ADIN acontece justamente na semana de 31 de maio, Dia Mundial sem Tabaco. Neste ano, em particular, a Organização Mundial da Saúde aproveita a data para colocar a indústria do tabaco em xeque. Em todo o planeta será deflagrada uma ampla campanha para proibir definitivamente todas as formas de propaganda e promoção do tabaco.

A ação é focada inicialmente no público jovem, mas há a consciência de que a eliminação total da propaganda do fumo é fundamental para evitar a propagação do mal em todos os públicos, em todas as faixas etárias. “A norma é evidentemente constitucional. A tendência mundial é proibir totalmente a publicidade de cigarros. Seria um retrocesso perante as conquistas em termos de saúde pública e de políticas de controle do tabagismo. Sem falar na própria Convenção Quadro, ratificada pelo Brasil, e que prevê a proibição total da publicidade”, diz Paula Johns, diretora-executiva da ACT.

De fato, o artigo 13 de Convenção Quadro para o Controle do Tabaco, o primeiro tratado internacional de saúde pública, promovido pela OMS e adotado pelo Brasil, preconiza a proibição total de qualquer tipo de publicidade e promoção, inclusive nos pontos de venda. Também neste dia 27, a OMS estará entregando ao governo brasileiro um diagnóstico sobre a política nacional de controle do tabagismo com uma série de recomendações.

Há duas semanas no Brasil, uma missão de especialistas nacionais e internacionais da OMS analisou a capacidade nacional em controle do tabagismo. Esta é a primeira avaliação feita no mundo e o Brasil foi o país piloto. Agora, a análise será replicada em outros países. Integrantes da ACT participaram da missão na qualidade de especialistas nacionais sobre o tema.

A EXPOSIÇÃO DE JOVENS À PROPAGANDA DO TABACO

É sabido que a maioria das pessoas começa a fumar antes de 18 anos e quase um quarto delas usa tabaco antes dos 10. Quanto mais novo for o jovem a experimentar o fumo, mais propenso está a se tornar usuário e menores são as possibilidades de parar de fumar. Está claramente provado que a exposição direta ou indireta à propaganda de tabaco, junto com outras estratégias de marketing usadas pela indústria, leva a um aumento da experimentação entre os jovens e, por conseguinte, a um risco real de se tornarem usuários regulares de produtos de tabaco. A indústria gasta, em todo o mundo, 10 bilhões de dólares por ano para vender seus produtos de todas as maneiras possíveis.

Hoje a propaganda direta ou indireta é feita de várias formas: na televisão, rádio, Internet, revistas, banners, pôsteres; correio, cupons, outdoors, programas de fidelidade da marca, patrocínio de esportes e eventos culturais, revistas de circulação controlada distribuídas pela indústria e até brindes para estimular o consumo.

No Brasil, desde 2000, por meio da lei 10.167, a propaganda é proibida na TV, em rádios, jornais, revistas, outdoors, banners, pôsters, mas é permitida nos pontos de venda. Por isso, cada vez mais a indústria investe nesses locais, com material atraente especialmente para jovens e com a criação de abordagens diferenciadas, como a ação de promotores de seus produtos em bares e baladas.

Também é proibido o patrocínio de eventos esportivos e culturais por marcas de cigarros, mas para burlar essa restrição, a indústria vem investindo cada vez mais em patrocínio institucional e em atividades convenientemente denominadas de Responsabilidade Social Empresarial (RSE).

MENSAGEM DA OMS

Em resposta à ameaça aos jovens e a toda a sociedade, este ano o Dia Mundial Sem Tabaco traz uma mensagem contundente:

Um dos meios mais eficazes dos países protegerem seus jovens da experimentação e de se tornarem fumantes é proibir todas as formas de propaganda de tabaco, direta ou indireta, incluindo a promoção e o patrocínio de eventos pela indústria.

A cruzada iniciada pela OMS deve-se ao fato de cerca de metade das crianças do mundo viverem em países que não proíbem a distribuição de amostra grátis de produtos de tabaco e a publicidade. Aliás, estudos de diversas nações, antes e depois da proibição de propaganda, atestam uma queda no consumo de mais de 16%.

O Estudo Global do Tabagismo entre os Jovens, realizado pela OMS em 46 países, revelou um quadro alarmante de dependência prematura. Em algumas áreas da Polônia, de Zimbábue e da China, crianças de 10 anos de idade já estão dependentes do tabaco. No Brasil este mesmo estudo foi realizado entre estudantes de 12 capitais brasileiras, em 2002 e 2003, e encontrou uma prevalência de experimentação variando de 36 a 58% no sexo masculino e de 31 a 55% no sexo feminino.

De acordo com o mesmo estudo brasileiro, a prevalência de escolares fumantes atuais variou de 11 a 27% no sexo masculino e 9 a 24% no feminino.

OS MALEFÍCIOS DO TABACO E SEU PODER MORTAL

O tabaco é a primeira causa de mortes no mundo, apesar de ser totalmente passível de prevenção. É o único produto legal de consumo que mata metade dos usuários, seguindo as instruções dos fabricantes, com suas vítimas morrendo prematuramente (cerca de 15 anos antes). Há aproximadamente 1.8 bilhão de jovens (com idades entre 10-24 anos) no mundo, sendo que mais de 85% estão em países em desenvolvimento.

Tendo sobrevivido às doenças vulneráveis à infância, estes jovens são geralmente saudáveis. Entretanto, como a indústria do tabaco intensifica seus esforços para alcançar usuários novos e com potencial de fumar por longo período, a saúde de uma porcentagem significante da juventude do mundo está seriamente ameaçada.

A nicotina é uma substância altamente adictiva e a experimentação por crianças e adolescentes pode facilmente levá-los à dependência por toda a vida.

UM CHAMADO À RESPONSABILIDADE SOCIAL

A ACT chama a atenção de ONGs, dos jovens, da população em geral e das autoridades governamentais sobre o uso da expressão Responsabilidade Social Empresarial (RSE) pela indústria do tabaco, tema de grande importância nas maiores economias mundiais. Nos anos 90, por força da legislação e de processos judiciais nos Estados Unidos e na Europa, a indústria do tabaco começou a rever seu discurso e passou a assumir, com moderação, que o cigarro traz riscos ao ser consumido. Para recuperar a imagem desgastada, começou a investir em RSE. Atualmente, é rotina pautarem o debate sobre o tema e caminharem no sentindo de convencer que não há nenhum problema em relacionar RSE com a fabricação e comercialização de um produto que provoca adoecimento, morte e uma série de impactos sociais, ambientais e econômicos. Portanto, pedimos uma reflexão:

· O patrocínio de eventos culturais e esportivos por marcas de cigarros é proibido por lei. A proibição do patrocínio desses mesmos eventos usando a marca institucional da empresa não está clara. Não é curioso que a maior empresa de cigarros do país, a Souza Cruz, passe a investir na série Diálogos Universitários, levando às maiores universidades do país personalidades incontestavelmente atraentes para o público jovem?

· Quando promove esses eventos, veicula vídeo institucional com seus projetos em RSE, mas que na verdade embutem a mensagem de diversidade de opinião, de cada um ter liberdade de fazer o que quer, ou seja, fumar é uma escolha pessoal, quando na verdade sabemos que é dependência química.

· Nesses vídeos, também veicula a informação de que a empresa paga muitos impostos. Não é verdade. Há espaço para aumento, o que faria subir os preços dos maços, medida comprovadamente capaz de reduzir o consumo. Estudo feito para a ACT, coordenado pelo economista Roberto Iglesias, mostrou que entre 1998 (ano em que houve uma mudança no IPI) e 2007, a arrecadação anual real do IPI–Cigarro caiu quase 40% em termos reais – em preços de 2007, o equivalente a 1,8 bilhões de reais de 2007.

O estudo está disponível em www.actbr.org.br

· Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz analisou 32 doenças, entre diferentes tipos de câncer e problemas dos aparelhos circulatório e respiratório. Os custos totais atribuíveis ao tabagismo no Brasil, em um ano, ultrapassaram os R$ 330 milhões para pacientes com 35 anos ou mais. Enquanto isso, de acordo com seu relatório anual de 2007, o lucro líquido da Souza Cruz foi de R$ 908,1 milhões, sendo 10,2% superior aos R$ 824,1 milhões registrados em 2006.

· Abordar jovens em baladas e bares, convidando-os para eventos exclusivos para fumantes; vender gadgets como carteiras de cigarros, latas, bonés, mochilas, junto com cigarros, não é ser socialmente responsável: é marketing. O velho, puro e simples marketing. Por isso, cabe aos legisladores:

· Uma lei abrangente que proíba todas as formas de propaganda, promoção e patrocínio de produtos de tabaco. A auto-regulamentação, com regras não consagradas em leis, não funcionam e não é uma resposta aceitável para proteger a população, especialmente jovens, das táticas de marketing da indústria.

· Implementação de políticas e programas que não tenham apenas jovens como público alvo. Intervenções que tenham a população como um todo, como proibição de todas as formas de propaganda de tabaco, aumento dos impostos sobre produtos de tabaco e criação de ambientes 100% livres de fumo têm um sucesso maior em reduzir o uso do tabaco entre os jovens.

Cabe aos Jovens:
Transmita aos legisladores de seu país o que você pensa. Defenda a proibição total da propaganda, promoção e patrocínio de produtos de tabaco. Envolva-se numa campanha para educar os amigos sobre como a indústria do tabaco usa técnicas de marketing para persuadir as pessoas a fumar. Deixe a indústria saber que você não será enganado por táticas de pretensa “esperteza” e investimentos altos em promoção.

Cabe às ONGs:
Defender junto aos legisladores uma proibição completa da propaganda, promoção e patrocínio dos produtos de tabaco em seu país.

Ajude a organizar grupos de jovens para que possam ser parte da campanha e os engaje na concepção, desenvolvimento, implementação, monitoramento e avaliação das políticas de controle do tabaco e programas para proibir propaganda, promoção e patrocínio de produtos de tabaco.

Cabe ao conjunto da sociedade:
Defender junto aos legisladores leis para proibir a propaganda, promoção e patrocínio de produtos de tabaco a fim de proteger os jovens. A Organização Mundial da Saúde – OMS – disponibiliza em seu site material para quem quiser trabalhar a data. Para usá-lo (em Inglês ou Francês), acesse:
http://www.who.int/tobacco/wntd/2008/en/index.html

Acontece Comunicação
Chico Damaso ou Monica Kulcsar

Dia do Pneumologista, 2 de junho

SPPT faz mutirões gratuitos para combater as doenças respiratórias

1ª Semana de Educação e Conscientização sobre as Doenças Respiratórias terá ações de conscientização à população em todo o estado

A Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT) promove, de 2 a 8 de junho de 2008, uma série de atividades para esclarecer os cidadãos sobre as doenças respiratórias, líderes em internações hospitalares. O intuito é alertar sobre as doenças respiratórias, que tendem a se tornar mais comuns agora com a chegada do inverno.
Também é uma comemoração da 1ª Semana Estadual de Educação e Conscientização sobre as Doenças Respiratórias que, a partir deste 2008, ocorrerá anualmente, sempre no início de junho, conforme determina a recém-promulgada Lei nº 12.749. A data coincide ainda com Dia do Pneumologista, 2 de junho.

Exames gratuitos no Ibirapuera

Em 8 de junho, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, a SPPT realiza mais um mutirão da saúde com exames gratuitos para detecção das doenças respiratórias. Serão montadas tendas para o preenchimento de questionários, para atendimento médico, apresentação de vídeos educativos e entrega de material informativo.

Durante o atendimento, o cidadão poderá preencher questionário de sintomas respiratórios, assistir vídeos de qualidade de vida, realizar exame para medir a capacidade pulmonar e receber orientação médica. A medida da capacidade pulmonar, também chamada de espirometria, é um exame simples, rápido e fácil que se mede o volume de ar entrando e saindo dos pulmões. Serve para o diagnóstico e a avaliação de doenças respiratórias. Quando necessário, haverá o encaminhamento para atendimento médico.

Quem quiser alguma informação antecipada pode obtê-la no 0800 171618 ou no portal www.sppt.org.br .

Teatro para as crianças

As comemorações no Parque do Ibirapuera, no dia 8, contarão também com uma apresentação teatral da CIA de Eventos!, com diversos personagens relacionados às doenças respiratórias, além do boneco Foleguinho, o mascote da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia. Eles alertando a população, e especialmente a garotada da importância dos bons hábitos e da prevenção por exemplo.

Mutirões no interior de São Paulo

Vale registrar que outras ações marcarão a 1ª Semana Estadual de Educação e Conscientização sobre as Doenças Respiratórias. Em 3 e 4 de junho, a SPPT, com o apoio da Boehringer Ingelheim/Pfizer, promove o Respire São Paulo - mutirões de atendimentos médicos gratuitos com testes de rastreamento de asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), pneumonia, turbeculose e tabagismo.

As ações ocorrem em seis cidades-pólo: Campinas, Ribeirão Preto, Santos, São José do Rio Preto, São Paulo e Sorocaba.

Desde o princípio do mês também serão inseridos cartazes nos hospitais, parabenizando os pneumologistas pelo seu dia, 2 de junho. “É uma data importante, que valoriza a especialista e especialmente nossos pacientes", conta dr. José Eduardo Delfini Cançado, presidente da SPPT.

Pulmonar

A SPPT, sempre prestando serviços ao seu público, abre espaço em seu site www.pulmonar.org.br para prestação de serviços à comunidade. Ele traz aos cidadãos todo o tipo de conhecimento sobre as doenças respiratórias e pulmonares. Também dispõe de dicas de hábitos saudáveis, prevenção e cuidados para cuidar da saúde. As dicas do portal Pulmonar, assim como seu conteúdo, não substituem o acompanhamento médico.

Acontece Comunicação e Notícias
Cíntia Gomes ou Chico Damaso

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Incor comemora 15 anos de combate ao tabagismo

INCOR TERÁ SEMANA DE COMEMORAÇÃO DE 15 ANOS DE COMBATE AO TABAGISMO

População poderá realizar exames de avaliação dos efeitos do tabagismo, ter acesso a material informativo e histórico de campanhas contra o fumo e comprovar com a famosa Altina, a boneca que fuma, os males que o cigarro provoca no organismo.
De 26 a 30 de maio próximo, o Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas) comemorará 15 anos de parceria com a OMS (Organização Mundial da Saúde) no combate ao tabagismo – o Incor foi uma das primeiras instituições brasileiras a aderir à bandeira do Dia Mundial de Combate ao Tabaco, em 1993.

Para comemorar o fato, o hospital programou uma série de atividades durante a semana, que culmina no dia 31 de maio, com a celebração da data mundial.

O evento organizado pelo Programa Ambulatorial de Tratamento do Tabagismo do Incor e pela Disciplina de Pneumologia da FMUSP é aberto à população e congrega entidades brasileiras representativas na luta contra o cigarro: Comitê para Implantação de Ambientes Livres do Tabaco e Centro de Referência no Tratamento de Álcool e Drogas, ambos da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Comitê Antitabaco da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Aliança contra o Tabaco, Faculdade de Saúde Pública da USP, Hospital do Coração e, na categoria empresa apoiadora, a Pfizer.

A programação da semana de comemoração dos 15 anos do Incor no combate ao tabagismo começa na segunda-feira, 26 de maio, entre 8h e 17h, com a realização de exames de determinação de concentração de monóxido de carbono no ar expirado de fumantes e não-fumantes e de prova de função pulmonar.

Os exames são indicadores do nível de poluição do organismo pelo monóxido de carbono e do comprometimento da capacidade respiratória de fumantes – e, por conseqüência, do potencial risco cardiovascular e pulmonar em função do vício.

Nesse mesmo dia (26) e até sexta-feira (30), no saguão de entrada do hospital, começa a exposição 15 Anos do Incor no Combate ao Tabagismo, com a apresentação de painéis e documentos históricos das diversas ações e campanhas do Instituto ao longo desse tempo. A exposição congrega também a documentação da experiência dos parceiros do evento na luta contra o tabaco. Além disso, serão distribuídos material informativo sobre os benefícios de parar com o vício do cigarro, e a Aliança contra o Tabaco colherá assinaturas dos interessados em prol da implantação de ambientes livre do tabaco.

Altina, a boneca fumante cujo nome resulta da fusão entre as palavras Alcatrão e Nicotina, estará exposta à população, entre 27 e 29 de maio, das 8h às 17h. Fumante inveterada, Altina é a demonstração mais visível dos males provocados pelo cigarro ao organismo.

No dia 30 de maio ocorrerá a cerimônia de celebração dos 15 anos da parceria Incor-OMS, com apresentação de vídeo e homenagem a representantes históricos do incansável trabalho da imprensa na orientação à população na luta contra o tabaco. Serão homenageados Boris Casoy, Izilda Alves e Claudete Troiano.

Claire Chollat-Traquet, representante da OMS, dará seu depoimento pessoal em vídeo sobre o momento decisivo em que o Incor entrou na luta contra o tabagismo no Brasil.

SERVIÇO
SEMANA INCOR 15 ANOS DE COMBATE AO TABAGISMO
Data: 26 a 30 de maio, das 8h às 17h
Organização: Programa Ambulatorial de Tratamento do Tabagismo e Disciplina de Pneumologia
Categoria: aberto à população
Local: Incor – Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 44
PROGRAMA

26 de maio, das 8h às 17h
Realização de exames de concentração de monóxido de carbono e prova de função pulmonar em fumantes e não-fumantes

26 a 30 de maio, das 8h às 17h
Exposição 15 Anos do Incor no Combate ao Tabagismo, com apresentação de painéis e documentos históricos das diversas ações e campanhas do Instituto.
Distribuição de material informativo sobre os benefícios de parar com o cigarro.
Coleta de assinaturas em prol da implantação de ambientes livres do tabaco.

27 a 29 de maio, das 8h às 17h
Apresentação da boneca Altina, com demonstração dos males provocados pelo cigarro ao organismo.

30 de maio, às 10h
Cerimônia de Comemoração dos 15 anos da parceria Incor-OMS, com apresentação de vídeo e homenagem aos jornalistas Boris Casoy, Izilda Alves e Claudete Troiano.

Rita Amorim
Assessora de Imprensa
Assessoria de Imprensa Incor-HCFMUSP

terça-feira, 20 de maio de 2008

5º Concurso de Jornalismo sobre controle do tabagismo na América Latina 2008

Estarão abertas a partir de 31 de maio até 15 de julho as inscrições para a 5ª Versão do Prêmio Latino-Americano de Jornalismo sobre o Problema do Tabagismo, promovido pela Fundação InterAmericana do Coração, a Organização Panamericana de Saúde e a Aliança de Controle do Tabagismo – ACT. Esta é a segunda vez que o concurso inclui a participação do Brasil.

Os resultados do concurso serão divulgados no Primeiro Congresso de Doenças Crônicas, em Barbados, Caribe, de 16 a 19 de outubro. Os vencedores ganharão uma bolsa para participar do evento, além de uma quantia em dinheiro.

O objetivo principal do concurso é premiar e reconhecer os melhores trabalhos jornalísticos com o tema controle do tabagismo ou co-relacionados, tais como medidas de proteção aos fumantes e não fumantes, ambientes livres de fumo, controle do contrabando, repercussões sanitárias e econômicas do consumo do tabaco, alternativas à plantação do fumo, etc.

Poderão participar todos os jornalistas, nas categorias imprensa escrita (jornais e revistas), televisão, rádio e Internet, cujas matérias sobre controle do tabagismo tiverem sido publicadas ou veiculadas entre 1º de janeiro de 2007 a 30 de junho de 2008. Em 2009, o concurso prestigiará as matérias que tenham sido publicadas este ano e assim sucessivamente.

Inscrições
As inscrições estarão abertas a partir de 31 de maio até 15 de julho de 2008. Os candidatos devem apresentar duas cópias do trabalho original, especificando a data de apresentação e o veículo e, numa folha à parte, os dados pessoais do autor. No caso de programas de rádio ou televisão, pedimos duas cópias em cassete ou vídeo, assim como duas cópias da transcrição da matéria.

O material deverá ser enviado para:
www.interamericanadelcorazon.org

Os vencedores serão informados pela direção do concurso em agosto, a fim de que possam providenciar a documentação necessária para a viagem.

Comissão Julgadora
A Comissão Julgadora será formada por jornalistas, especialistas em controle do tabagismo e representantes das entidades patrocinadoras do prêmio.

Os organizadores destacam alguns pontos:·

O veredicto do jurado será inapelável·

O jurado assinará todos os papéis da votação e a ata final de declaração das peças vencedoras, que estarão à disposição das entidades organizadoras até 10 dias depois da votação.

A votação será secreta. Em caso de empate, o voto do presidente do concurso decidirá a campanha ganhadora

Se algum membro do júri tiver relação direta ou indireta com alguma peça apresentada, deverá apresentar ao presidente do júri antes de proceder ao seu exame, deixar esse fato escrito em seu papel de votação e abster-se de votar.

Prêmios
Os prêmios serão entregues no encerramento do Primeiro Congresso de Doenças Crônicas, em Barbados, Caribe, de 16 a 19 de outubro.

Categorias
1. JORNAIS E REVISTAS (inclui fotografia e caricatura)
1o Prêmio: US $1.000 e distinção honrosa
2º Prêmio: Distinção honrosa Categoria

2. RÁDIO
1o Prêmio: US $1.000 e distinção honrosa
2º Prêmio: Distinção honrosa

3. TELEVISÃO
1º Prêmio: US $1.000 e distinção honrosa
2º Prêmio: Distinção honrosa

4. INTERNET
1º Prêmio: US $1.000 e distinção honrosa
2º Prêmio: Distinção honrosa

Para mais informações, consulte o site da Fundação InterAmericana do Coração
www.iahf.org ou o site da ACT www.actbr.org.br

Acontece Comunicação e Notícias
Chico Damaso ou Monica Kulcsar

Anna Monteiro/ACT

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Proibição total do fumo em ambientes fechados

PESQUISA DATAFOLHA REVELA QUE BRASILEIROS QUEREM PROIBIÇÃO TOTAL DO FUMO EM AMBIENTES FECHADOS
88% da população brasileira é contrária ao fumo em locais fechados
O Instituto Datafolha acaba de fazer uma pesquisa nacional a pedido da Aliança de Controle do Tabagismo – ACT. Entre os dias 26 e 27 de março de 2008, foram entrevistadas 1.992 pessoas acima de 18 anos, sendo 77% não fumantes e 23% fumantes, em 120 municípios nas regiões sul, sudeste, norte, nordeste e centro-oeste do país.

O objetivo foi conhecer a opinião da população brasileira a respeito da proibição do fumo em ambientes fechados. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. A grande maioria da população brasileira, 88%, é contrária ao fumo em locais fechados, e 82% são totalmente contra.

É interessante observar que 80% dos fumantes são contrários ao fumo em locais fechados, sendo que 69% são totalmente contra. A rejeição ao fumo é mais forte em restaurantes (89%) e lanchonetes (86%). Casas noturnas e bares apresentam um pouco mais de tolerância que os dois primeiros (72% e 71%, respectivamente), mas mesmo assim o índice é alto.

A pesquisa mostra que a população brasileira tem conhecimento sobre os problemas que o fumo causa à saúde, tanto de fumantes quanto de não fumantes. Quase a totalidade dos entrevistados acredita que o fumo em locais fechados causa muitos prejuízos à saúde, mesmo em quem não é fumante (83%).

A pesquisa Datafolha também perguntou sobre a mudança da lei 9294/96, que propõe a proibição total do fumo em ambientes fechados: dois terços (68%) são favoráveis ao projeto de lei. A indústria do tabaco tenta barrar modificações na lei e dissemina o mito segundo o qual a freqüência a estes locais vai cair e gerar perdas econômicas. Mas esta tese é derrubada pelos dados encontrados na pesquisa. Perguntados sobre a possibilidade de proibição do fumo nos quatro ambientes pesquisados (bares, restaurantes, lanchonetes e casas noturnas), 88,5% dos entrevistados disseram que sua freqüência a estes locais não mudará (63,5%) ou será maior (25%).

“A pesquisa reforça os resultados que já tínhamos encontrado em 2006 e 2007 em São Paulo, também através do Datafolha. Ela só confirma o que estamos vendo no dia a dia: a população brasileira quer ambientes fechados 100% livres de fumo há muito tempo. As autoridades responsáveis pelas políticas públicas devem estar atentas aos anseios da população.

O projeto que modifica a lei 9292/96 já foi entregue pelo Ministério da Saúde e aguarda apenas a assinatura do presidente da República para virar lei, não entendemos como isso ainda não aconteceu”, diz Paula Johns, diretora-executiva da ACT, e acrescenta: “Proibir o fumo em ambientes fechados protege a saúde não só dos freqüentadores desses locais, mas especialmente dos que aí trabalham, já que passam mais de oito horas expostos à poluição tabagística ambiental”.

PERFIL DA POPULAÇÃO BRASILEIRA ENTREVISTADA

Segundo a pesquisa Datafolha, o perfil dos entrevistados é: Distribuído homogeneamente por sexo: 49% são homens e 52% são mulheres.
A maioria:

o tem entre 26 e 40 anos (36%) ou 41 anos ou mais (42%), com média de idade igual a 40 anos;o possui escolaridade fundamental (50%) ou média (38%);
o é casada (48%) e 36% são solteiros;
o tem filhos (70%), em média 3.

E os dados econômicos apontam que a maior parcela:

Tem renda familiar mensal de até 3 salários mínimos (66%);
Pertence à classe C (53%);
Faz parte da população economicamente ativa (70%), principalmente como assalariado (com registro - 21%, ou sem registro - 10%) e free-lance (16%).

A ACT já sabia do apoio da população paulistana. Em novembro de 2007, o Instituto Datafolha fez uma pesquisa em São Paulo que verificou que 88% dos paulistanos são contrários ao fumo em locais fechados. Entre os próprios fumantes, 85% apóiam ambientes fechados livres de fumo. No que se refere à alteração da lei 9294/96, proibindo totalmente o fumo em ambientes fechados, o apoio dos entrevistados também se mostrou elevado: 73% deles são favoráveis à eliminação dos fumódromos em locais fechados, o que corresponde a sete em cada dez paulistanos.

ESTRATÉGIAS DA INDÚSTRIA DO TABACO

As empresas de tabaco têm desenvolvido uma variedade de estratégias para impedir ou atrasar políticas de controle do tabagismo. Elas contestam provas científicas dos perigos do fumo, promovem a idéia que as políticas de controle teriam conseqüências econômicas negativas, promovem programas de “acomodação” entre fumantes e não fumantes, etc. Aqui no Brasil, um dos exemplos dessas táticas é o programa Convivência em Harmonia – desenvolvido pela Souza Cruz, empresa líder no mercado brasileiro de cigarros –, que consiste em um trabalho de assessoria técnica para elaboração de projetos de separação de ambiente e ventilação , envolvimento e treinamento do pessoal dos estabelecimentos. O programa prega uma separação idealizada do local de acordo com a pressão: área para fumantes na zona de baixa pressão, área para não-fumantes na zona de alta pressão. Estabelecimentos de entretenimento, como bares e boates, porém, têm grande interação entre os clientes e a separação não é respeitada.

A VENTILAÇÃO NÃO ELIMINA OS COMPONENTES TÓXICOS

Embora contribua para reduzir a toxicidade da fumaça, a ventilação não elimina os diversos componentes tóxicos da poluição tabagística ambiental (PTA). É bom ressaltar que a fumaça ambiental do tabaco possui 60 substâncias cancerígenas e seis substâncias capazes de provocar mutação genética, sendo por isso classificada como carcinógeno humano do grupo 1, não havendo, portanto níveis seguros de exposição. As implicações da PTA para com a saúde costumam ser subestimadas e a ventilação é vendida como a solução para o problema. Segundo a Sociedade Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Condicionamento de Ar (ASHRAE), o órgão de referência dessa área da engenharia nos Estados Unidos, “nenhuma tecnologia de engenharia de ventilação atual demonstrou controlar os riscos impostos pela exposição à PTA, apenas reduzi-los e controlar questões de conforto relacionadas ao odor e à irritação sensorial”.

Acontece Comunicação e Notícias
Chico Damaso ou Monica Kulcsar

Anna Monteiro

domingo, 6 de abril de 2008

Cigarros e outros produtos de tabaco

ACT LANÇA ESTUDO PARA APOIAR AUMENTO DE PREÇOS E IMPOSTOS SOBRE CIGARROS E OUTROS PRODUTOS DE TABACO

Análise revela que não há relação entre aumento de impostos com contrabando

A Aliança para o Controle do Tabagismo – ACT – acaba de lançar uma análise, feita pelo economista Roberto Iglesias, da PUC-Rio, que derruba um dos principais mitos divulgados pela indústria do tabaco: o de que aumentar preços e impostos sobre cigarros estimula o comércio ilegal. No estudo, feito entre 1991 e 2008, Iglesias mostra que o preço real atual dos cigarros está 20% abaixo do que era praticado em dezembro de 1993, período em que os cigarros eram os mais caros nesta análise.

Este estudo vai ao encontro do relatório da Organização Mundial da Saúde, lançado em fevereiro, que recomenda seis medidas prioritárias para diminuir a epidemia do tabagismo nos países. Uma delas é o aumento de preços e impostos sobre cigarros, considerada pela OMS como a medida mais eficaz para reduzir o consumo. Embora alguns países tenham aumentado os preços e impostos sobre produtos de tabaco, eles continuam baixos na maioria esmagadora dos países, inclusive no Brasil.

Segundo a ACT, com inflação e aumento do poder de compra do consumidor, os cigarros estão mais acessíveis. “O aumento do imposto sobre tabaco serve como um meio para desestimular o consumo entre jovens, além de ajudar os usuários a parar de fumar”, diz Paula Johns, diretora-executiva da ACT.

De acordo com o estudo da ACT, em janeiro de 2008 a relação IPI – Classe I/ Preço do cigarro IBGE estava em 23,45%. O IPI- Classe I era R$ 0,619 e o preço médio do cigarro Classe I era, segundo o IBGE, de R$ 2,64. Caso a relação IPI-Classe I/Preço do cigarro fosse elevada a 30%, uma proposta razoável para um produto com tantos efeitos nocivos sobre a saúde, demandaria um aumento de 28% do imposto. Isto teria um impacto de aproximadamente 22% no preço ou talvez um pouco menos, mas o mais importante, do ponto de vista da saúde pública, é que o preço real voltaria aos níveis de dezembro de 1993. Já do ponto de vista tributário não há nada a temer. Esse aumento de imposto de 28% por cada maço de cigarro da classe I reduziria o consumo em 10%. Seu potencial de aumentar a arrecadação tributária do IPI – cigarro é muito alto: estima-se uma percentagem próxima de 20%.

A tabela 1, abaixo, mostra uma série de aumentos de imposto e a resposta que poderá proporcionar no percentual de consumo.

Tabela 1

Aumento de imposto, alta de preços e queda no consumo de cigarros

Relação IPI- Classe I /Preço desejada Aumento do IPI –Classe I Impacto provável no preço nominal (80%)
Nível do preço real (Dez 1993= 100) Queda percentual do consumo

30% 28% 22% 103 10%

35% 49,3% 39% 118 18%

40% 71% 57% 133 34%

Fonte: Baseado em Iglesias e outros (2007). Banco Mundial.

De fato, esta estimativa está de acordo com a OMS, que prevê que um aumento de 70% no preço do tabaco poderia prevenir um quarto de todas as mortes relacionadas ao tabagismo em todo o mundo. Um aumento de 10% poderia causar uma queda de 4% no consumo em países de alta renda e de 8% nos de baixa e média rendas, com a receita provenientes dos impostos subindo.

OS IMPOSTOS SOBRE CIGARROS NO BRASIL

O preço real atual do cigarro no Brasil é 20% mais baixo do que era praticado em dezembro de 1993 – o máximo do período analisado, entre 1991-2008 -- de acordo com o IBGE/Índice Geral de Preços-IPCA. A análise mostra que o preço real caiu 28% entre janeiro de 1998 e setembro de 2001. Depois, se recuperou um pouco, mas se manteve 25% abaixo do nível de dezembro de 1993. Após o anúncio de aumento do IPI-Cigarros, no final de 2006, que entraria em vigor a partir de julho de 2007, os preços nominais cresceram.

Apesar de o Brasil ter um programa avançado de controle do tabagismo, a redução do preço real do cigarro está relacionada com a redução do IPI pago por maço de cigarro, a partir de junho de 1999. Esta queda é resultado de: 1) a reforma do imposto na época, passando de ad-valorem (em cima do valor do cigarro) para específico (por um sistema de classe), e 2) o ajuste do imposto específico abaixo da inflação, entre junho de 1999 e julho de 2007. Vale ressaltar que na mudança de ad-valorem para específico, cigarros com preços variáveis passaram a pagar o mesmo valor em imposto, ou seja, os cigarros mais baratos proporcionalmente pagam mais impostos.

Antes da reforma, que entrou em vigor em junho de 1999, as empresas pagavam aproximadamente 42% de IPI por maço de cigarro. A reforma reduziu a carga do IPI sobre o preço do maço, e as empresas passaram a pagar entre 25% e 20% do preço final do maço. A relação IPI/preço do cigarro caiu ao longo do tempo porque o IPI do cigarro foi ajustado abaixo da inflação no período junho de 1999-julho de 2007, e ficou abaixo do preço do cigarro.

Só no final de 2006, quando os efeitos desta política sobre os preços e a arrecadação dos impostos começaram a ficar claros e a ser criticados por especialistas, a Receita Federal ajustou os valores da classe I do IPI – Cigarros (os cigarros mais vendidos) de maneira a recuperar a defasagem da inflação. Nos períodos de inflação considerável - 2002-2003 - o imposto específico da Classe I foi ajustado bem abaixo da inflação. Entre maio de 1999 e dezembro de 2003, a inflação acumulada foi de 49%, enquanto o ajuste de imposto foi somente de 34% para a classe I e de 27% para os cigarros mais caros. Por último, o aumento entrou em vigor em julho de 2007, mas a inflação continuou a subir e o hiato entre a trajetória da inflação e o imposto voltou a crescer. Em outras palavras, significa que está na hora de voltar a aumentar esse imposto.

Mas, tendo uma política um tanto quanto agressiva no controle do tabagismo, com várias medidas que puseram o Brasil entre as lideranças nesta área, é difícil entender porque o governo baixou a relação IPI/preço do cigarro. A justificativa é porque o país estava enfrentando um forte aumento do contrabando. As empresas e muitos especialistas o consideravam resultado da alta carga tributária sobre o cigarro, que gerava preços domésticos altos demais e estimulava a entrada do produto estrangeiro ilegal ou, até mesmo, a fabricação do produto sem pagar imposto. Então a “solução” era reduzir a carga tributaria, com um imposto mais simples de controlar (imposto específico) e com medidas melhores de controle (como o selo).

O MERCADO ILEGAL

Na análise, Iglesias mostra que redução do preço real e a da relação IPI/ Preço do Cigarro não diminuíram significativamente o volume do mercado ilegal no Brasil.

Houve uma queda abrupta do preço real entre 1998 e 2003, de aproximadamente 17%. O mercado ilegal diminuiu, passando de 37% para 32% do mercado total, que ainda é absurdamente alto para os padrões mundiais.

Nos últimos anos, o preço real aumentou um pouco e nem por isso o mercado ilegal aumentou. Finalmente, em 2007, houve aumento real de preços do cigarro e não há nenhuma evidência de alteração do mercado ilegal. Fica claro que, no mínimo, não há uma relação direta e proporcional entre mercado ilegal e preço do cigarro. A experiência internacional indica que o volume de contrabando depende de outras variáveis e não do preço que o país pratica.

A relação IPI/Preço do cigarro passou de 42,5% para menos de 25%, uma queda de quase 20 pontos percentuais, com impactos significativos na arrecadação total de IPI-cigarro. O mercado ilegal permaneceu em torno de 30% do mercado total, caindo 5% em relação ao pico de 1998, mas mantendo os níveis de 1997.

SUGESTÕES DA ACT PARA UMA POLÍTICA DE AUMENTO DE PREÇOS E IMPOSTOS SOBRE CIGARROS

· Aumento de imposto e de preço do maço:

A diminuição do imposto não reduziu significativamente o mercado ilegal. Muito ao contrário, este mercado permaneceu alto. Não parece haver, portanto, uma relação entre impostos e nível do mercado ilegal, corroborando a experiência internacional. Logo, uma proposta de aumento de imposto não deverá aumentar o mercado ilegal.

Poderia haver uma alegação de que o aumento de imposto não ocasiona aumento de preço do maço, mas devemos lembrar que: 1) a redução do imposto de 42,5% do preço para 20%-25% do preço significou aumentar a margem de lucro por maço de cigarro para as companhias instaladas no Brasil; 2) os aumentos de impostos, feitos entre 1999 e 2007, abaixo da inflação e da própria elevação dos preços de cigarros, não afetaram em nenhum momento a lucratividade conquistada a partir de 1999 e, portanto, elas não foram obrigadas a praticar grandes altas de preços.

A percentagem de repasse do aumento do IPI–cigarro sobre preços está entre 75% a 85% da elevação da alíquota. Mesmo com margens maiores depois de 1999, as empresas repassaram grande parte do aumento do imposto aos preços. Não há evidência no Brasil que o aumento de impostos não tenha impacto nos preços.

· Não adoção de preço mínimo

Alguns especialistas defendem um preço mínimo para os cigarros. Iglesias contesta esta teoria, pois segundo ele as empresas repassam o aumento do IPI-cigarro aos preços, já que nenhuma delas reduz suas margens de lucros significativamente, nem mesmos as empresas de cigarros brasileiras, que tiveram uma alta significativa da margem de lucro a partir de junho de 1999.

· Arrecadação

Frente à perda da CPMF, o governo precisa arrecadar e o imposto sobre o cigarro é uma boa fonte de arrecadação. O governo deveria estudar, como medida de curto prazo, elevar os valores específicos de cada classe para níveis da relação IPI/Preço mais próximos de 40%.

O estudo de Roberto Iglesias para a ACT está disponível em: www.actbr.org.br

São Paulo
Acontece Comunicação e Notícias
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terça-feira, 25 de março de 2008

Fumo e doenças oculares

O FUMO AUMENTA O RISCO DO SURGIMENTO DE DOENÇAS OCULARES
Entre as diversas doenças em que o tabagismo é apontado como fator de risco, como câncer de pulmão, laringe, pâncreas, fígado e bexiga, entre outros, o hábito de fumar também aumenta o risco do surgimento da catarata e degeneração macular.
Para o oftalmologista José Martins Leitão Guerra, em comparação com quem não fuma, os fumantes apresentam um risco duas vezes maior de catarata precoce e de duas a três vezes maior de desenvolver a degeneração macular relacionada à idade. "Os maços de cigarro deviam estampar também estas advertências", afirma o especialista.
Segundo estudo publicado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), mostra que mulheres e crianças são os grupos de maior risco na exposição passiva em ambiente doméstico. Também há risco na exposição em ambiente de trabalho, onde a maioria dos trabalhadores não é protegida da exposição involuntária da fumaça do tabaco.
"Portanto, quem convive com fumantes, no ambiente de trabalho, também encontra-se mais vulnerável ao aparecimento da catarata e da degeneração macular", explica Leitão Guerra, diretor médico da Oftalmoclin.
A catarata, que é o turvamento progressivo do cristalino interferindo na absorção da luz que chega à retina, acomete cerca de 75% das pessoas com idade acima de 70 anos, e é uma das principais causas de cegueira reversível no mundo, afetando diretamente a qualidade de vida dos idosos.
"Em seu estágio inicial, a catarata causa uma diminuição da visão e nesse momento a mudança no grau dos óculos pode até ajudar, mas com avanço da doença a visão diminui progressivamente. Outro sintoma comum é a diminuição da acuidade visual noturna, às vezes com certo ofuscamento na presença de focos intensos de luz, como a luz dos faróis de automóveis", alerta o oftalmologista.
Ainda de acordo com o médico, apesar da diminuição da visão, a catarata tem cura através de tratamento cirúrgico, caso o uso de óculos não melhore a visão de modo satisfatório. Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Catarata e Implantes Oculares, 350 mil pessoas são operadas todos os anos em decorrência da catarata, no Brasil.
"A cegueira causada pela catarata pode ser reversível nos casos em que não há outras doenças oculares associadas, como a degeneração macular, as retinopatias ou o glaucoma", diz Guerra.
Sobre a degeneração macular, que é uma lesão na área do olho que permite que a pessoa enxergue os detalhes com clareza, o paciente apresenta dificuldade para ler, escrever, costurar e para realizar outras atividades.
"A degeneração macular é uma lesão que afeta tanto a visão para longe quanto a visão para perto e alguns sintomas podem apontar o problema como: as cores ficam mais esmaecidas, percepção de uma área escura ou vazia no centro da visão e alteração do tamanho dos objetos", lembra Dr. Leitão Guerra.
Na maioria dos casos, a degeneração macular, patologia que atinge 30 milhões de pessoas em todo o mundo, apresenta-se na terceira idade, por isso a doença é freqüentemente chamada de Degeneração Macular Relacionada à Idade, (DMRI).
"A DMRI é, hoje, a principal causa de cegueira legal no mundo, em faixas etárias superiores a 50 anos. Na medida em que aumenta a expectativa de vida das pessoas, aumenta também a incidência da doença", declara.

AGÊNCIA DE TEXTOS E NOTÍCIAS
Fone: (71) 3271-7171
E-mail:
marcele@agenciadetextos.com.br

ACT reage às pressões da Abrasel contra a lei 9294/96

CARTA ABERTA
À ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE BARES E RESTAURANTES - ABRASEL


Prezados Senhores,

É com surpresa que tomamos conhecimento de dois atos estarrecedores perpetrados por essa associação.

O primeiro encontra-se na página eletrônica da Revista Bares e Restaurantes (
http://www.revistabareserestaurantes.com.br/orientacaojuridica.asp, acessibilidade confirmada na data de hoje), editada por V.Sas., em que a orientação jurídica fornecida aos seus associados no sub-título “como se livrar das restrições”, com relação à proibição do uso de cigarros e demais produtos fumígeros nesses estabelecimentos é, para aqueles que não quiserem obedecer à lei, “ficar sem fazer nada e, se levar uma multa, procurar anulá-la judicialmente”.

O outro ato é a pressão que vem sendo exercida contra a atuação do Ministério Público do Trabalho, em parceria com a Vigilância Sanitária e Coordenação Municipal de Controle do Tabagismo da Secretaria de Saúde de Recife, para fiscalização e aplicação da lei 9294/96, que justamente proíbe o uso de cigarros e demais fumígeros em lugares coletivos, públicos ou privados, o que inclui bares e restaurantes, salvo se houver recinto isolado e com arejamento adequado.

Com relação à orientação jurídica que V.Sas. fornecem aos seus associados, ressaltamos a responsabilidade ética e social dessa associação em cumprir e fazer cumprir a legislação nacional, bem como em respeitar e responsabilizar-se pela saúde não só de seus clientes consumidores, mas principalmente pela saúde ocupacional de seus funcionários.

Vale frisar que há, sim, punição para o desrespeito à lei, tanto administrativa quanto judicial, e que é o empregador o responsável pela salubridade do ambiente de trabalho.

De acordo com a Sociedade Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Condicionamento de Ar -- ASHRAE, American Society of Heating, Refrigerating and Air-conditioning Engineers, órgão de referência dessa área da engenharia -- a poluição tabagística ambiental (PTA) representa um problema para a qualidade do ar de ambientes interiores e a fumaça ambiental do tabaco é um dos poluentes mais difíceis de ser controlado na fonte. O fumo em ambientes coletivos fechados gera problemas de saúde aos que nele se encontram. A situação se agrava para os funcionários que não podem optar por não freqüentar bares e restaurantes livres de fumo. Nenhuma tecnologia de engenharia de ventilação demonstra controlar os riscos impostos pela exposição à PTA, apenas reduzi-los e controlar questões de conforto relacionadas.

Quanto à pressão contra a iniciativa do Ministério Público do Trabalho, da Vigilância Sanitária e da Secretaria de Saúde de Recife, cidade referência na aplicação e implementação da legislação que veda o fumo em lugares coletivos, é bom ressaltar que as medidas adotadas em conjunto por esses órgãos não só beneficiam consumidores e trabalhadores de bares e restaurantes daquela capital, como é iniciativa com ampla aprovação popular e sem repercussão econômica negativa para os estabelecimentos. Esse fato é confirmado por pesquisas feitas em outros países, que mostram que após a implementação de ambientes livres do fumo não ocorreram perdas econômicas para os estabelecimentos da indústria da hospitalidade e que houve aumento da freqüência à bares e restaurantes.

Com essas informações permanece a pergunta: a quem beneficiam esses atos perpetrados pela Abrasel? Com certeza não estão entre os beneficiados seus trabalhadores e clientes. Menos ainda seus associados, estimulados a descumprir a legislação nacional.

Essa carta tem a finalidade de clamar pela responsabilidade ética e social dessa respeitada associação, para que opte por meios corretos e legítimos para atingir seus fins.

Atenciosamente,

ALIANÇA DE CONTROLE DO TABAGISMO
Paula Johns - Diretora



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segunda-feira, 24 de março de 2008

ACT Lança Pesquisa Sobre Ações Judiciais Indenizatórias Promovidas Contra A Indústria Tabagista

Decisões mostram desconhecimento sobre o poder viciante da nicotina e sobre as manipulações da indústria

A Aliança para o Controle do Tabagismo – ACT – acaba de fazer um levantamento das ações judiciais contra a indústria do tabaco, sob a coordenação da advogada Clarissa Menezes Homsi, responsável pela área jurídica da ACT. O estudo foi feito entre 2006 e 2007 e reviu 108 decisões proferidas em 61 ações individuais contra Souza Cruz e Philip Morris nos estados do sul, sudeste e Distrito Federal. Além dessas, três ações coletivas promovidas pelo Ministério Público do Distrito Federal, pela ADESF - Associação de Defesa da Saúde do Fumante - e por outra associação foram analisadas. As duas primeiras tiveram decisões contrárias à indústria, mas ainda pendem de recursos.

Pela análise, tanto quantitativa quanto qualitativa, é possível verificar que a indústria tem sido vencedora na batalha judicial contra os fumantes e seus familiares. Isso não se deve à ausência de normas que garantam a indenização do fumante. Segundo Clarissa Homsi, “nas relações de consumo, a legislação brasileira adota a responsabilidade objetiva, ou seja, independente de culpa. Portanto, independentemente da licitude da atividade, bastando a ocorrência do dano e do nexo causal entre ação/omissão do agente e o dano para que haja o dever de indenizar. Há, portanto, fundamento legal para a condenação da indústria.”

Das 108 decisões, apenas sete foram contrárias à indústria, e em apenas um caso o autor é o fumante. Nas demais são seus familiares. Isto se explica pelas decisões que consideram o fumante um fraco, único responsável pelo vício e perfeitamente capaz de abandoná-lo, bastando vontade. Tal entendimento, de acordo com a análise, denota desconhecimento sobre o poder viciante da nicotina e, pior, sobre sua constante manipulação para aumentá-lo, seja pela adição de amônia ou utilização de tabaco transgênico, fatos comprovados cientificamente e reconhecidos em ações no exterior. No entanto, o Poder Judiciário continua cego a tais evidências e adota o discurso da indústria de que haveria controvérsia sobre esse poder viciante e livre arbítrio do fumante para parar.

O documento destaca, ainda, o chamado Princípio da Boa-Fé Objetiva, violado pela indústria não só quando deixou de informar sobre os malefícios do cigarro como quando agiu de forma a ocultar a existência de tais malefícios. Aliás, ao agir de forma a omitir os riscos do cigarro, ocultar informações e adulterar a nicotina, a indústria age com culpa (e mesmo dolo), motivo pelo qual, mesmo diante da responsabilidade subjetiva, haveria dever de indenizar. Entretanto, o Poder Judiciário tem simplesmente deixado de aplicar o Princípio da Boa-Fé Objetiva, para adotar, como excludente de responsabilidade, a licitude da atividade da indústria em produzir e comercializar cigarros, e a própria licitude do produto e da propaganda. A exceção seria a Justiça do Rio Grande do Sul, que tem aceitado estudos científicos, fatos públicos e notórios, acessíveis em livros e Internet, e provas produzidas em outros processos, inclusive no exterior.

Além disso, o Poder Judiciário tem negado aos autores das ações indenizatórias o direito de produzir provas, bem como não têm adotado a regra da inversão do ônus da prova. Principalmente com relação ao primeiro aspecto, os prejuízos aos fumantes e herdeiros são evidentes, já que são impedidos de comprovar fatos como o nexo causal entre o adoecimento/morte e o uso do cigarro, as marcas de cigarro fumadas ou o tempo de fumo.

O ENTENDIMENTO DO PODER JUDICIÁRIO EM ALGUNS ASPECTOS
O documento analisa a posição do Poder Judiciário em relação a alguns aspectos relacionados ao tabagismo, tais como:

· Propaganda: Entende que a propaganda é lícita e regulamentada pela legislação. No entanto, era livre há pouco mais de 10 anos e dirigida aos jovens, crianças e adolescentes e, inclusive numa das ações, há a alegação de que a indústria distribuia cigarros na porta de escolas, o que não foi considerado ilegal pelo Judiciário.
Também nega o efeito da publicidade como indutora do ato de fumar, ainda que este ponto tenha sido considerado fator substancial para a iniciação em ação movida contra 11 tabageiras nos EUA, e aceita supostos estudos apresentados pela indústria que afirmam que se começa a fumar por influência do meio social.

· Advertências sobre os malefícios do cigarro: Exclui o dever de indenizar, já que as advertências estão estampadas nos maços e nas propagandas, e acredita que elas são suficientes para informar sobre os males do fumo. Também acredita que os malefícios à saúde são conhecidos há muito tempo e de forma suficiente pelos fumantes, que fumam porque querem. Ou seja, a culpa é exclusiva da vítima. Neste ponto, o Judiciário deixa de considerar que, quando a maioria dos autores das ações começou a fumar, a propaganda era maciça e não havia advertências.

· Dependência da nicotina: Vê o fumante como um fraco, culpado pelos resultados de seu vício. O Judiciário aponta como fundamento a questão do livre arbítrio para começar a fumar, afastando qualquer responsabilização sobre como a indústria sempre divulgou seu produto e o que omitiu sobre ele. Também não vê maiores dificuldades para deixar o vício, diz que a nicotina não cria dependência.

· Impostos e indenizações: Acredita que os impostos são pagos em valores suficientes para cobrir eventais despesas médicas dos fumantes para justificar a improcedência do pedido de indenização, desconsiderando que os custos de saúde, sociais e ambientais superam a arrecadação por tributos. Pode-se dizer que o Poder Judiciário brasileiro é refratário a uma suposta cultura da indenização, como ocorre na experiência norte americana, não vendo com bons olhos as ações judiciais por danos morais.

· Desqualificação dos laudos médicos e perícias: Estes documentos ligam o cigarro à doença ou morte do fumante e são desqualificados pelo Poder Judiciário. A indústria, por meio de seus peritos – e muitas vezes, peritos judiciais – dissemina a informação de que as doenças associadas ao cigarro são multifatoriais. Portanto, o Judiciário não considera demonstrado o nexo de causalidade, entendendo que o cigarro não é causa necessária e suficiente para o dano sofrido.

EXEMPLOS DE DECISÕES PRÓ-INDÚSTRIA

Entre as decisões pesquisadas, algumas chamaram a atenção pelo grau de alheamento à realidade e as evidências disponíveis atualmente.

Em 83 ocorrências, e em todos os estados pesquisados, o fumante é visto como um fraco, que quer se locupletar às custas da indústria, e não como um doente, dependente de uma droga como a nicotina. As sentenças apresentam frases como:

“(...) a dura realidade do fumante: um ser que, em virtude do vício, é considerado minoria não desejada, porque o cigarro faz mal.”

“Não se espera que o Judiciário paternalize situações que decorrem exclusivamente da vontade do cidadão.”

Em 30 ocorrências, foram usados argumentos da indústria, como fumar é um hábito e que não há dados científicos incontroversos de que a nicotina efetivamente cause o vício. Nesses casos, as sentenças apresentam frases como:

“O consumo de tabaco não pode ser enquadrado na definição clássica de vício, pois é possível abandonar essa prática sem qualquer auxílio externo.”

“A cessação do ato de fumar é um fato notório que depende única e exclusivamente do usuário.”

“A nicotina pode até causar dependência física e psíquica, mas não a ponto de retirar do fumante a autodeterminação.”

“Não é impossível deixar o vício, basta força de vontade.”

Em 32 ocorrências, em todos os estados pesquisados, há decisões que afirmam que a informação sobre os males à saúde é bem disseminada e há tempos, apesar da portaria do Ministério da Saúde que determina a divulgação de advertências ter sido editada em 1988 e as imagens só constarem nos maços de cigarros a partir do ano 2000. São exemplos frases como:

“... a informação quanto aos danos à saúde provocados pelo tabagismo foi disseminada entre os povos desde o seu surgimento.”

“Não é crível que o cidadão não tivesse conhecimento dos malefícios causados pelo consumo do tabaco, sempre combatido pelos manuais de medicina ao longo dos anos.”

“Os males do cigarro são intuitivos, não precisam ser alertados.”

Em 16 ocorrências, o Judiciário entende que a indústria fornece informações suficientes e adequadas ao consumidor, sem atentar que o faz, atualmente, por força de lei. Como exemplo, temos:

“A demandada, sempre com responsabilidade, obedeceu e obedece às normas legais até hoje. Isso se pode depreender das próprias embalagens de cigarro juntadas aos autos pelo autor. (...), é público e notório que o cigarro faz mal à saúde, e a demandada até adverte o consumidor disso.”

Já em 75 ocorrências, os exemplos das ações são de como o Judiciário vê a propaganda: como lícita, regulamentada, não enganosa ou abusiva, e que não influencia o consumo de cigarros.

“A publicidade não influencia, conforme estudos da indústria de que é o meio social que influencia no hábito de fumar.”

“O autor não especifica qual propaganda o teria levado ao fumo.”

“A advertência de que ‘fumar é prejudicial à saúde’ é suficiente para atender ao princípio da informação.”

“À primeira vista, a publicidade não tem o poder de influenciar todas as pessoas. Haja vista os pobres e analfabetos que não têm acesso aos meios de comunicação e fumam.”

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO...

Apesar de grande parte das ações favorecer a indústria, a pesquisa identificou quatro ocorrências em que foram citadas as ilicitudes por ela praticadas demonstradas nos documentos internos das empresas de tabaco, tornados públicos a partir dos processos movidos nos Estados Unidos. Outras 33 ocorrências apontaram a ilicitude da indústria ao ocultar informações e fazer declarações falsas sobre o cigarro, o que teria ferido o princípio da boa-fé objetiva. Em 19 ocorrências, por sua vez, as sentenças mostram que a propaganda é enganosa, influencia o consumo e o cigarro causa dependência.

A pesquisa feita pela coordenadora jurídica da ACT está disponível em nosso site, através do endereço: www.actbr.org.br

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domingo, 23 de março de 2008

Tabagismo: uma ameaça global

A Organização Mundial da Saúde divulgou recentemente um novo relatório sobre os esforços no controle do tabagismo com um alerta: somente 5% da população mundial vive em países com adoção de medidas-chave que reduzem as taxas do tabagismo. Se não houver um esforço global para diminuir o número de fumantes, o tabagismo pode matar 1 bilhão de pessoas no século 21, nos países em desenvolvimento, grupo no qual está enquadrado o Brasil. Esta previsão significa 10 vezes mais mortes do que se previa no século passado. O cigarro mata 5,4 milhões por ano no mundo (mais do que a soma das vítimas de tuberculose, malária e Aids), número, aliás, que deve crescer para 8 milhões em 2030, de acordo com projeção da OMS.

O novo documento enfatiza o impacto do fumo nos países em desenvolvimento, já que 80% das mortes previstas para 2030 vão ocorrer nessas nações, de acordo com a organização. O consumo de tabaco está em queda nos países ricos, mas é crescente nos pobres e de renda média, segundo a OMS.

COMO PREVENIR A CATÁSTROFE

O documento também revela que os governos, na maioria dos países, investem muito pouco em políticas de prevenção efetivas. Recomenda o aumento de preços e impostos como a estratégia mais efetiva para redução de consumo e prevenção da iniciação, além de fornecer uma fonte de fundos sustentáveis para implementar e reforçar a abordagem recomendada pela OMS. Os seis pontos que a entidade destaca são:
Monitorar o uso do tabaco e as políticas de prevenção.
Proteger as pessoas contra a fumaça do tabaco.
Oferecer ajuda para cessação.
Advertir sobre os riscos à saúde.
Reforçar a proibição de propaganda, promoção e patrocínio pelas empresas de tabaco.
O Brasil é uma das nações que precisa melhorar sua lição de casa. Para Paula Johns, presidente da Aliança do Controle ao Tabagismo (ACT), “o país foi pioneiro em algumas áreas, mas não segue uma medida básica de custo zero: o aumento dos preços e impostos, e com isso o cigarro brasileiro é o sexto mais barato do mundo”.

FAÇA SUA PARTE: É POSSÍVEL PARAR

De acordo com a dra. Nise Yamaguchi, médica oncologista e presidente da Associação Brasileira de Cuidados Paliativos, um passo importante para quem quer parar é buscar informações a respeito dos malefícios da dependência. Em seguida, um especialista deve ser procurado para uma avaliação geral e definição terapêutica. Vale frisar que, no início do tratamento, é real a chance de ganho de peso. Portanto, recomenda-se atividades físicas (caminhadas, natação, dança, mas sempre após a autorização de seu médico) e alimentação balanceada, evitando-se doces e alimentos gordurosos.

Tratamentos medicamentosos, como a reposição de nicotina (em adesivos ou gomas de mascar) associada ou não aos antidepressivos nortriptilina e bupropiona podem ser prescritos como suporte. Um tratamento para abandonar o fumo dura cerca de 12 semanas. Às vezes pode ser prorrogado por um total de 6 meses.

“O combate ao tabagismo é fundamental tanto individualmente, já que falamos de um bem muito precioso, a saúde do cidadão, e ainda para o coletivo. Neste particular, é essencial para reduzir os elevados custos sociais e financeiros relacionados ao vício, que, aliás, tendem a crescer no futuro próximo".

Assessoria de Imprensa
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segunda-feira, 17 de março de 2008

Psicologia do fumante

Estudo feito na USP indica que, apesar de mais extrovertidos e sociáveis, fumantes também são mais ansiosos e depressivos

Fumantes tendem a ser mais extrovertidos, característica que se relaciona com outras, como sociabilidade, afetuosidade, espontaneidade e facilidade de comunicação. 

Por outro lado, quando comparados com ex-fumantes e não fumantes, eles se mostram mais propensos a serem mais ansiosos, tensos e impulsivos. Essas características, por sua vez, do ponto de vista psicológico, têm forte relação com transtornos mentais como esquizofrenia e depressão.

Esse diagnóstico foi descrito em estudo realizado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP), que acaba de ser publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia. O trabalho apresenta uma revisão da literatura científica sobre a psicologia do tabagismo, a fim de eleger características da personalidade consideradas como obstáculos ao abandono do tabagismo.

Segundo os autores, a justificativa do estudo, cujos resultados tiveram como base a análise de dados de mais de 60 trabalhos de grupos de pesquisa nacionais e estrangeiros, é que a compreensão dos fatores de natureza psicológica associados ao consumo de cigarros pode contribuir para a criação de novas estratégias terapêuticas para o tratamento da dependência.

“Os programas de intervenção-padrão que têm como foco a terapia comportamental, como por exemplo os indicados pelo Inca [Instituto Nacional de Câncer], basicamente vão orientar uma diminuição progressiva do uso do cigarro e uma maior atenção ao ambiente controlador, que são as situações do cotidiano que estimulam o consumo, seja após um cafezinho ou no happy hour com os amigos em um bar”, disse à Agência FAPESP o coordenador do trabalho, Ricardo Gorayeb, professor do Departamento de Neurologia, Psiquiatria e Psicologia Médica da FMRP.

“Conhecendo a personalidade dos usuários, após um atendimento individual, ou com base em dados de literatura, o terapeuta pode direcionar um aconselhamento clínico específico para cada indivíduo”, apontou Gorayeb, indicando que, apesar de a prevalência de consumo variar de continente para continente, a literatura indica que hoje, em média, 20% da população mundial é tabagista.

Seguindo essa linha de raciocínio, para aumentar o número de pacientes que de fato abandonarão o tabaco no fim do tratamento, o pesquisador aponta ser fundamental, antes de iniciá-lo, que a personalidade dos indivíduos e a presença de algum distúrbio psiquiátrico sejam cuidadosamente avaliadas pelos profissionais de saúde.

“Muitos casos no Hospital das Clínicas da FMRP, em que os pacientes eram ansiosos ou tinham depressão, foram solucionados com programas paralelos de relaxamento muscular e com o uso de medicamentos antidepressivos. Essa avaliação prévia deve ser feita para evitar os sintomas da síndrome de abstinência e também o aparecimento de outras doenças mentais”, explicou. Motivação grande, resultados modestos

De acordo com o estudo feito na FMRP, apesar de a literatura mostrar que cerca de 70% dos fumantes afirmam querer parar de fumar, poucos conseguem: a maior parte precisa de cinco a sete tentativas antes de definitivamente largar o cigarro.

“Em outro trabalho, que conduzi nos Estados Unidos com um grupo de fumantes atendidos no Hospital John Hopkins, apenas 20% dos pacientes deixaram de fumar no primeiro ano de tratamento. Esse índice de sucesso subiu para cerca de 35% no segundo ano”, afirmou Gorayeb.

Isso ocorre, segundo ele, entre diversos outros motivos, pela tão conhecida síndrome de abstinência causada pela falta da nicotina, uma das principais, se não a maior, causas da manutenção do vício. De acordo com a literatura, seus sintomas variam em intensidade entre os usuários e se iniciam dentro de algumas horas após a interrupção, atingindo o auge no terceiro dia sem o cigarro.

“Esse desconforto piora ao anoitecer e as maiores queixas se referem à compulsão aumentada, à irritabilidade e à dificuldade de concentração. Tais alterações podem ser observadas por 30 dias ou mais, mas os sintomas de compulsão podem durar muitos meses ou anos”, disse.

Outro fator que dificulta o abandono é o ganho de peso, uma vez que estudos clínicos e epidemiológicos consultados pelos pesquisadores relatam que, normalmente, os fumantes pesam menos que os não fumantes e ganham peso quando param de fumar. O trabalho da FMRP aponta ainda a maior prevalência de tabagismo em pacientes portadores de transtornos psiquiátricos, em comparação com a população em geral.

“A hipótese é que a nicotina interfere no funcionamento dos sistemas neurotransmissores e exerce ações neuroendócrinas no organismo humano, o que pode influenciar no quadro psicopatológico dos usuários. Essa é mais uma especulação do que uma certeza científica, uma vez que a ciência mundial ainda não tem grandes evidências sobre a atuação da nicotina no sistema nervoso central”, destacou Gorayeb.

O trabalho foi realizado em parceria com Regina de Cássia Rondina, professora da Faculdade de Ciências da Saúde da Associação Cultural e Educacional de Garça (ACEG), e Clóvis Botelho, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Para ler o artigo Características psicológicas associadas ao comportamento de fumar tabaco, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui


Por Thiago Romero | Agência FAPESP